Os documentos acessados para reconstituir a história também guardam suas próprias histórias. Em que suporte foram registrados, que tinta foi empregada nos manuscritos, que cultura ou capacidade tinha o escriba, que condições estes registros enfrentaram até chegar aos dias que correm? O aspecto que apresentam conta muito da sua trajetória. O tipo de papel empregado, as marcas que carregam e a caligrafia são aspectos reveladores. Até mesmo os restauros por que passaram podem ser visualizados. Pois não é que vez ou outra a própria documentação revela a sua origem? Num conjunto de documentos relativos a despesas realizadas pela Câmara Municipal, no ano de 1863, um recibo e uma portaria confirmam a aquisição de um livro para registro dos ofícios expedidos, ou seja, as correspondências enviadas pelos vereadores. O recibo da aquisição prova que o fornecedor do livro de 250 folhas foi Noé Antonio Ramos. Este personagem da história de Cachoeira teve participação na vida pública, ocupando a vere...
Corria o ano de 1886. O delegado de Polícia necessitava mandar proceder a uma necropsia no cadáver de um homem chamado João da Luz, mas necessitava de dois instrumentos para o procedimento: um serrote de costas e um podão. Imagem gerada por Gemini IA Uma rápida busca nos sites de pesquisa sobre o tipo de instrumental utilizado em exames de exumação oficial no século XIX, ou seja, as que eram procedidas de forma legal por se relacionarem a processos judiciais ou para troca de túmulos, aponta para os seguintes instrumentos: escalpelos e facas de cartilagem, usados para incisões profundas e exposição dos órgãos internos; serras de amputação e de crânio; costótomos, tesouras ou pinças para abrir o tórax e cortar as costelas, e trocartes primitivos, instrumentos pontiagudos e ocos para aspiração de gases e fluidos da decomposição. Estes instrumentos geralmente vinham acondicionados em estojos de madeira, preferencialmente mogno, que o legista carregava consigo para o necrotério ou cemitério...