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Mostrando postagens com o rótulo Acervo documental

João Gerdau

Um dos grandes nomes da indústria no Rio Grande do Sul, sem dúvida, é o do imigrante alemão João Gerdau. Assentado na Colônia Santo Ângelo, no interior da Vila Nova de São João da Cachoeira, João Gerdau deu início a uma trajetória que o levaria a construir um império industrial, o Grupo Gerdau. Mas antes disto acontecer, muitos foram os seus empreendimentos, assim como as suas mudanças sempre atrás de crescimento não só pessoal, quanto material. João Gerdau - Wikipédia Em 1869 ele chegou à Colônia Santo Ângelo, proveniente da terra natal, Hamburgo. Lá abriu a sua casa comercial e depois uma fundição. Os negócios não pararam por aí e, ainda na colônia, estabeleceu a companhia de colonização em sociedade com outros investidores.  Em 1883, João Gerdau trocou a colônia pela cidade da Cachoeira, abrindo uma loja na principal rua, a 7 de Setembro, bem próximo da Praça José Bonifácio e dos bons negócios facilitados pela existência ali do Mercado Público. Antiga casa de João Gerdau, depois...

Série 400 anos das Missões: o indígena João Isidoro Pinto

Em 17 de maio de 1865, a Câmara recebeu um requerimento do indígena João Isidoro Pinto, morador na Aldeia, pedindo título ou despacho que lhe garantisse a posse dos terrenos que ocupava. A Câmara resolveu conceder-lhe a posse, condição esta sujeita à mudança caso o entendimento do inspetor das aldeias fosse contrário. CM/0F/A-006, sem paginação (Início da transcrição de CM/OF/A-006, sem paginação) Outro do indio João Izidoro Pinto morador na aldeia desta cid.e pedindo titulo ou despaxo em q~ lhe fique garantida a posse dos terrenos q~ occupa, a Camara resolveo conceder-lhe a posse até q.~ o Inspector das Aldeias determine encontrario. (Fim da transcrição do documento) Estas situações devem ter sido vividas por muitos dos descendentes dos indígenas que habitavam a velha aldeia, cujos ancestrais foram ali instalados, porém, sem a titulação de suas posses.  No cadastro que acompanhava a planta da cidade da Cachoeira, elaborado por João Martinho Buff em 1850, constam apenas seis terren...

Transporte coletivo urbano

Em 9 de maio de  1954, o Jornal do Povo  noticiava que a Empresa Nossa Senhora das Graças era a nova concessionária de transportes coletivos para Cachoeira do Sul, substituindo a Empresa Marabá, então a detentora da concessão. Na notícia veiculada à época, depois de considerações sobre a controversa rescisão de contrato da Empresa Marabá, o Jornal do Povo  resumiu a situação que levou à abertura de concorrência para exploração do serviço de transporte coletivo na cidade: (Início da transcrição) Nova concessionária de transportes coletivos inaugurado ontem o serviço, com a bênção das novas unidades Consoante já é do conhecimento público, em fins do ano passado a Emprêsa Marabá, então concessionária local dos serviços de transporte coletivo urbano e suburbano em auto-ônibus, por motivos que foram na época sobejamente controvertidos por esta fôlha, rescindiu contrato firmado com o poder municipal para a exploração comercial dos serviços em referência. Em conseqüência, foi ab...

De desqualificado a reconhecido

Em 1890, em razão da recente proclamação da república e da organização necessária ao novo sistema de governo, os municípios brasileiros passaram a ser regidos, provisoriamente, por juntas governativas. Em Cachoeira, a primeira junta, que foi estabelecida por ato de 2 de janeiro pelo governador político do Estado, o Visconde de Pelotas, era composta por três cidadãos: João Ferreira Barbosa (presidente), Antônio Nelson da Cunha e Isidoro Neves da Fontoura. Logo depois, em 13 de fevereiro, João Ferreira Barbosa e Silva foi substituído por David Soares de Barcellos. E é do tempo em que este cidadão estava na presidência da junta, que alguns já chamavam de intendência, o documento que o blog traz à luz. Um decreto federal, de número 200-A, datado de 8 de fevereiro de 1890, determinava como seria procedida a qualificação dos eleitores em todo o país. Os cidadãos com direito ao voto, ou seja, homens brasileiros, ou naturalizados, e maiores de idade que soubessem ler e escrever tinham que se d...

Dia dos Namorados - correio elegante

Dizem que a origem do Dia dos Namorados, no Brasil, foi uma jogada de marketing do publicitário João Dória para alavancar as vendas do comércio no fraco mês de junho. O dia escolhido, 12, apropriadamente antecede o 13 de junho, dedicado ao casamenteiro Santo Antônio, e o ano era 1948. Portanto, há 78 anos este dia é comemorado, redimensionando desde então as vendas do comércio em junho. Pois há nos Arquivos Particulares do Arquivo Histórico uma coleção de postais antigos, todos da década de 1920, que parecem, aos olhos de hoje, muito apropriados para casais enamorados. No entanto, eles antecedem a instituição do Dia dos Namorados, sendo, portanto, destinados para troca de correspondência ou para cumprimentos em datas especiais e não necessariamente envolvendo apenas casais.   Naqueles tempos, a comunicação se dava muito por cartas e bilhetes, sendo os cartões-postais recurso muito utilizado. A indústria gráfica tirava bastante proveito da prática de comunicação com o uso deste...

Série 400 anos das Missões: a Aldeia

Cachoeira deve sua conformação urbana ao estabelecimento de uma aldeia de indígenas catequizados pelos jesuítas espanhóis e localizada  nas proximidades do rio Jacuí. Restam desse período nebuloso de nossa história, quando foram protagonistas os indígenas, pelo menos duas definitivas heranças que se conservam até hoje: o nome Aldeia, para o lugar do seu assentamento, e o nome Cachoeira, advindo do convívio diário com as pequenas quedas d'água que movimentavam o leito do Jacuí naqueles tempos. Cachoeiras no Jacuí - MMEL Recuperar os nomes desses indígenas primitivos é tarefa quase impossível. No entanto, vez ou outra a documentação custodiada pelo Arquivo Histórico, cujo marco inicial é 5 de agosto de 1820, revela algumas pistas dos ocupantes da Aldeia. Em 1850, quando o engenheiro João Martinho Buff foi contratado para elaborar o primeiro mapa de Cachoeira e solicitou a todos os proprietários que apresentassem os seus títulos de posse para a devida comprovação e elaboração de um ca...

Clube José do Patrocínio

Cachoeira teve, no início do século, um clube voltado à celebração e assistência do elemento negro da sociedade que tomou por nome o do jornalista e líder abolicionista José do Patrocínio. Provavelmente fundado após a morte do patrono, ocorrida em 29 de janeiro de 1905, o Clube José do Patrocínio anunciava na imprensa que promoveria um espetáculo em benefício do seu presidente Geminiano Moura, "que se achava enfermo e em condições precárias", conforme noticiou O Commercio  em sua edição do dia 9 de maio de 1906.  José do Patrocínio - https://www.historia.uff.br/intelectuaisnegros/node/14 Anúncio no O Commercio , 9/5/1906, p. 2 Ora, naqueles primeiros anos da década de 1900, o local para espetáculos em Cachoeira era o Teatro Municipal, administrado pela Intendência. Assim, com o intuito de obter permissão para levar à cena o espetáculo pretendido, o 1.º secretário do Clube, Benedicto Netto dos Santos, redigiu um requerimento e o encaminhou ao Vice-Intendente em exercício, ...

Estado de civilização e moralidade do Império

Em 1834, quando o Brasil vivia seus primeiros anos de independência, ainda havia muita coisa a ser descoberta sobre o comportamento da população dispersa em território enorme. Mesmo que em 1.º de outubro de 1828 um compêndio de leis tenha organizado minimamente o funcionamento das câmaras municipais e, consequentemente, a administração pública no Império, muitos aspectos da vida nas comunidades necessitavam de atenção, até para aperfeiçoamento de regras e estabelecimento de legislação específica.  O primeiro Código Penal do Império foi aprovado em 1830 e nele eram bem distintas as punições entre homens livres e escravizados. Segundo a Agência Senado, "a o longo de 313 artigos, o novo código buscava coibir crimes tão diversos quanto a tentativa de derrubar o imperador, a compra de voto (nas eleições para senador, deputado, juiz de paz etc.), o abuso de autoridade, a falsificação de moeda, o estelionato, a pirataria marítima, o vandalismo, o aborto, o estupro, o adultério, o casamen...

A navegação de Jacob Becker & Cia.

Em tempos de interdição da Ponte do Fandango, motivada pelas obras necessárias para garantir não só a segurança quanto ampliar a sua capacidade de carga, é que se constata as limitações impostas por apenas um modal de transporte. Houve tempos em que Cachoeira do Sul era servida por transporte terrestre, através de trens e veículos, e por transporte fluvial. O rio Jacuí, além de vital para a instalação e desenvolvimento da cidade, foi importantíssima via de acesso e escoamento de produtos. A navegação de suas águas entre Rio Pardo e Cachoeira teve processo iniciado em 1843, passando por diferentes momentos até chegar a uma movimentação intensa, especialmente antes da construção da Ponte do Fandango, quando passageiros e cargas podiam chegar até a capital comodamente instalados em embarcações apropriadas. Uma das mais importantes companhias de navegação que singrava as águas do Jacuí tinha à frente Jacob Becker. Em 1891, o navegador conseguiu ampliar os serviços pela constituição de uma ...

Encomenda de uma barca

Em tempos em que a cidade necessita da balsa para transpor o Jacuí em razão das obras na Ponte do Fandango, importante lembrar que o passado está pleno de experiências envolvendo este tipo de transporte e que as condicionantes do presente acabaram por fazer dele uma saída viável.  Desde tempos muito remotos na história de Cachoeira que as balsas têm sido utilizadas e os serviços ligados a ela controlados pela administração municipal. Igualmente a contratação da construção, manutenção e supervisão dos serviços ficavam a cargo da municipalidade. Em 1909, a Intendência Municipal, tendo à frente o Coronel Isidoro Neves da Fontoura, firmou contrato com o construtor Ricardo Kellermann, que havia prestado o mesmo tipo de serviço à municipalidade da vizinha Rio Pardo, para que construísse uma barca do tipo caverna e movida a vapor às expensas dos cofres municipais. Os termos do contrato, lavrado pelo então secretário Jacintho Godoy Gomes, que viria a se tornar um dos mais famosos psiquiatr...

Princesa D. Paula Mariana

D. Pedro I teve com a primeira esposa, D. Maria Leopoldina, sete filhos. A quinta deles, D. Paula Mariana, protagonizou uma das mais tristes histórias da família do Primeiro Imperador do Brasil.  Princesa Dona Paula Mariana - Wikipédia A menina nasceu no Rio de Janeiro em 17 de fevereiro de 1823, ano seguinte ao da Independência do Brasil. Nos nove anos que viveu, sempre enfrentou problemas de saúde, além de ter ficado órfã de mãe aos três e sem o pai aos oito, quando ele abdicou do trono e foi para Portugal. Por esta época, as crianças já tinham uma madrasta, pois D. Pedro I havia casado com D. Amélia de Leuchtenberg em 1829. Os historiadores dizem que Paula de Bragança era uma menina muito dócil, pacífica e resignada. Ela e seus irmãos, incluindo D. Pedro II, sucessor do trono, ficaram sob os cuidados de pessoas designadas pelo pai, a quem nunca mais viram.  Quando Paula chegou aos oito anos, seu estado de saúde agravou-se muito e os tratamentos a que era submetida não surti...