terça-feira, 30 de dezembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Cachoeira: urgentes necessidades da cidade em 1869

Um dos livros utilizados pela Câmara Municipal da Cidade da Cachoeira para lançamento das cópias dos ofícios dos vereadores (CM/S/SE/RE-007), aberto em 3 de março de 1863, traz em suas folhas 146 a 148v. um relatório que atendia ao estabelecido por lei em que os deputados da Assembleia Provincial deveriam ser informados das mais urgentes necessidades dos municípios.

O documento traz como primeira necessidade a recuperação da Igreja Matriz que, naquela época, era o mais importante edifício da cidade, juntamente com a Casa de Câmara, Júri e Cadeia recentemente construída. 

Igreja Matriz em seu aspecto original (foto entre 1910/1920) -
Fototeca Museu Municipal
Nas imediações, os prédios mais imponentes e ainda assim sem rivalizar com a Igreja eram o Império do Divino Espírito Santo (1856) e o Teatro Cachoeirense (1830).

Teatro Cachoeirense - Museu Municipal

Igreja Matriz e Império do Espírito Santo - Fototeca Museu Municipal

Eis algumas das necessidades listadas:

1.º = A Igreja Matriz da Cidade da Cachoeira, cujo exterior se acha em estado lastimoso, tem necessidade absoluta de alguns reparos, sobretudo carece ser rebocada na sua totalidade e retelhada; A conservação do edificio imperiosamente exige estes concertos, não menos desejaveis do ponto de vista da decencia e como prova que os habitantes deste lugar acatão com a divida veneração a caza de Deus.
2.º = A illuminação publica da Cidade na lei vigente do orçamento Provincial foi contemplada esta Cidade com 40 lampeões para o fim de sua noturna illuminação, posto que seja insuficiente este numero de lampeões para de um modo complecto e conviniente illuminar toda Cidade, com tudo é de grande vantagem e ousamos agora pedir que seja de novamente consignado no fucturo orçamento Provincial outro igual numero.
3.º = O calçamento do caminho que conduz da Cidade para o porto que tem no rio Jacuhÿ; e o melhoramento, ou antes a conclusão dos trabalhos da rampa do desembarque no mesmo porto, são, principalmente o primeiro, construcções de palpitante urgencia, com cuja realização muito aproveitará o commercio, e com elle a riqueza geral do lugar.
4.º = Os trabalhos tendentes a obstar a continuação do esboroamento da sanga denominada da Michaela (...) As ultimas quadras de seo curso, antes de confundir-se com o arroio - amorim - tem-se transformado em um precipicio de grande profundidade e largura, o qual cada vêz avança mais agoa acima pelo continuado desmoronamento das terras (...) Este continuado avançar do precipicio ameaça enterromper em breve tempo o transito e a communicação com esta Cidade das estradas vindas da campanha, da Cidade de Rio = Pardo, da colonia de Sto. Angelo e de cima da serra (...)
5.º = Estradas geraes, e Paços sobre rios e arroios. A estrada geral que vinda da Cidade de Rio = Pardo com destino de S. Gabriel atravessa parte do municipio da Cidade da Cachoeira desde as margens do arroio Butucarahÿ até a diviza do municipio de Caçapava alem do arroio Santa Barbara, é sem duvida uma importantissima via de communicação, não somente como estrada militar, como tão-bem pelo incessante movimentar de carretas que conduzem artigos de commercio da Capital as Cidades de Caçapava e S. Gabriel e as mais povoações de grande parte da fronteira (...).

O relatório segue dando detalhes das necessárias obras nas estradas e passos, justificando que o orçamento da Câmara era deficitário, especialmente por ela se achar obrigada a pagar anualmente, para saldar empréstimo feito pela Fazenda Provincial no valor de 26:000$000 (vinte e seis contos de réis), para o pagamento de igual quantia á viuva de Ferminiano Pereira Soares, pela construcção da caza de suas Sessões e Cadêa.

Transcorridos 145 anos, deduz-se a magnitude das urgências elencadas pelos vereadores e o quanto deve ter sido colocado em segundo plano numa cidade jovem, em crescimento e que vivia uma época de infraestrutura extremamente deficitária. 

A responsabilidade das escolhas recaiu sobre os signatários do documento, datado de 3 de maio de 1869, vereadores Candido Gonçalves Borges, Fideles Semões de Alemcastre, Timotheo José Severo, João Alves de Almedia, Bento Porto da Fontr.ª.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Votos de final de ano

A Equipe do Arquivo Histórico deseja a todos os seus apoiadores, seguidores e consulentes um 
Feliz Natal e um próspero 2015!


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

15 de dezembro de 1859 - 15 de dezembro de 2014: 155 anos de Cachoeira Cidade

Há 55 anos Cachoeira comemorou o centenário de sua elevação à condição de Cidade com grande repercussão.

Cachoeira do Sul em 1959 - cartão-postal da fototeca do Museu Municipal

O Jornal do Povo, em sua edição do dia 15 de dezembro de 1959 trazia como manchete: Cachoeira Centenária Comemora a Histórica Data.

Jornal do Povo, 15/'12/1959, p. 1 - Acervo de imprensa - Arquivo Histórico
Naquele mês de dezembro a cidade desenvolveu uma extensa programação comemorativa, com decretação de feriado no dia 15, lançamento de publicação alusiva, eleição da rainha do Centenário e outras atividades sociais, culturais e esportivas que envolveram toda a comunidade.

Álbum comemorativo - 1959 - acervo Arquivo Histórico
A Rainha do Centenário eleita em concurso foi a senhorita Janice Maria Bacchin, representante do Clube Comercial, tendo como princesas Sueli Müller, representando a Sociedade Rio Branco, e Pegi Estrázulas, representando o Clube Atlético Bancário. A apresentação da rainha eleita se deu na tarde de domingo, 13 de dezembro, no Jockey Clube Cachoeirense, dia em que foi oficialmente aberta a programação e disputado o Grande Prêmio Centenário de Cachoeira do Sul.

O Jornal do Povo destacou, dentre as atividades previstas, a melhoria destinada ao nosso principal cartão-postal: 

Um dos grandes presentes que a cidade ganhou na sua data centenária foi, sem dúvida, a fonte luminosa no Château d'Eau. Projetada e construída com desvelo e dedicação pelos técnicos da Prefeitura, visou a iniciativa embelezar aquele conhecido logradouro público, tradicional obelisco de referência para Cachoeira do Sul.

Château d'Eau - cartão-postal da fototeca do Museu Municipal
O programa previsto para acontecer no dia 15 de dezembro de 1959 constava de:
- 8h: hasteamento do Pavilhão Nacional na Praça José Bonifácio pelo Prefeito Municipal, com a participação da Banda Marcial Militar;
- 9h: revista e desfile das tropas da Guarnição Militar de Cachoeira do Sul;
- 10h30: desfile das entidades esportivas;
- 20h: Te Deum em ação de graças na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição;
- 21h: sessão solene alusiva ao Centenário, no Cine Teatro Coliseu, com alocução do Dr. Orlando da Cunha Carlos.

Decorridos 155 anos daquela data, hoje se dá maior ênfase, pela significação histórica, ao dia 5 de agosto de 1820, quando houve a instalação do Município e a conquista da autonomia administrativa. No entanto, supra valorizar a emancipação político-administrativa não tira a importância da elevação à condição de Cidade, distinção então conferida a terras progressistas e com futurosa ascensão.

Parabéns, Cachoeira Cidade!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Padres Redentoristas em Cachoeira

A Igreja Santo Antônio é um dos cartões-postais de Cachoeira do Sul, verdadeira joia que brotou do gênio do arquiteto alemão José Lutzenberger.

Projeto do convento e Igreja de Santo Antônio - arquiteto José Lutzenberger
- extraído da publicação Suplemento do Santuário de Aparecida, 1944
Há 70 anos, mais precisamente em fevereiro de 1944, dez anos depois do começo das obras de construção da igreja, tiveram início os trabalhos de conclusão das torres, execução da Companhia Construtora e Organizadora Industrial S.A., que na mesma época estava levantando o prédio que serviria como nova agência do Banco do Brasil, na Rua Sete de Setembro, onde depois funcionou o Clube Independente.

Igreja Santo Antônio com as torres ainda inconclusas,
vista interior do templo e tomada do Colégio Imaculada Conceição
- Suplemento do Santuário de Aparecida, p. 203, 1944
A vinda dos redentoristas para Cachoeira foi um dos marcos da expansão da ordem no Rio Grande do Sul, pois até então eles estavam presentes somente em Pelotas.

Cachoeira, situada no centro do Estado, apresentava posição privilegiada para o estabelecimento de uma igreja e uma casa de missionários, possibilitando ação pastoral em todas as dioceses circunvizinhas. Assim, em novembro de 1921 chegaram os primeiros redentoristas a Cachoeira, vindos de Pelotas: Agostinho Polster e Irmão Melchior. Logo depois chegaram os padres Antão Jorge e Orlando de Morais, ficando todos acomodados em uma pequena moradia junto à Capela de São José, no Alto dos Loretos, até que encontrassem um terreno apropriado para estabelecer o convento, a igreja e uma escola apostólica para vocações. Esta escola chegou a abrigar 25 juvenistas entre 1928 e 1936, ano em que acabou sendo transferida para Pinheiro Machado.

Escola Apostólica, ou antigo convento
- Suplemento do Santuário de Aparecida, 1944
A Igreja Santo Antônio começou a ser construída em 1934, sendo erguida com a ajuda da comunidade. Seu aspecto arquitetônico, em estilo barroco bávaro, mostra apuro estético. Os vitrais, igualmente desenhados por José Lutzenberger, foram doados por várias famílias de tradição católica da cidade.

Hoje, a igreja não pertence mais à congregação redentorista e está sob a orientação dos padres palotinos.

Como se vê, a Igreja Santo Antônio não é apenas um belo cartão-postal de nossa cidade, mas também um legado de empreendedorismo e arte em nome da fé. Sua importância histórica e arquitetônica justificou a inclusão no rol dos bens inventariados do patrimônio histórico-cultural de Cachoeira do Sul em 1989.

Vista aérea geral da Igreja Santo Antônio - foto Robispierre Giuliani
quarta-feira, 12 de novembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Levante militar no Barro Vermelho - 10 de novembro de 1924

A edição do jornal O Commercio (Cachoeira, 1900-1966) do dia 12 de novembro de 1924 traz detalhada notícia sobre o levante militar do 3.º Batalhão de Engenharia, sediado em Cachoeira, cujo desfecho se deu no Barro Vermelho, interior do município, onde pereceram o Dr. Balthazar de Bem e o jornalista Fábio Leitão.

Fábio Leitão - acervo familiar
Eis a notícia, transcrita com atualização da grafia, exceto dos nomes próprios:

Sábado último, desde cedo, começaram a circular na cidade vários boatos de que o 3.º Batalhão de Engenharia, aqui aquartelado, se sublevaria para atacar a Intendência Municipal e tomar conta da cidade.
Imediatamente as autoridades municipais, em ação conjunta com a comissão executiva do Partido Republicano local, tomaram várias providências, preparando a defesa da cidade, lançando mão do contingente de 80 homens vindos do 4.º distrito, sob o comando do capitão Avelino Carvalho Bernardes, subintendente dali, para fazer parte do corpo auxiliar da Brigada Militar que se achava em organização, bem como da Guarda Municipal e de grande número de civis republicanos que espontaneamente acorriam à Intendência para oferecer os seus serviços na defesa da legalidade.
Tomando assim todas as medidas que as circunstâncias exigiam os Drs. Balthazar de Bem e João Neves da Fontoura, membros da comissão executiva, tiveram, às 10 horas da noite de sábado, longa conferência com o Exmo. Sr. Dr. Presidente do Estado, enquanto o Dr. Annibal Loureiro se entendia, pessoalmente, com o Coronel José Armando, Comandante do 3.º Batalhão de Engenharia, que se achava no quartel dessa força do Exército.
Nada havendo de anormal àquela hora no quartel e nada desconfiando da atitude de rebeldia dos seus comandados e de todos os oficiais, que continuavam a protestar inteiro apoio ao governo legal, o Sr. Coronel Comandante mandou apenas reforçar a guarda do depósito de munição, retirando as chaves do mesmo.
Às 4 horas da madrugada de domingo, porém, o Sr. Coronel Comandante, notando grande ruído no quartel, vestiu-se apressadamente e indo verificar o que havia, foi intimado por um sargento que empunhava um revólver a se render.
Arrebatando o revólver das mãos do sargento revoltoso, o Sr. Comandante disse que se não rendia para subalterno algum, mandando vir à sua presença o chefe dos revoltosos que disseram ser o Capitão Fernando Távora.
Este oficial revoltoso, que até a última hora dera a sua palavra de honra que nada aconteceria, declarou então ao Coronel José Armando que todo o Batalhão havia se revoltado e por isso o intimava a entregar as chaves do quartel.
Desta forma, nada mais pôde fazer o Sr. Coronel Comandante, bem como os demais oficiais Major José Bentes Monteiro e Capitão Helio Cota que, nesse ínterim, chegaram ao local, os quais se conservaram fiéis ao governo, com os seguintes inferiores: sargento ajudante Symphronio Benicto dos Santos, 2.ºs. sargentos Luiz Martins do Espirito Santo Sobrinho, Manoel Telesphoro Vieira, Amador Soares, 3.ºs. sargentos Maximiliano Symauscki, Benedicto Lopes Pimenta, Carlos Espirito Santo, Carlos Daniel Iserhardt Filho, João Luiz Borges e Eurico Paranhos, cabos Oscar Assenheimer e Feliciano Severo Rodrigues e soldado José Penso.
Preparando-se desordenadamente, os revoltosos, em número de 118, dos quais muitos reservistas há poucos dias incorporados em virtude da convocação feita, depois de carregarem alguma munição e armamento, em pequenas carroças, seguiram em direção ao Passo do Seringa, no rio Jacuí.
A esse tempo, já a Intendência recebia comunicação de que o sargento Julio Siqueira, da Guarda Municipal, havia sido preso pelos revoltosos, quando fazia reconhecimento na Ponte da Aldeia.
Imediatamente, sendo chamados com urgência pelo Sr. Capitão Francisco Gama, compareciam à Intendência os doutores Balthazar de Bem e João Neves.

Dr. Balthazar de Bem e Dr. João Neves da Fontoura 
O Dr. Balthazar de Bem, a fim de verificar, de visu, o que havia de certo, em companhia do nosso companheiro de redação Emiliano Antonio Carpes, se dirigiu para o quartel do 3.º Batalhão de Engenharia, onde encontraram apenas os oficiais e os inferiores acima referidos, que se conservaram fieis à legalidade.
Depois de explicar o que tinha ocorrido, o Sr. Coronel Comandante do 3.º Batalhão pôs à disposição da Intendência cerca de cem fuzis Mauser, bem como granadas de mão que os sediciosos haviam deixado e oferecendo, com o Sr. Major José Bentes e Helio Cota, os seus serviços para combater os revoltosos.
Estes, que haviam seguido para o Passo do Seringa, transpuseram o rio e, depois de acamparem na Estância da Boa Vista, se dirigiram para o 3.º distrito, vadeando o Irapuá, a fim de tomarem a estrada de Caçapava.
Entre as providências tomadas, de ativar a organização do corpo auxiliar da Brigada que já contava com 120 homens, ficou assentada a vinda de uma companhia da Brigada Militar que se achava aquartelada em Santa Maria.
Esta força pública, porém, só pôde chegar aqui às 21 horas de domingo, sob o comando do Capitão Pedro Vaz, em trem especial, sendo recebida na estação da via férrea por uma banda de música e pela população da cidade, que em massa foi recebê-la.
Perfeitamente armada e equipada, a briosa força pública desembarcou com muita ordem e presteza, se dirigindo ao edifício da Intendência, recebendo, no trajeto da estação à Praça Tamandaré, as aclamações do povo que vivava os heroicos defensores da legalidade.
Depois de uma ligeira refeição e do apresto necessário em automóveis e caminhões especialmente requisitados, essa força pública, às 3 horas da madrugada de segunda-feira, precedida de um pequeno contingente de cavalaria sob o comando do Capitão Avelino Carvalho, iniciava a marcha para o Passo de São Lourenço, a fim de dar combate aos inimigos da ordem e da legalidade.
Transposto esse passo aos primeiros alvores da manhã de segunda-feira, às 10 horas já a heroica companhia, sob o comando do Coronel José Armando e com o concurso de inúmeros civis, como os senhores doutores Balthazar de Bem, Annibal Loureiro e Glycerio Alves, Silecio Pinós e outros, entrava em contato com os revoltosos, ficando-lhes à retaguarda.
Entrincheirando-se no cemitério existente no lugar denominado Barro Vermelho, no 3.º distrito, os revoltosos desenvolveram, desordenadamente, fogo intermitente, enquanto a companhia da Brigada Militar procurava envolvê-los, poderosamente auxiliada pelo pequeno piquete de cavalaria que fazia contínuas e cerradas cargas.
Os heroicos defensores da legalidade foram, assim, com toda a regularidade, desalojando pouco a pouco os revoltosos, até que à noite já estavam completamente destroçados.
A força legal apreendeu 200 fuzis Mauser, grande cópia de munição, cinco carroças, tendo ficado prisioneiros 13 dos revoltosos, que sofreram grandes perdas, entre feridos e mortos, inclusive o Sr. Fábio Leitão, que deixa viúva e filhos pequenos.
Da parte da legalidade tivemos a lamentar a morte do Dr. Balthazar de Bem, deputado estadual, vice-intendente deste município e membro da comissão executiva do Partido Republicano, que foi ferido mortalmente quando afoita e denodadamente combatia à frente da força legal.
A força da Brigada teve a registrar a morte de uma praça, três feridas levemente e uma gravemente.
Da presa de guerra consta também a espada do capitão revoltoso Fernando do Nascimento Távora, único oficial que traiu o governo.
A força rebelde deixou também extraviada muita munição.

Tendo conseguido o desbarato completo dos revoltosos, a força legal estava ontem, à tardinha, transpondo o Passo de S. Lourenço de regresso para esta cidade.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A fronteira do rio Jacuí

O Arquivo Histórico convida para:

Palestra: A fronteira do rio Jacuí, pelo historiador Tau Golin

Lançamento do livro: A Guerra Guaranítica -
o levante indígena que desafiou Portugal e Espanha,
de Tau Golin

Dia 14 de novembro de 2014, às 19h
SIPROM: Rua Virgílio de Abreu, 1175

O evento integra a programação do Novembro Azul - Núcleo Municipal da Cultura
Promoção: Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura - AMICUS
Conselho Municipal de Política Cultural - CMPC
Associação de Amigos da Fazenda da Tafona

Apoio: Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul

quinta-feira, 30 de outubro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Das construções que ameaçam ruína

Recentemente a imprensa local divulgou que a Prefeitura Municipal multou um proprietário de terreno central da cidade em razão do desmoronamento de seu muro. Esta ação da Prefeitura não é novidade e se respalda no cumprimento da legislação que disciplina a vida dos cidadãos no recinto da cidade.
O Código de Posturas da Câmara Municipal, promulgado em 1862, já dispunha sobre a matéria em seu Capítulo 3.º e, apesar do decurso do tempo, apresenta resoluções muito semelhantes às que hoje vigoram e são cobradas dos transgressores. Eis a redação de 1862:

CM/S/SE/RPL-002, fl. 28 e 28v.

Capitulo 3.º
Dos edificios que ameação ruina e outros precipicios.

Artigo 16 - Quem tiver casa, muro, ou qualquer outro edificio em ruina no alinhamento da rua ou praça, ou que em sua queda ou ruina possa offender a quem transitar na rua ou praça ou obstruil-a, será obrigado a reedificar ou demolir dentro de quinze dias contados da intimação, que lhes fará o fiscal por ordem da Camara. O contraventor será multado em 30$000 reis e no dobro como reincidente se dentro de outros quinze dias não cumprir com este preceito, alem de ser responsavel pelo damno causado com a queda do edificio se tiver lugar nesse tempo. E não procedendo a demolição o possuidor do edificio ou encarregado delle, no fim de dous prasos de 15 dias a Camara o mandará fazer a custa do proprietario, observando nesse caso as regras seguintes:
§ 1.º - A Camara logo que tenha participação do fiscal, ou qualquer denuncia de se achar algum edificio ameaçando ruina, nomeará dous peritos para o examinar, e verificando-se ser necessaria a demolição ou reconstrução ordenará ao fiscal para fazer notificar ao proprietario para, no termo acima prescripto, proceder a demolição ou reedificação do edificio.
§ 2.º - Quando o proprietario esteja ausente, será notificado o inquilino ou a pessoa a cujo cargo estiver o edificio.
§ 3.º - O proprietario ou quem suas vezes fizer poderá recorrer do exame procedido pela Camara para outro judicial, e com ele obter a revogação da ordem se a Camara o julgar attendivel. 
(...)

Como se pode depreender da análise dos códigos de posturas, sempre fez e ainda faz parte das atribuições das autoridades a criação e aplicação de leis que disciplinem a vida dos cidadãos e o funcionamento das cidades, estabelecendo direitos e deveres que se apliquem a todos para o bem de todos.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Primeiras letras para meninas

A educação no Rio Grande do Sul teve impulso tardiamente. Além das questões de ocupação do território, que também foram tardias em relação ao restante do país em razão das disputas havidas entre Portugal e Espanha, o longo período da Revolução Farroupilha desviou o curso natural do desenvolvimento, embora o ideário farrapo preconizasse incentivos à educação.

Em Cachoeira, as primeiras referências à educação formal só foram concretizadas depois do período revolucionário, quando houve a nomeação da primeira professora pública, D. Anna Francisca Rodrigues Pereira, em 1848.

Seis anos antes disto, em plena Revolução Farroupilha, houve uma tentativa de instalação de uma classe de primeiras letras para meninas na Vila Nova de São João da Cachoeira. O Presidente da Província mandou expedir à Câmara um edital avisando que as pessoas que quisessem fazer oposição a esta cadeira poderiam manifestar-se... Tempos em que a educação ainda não era genericamente entendida como fator imprescindível para o desenvolvimento das sociedades e em que, além disto, as meninas não precisavam frequentar escolas...

CM/DA/Subsérie 14: Ofícios/Caixa 3

Tendo S. Ex.ª o Señr. Presidente da Provincia mandado pôr a concurso a Cadeira de primeiras Letras de meninas dessa Villa; de ordem do mesmo Exmº Señr, transmitto a VS.ªs os inclusos exemplares do Edital, convidando as pessoas que queirão fazer opposição a dita cadeira; afim de que VS.ªs os mandem affixar nos lugares mais publicos dessa Villa.
Deos Guarde a VS.ªs Secretaria do Governo na Leal e Valorosa Cidade de Porto Alegre 25 de Agosto de 1842
João Capistrano de Mirdª 
Secretario do Gov.º

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

AH na IX Jornada Nacional de Educação - SIPROM

O Arquivo Histórico se fez representar na IX Jornada Nacional de Educação, promovida pelo Sindicato dos Professores Municipais - SIPROM, de 1.º a 3 de outubro. 
No último dia, participantes da Oficina n.º 2, intitulada "Um novo olhar para o ensino de História", acompanhados pelo ministrante, o professor Cesar Augusto Jungblut, de Florianópolis, fizeram uma caminhada pelos principais pontos históricos do centro da cidade, buscando um novo olhar sobre os patrimônios que contam a história de Cachoeira do Sul.
O passeio também constou de visita ao Museu Municipal (www.museucachoeira.com.br), onde o grupo foi recebido pela professora Sandra Liege Schumacher e guiado pela assessora técnica Elisabete Farias da Silva. Naquele importante espaço de memória, o professor Cesar Jungblut fez observações sobre o acervo exposto e deu sugestões da criação de caixas de memória, ferramenta muito utilizada para desenvolver a educação patrimonial.
No Arquivo Histórico, culminância do passeio, o grupo foi recebido pela assessora Neiva Ester Corrêa Köhler. O professor Cesar Jungblut ficou muito bem impressionado pela organização do departamento e solicitou exemplares do jornal A Federação, quando discorreu sobre as relações de poder no Rio Grande do Sul.

Cesar Jungblut fazendo observações sobre o jornal A Federação
Os participantes da Oficina n.º 2 tiveram uma excepcional oportunidade de reciclarem-se enquanto professores e lançarem um novo olhar sobre a história de Cachoeira do Sul.

Parte do grupo de participantes da Oficina n.º 2
A anfitriã Neiva E. C. Köhler com os visitantes
terça-feira, 7 de outubro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

AH como extensão da sala de aula

O Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul, além de seus objetivos de guardar, preservar e difundir os documentos da nossa história, presta orientações aos pesquisadores e consulentes, encaminhando-os em seu afã de obter as informações que procuram, seja no seu próprio acervo, ou no de outras instituições culturais do Município.

Na semana retrasada, buscando atender os alunos Samuel Vieira e Gabriel Corrêa Barbosa, da Escola Estadual de Ensino Médio Ciro Carvalho de Abreu, cujo tema da pesquisa era a Revolução de 1964, além de disponibilizar os jornais de época, a equipe do Arquivo Histórico recorreu ao professor de História Henrique La-Flôr, convidando-o a vir conversar com os alunos para responder sobre os acontecimentos do período, os desdobramentos do fato e a contextualização necessária para que aquele momento da vida brasileira fosse compreendido pelos jovens.

Prof. Henrique La-Flôr e os alunos Samuel Vieira e Gabriel C. Barbosa
Marcada a data, alunos e professor reuniram-se na sala de pesquisa do AH, onde passaram duas horas em salutar discussão sobre o tema. Certamente o professor Henrique La-Flôr, cumprindo sua vocação de mestre, relembrou os tempos de sala de aula e os alunos, em momento único, tiveram a oportunidade de ouvir do professor as lições de história e de vida.

Prof. Henrique La-Flôr em conversa sobre a Revolução de 1964
Obrigada, professor Henrique, pela disponibilidade e por permitir ao Arquivo Histórico tornar-se uma extensão da sala de aula.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Eleições

O Brasil está passando por mais um processo eleitoral, exercendo os cidadãos o salutar dever de contribuir, através do sufrágio, com o princípio democrático que rege a vida político-administrativa. Uma vez candidato, o cidadão tem que cumprir o rito de conquistar seu eleitorado e, se eleito, desempenhar as funções para as quais se credenciou. 

Mas assim como houve muitas mudanças na sociedade brasileira, também o processo de escolha dos cidadãos que exerceriam funções públicas sofreu modificações em todas as esferas. Nos municípios, a partir de 1.º de outubro de 1828, com a instituição da lei que regia o funcionamento das Câmaras Municipais, no artigo 1.º, ficava determinado que as Câmaras das cidades seriam compostas por nove membros e, as das vilas, por sete membros e um secretário. Cachoeira, portanto, precisava eleger dentre os seus cidadãos probos sete vereadores.

Dizia a referida lei:

TITULO I
FÓRMA DA ELEIÇÃO DAS CAMARAS
Art. 1.º As Camaras das cidades se comporão de nove membros, e as das villas de sete, e de um Secretario.
Art. 2.º A eleição dos membros será feita de quatro em quatro annos, no dia 7 de Setembro, em todas as parochias dos respectivos termos das cidades, ou villas, nos lugares, que as Camaras designarem, e que, quinze dias antes, annunciarão por editaes affixados nas portas principaes das ditas parochias.
Art. 3.º Têm voto na eleição dos Vereadores, os que têm voto na nomeação dos eleitores de parochia, na conformidade da Constituição, arts. 91, e 92.
Art. 4.º Podem ser Vereadores, todos os que podem votar nas assembléas parochiaes, tendo dous annos de domicilio dentro do termo.
Art. 5.º No domingo, que preceder pelo menos quinze dias, ao em que deve proceder-se á eleição, o Juiz de Paz da parochia fará publicar, e affixar nas portas da igreja matriz, e das capellas filiaes della, a lista geral de todas as pessoas da mesma parochia, que têm direito de votar, tendo para esse fim recebido as listas parciaes dos outros Juizes de Paz, que houverem nos differentes districtos, em que a sua parochia estiver dividida.
Nos lugares, onde se não tiverem ainda creado os Juizes de Paz, farão os Parochos as listas geraes, e as publicarão pela maneira determinada; recebendo as listas parciaes dos Capellães das filiaes.
Art. 6.º O que se sentir aggravado por ter sido indevidamente incluido na lista dos votantes, ou della excluido, poderá apresentar a sua queixa motivada á assembléa eleitoral, logo que se reunir; e a assembléa, conhecendo, e decidindo definitivamente sem recurso, se achar ser justificada a queixa, e ter havido dólo naquelle, que lhe deu lugar, o multará na quantia de 30$000 para as despezas da Camara, á que remetterá a relação dos multados.

Na eleição de 1833, em Cachoeira, um dos eleitos, o cidadão Joaquim Corrêa de Oliveira, recusou-se a assumir sua vaga na Câmara. Tal atitude foi levada ao conhecimento do Presidente da Província, Manoel Antonio Galvão, que resolveu a questão com o seguinte ofício encaminhado ao Presidente da Câmara da Vila Nova de São João da Cachoeira:

CM/DA/Ofícios Recebidos/Caixa 6
Intelligenciado pelos documentos, que acompanharão o officio de Vmces. de 3 do corrente, do procedimento do Cidadão Joaquim Corrêa de Oliveira, que se recusa á tomar assento como Vereador da Camara, para que foi elleito; e sobre o que me pedem providencias: tendo de o significar-lhes, que não  julgando Vmces. attendireis os motivos por elle expendidos, para ser isempto; e insistindo em desobedecer aos chamados da mesma Camara, está nas circunstancias de ser processado, conforme o artigo 128 do Código Criminal.
Deus Guarde á Vmce.
Porto Alegre 22 de Junho de 1833.

Manoel Antonio Galvão

O artigo 128 do Código Criminal de 1830 dizia o seguinte: Desobedecer ao empregado publico em acto do exercicio de suas funcções, ou não cumprir as suas ordens legaes. Penas - de prisão por seis dias a dous mezes.

Conforme determinação da autoridade provincial, os vereadores de Cachoeira teriam que cumprir a lei e penalizar o vereador que não queria tomar posse. Foi Joaquim Corrêa de Oliveira imputado? A documentação ainda não nos deu a resposta. A apuração do que de fato ocorreu é um dos desafios diários do Arquivo Histórico em sua rotina de perscrutar os documentos que compõem o seu acervo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Árvores em Cachoeira

O dia 21 de setembro é dedicado às árvores no Brasil e esta data foi escolhida em razão de coincidir com o início da primavera.
As árvores dão vida às cidades, contribuindo para o bem-estar das pessoas e para o embelezamento de residências, ruas e praças.
Cachoeira do Sul sempre foi considerada uma cidade bem arborizada e até hoje diferentes espécies de árvores marcam os espaços urbanos, servindo como referências, a exemplo das palmeiras do Château d'Eau, dos plátanos do Bairro Rio Branco, dos ipês da Rua Andrade Neves, das paineiras da Escola Rio Jacuí.

Palmeiras washingtonias do Château d'Eau - foto Robispierre Giuliani
Ao longo da nossa história, é interessante verificar que muitos administradores do Município preocuparam-se em arborizar a cidade, adquirindo mudas que várias vezes procediam de outras localidades.
Em 1908, o Intendente Isidoro Neves da Fontoura plantou paineiras na Praça José Bonifácio. As mudas que sobraram deste plantio foram colocadas defronte ao Clube Sete de Setembro, na antiga Rua São João, cujos remanescentes existem até hoje, embora o clube tenha dado lugar à atual Escola Rio Jacuí.

Paineiras na Praça José Bonifácio - fototeca Museu Municipal 
Em 1913, o Intendente Dr. Balthazar de Bem, interessado em arborizar as praças da cidade, foi alvo de correspondência de um silvicultor de Porto Alegre, chamado Torquato A. Gomes, que lhe fazia a oferta de várias espécies de árvores de sombra, tanto estrangeiras como nacionais, divulgando o plátano, o chapéu-de-sol de Texas, álamo Carolina, cedro, catalpa do Japão, carvalho rubro, érable (bordo), sófora-do-Japão.



IM/S/SE/OR-003, de 7/7/1913
Sabe-se que o intendente mandou adquirir 50 mudas de plátanos. Seriam os que ainda hoje estão espalhados pelo Bairro Rio Branco e proximidades do BANRISUL?

Plátanos da Rua Presidente Vargas - foto Eduardo Minssen
 As árvores da cidade também constituem a sua história. Mais um bom motivo para respeitá-las.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Pesquisadores encontram no Arquivo fontes importantes para seus estudos

O Arquivo Histórico tem recebido ultimamente muitos pesquisadores que, em busca de sua riqueza de fontes, encontram material bastante para dar robustez aos seus estudos.

A presença dos pesquisadores, além de permitir o cumprimento dos objetivos do Arquivo Histórico, é oportunidade de intercâmbio de conhecimento com os servidores, de troca de informações e estabelecimento de rede para futuros contatos e estudos.

Estiveram conosco nos últimos dias os seguintes pesquisadores:
- Júlio Fonseca do Amaral, bisneto do membro da Academia Brasileira de Letras, Gregório Porto da Fonseca, que veio buscar informações sobre a vida do antepassado na sua terra natal, bem como confirmar dados genealógicos com a assessora Maria Lúcia Mór Castagnino. Na ocasião, doou a obra Estética das Batalhas, de Gregório da Fonseca, autografada pelo escritor para o acervo do Arquivo Histórico;

Júlio Fonseca do Amaral entregando a obra do bisavô às assessoras do AH

- Paulo Roberto Staudt Moreira, professor de História na UNISINOS, São Leopoldo, e com várias obras publicadas, das quais gentilmente doou três para a biblioteca do Arquivo Histórico - Histórias de Escravos e Senhores em uma Região de Imigração Europeia, Os Calhambolas do General Manoel Padeiro: Práticas Quilombolas na Serra dos Tapes (RS, Pelotas, 1835) e Odiosos Homicídios - O Processo 5616 e os Crimes da Rua do Arvoredo. Sua vinda se deu por conta das pesquisas que está realizando sobre o processo-crime relativo ao atentado contra Antônio Vicente da Fontoura, curiosamente no mesmo dia em que o fato completava 154 anos de ocorrido (8/9/1860).

Prof. Paulo R. Staudt Moreira
- Alini Hammeischmitt, produtora cultural, em busca de fontes sobre agricultura para futuro doutorado;
- Roberto C. Mello, militar de Porto Alegre, que pesquisou no acervo do Jornal do Povo, ano 1966, assuntos sobre esporte.
sábado, 6 de setembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Os 7 de setembro na Vila Nova de São João da Cachoeira

O 7 de setembro de 1822, dia em que D. Pedro I decidiu que o Brasil seria independente de Portugal, só foi ter repercussão na recém-instalada Vila Nova de São João da Cachoeira meses depois, quando aqui chegaram as correspondências expedidas pela Imprensa Nacional comunicando os atos administrativos que se sucederam ao grito do Ipiranga.

Nos setembros subsequentes, documentos revelam que era costume a Câmara incentivar os habitantes da Vila a iluminarem a frente de suas casas nos dias 6 e 7. Também a casa que servia de sede às reuniões dos vereadores tinha que iluminar sua fachada.

Sessão da Câmara em 5 de setembro de 1853 - Livro CM/OF/A-005, fl. 78
Além da iluminação especial, era costume contratar o padre para realização de um Te Deum, na Igreja Matriz, em ação de graças pela Independência. 

O Te Deum é um hino religioso cantado em louvor a Deus pelo alcance de uma graça ou pelo transcurso de um grande acontecimento. Às vezes é acompanhado por uma pregação e algum canto, sendo mais solene do que uma missa. Era muito comum a sua celebração em todos os grandes acontecimentos históricos do século XVIII e XIX, mas hoje está praticamente em desuso.

Para ilustrar tal hábito, um documento de 28 de agosto de 1857 registra que a Câmara contatou o Padre José Teixeira da Cunha Louzada Sobrinho para a realização do Te Deum “para solenizar o dia 7 de Setembro entrante da Independência do Império”.

Em 1862, no setembro do 40.º aniversário da Independência do Brasil, e quando a Vila já havia se tornado Cidade da Cachoeira, a prática de preparo da iluminação da Câmara custou aos cofres públicos municipais a quantia de 54$000 réis e a celebração do Te Deum, no dia 7, 79$800. Tais gastos foram computados como despesas eventuais, totalizando 133$800 réis.

Despesas eventuais – Livro CM/Po/RD/DD-004
Mas o que acontecia na Cachoeira de 1822? O livro que contém as súmulas dos atos administrativos, organizado por Aurélio Porto (IM/EA/AS/RL-001), dá para aquele ano histórico os seguintes dados:

1822. Em 2 de janeiro oficiou a Câmara ao Governador sobre a grande necessidade de aqui estacionar um destacamento militar em vista do abandono em que jaz a vila. Rendeu o segundo semestre de 1821, de novos impostos: 326.000 réis. Em 22 de março o povo fez uma representação contra o sargento-mor Alexandre Luiz de Queirós que tornou-se o terror dos habitantes da vila com suas continuadas tropelias. Para coibir esses abusos, mandou o Governo que, na povoação, desde 1810 sem força militar, viesse destacar o sargento-mor comandante Gaspar Francisco Menna Barreto. Em 27 de julho agradece a Câmara a oferta que a esta fez de uma imagem de São João, que manda colocar em sua sala de sessões ao Dr. Mendonça Pessanha, Juiz de Fora. Em 1º de agosto dirige o povo uma moção de solidariedade a D. Pedro I por não querer este abandonar o Brasil. Em 12 de outubro, com festas, é proclamado o primeiro Imperador.

Como se depreende dos registros feitos pelo historiador, a Vila Nova de São João da Cachoeira há pouco emancipada de Rio Pardo (5/8/1820), vivia naquele ano de 1822 as dificuldades de uma época em que o próprio país tentava se estruturar e reagir positivamente ao impulsivo gesto do jovem Príncipe Regente.

D. Pedro I em retrato de 1830 - Wikipedia
A estrutura política e as decisões administrativas da Vila eram comandadas por três vereadores: Constantino José Pinto (Presidente), Joaquim Gomes Pereira e Antônio José de Menezes. 

Assinaturas de Constantino José Pinto, Antônio José de Menezes e Joaquim Gomes Pereira – Livro CM/CP/TPJ-001, fl. 7v.
A segurança era precária e o Quebra, Alexandre Luiz de Queirós e Vasconcelos, com suas ideias libertárias, assustava os moradores. O santo protetor era São João, que dava nome à Vila, e a Igreja Matriz era o único dos bens patrimoniais existentes até hoje que já estava construído, embora em constantes obras e de aspecto bem diverso do que guarda atualmente.

Chegados ao 192.º ano da Independência do Brasil, com distância temporal suficiente para mudanças enormes e que perpassam todos os aspectos da vida da comunidade (econômicos, sociais, culturais, tecnológicos...), somos instigados a olhar para trás e reconhecer que se muito avançamos, ainda há muito a buscar, porém muito ainda a desvendar de um tempo em que engatinhando já ansiávamos caminhar a passos largos rumo ao progresso e afirmação do Brasil como nação.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Multas - recurso antigo para disciplinar os costumes

Não é de hoje que as autoridades buscam meios para disciplinar os cidadãos de forma que a organização e o convívio nas cidades sigam os princípios da civilidade.
As rotinas citadinas mudam com os tempos, gerando outros costumes. Bons e maus.
Na Cachoeira do século XIX, animais não podiam andar soltos pelas ruas, tampouco instalarem-se em lugares públicos, sob pena de seus proprietários serem multados pelas autoridades municipais. Aliás vem deste tempo o costume de cercar as praças, o que evitava a invasão do espaço por cavalos, bois e outros animais que perambulavam pelas ruas.
Um documento da Procuradoria da Câmara Municipal, que era o setor encarregado das finanças municipais, datado do primeiro trimestre de 1859, mostra as curiosas infrações que geravam multas aos descuidados de então:

Relação de multas e multados - CM/Po/RDD-002
Vê-se pelo documento acima que carnear rês na rua rendeu uma multa de 4.000 réis a Estevão Candido de Carvalho; que uma carreta que vinha em disparada, ou seja, em "alta velocidade" pela rua, quebrando um frade  (marco de pedra colocado nas esquinas) custou ao bolso de Leocadio Correia 2.000 réis; que uma vaca que vagava pela rua com uma vara amarrada às aspas retirou do alforje de José de Jezus Christo e Silva 4.000 réis; e a viúva de um tal Pedrozo pagou o mesmo valor por ter deixado um boi aninhado na rua à noite!
Nos dias de hoje, cobrar multas de quem joga lixo em lugar indevido, apenas para citar um hábito nem um pouco salutar, mas infelizmente bastante comum, seria disciplinador, embora seja quase impossível conseguir fiscais para darem conta desta e de outras irregularidades geradas pelos costumes modernos...


sexta-feira, 15 de agosto de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

AH: 27 anos de compromisso com a preservação da nossa história

No dia 5 de agosto de 1987 nascia o Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul. Surgia com o objetivo de recolher, preservar e difundir documentos da vida político-administrativa do quinto município do Rio Grande do Sul.

E o trabalho do Arquivo Histórico só tem sentido se, além de cumprir com a guarda e a preservação dos documentos, oferecer seu acervo para a comunidade usufruir das informações neles contidas e assim conscientizar-se da importância do resguardo da memória. A tarefa do Arquivo Histórico é grande, assim como grande é o seu compromisso e responsabilidade.

Obrigado a todos os servidores (de ontem e de hoje), colaboradores, apoiadores e pesquisadores que dão razão à nossa existência e valorizam o nosso papel.

Alunos do Instituto João Neves da Fontoura pesquisando no AH

Pesquisadora e escritora Terezinha T. Fenker - Dona Francisca

Prof. Rui Carlesso - Cachoeira do Sul

sexta-feira, 1 de agosto de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

AH recebe material para restauro

A Câmara de Vereadores de Cachoeira do Sul fez importante doação ao Arquivo Histórico, demonstrando assim respeito e valorização ao trabalho de preservação de nossa memória.
Em 2013, o Vereador Marcelo Figueiró, atualmente na Presidência da Câmara, incentivou a equipe do AH a elaborar projeto de restauro do livro de atas do período 1851 - 1861 (vide postagem http://arquivohistoricodecachoeiradosul.blogspot.com.br/2013/12/arquivo-historico-pede-auxilio-camara.html), código CM/OF/A-005, que se encontra em processo adiantado de degradação, impossibilitando seu manuseio.
No dia 30 de julho último, a equipe do AH foi recebida no gabinete da Presidência do Legislativo para a entrega do material que a Câmara adquiriu para a realização do restauro do livro, que ficará a cargo da assessora técnica Jussara Maria de Andrade Garske.
No ato da entrega do material, o Núcleo Municipal da Cultura se fez representar pela assessora Josiani Knebel Fardin. 
A notícia foi veiculada na edição de 31 de julho do Jornal do Povo e na rede social do Vereador Marcelo Figueiró, de onde foi retirada a imagem abaixo:

O vereador Marcelo Figueiró entrega o material às assessoras do AH e NMC 
sexta-feira, 25 de julho de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

190 anos da imigração alemã no Rio Grande do Sul

Depois de muitas tratativas, finalmente em novembro de 1857 chegava a Cachoeira a primeira leva de imigrantes alemães com destino à Colônia Santo Ângelo. Estes pioneiros tiveram muito trabalho pela frente e enfrentaram toda sorte de dificuldades, a começar pela forma inusitada com que foram deixados à margem do rio Jacuí, abandonados à própria sorte, pois o comando do vapor que os trouxera até a margem, aproveitando-se do momento em que desceram da embarcação para conhecer o que lhes aguardava, determinou que desembarcassem suas bagagens, zarpando logo a seguir.

Aos colonos surpreendidos pela "fuga" do vapor restava apenas a coragem de arregaçar as mangas e buscar meios de sobreviver naquele ambiente desconhecido, inóspito e cheio de desafios. A tarefa hercúlea rendeu bons frutos ao trabalho e abnegação daqueles pioneiros e a Colônia Santo Ângelo cresceu, transformando-se depois em municípios como Agudo, Paraíso do Sul, Novo Cabrais, todos com imenso orgulho de suas raízes germânicas, assim como Cachoeira do Sul, sede e berço da colônia.

O primeiro grupo de colonos, vindos da região da Pomerânia, era composto pelas famílias de FRANZ PÖTTER, AUGUST PÖTTER, JULIUS NEUJAHR, DANIEL FIESS, WILHELM HOLZ e PETER FINGER.

Para marcar a data de hoje, 25 de julho de 2014, 190.º aniversário da chegada dos primeiros colonos alemães ao Rio Grande do Sul, fomos buscar registro da inserção dos primeiros que em Cachoeira aportaram, onde criaram laços e constituíram suas próprias famílias. Encontramos, dentre a documentação do fundo Câmara Municipal (1820 - 1889), o encadernado que registra os casamentos acatólicos, ou seja, as uniões realizadas pelos pastores luteranos na Colônia Santo Ângelo e depois devidamente registrados em livro próprio pelo Secretário da Câmara. Há nele, dentre tantos outros, o assento de casamento de uma das filhas de August Pötter, segunda geração de uma das famílias chegadas em novembro de 1857 na Colônia Santo Ângelo.

Abertura do Livro de registro dos casamentos acatólicos
- CM/S/SE/RC-001 - acervo Arquivo Histórico -

Eis o assento:

Registro do extracto da escritura de casamento dos colonos Eduardo Karsburg, e Hulda Caroline Emilie Poetter, como abaixo se declara.
Extracto. - Do livro dos assentos dos casamentos da communidade evangelica existente no logar denominado "Agude" da Colonia de Santo Angelo. Livro III, as folhas 3, N.º 5. No anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo (Mesiah) de mil oito centos setenta  e quinto a os trinta dias do mez de Maio, depois de haverem corrido os devidos pregões sem ter apparecido impedimento algum, se casarão segundo as prescripções e cerimonias do culto evangelico perante mim João Tuesmann pastor evangelico legalmente habelitado da mesma communidade as pessôas seguintes Eduardo Karsburg, solteiro, colono estabelecido na Colonia de Santo Angelo, de vinte e tres annos de idade, natural de Lubow na Pommerania Reino da Prussia no Imperio da Allemanha, filho legitimo de Fredinand Karsburg e de sua mulher Charlotte Focht com Hulda Caroline Emilie Poetter, natural de Sohronpohm na Pomerania Reino da Prussia no Imperio da Allemanha e rezidente actualmente nesta Colonia, de dezasete annos de idade, filha legitima de Augusto Poetter e de sua mulher Carolina Emilie Puettelkow, residente nesta mesma Colonia. Forão testemunhas do acto do casamento: 1 João Gerdau, 2, Eduard Gehrke, 3, Wilhelmine Golz. O que tudo fielmente extrahi do livro dos assentos desta communidade por mim escripturado e ao que me reporto. Comunidade evangelica de Agude na Colonia de Santo Angelo, a os trinta de Maio de mil oito centos setenta e quinto (30 Maio 1875) João Tuemann o pastor Culto Evangelico. João Gerdau, Eduardo Gehrke, Wilhelmina Golz. Estava sellado com os sellos pastoral (...) Secretaria da Camara Municipal da cidade da Cachoeira 8 de Setembro de 1875. O Secretario Fidencio Pereira Fortes.

O assento transcrito demonstra que os colonos tocaram suas vidas e, mesmo longe da terra natal, buscaram meios para sua subsistência, não deixando de cultivar aqui suas tradições e seguir seu rito espiritual.

O Arquivo Histórico celebra e enaltece os 190 da imigração alemã no Rio Grande do Sul e os 157 anos da chegada dos primeiros colonos a Cachoeira, convidando todos para visitarem a exposição comemorativa que o Museu Municipal montou na Sala 4, intitulada 1824 - 2014: 190 Anos da Imigração Alemã no RS.
segunda-feira, 21 de julho de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Nosso clima há 100 anos

O Rio Grande do Sul tem vivido um inverno de grandes variações de temperatura, alta taxa de umidade e grande precipitação de chuvas. Fala-se muito no efeito estufa e em fenômenos climáticos que têm relação com as ações descuidadas do homem. 2014 é ano de El Niño, segundo os meteorologistas. Mas, afinal, como nossos antepassados verificavam o clima?

Na Cachoeira de 1914, tempo da Intendência Municipal, anualmente, no mês de setembro, eram lançados relatórios da vida municipal, trabalhos elaborados com muita eficiência pelos funcionários encarregados da Seção de Estatística e Arquivo. Estes relatórios constituem-se hoje em fontes preciosas dos mais diferentes aspectos do Município, abordando desde climatologia até estatística moral, que incluía criminalidade, suicídios e assistência hospitalar, dentre outros.

Com a inconstância do inverno em 2014, buscou-se os dados do clima em Cachoeira no Relatório apresentado ao Dr. Balthazar Patricio de Bem, Intendente do Município de Cachoeira, pelo encarregado da Estatística e Arquivo, Mario Godoy Ilha, em 17 de setembro de 1914 (IM/GI/AB/Re-007, pp. 9 a 13).

Na primeira parte do Relatório, intitulada Estatistica Territorial - Physica, Politica e Administrativa, constam os dados sobre a climatologia, obtidos graças à existência da Estação Meteorológica de Cachoeira, de segunda classe, instalada em 1911 na Praça José Bonifácio.

Estação Meteorológica - fototeca Museu Municipal
O autor do Relatório esclarece: Pelos deficientes dados que existem, impossivel se torna um estudo minucioso do estado climaterico anterior do municipio, e para fazel-o, incompleto, socorremo-nos do relatorio de 1910 desta repartição, onde estão consignadas observações feitas em periodos distanciados um do outro até á fundação da Estação Meteorologica e que de grande proveito tem sido. O resumo das observações registradas desde essa epocha, com gentileza fornecido annualmente, segue-se acompanhado dos quadros relativos a 1913, em confronto. (...)
TEMPERATURA
Em 1913, conforme consta do relatorio anterior, a temperatura dos mezes de inverno apresentou forte contraste com os mesmos de 1912. A minima absoluta de 0,2 registrou-se em 26 de agosto e a maxima de 36,4 em 11 de janeiro. A temperatura média do anno foi de 19,7. (...)
HUMIDADE
A humidade média foi:                           Humidade abs. média              Humidade rel. média
1912                                                                12,0                                             70,5
1913                                                                12,5                                             72,2
(...)
NEBULOSIDADE
(0 a 10)
A maxima em 1912 foi de 6,6 e a minima 1,6, contra as de 7,8 e 1,5 em 1913. (...)
PLUVIOMETRIA
O ultimo relatorio da estatistica assignalava que, como 1911, o anno de 1912 tinha sido abundante em chuvas. E, agora, neste novo trabalho, temos a notar o mesmo quanto a 1913, (...) A maior altura de chuva observada num dia attingiu a 70,6 m/m em 17 de junho, durante 4 horas e tres quartos, e a menor de 14,0 a 15 de janeiro. (...) em 1913 a somma das precipitações foi de 1.249,1 m/m em 97 dias, dando a média de 12,7 por dia, contra a do anno anterior de 1.453,2 em 89 dias e média de 16,3.

Quadro relativo à climatologia com dados de 1913 - IM/GI/AB/Re-007
Prever o tempo e as suas mudanças sempre foi um desafio para o homem. Há 100 anos, então, muito mais, razão pela qual trabalhos como o da Seção de Estatística da Intendência de Cachoeira revestem-se ainda de maior significado, assim como a pequena Estação Meteorológica, de segunda classe, que habitava a velha Praça José Bonifácio.
sexta-feira, 4 de julho de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Enchentes pela nossa história

Há dias o Rio Grande do Sul é assolado por copiosas chuvas e já conta enormes prejuízos, com aumento dos leitos dos rios, inundações de populações ribeirinhas e até de cidades inteiras. Em lugares bem próximos de nossa cidade houve o desabamento de estradas e o comprometimento de pontes. Numa cidade que vive às margens de um grande rio que, por sua vez, é tributário de numerosos afluentes, esta situação não é singular. Antes pelo contrário. Ao longo de nossa história muitos relatos de grandes enchentes são conhecidos, notadamente os que relembram a do ano de 1941, que atingiu boa parte do Estado e teve grandes proporções em Cachoeira.


Manchete do Jornal do Povo - edição de 27/4/1941
- acervo: Arquivo Histórico

Também no final do século XIX, mais precisamente em 1896, Cachoeira viu as águas do rio Jacuí subirem assustadoramente, havendo uma fotografia do complexo da Charqueada do Paredão que mostra o quão alto elas chegaram, pois o paredão que dava nome ao estabelecimento fabril possuía regular altura.


Charqueada do Paredão com as águas do rio Jacuí bem altas
- fototeca do Museu Municipal

No primeiro semestre de 1906 houve também uma grande enchente em nossa região e uma ponte que existia no rio Piquiri foi arrastada pelas chuvas. A Intendência Municipal, diante do embaraço que a queda da ponte deve ter causado para os moradores do lugar, teve que providenciar a sua recuperação o mais rapidamente possível e para isto assinou um contrato com Eloy da Silva Lisbôa exclusivamente para remover e recuperar o madeiramento da ponte.

Eis o que diz o contrato, constante do encadernado IM/GI/AB/C-001, fl. 36:

Contracto que faz Eloy da Silva Lisbôa com a Intendencia Municipal para remover do leito do rio Pequery todo o madeiramento da ponte do mesmo rio que foi levada pelas enchentes, da fórma seguinte:

1.ª
Obriga-se o contractante a fazer a remoção de todo o madeiramento pertencente a ponte do Pequery, arrastada pela enchente, do logar aonde se achar, fóra ou no leito do mesmo rio, para outro local secco, distante das margens do mesmo rio meia quadra mais ou menos.

2.ª
Obriga-se o contractante tambem a desmanchar toda a ponte ou parte desta sem estragar as suas peças para facilitar a dita remoção, responsabilizando-se mais pela conservação e vigilancia de todo o madeiramento da dita ponte.

3.ª
Este serviço deverá ser feito com brevidade, obrigando-se esta Intendencia a pagar ao contractante trezentos mil reis (300$000) logo depois de verificar a execução de todas as clausulas deste contracto.

E para clareza, eu, João Porto da Fontoura, Secretario da fazenda, lavrei o presente contracto que assignam os Srs. Dr. Candido Alves Machado de Freitas, vice-intendente em exercicio e o contractante Eloy da Silva Lisbôa.

Cachoeira, 9 de Maio de 1906
(assinam) Dr. Candido Alves Machado de Freitas
Eloy da Silva Lisbôa

Encadernado IM/GI/AB/C-001 - contrato lavrado à página da direita