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Mostrando postagens com o rótulo Cidade da Cachoeira

Visita da Princesa Isabel e do Conde d'Eu a Cachoeira

Começava o ano de 1885. A Câmara Municipal da Cachoeira aguardava a visita de Isabel, Princesa Imperial do Brasil, e de seu marido, o Conde d'Eu, e neste intuito procurava organizar um programa à altura da filha do Imperador Pedro II e herdeira presuntiva do trono. Princesa Isabel - foto Joaquim Insley Pacheco Assim, em 5 de janeiro de 1885, a Câmara expediu o seguinte convite: Camara Municipal Convite Sendo esperado brevemente n'esta Cidade a Serenissima Princeza Imperial D. Isabel e Sua Alteza Real o Snr. Conde d'Eu, seu esposo, a Camara Municipal convida a todos os seus municipes, para que concorrão ao desembarque dos Augusto [sic]   viajantes. Outrosim pede aos habitantes da Cidade, que hajão de illuminar a frente de suas casas na noute do dia da chegada e estada aqui de Suas Altezas. Paço da Camara Municipal da Cachoeira, 5 de Janeiro de 1885. O Vereador Presidente Antonio Eusebio da Fontoura O Secretario Manoel Teixeira Cavalheiro Registro do conteúdo do convite - CM/...

"Cachoeira Cidade"

As várias datas históricas de Cachoeira põem confusão na cabeça das pessoas que, afinal, costumam se atrapalhar ao definir o que representa o 5 DE AGOSTO e o 15 DE DEZEMBRO. Vejamos, mais uma vez. Em 5 DE AGOSTO DE 1820, foi instalado o município de Cachoeira, emancipado de Rio Pardo por alvará de D. João VI datado de 26 de abril de 1819. Naquele dia 5 de agosto, além do erguimento do pelourinho, que era o símbolo da autonomia político-administrativa, foram eleitos os três primeiros vereadores, escolhidos os oficiais da  Câmara Municipal e abertos todos os livros necessários para os primeiros passos da Vila Nova de São João da Cachoeira. No dia 15 DE DEZEMBRO DE   1859, por decreto provincial, a Vila Nova de São João da Cachoeira foi elevada à categoria de cidade, ou seja, ficavam delimitados em seu recinto territorial a sede do município, definida pelo perímetro urbano e onde havia uma estrutura mínima para atender às necessidades dos munícipes, e uma zona rural. O registro d...

Medalha de ouro ao Grande Álbum de Cachoeira

O Grande Álbum de Cachoeira no Centenário da Independência do Brasil, organizado pelo dentista, fotógrafo e filatelista Benjamin Celestino Camozato, é uma daquelas obras que têm lugar obrigatório nas bibliotecas de historiadores ou de colecionadores.  Pensada originalmente para ser lançada em 1922, ano das comemorações do centenário da Independência do Brasil, sua edição só foi de fato ter comercialização em 1923. A julgar pelas notícias da imprensa da época, fez estrondoso sucesso, pois foi negociada em diferentes municípios e estados pelo Brasil afora. A própria Intendência Municipal de Cachoeira pagou um conto de réis ao organizador pela aquisição de 250 exemplares, o que ensejou a publicação da Lei N.º 176, de 21 de novembro de 1924 (IM/GI/DA/ADLR-009, fl. 96). Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato Impresso pelas Oficinas Gráficas da Escola de Engenharia de Porto Alegre, o Grande Álbum de Cachoeira trata de vários aspectos: história, comércio, agricultura, pecuária, i...

Abaixo-assinado por um mercado público

O Mercado Público que existia no coração da Praça José Bonifácio foi uma grande conquista para a cidade da Cachoeira quase no final do século XIX. Comerciantes, produtores, prestadores de serviço e consumidores se beneficiaram do conjunto de opções ofertadas num único local. Mas não foi só para a economia que a construção do mercado causou efeitos positivos. Também para a urbanidade a sua construção foi um divisor de águas. A outrora despovoada e praticamente abandonada Praça José Bonifácio, cujo terreno servia de pasto para animais e eventuais armações de circos, passou a ter tratamento paisagístico a partir da edificação do mercado. A obra, inaugurada em 30 de setembro de 1882, deu nova feição ao coração da cidade. Mercado Público - Fototeca Museu Municipal Um documento de 1.º de outubro de 1881 apresentado aos vereadores por três cidadãos, solicitava, com justificativas, a construção de um mercado que, além das suas conveniências, promoveria a recuperação da mal cuidada Praça José B...

Inauguração da Hidráulica Municipal - 18/10/1925

O dia 18 de outubro de 1925 foi marcado para a realização dos testes de funcionamento dos equipamentos empregados na captação, tratamento e distribuição de água do sistema implantado na segunda hidráulica. As obras, executadas pela firma Silveira, Soares & Cia., seguiam projeto do famoso engenheiro sanitarista Dr. Saturnino de Brito. Dr. Saturnino de Brito - www.12senado.leg.br Iniciadas em 1923, quando houve o assentamento dos condutos do esgoto em ruas principais, as obras de saneamento projetadas por Saturnino de Brito se estenderam até 1925, sendo a inauguração da segunda hidráulica, chamada de Hidráulica Municipal, o coroamento desse importante e imprescindível projeto. Coube a João Neves da Fontoura, vice-intendente em exercício, a conclusão e inauguração das obras implantadas na administração do intendente Francisco Fontoura Nogueira da Gama. Chico Gama, como era chamado, afastou-se da administração municipal por motivos de saúde, falecendo em 1927. Curiosamente a ata da sol...

Armas ofensivas

Em tempos de discussão a respeito do rearmamento do cidadão, interessante se deparar com um edital do século XIX, do ano de 1862, em que a Câmara Municipal da Cidade da Cachoeira declarou  quaes as armas offensivas cujo uzo as autoridades policiaes poderão permittir, e os cazos em que o podem fazer, e para este fim adoptou a resolução seguinte, Artigo 1.º Hé prohibido trazer qualquer arma de fogo, cortante, perfurante ou contundente, excepto bengala e chapeo de Sol; sendo unicamente permittido aos officiaes de officio e carreteiros o uzo dos instrumentos proprios em quanto trabalharem, podendo removelos de um lugar para o outro durante o dia. 2.º As autoridades policiaes poderão conceder licença  1.º  para trazer armas de caça as pessoas insuspeitas e estabelecidas no lugar = 2.º para trazerem qualquer arma as pessoas que andarem em viagem ou nos campos, sendo os impetrantes pessoas de reconhecida probidade. Tanto no primeiro como no segundo cazo porem, se ...

Uma nota fiscal de 150 anos

O acervo documental do Arquivo Histórico oferece um universo de possibilidades para perscrutação do passado. Uma simples nota fiscal, por exemplo, item que comumente jogamos na lata de lixo, é capaz de permitir uma verdadeira viagem no tempo, especialmente se ela foi emitida há 150 anos! Logicamente uma nota fiscal de 150 anos está arquivada no acervo documental em razão de sua condição de documento comprobatório de uma despesa gerada para a Câmara Municipal, com trânsito pelas seções então existentes dentro do aparato administrativo. A figura do procurador, que era o responsável pelas finanças municipais, tinha grande importância, pois seu compromisso era de "arrecadar e aplicar as rendas municipais e multas destinadas a despesas da Câmara; demandar a execução das Posturas Municipais, impondo penas aos contraventores; defender os direitos da Câmara perante a Justiça Ordinária; apresentar trimestralmente as contas à Câmara e conservar em boa guarda todos os objetos pertencent...

Pontes na Ferreira, problemas de hoje e de sempre!

O século XXI corre célere, mas problemas que pelo adiantamento das técnicas hoje oferecidas já não deveriam mais causar transtornos teimam em reincidir!  Um deles é o caso de uma ponte na Ferreira, na Estrada VRS-809, cuja solução de mais um desmoronamento está a causar dores de cabeça aos gestores e, principalmente, aos moradores daquela localidade.  Mas havia outra ponte que em 1857 tinha sido destruída por uma poderosa enchente e que estava a causar dores de cabeça às autoridades. No início da década de 1860, a Câmara Municipal andava às voltas com a reconstrução dessa ponte e uma correspondência remetida ao presidente da Província, Dr. Esperidião Eloy de Barros Pimentel, em 16 de janeiro de 1863, dá mostras do quanto este tipo de obra demandava ações que esbarravam em todo tipo de problema, desde a burocracia da época, os recursos, sempre escassos, e até o imponderável.  Depois de processo de abertura de edital público para apresentação de propostas de emprei...

Cadeia empestada

A obra de restauração do prédio construído para sede da Casa de Câmara, Júri e Cadeia tem trazido à luz várias histórias relacionadas aos tempos em que ainda desprovidas das comodidades de um espaço para abrigar os vereadores e suas alfaias, a justiça e suas varas e a cadeia e seus presos as autoridades necessitavam recorrer à locação de casas. Tais casas, quase sempre inadequadas, serviam mal e insatisfatoriamente - e a um preço alto - às necessidades e aos objetivos de seus ocupantes. De longe a que abrigava a cadeia era a mais preocupante, pois além das condições mínimas para acomodar pessoas, a casa precisava oferecer segurança suficiente para evitar a evasão dos condenados. Com o término da construção da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, o primeiro espaço a ser ocupado foi o da cadeia, situado nos fundos do térreo do sobrado. A transferência dos presos para a "nova" prisão se deu em 16 de março de 1865. Aqueles detentos acompanharam ainda os ultimatos da obra e dividir...

Plantel de animais do município em 1877

A criação de gado impôs-se como a grande mola da economia rio-grandense desde os tempos em que a possessão das terras era espanhola. Os padres jesuítas, ao empreenderem suas missões, introduziram aqui o gado e o cultivo de todo tipo de produtos necessários à sua subsistência e à manutenção das reduções. O gado nas terras sulinas encontrou condições favoráveis para sua expansão, povoando rapidamente os rincões. Quando finalmente as fronteiras entre espanhóis e portugueses foram definidas, a custas da expulsão dos jesuítas e da reação revoltosa dos índios, pouco a pouco o que hoje é o território do Rio Grande do Sul foi-se materializando em povoações e cidades que tiveram também na pecuária a sua primeira e principal atividade econômica. Cachoeira foi uma delas. No ano de 1876, a Câmara Municipal de Cachoeira, como de resto muitas outras da Província, foram instadas a conceder dados sobre a criação de animais nos recintos de seus municípios. A circular n.º 4.745, emitida pela Pr...

Uma biblioteca pública para Cachoeira - 1880

Cachoeira do Sul pode orgulhar-se de possuir uma das bibliotecas públicas mais atuantes, organizadas e com rico acervo do cenário estadual. A Biblioteca Pública Municipal "Dr. João Minssen", com uma tradição de bem servir aos propósitos da leitura, da pesquisa e da formação de novos leitores não chegou a esta condição com facilidade. Sua fundação se deu só em 2 de dezembro de 1946, graças à visão cultural do Dr. João Minssen, seu primeiro diretor e depois patrono. Mas o que poucas pessoas sabem é que uma correspondência de 5 de maio de 1880 dá notícia sobre o que parece ser a primeira iniciativa de dotar a florescente cidade da Cachoeira  de uma biblioteca pública, inclusive com oferta de recursos de um cidadão que, a exemplo de outros que o sucederam mais de 60 anos depois, conseguiram transformar o sonho em realidade. Ofício de Ysidoro B. Salart - 5/5/1880 - CM/S/SE/CR-003 Illm.º Snr~ Presidente da Camara Municipal d'esta Cidade Em 13 Maio 1880     ...

Sementes de Fumo Gigante

A China, um dos tigres asiáticos, é uma potência econômica emergente do mundo atual. Seus produtos chegam facilmente a casas do mundo inteiro e o sistema de informações vigente, com acesso universal e instantâneo, faz da terra distante e antes desconhecida um lugar que parece estar muito próximo! Mas imaginemos a China no século XIX. Provavelmente muito poucas pessoas tinham noção da sua existência, de sua localização geográfica e o que representava a sua cultura no oriente. Tampouco poderiam sonhar que no futuro o tigre asiático iria abocanhar, tal qual um dragão, consumidores nos quatro cantos do mundo! Um documento datado de 25 de janeiro de 1879, remetido à Câmara de Cachoeira por Americo de M. Marcondes de Andrade, oferecia às autoridades da época sementes de fumo gigante vindas da China: Remetto a V.M.cês uma pequena lata contendo sementes de fumo gigante da China, afim de que as distribuam pelos lavradores d'esse municipio que desejem ensaiar a sua cultura. De...

Proposta para substituição da iluminação pública por novo invento

A iluminação de uma cidade, a exemplo de outros serviços que estão a cargo da administração pública, é boa indicadora do nível de investimento e do estágio de evolução tecnológica atingido pelo município. Cachoeira experimentou variadas formas de iluminar suas vias e casas. Do acendedor de lampiões às primeiras experiências com luz elétrica, o tempo percorreu dois séculos... E os avanços da ciência aconteciam bem longe daqui! Uma carta remetida ao presidente e demais vereadores da Câmara, em 6 de maio de 1886, é uma prova das inovações que a segunda metade do século XIX estava atingindo na área.  E também demonstra o interesse que os concessionários do contrato da iluminação pública municipal tinham no investimento em novas tecnologias e no seu repasse comercial. CM/DA/OM/Caixa 3 Eis o conteúdo: Os abaixo assignados, concessionarios do contrato da illuminação publica que se faz na Cidade da Cachoeira , participão a distinta corporação Municipal dessa Cidade, que...

Cachoeira: urgentes necessidades da cidade em 1869

Um dos livros utilizados pela Câmara Municipal da Cidade da Cachoeira para lançamento das cópias dos ofícios dos vereadores (CM/S/SE/RE-007), aberto em 3 de março de 1863, traz em suas folhas 146 a 148v. um relatório que atendia ao estabelecido por lei em que os deputados da Assembleia Provincial deveriam ser informados das mais urgentes necessidades dos municípios. O documento traz como primeira necessidade a recuperação da Igreja Matriz que, naquela época, era o mais importante edifício da cidade, juntamente com a Casa de Câmara, Júri e Cadeia recentemente construída.  Igreja Matriz em seu aspecto original (foto entre 1910/1920) - Fototeca Museu Municipal Nas imediações, os prédios mais imponentes e ainda assim sem rivalizar com a Igreja eram o Império do Divino Espírito Santo (1856) e o Teatro Cachoeirense (1830). Teatro Cachoeirense - Museu Municipal Igreja Matriz e Império do Espírito Santo - Fototeca Museu Municipal Eis algumas das necessidades li...