sexta-feira, 30 de dezembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Devastação das matas ciliares

Cachoeira do Sul foi castigada pelas intempéries como nunca nos anos de 2015 e 2016. Enchentes, vendavais, granizo... fenômenos que desafiam o homem e ressaltam a sua impotência diante da força da natureza. 

Da mesma forma que o homem é sujeito das intempéries, ele também é agente de desajustes ambientais. E a preocupação com as ações humanas sobre a natureza, ao contrário do que possa parecer, não é própria dos tempos atuais, mas motivo de inquietação para muitos que ao longo dos tempos tiveram conhecimento e sensibilidade para perceber os efeitos funestos de determinadas práticas. Foi assim com José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência e patrono da principal praça de Cachoeira do Sul, com o conterrâneo Ramiro Fortes de Barcellos e com Antônio Augusto Borges de Medeiros, para citar algumas personalidades históricas que viram o meio ambiente com olhar de cuidado.

Borges de Medeiros, grande líder na política rio-grandense, como se vê pela circular que remeteu aos dirigentes municipais em 6 de maio de 1901, demonstrava grande percepção da importância das matas ciliares, o que para Cachoeira sempre foi fundamental, uma vez que a cidade tem no rio Jacuí uma fonte de riqueza imprescindível. As recomendações que fez, apesar da distância temporal, ainda são necessárias:


Circular n.º 742, de 6/5/1901
- IM/GI/DA/CR - Cx. 1

... recommendo-vos que prohibaes o córte de madeira nas florestas marginaes dos rios navegaveis e seus affluentes, dentro da faixa de 7 braças contadas do ponto médio das enchentes ordinarias para o interior, mesmo em mattos de propriedade privada, pois essa faixa é considerada de servidão publica, nos termos das leis civis em vigor, estando, portanto, o seu uso subjeito á fiscalisação do poder publico.

De 1901 a 2016, a legislação ambiental evoluiu muito, as discussões tornaram-se frequentes, inclusive em âmbito internacional, e muitas organizações civis foram criadas visando a proteção dos recursos naturais. No entanto, pouco ou quase nada resolveram... Localmente o rio Jacuí, apesar dos esforços de alguns e da legislação que deveria ser cumprida, já perdeu muito das suas florestas marginaes. Às gerações futuras cabe o papel de proteger o maior manancial hídrico, garantindo que ele siga sustentando e dando vida à Princesa do Jacuí.

Rio Jacuí - foto Robispierre Giuliani

MR
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Hora legal no Brasil

Todo verão, ou melhor, antes do início desta estação, o Brasil tem adotado o dito horário brasileiro de verão. Mas a que órgão compete verificar, corrigir e determinar a hora legal no Brasil? Tais questionamentos surgiram a partir da localização de um conjunto de documentos recebidos pela Intendência Municipal em março de 1914, trazendo ao conhecimento das autoridades o decreto que estabelecia a hora legal no Brasil.

Ofício n.º 279, de 13/3/1914
- IM/GI/DA/ADR - Cx. 1

A hora legal no Brasil, como atesta o ofício acima, foi determinada pelo Decreto n.º 10.546, de 5 de novembro de 1913. Pela lei n.º 2.784, de 18 de junho de 1913, o Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, seria o encarregado da determinação da hora, bem como a sua transmissão, para fins geographicos ou maritimos, pelo telegrapho commum e sem fios e pelo "Balão" ou Ttme-baloon, de accordo com o regulamento vigente e as convenções internacionaes que vigorarem.



Anexos ao ofício n.º 279, de 13/3/1914
- IM/GI/DA/ADR - Cx. 1

Hoje a Divisão Serviço da Hora do Observatório Nacional (DSHO) é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia e suas atribuições são desenvolver atividades de pesquisa, ensino e serviços nas áreas de Astronomia, Geofísica e Metrologia de Tempo e Frequência, sendo legalmente responsável pela geração, conservação e disseminação da Hora Legal no Brasil, cujo parâmetro é o horário de Brasília, Distrito Federal. (http://pcdsh01.on.br)

Eis o quadro das correções para aplicar aos relógios,  marcando o tempo médio local das capitais do Brasil em 1913, documento que estava anexado ao ofício n.º 279:

Quadro das correções aos relógios das capitais em 1913
- IM/GI/DA/ADR - Cx. 1

Quanto ao horário de verão (http://pcdsh01.on.br/HistoricoHV.html), ele foi instituído pela primeira vez no Brasil em 1931, com fins de economizar a energia elétrica. Era chamado naquele tempo de Hora de economia de luz no verão. Passados 85 anos, a justificativa para adoção do horário de verão segue a mesma... Como se vê, o passado ainda dita - e muito - o nosso presente!

MR 
terça-feira, 20 de dezembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Roubo de fios de telefonia

Para quem pensa que roubos de cabos telefônicos são práticas do presente... Ledo engano! Há 95 anos, mais precisamente em 17 de dezembro de 1921, a empresa que administrava a telefonia no município entrou com uma reclamação junto à Intendência Municipal, dizendo que estava sendo vítima de freqüentes roubos praticados nas linhas telephonicas de nossa propriedade, e utilizadas para o serviço de communicações entre a séde e os districtos ruraes do municipio.

IM /GI/DA/CR-Cx. 1

A empresa prestadora do serviço, com sede em Porto Alegre, a Companhia Telephonica Rio-Grandense, através de seu diretor, Victor de Araújo, signatário da carta ao Intendente Dr. Annibal Lopes Loureiro, dizia que os roubos até então tinham sido de pouca importância e que deixaram de ser comunicados porque esperava que não mais se reproduzissem, independentemente das medidas que, em taes casos, cabia lançar mão. Infelizmente, tal não se deu e, ainda no decorrer desta semana, verificamos um furto de arame na linha do Agudo, trecho além do Centro de Tres Vendas.

Na própria carta, há um despacho assinado por Sensurio Cordeiro determinando que os subintendentes do 6.º e 7.º distritos recebessem cópias da correspondência, recomendando providências.



Não há relato de que as providências determinadas pelo subintendente Sensurio Cordeiro tenham sido eficazes para conter os roubos de então... O certo é que passam os tempos, moderniza-se o mundo, mas velhas e condenáveis práticas seguem inexoráveis!

(MR)
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Câmara de Vereadores e Arquivo Histórico: uma parceria em prol da memória histórica II

No dia 21 de novembro de 2016, quando o Arquivo Histórico ocupou a Tribuna Popular da Câmara de Vereadores para agradecer o apoio recebido da Casa para a recuperação do Livro CM/OF/A-005, deixou outra solicitação ao Presidente Homero Tatsch e seus pares: o patrocínio dos trabalhos de restauração da primeira planta da Cidade da Cachoeira, obra original de Johann Martin Buff, entregue ainda em 2008 à restauradora Naida Maria Vieira Corrêa, da empresa Restauratus - Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis Ltda., de Porto Alegre.




As servidoras do Arquivo Histórico com o Vereador Presidente Homero Tatsch

A planta é a primeira representação cartográfica do que era Cachoeira em 1850 e desde a instalação do município, em 5 de agosto de 1820, ter um registro da conformação física da Vila, ou seja, a sua divisão em terrenos, ruas, quadras e praças era uma necessidade, pois uma das atribuições dos vereadores da então Câmara Municipal era o de demarcar terrenos e ruas, esquadrinhar e conceder licenças para construções. Mas como fazê-lo sem uma representação do recinto urbano? Depois de muitas solicitações ao governo da Província, finalmente Johann Martin Buff, um agrimensor e engenheiro alemão radicado no Brasil, foi encarregado de executar o serviço. Chamadas públicas foram feitas aos cidadãos para que apresentassem seus títulos de propriedades e assim a planta foi sendo elaborada e junto com ela um cadastro de ruas e terrenos de Cachoeira com seus respectivos proprietários.

A planta da Cidade da Cachoeira, forma adotada pelo agrimensor para denominar o trabalho, sobreviveu à passagem do tempo, foi salva de uma fogueira, mas não passou incólume e chegou aos nossos dias em estado de degeneração quase total. Para permitir que este precioso documento siga cumprindo com seu papel de retratar o que hoje pode ser considerado o centro histórico da cidade, o Arquivo Histórico solicitou à Câmara de Vereadores o custeio do restauro, orçado em R$ 5.750,00.









Cabe ao Arquivo Histórico, mais uma vez, através de sua equipe, agradecer a atenção que a Câmara de Vereadores, liderada pelo atual Presidente Homero Tatsch, tem dispensado às demandas do Arquivo Histórico, esperando poder consolidar esta parceria que já foi vitoriosa na restauração do Livro CM/OF/A-005 e que restaurará a primeira planta da Cidade da Cachoeira. Uma vez restaurada, a planta então poderá retornar ao Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima, onde sempre foi considerada um dos mais importantes objetos do acervo que retrata nossa história.

(MR)