Pular para o conteúdo principal

Relatório de Instrução Pública

Neste mês em que se comemora o dia do professor, transcrevemos parte de um documento de 28 de julho de 1878, correspondente ao relatório de visita trimestral, determinado pela Lei Provincial nº 1.108, de 8 de maio de 1877, feito pela comissão composta por Francisco Gomes Porto, João Jorge Krieger e Crescêncio da Silva Santos:

2ª Aula do sexo feminino, regida pela Professora Dª Maria Luisa da Silva.
O espaçoso salão em que funciona esta aula, não só preenche as condições exigidas pelo regulamento, como tambem facilita a frequencia das alunnas em geral, em consequencia de achar-se collocada no centro da Cidade. Pelo respectivo livro, verificamos estarem matriculadas 54 alunnas, sendo o termo medio da frequencia 40, segundo o calculo que não foi fornecido pela Professora. Fisemos um detido exame em leitura, calligraphia, principios elementares de arithemetica, nocções geraes de grammatica, e geographia d'esta Provincia, em duas alunnas mais adiantadas, que frequentão a aula 4 annos; e, prestando homenagem a verdade e a justiça, a commissão, não pode deixar de elogiar os esforços da Professora, que tem sido correspondidos, porque estas duas alunnas em todas as materias a que acima nos referimos, estão perfeitamente no caso de faserem um exame regular no fim do anno letivo. 
(...)
Algumas mais que examinamos alternadamente ainda achão-se atrazadas, notando-se entre estas, umas com tempo sufficiente para estarem mais adiantadas, não sabendo a commissão a que attribuir, se a falta de intelligencia da parte d'ellas, ou se ao numero crescido de alunnas que frequentão esta aula, privando por esta rasão a Professora de destribuir com a necessaria igualdade a instrução a todas.

Este documento faz parte dos avulsos da Caixa 3, Série: Decisões Administrativas, Subsérie 18: Relatórios.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminian...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...