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A Praça Itororó e o Hospital de Caridade

Seguidamente alguém questiona a real existência da Praça Itororó e, além disto, o direito do Hospital de Caridade em explorar área fronteira ao seu complexo. Os documentos do Arquivo Histórico são fonte inesgotável de descobertas e confirmações. E foi num decreto-lei assinado pelo prefeito Cyro da Cunha Carlos que são desvendadas estas duas questões: a Praça Itororó existiu de fato e a área ocupada pelo HCB está legitimada. Diz o Decreto-Lei n.º 2, de 3 de julho de 1940: Decreto-Lei n.º 2 Faz doação de um terreno Cy ro da Cunha Carlos, Sub-Prefeito da Sede do Município de Cachoeira, no exercício do cargo de Prefeito, no uso de suas atribuições legais, conferidas pelo Decreto-Lei 1.202, a Lei Orgânica do Município e a necessária autorização do Excelentíssimo Senhor Presidente da República e  Considerando que o Município, por Decreto n.º 36, de 11 de Maio de 1933, concedeu ao Hospital de Caridade a posse perpétua e gratuita do terreno que constitue a antiga Praça Itororó,  Considerando q
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Uma casa no Bairro Rio Branco

Vez ou outra os documentos resguardados pelo Arquivo Histórico nos trazem surpresas, suscitando questionamentos e até suposições. Num conjunto de documentos avulsos codificados como IM/GI/DA/P-001, contendo propostas para editais lançados pela Intendência Municipal entre 1916 e 1919, há um requerimento apresentando proposta de compra de um terreno no Bairro Rio Branco datado de 27 de setembro de 1916. Importante relembrar que o Bairro Rio Branco foi aberto graças à compra que a Intendência fez de terras pertencentes a Maria Egípcia da Fontoura em 1912, para que fossem loteadas em terrenos e assim contribuindo para o prolongamento da cidade em direção leste. Adquiridas as terras, providenciou a Intendência na divisão dos terrenos e sua comercialização. O requerimento do interessado dizia o seguinte: Requerimento de Oscar Lamb - 27/9/1916 - IM/GI/DA/P-001 Illmo. Snr~Intendente Municipal O abaixo assignado, querendo construir uma caza de moradia nesta cidade, vem propor a V.S. a compra de

Nascimento de um jornal

 Há 95 anos, quando nasceu o Jornal do Povo , Cachoeira via circular semanalmente, às quartas-feiras, o jornal O Commercio . Outros semanários daquele tempo eram A Notícia  e  Cachoeira-Jornal , ambos fundados em 1928, dos quais não sobraram exemplares para que se verifique se houve alusão à fundação do Jornal do Povo.  Cópia da primeira edição do Jornal do Povo - 30/6/1929 No O Commercio , edição de 3 de julho de 1929, a seguinte nota de boas-vindas ao novel Jornal do Povo: O Commercio , 8/7/1929 "Jornal do Povo". - Sob a direcção dos nossos collegas srs. Virgilio de Abreu e Mario Ilha, e gerencia do sr. Antonio Timm, surgiu a 30 do passado, nesta cidade, o Jornal do Povo , folha de publicação bi-semanal, que assim resume o seu programa: "O apparecimento deste novo jornal corresponde á aspiração de occupar um logar, bem que obscuro, entre os dignos orgams da imprensa rio-grandense, que, em geral se amoldaram ás exigencias do estado evolucional a que chegou o nosso Estad

Livros históricos do Clube Comercial

O Clube Comercial completou seu centenário em 15 de junho de 2024, mas quem ganhou o presente foi a comunidade cachoeirense, através da doação ao acervo do Arquivo Histórico de todos os livros remanescentes de sócios, atas, reuniões e decisões das diretorias desde o ano da fundação, 1924. Ao longo da história centenária do Comercial, alguns elementos de sua  memória foram perdidos, mas ainda assim o volume que restou preservado é muito significativo, permitindo vislumbrar os passos, as decisões e os movimentos tomados por aqueles que compuseram as suas instâncias de decisão e fizeram os devidos registros. A entrega do material foi feita simbolicamente no dia 15 de junho, sábado, na sede campestre do Clube Comercial, ocasião em que, na presença de autoridades, convidados, sócios e ex-integrantes de diretorias, o presidente Marcelito Staevie anunciou que todos os livros e plantas arquitetônicas da sede social da Rua 7 de Setembro teriam o Arquivo Histórico como destino, onde ficarão à di

Série Documentos da imigração alemã em Cachoeira: um registro jornalístico do ano do sesquicentenário

Há 50 anos o Jornal do Povo  registrou a passagem dos 150 anos da imigração alemã em texto produzido por Leontino Roos. O articulista traça um panorama histórico do Rio Grande do Sul à época, registra a chegada dos primeiros imigrantes alemães, em julho de 1824, e discorre sobre o seu legado.  No ano em que comemoramos os 200 anos da imigração alemã no estado, enfocando a repercussão em Cachoeira do Sul, importante rememorar tão detalhado registro. 150 anos de colonização alemã no R.S. O primeiro presidente nomeado para a Província do Rio Grande do Sul foi o desembargador José Feliciano Fernandes Pinheiro, futuro senador do Império e Visconde de São Leopoldo, que foi empossado no dia 8 de março de 1824. Esse ilustre homem público, emérito autor dos anais Província de São Pedro, foi o primeiro organizador da colônia alemã em nossa terra. Escolhido para comandante das armas, foi o legendário gaúcho general José de Abreu.  Pela constituição de 1824 a província seria administrada por um pr

O Dia D: grande regozijo popular em Cachoeira

Há 80 anos o mundo caminhava para o fim da II Grande Guerra Mundial. Em 6 de junho de 1944, forças aliadas fizeram uma ofensiva no continente europeu para tentar livrá-lo do poderio nazista, começando pela França. Quando a notícia da operação chegou a Cachoeira, imediatamente a imprensa noticiou o fato, fazendo com que os cachoeirenses fossem tomados de euforia e alívio pelo acontecimento que entrou para a história como o "Dia D". O desembarque de tropas aliadas na Normandia - 6/6/1944 - odia.ig.com.br O Jornal do Povo , em sua edição de 8 de junho de 1944, na primeira página, publicou o tópico Panorama Internacional , assim redigido: A sorte está lançada para o mundo. As operações militares que os aliados iniciaram ante-ontem na costa francesa, fronteira a Inglaterra, constituem já as avançadas da invasão contra a Fortaleza de Hitler. Cumprindo sua promessa aos povos oprimidos da Europa, os anglo-americanos estão abrindo, a golpes de extrema audácia e poder, a grande oportun

Série Documentos da imigração alemã em Cachoeira: problemas com a enchente

Enchentes são eventos recorrentes na história, mas os registros das suas ocorrências têm início no final do século XIX, começo do século XX. Diante disso, as enchentes ocorridas no final dos 1800 são verificadas através de arquivos de imprensa disponíveis ou pelo manuseio de documentos históricos que não necessariamente estão relacionados a esse tipo de evento climático, mas que acabam revelando em seu conteúdo alguma referência ao fato. Neste ano em que são comemorados os 200 anos da imigração alemã no Rio Grande do Sul, no cumprimento da missão de divulgar diferentes tipos de documentos relacionados ao tema existentes no acervo do Arquivo Histórico, deparamo-nos com uma correspondência de 1888 em que há menção a uma grande enchente. Ora, tal situação não era a motivação da leitura do documento, mas sua oportuna citação no contexto histórico chamou a atenção e vem ao encontro do momento vivido pelo Rio Grande do Sul, além de atender à proposta desta série de documentos. Vejamos o cont