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Carnê comercial da VI Festa Nacional do Trigo

Instituições de memória são frequentemente procuradas por pessoas que guardam consigo itens relacionados ao passado e que, previdentemente, não dão a eles o destino mais comum e injusto: o lixo. Recentemente, chegou ao Arquivo Histórico uma doação de jornais locais e de Porto Alegre versando sobre as terceira, quarta e quinta edições da FENARROZ, já repassados ao Museu Municipal para comporem o importante acervo relacionado ao nosso maior evento. Junto aos jornais havia uma inédita publicação da qual não se conhecia outro exemplar. Trata-se do CARNET COMERCIAL DA VI FESTA NACIONAL DO TRIGO, realizada em Cachoeira do Sul nos dias 20, 21 e 22 de outubro de 1956. A publicação é um folheto com reclames comerciais de empresas cachoeirenses e de outros municípios do Estado, com destaque para saudações aos triticultores do Rio Grande do Sul assinadas pelo governador Ildo Meneghetti e por Leonel Brizola, prefeito de Porto Alegre.  O folheto foi realização e responsabilidade de Marbe Ramond...
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Série: 400 anos das Missões

São de autoria do historiador cachoeirense Aurélio Porto os volumes III, IV e V da publicação "Jesuítas no Sul do Brasil", uma obra referencial em seis volumes sobre a história das Missões e o trabalho de evangelização que os padres jesuítas procederam com os indígenas, organizada pelo Padre Luís Gonzaga Jaeger.  Os volumes III e IV da publicação, que tratam da "História das Missões Orientais do Uruguai"*, são hoje considerados itens de colecionadores, tal a raridade. O Arquivo Histórico, por transferência de acervo feita pelo Museu Municipal, possui estes volumes e deles podem ser extraídas as primeiras observações sobre tão vasto e importante legado missioneiro que alcança os 400 anos de história.  Os dois volumes que hoje integram o acervo bibliográfico do Arquivo Histórico foram impressos pela Livraria Selbach, de Selbach & Cia., em Porto Alegre, constituindo partes da segunda edição feita em 1954. Aurélio Porto já era então falecido.  Volumes II e III de Hi...

Os possantes Ford V8 - comprovados pelo Passado, aperfeiçoados para o Futuro

O famoso Ford V-8, ano 1936, chegou a Cachoeira através da revenda de Prudêncio Schirmer. Naquele tempo,  as fotografias eram raras na imprensa, mas havia litografias em profusão. Este recurso foi  muito difundido em jornais e revistas e os modelos foram reproduzidos nos mais diferentes lugares em que a Ford chegava com seus veículos. Em Cachoeira, o revendedor publicou nas páginas de  O Commercio  uma sucessão dessas peças publicitárias para divulgar entre os cachoeirenses o novo e cobiçado automóvel.  Anúncio de 22/1/1936 - jornal  O Commercio , página 3 No primeiro anúncio veiculado, Prudêncio Schirmer avisava que o automóvel estava em exposição na sua Agência Ford, localizada na Rua Saldanha Marinho, 1393. No texto, o apelo publicitário capaz de atrair o olhar dos abastados cachoeirenses que podiam adquirir a preciosa máquina: (Início da transcrição) Novo! - mas nada de experimental, nada que não possua valor incontestavel... Evolução natural do modelo ...

Clube José do Patrocínio

Cachoeira teve, no início do século, um clube voltado à celebração e assistência do elemento negro da sociedade que tomou por nome o do jornalista e líder abolicionista José do Patrocínio. Provavelmente fundado após a morte do patrono, ocorrida em 29 de janeiro de 1905, o Clube José do Patrocínio anunciava na imprensa que promoveria um espetáculo em benefício do seu presidente Geminiano Moura, "que se achava enfermo e em condições precárias", conforme noticiou O Commercio  em sua edição do dia 9 de maio de 1906.  José do Patrocínio - https://www.historia.uff.br/intelectuaisnegros/node/14 Anúncio no O Commercio , 9/5/1906, p. 2 Ora, naqueles primeiros anos da década de 1900, o local para espetáculos em Cachoeira era o Teatro Municipal, administrado pela Intendência. Assim, com o intuito de obter permissão para levar à cena o espetáculo pretendido, o 1.º secretário do Clube, Benedicto Netto dos Santos, redigiu um requerimento e o encaminhou ao Vice-Intendente em exercício, ...

O Dia do Trabalho

"O dia 1.º de maio, como sempre, é uma data bastante cara para nós todos, pois que, neste dia, homenageia-se o operariado, o braço forte da nação, a fonte propulsora de todo o progresso e todos os inventos do universo. Quem não é operário neste mundo? Patrões e empregados, todos são operários, pois todos trabalham em prol de um mesmo desiderato, de uma mesma finalidade, qual seja a manutenção comum, pois que sem ela ninguém poderá viver."  Com estas considerações o jornal O Comércio introduziu a matéria de primeira página da edição do dia 3 de maio de 1950, intitulada Atingiram a um brilho excepcional as comemorações do Dia do Trabalho realizadas 2.ª feira. Por ela tem-se a dimensão do quanto o Dia do Trabalho era reverenciado e valorizado. Jornal \O Comércio , 3/5/1950, primeira página (Início da transcrição)   Na Liga Operária As comemorações na Liga Operária Cachoeirense, com sede à rua S. Marinho, estiveram excepcionalmente brilhantes e de alta significação. Em primeiro l...

Estado de civilização e moralidade do Império

Em 1834, quando o Brasil vivia seus primeiros anos de independência, ainda havia muita coisa a ser descoberta sobre o comportamento da população dispersa em território enorme. Mesmo que em 1.º de outubro de 1828 um compêndio de leis tenha organizado minimamente o funcionamento das câmaras municipais e, consequentemente, a administração pública no Império, muitos aspectos da vida nas comunidades necessitavam de atenção, até para aperfeiçoamento de regras e estabelecimento de legislação específica.  O primeiro Código Penal do Império foi aprovado em 1830 e nele eram bem distintas as punições entre homens livres e escravizados. Segundo a Agência Senado, "a o longo de 313 artigos, o novo código buscava coibir crimes tão diversos quanto a tentativa de derrubar o imperador, a compra de voto (nas eleições para senador, deputado, juiz de paz etc.), o abuso de autoridade, a falsificação de moeda, o estelionato, a pirataria marítima, o vandalismo, o aborto, o estupro, o adultério, o casamen...

A navegação de Jacob Becker & Cia.

Em tempos de interdição da Ponte do Fandango, motivada pelas obras necessárias para garantir não só a segurança quanto ampliar a sua capacidade de carga, é que se constata as limitações impostas por apenas um modal de transporte. Houve tempos em que Cachoeira do Sul era servida por transporte terrestre, através de trens e veículos, e por transporte fluvial. O rio Jacuí, além de vital para a instalação e desenvolvimento da cidade, foi importantíssima via de acesso e escoamento de produtos. A navegação de suas águas entre Rio Pardo e Cachoeira teve processo iniciado em 1843, passando por diferentes momentos até chegar a uma movimentação intensa, especialmente antes da construção da Ponte do Fandango, quando passageiros e cargas podiam chegar até a capital comodamente instalados em embarcações apropriadas. Uma das mais importantes companhias de navegação que singrava as águas do Jacuí tinha à frente Jacob Becker. Em 1891, o navegador conseguiu ampliar os serviços pela constituição de uma ...