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Mostrando postagens com o rótulo Política

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

Empréstimo para custear o saneamento

O grande canteiro de obras que se tornou Cachoeira na década de 1920 necessitou de um aporte financeiro muito além do que os cofres municipais dispunham. Em razão disto e confiada nas boas relações que sempre manteve com o presidente do Estado, Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros, a Intendência Municipal tomou empréstimos. Um deles, necessário para integralizar a quantia do montante que as obras precisavam, obrigou a Intendência a assinar uma nota promissória avalizada pelo Estado, junto ao Banco do Brasil,  no valor de 300 contos de réis: Governo do Estado Decreto n.º 3.501, de 24 de Julho de 1925                            Autorisa o Thesouro do Estado a avalisar uma nota                                       promissoria de 300:000$000, emittida pela Intendencia  Municipal de Cachoeira  em favor do B...

Estado de sítio

Abril de 1892: o país enfrentava situação propícia para a eclosão de revoltas, como a Revolução Federalista que estouraria, no ano seguinte, na região sul do Brasil.  O Marechal Floriano Peixoto, que sucedeu ao Marechal Deodoro da Fonseca, por renúncia deste em 1891, governava o país de forma muito autoritária. A maneira como assumiu o governo era uma das alegações dos que lhe faziam oposição, pois a Constituição de 1891 determinava eleições após renúncia do presidente da República antes que se cumprisse metade de seu mandato. Na condição de vice-presidente, Floriano Peixoto assumiu sem convocar as eleições, desgostando muitos republicanos e provocando cisões. Começaram a pipocar reações pelo país, sendo a Revolta da Armada uma delas. Em 6 de abril de 1892, foi publicado o Manifesto dos 13 Generais, que contestava a legitimidade do governo de Floriano Peixoto. Foi a gota d'água para o presidente lançar mão de um mecanismo previsto na Constituição de 1891, o chamado estado de sítio,...

Símbolos da nova República

No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República no Rio de Janeiro, então capital do Império, pondo termo ao reinado de D. Pedro II e à monarquia no Brasil. Seu ato, motivado por uma série de acontecimentos que vinham agitando o país, instituiu uma nova forma de governo que ainda demandaria um bom tempo para romper paradigmas e se organizar efetivamente. Marechal Deodoro da Fonseca - pravaler.com.br Os estados e municípios, à época, passaram a ser provisoriamente regidos por cidadãos nomeados pelo próprio marechal Deodoro, ou pelos seus indicados como chefes políticos. Em Cachoeira, como não poderia ser diferente, depois da comunicação oficial feita na Câmara Municipal sobre a nova forma de governo, em 18 de novembro de 1889, restou às autoridades constituídas ainda no Império quedarem-se aos novos tempos e aguardarem os primeiros movimentos republicanos. Azeitada a máquina pública com a indicação de três cidadãos como gestores municipais (João Ferreir...

Recusa de nomeação

O coronel Isidoro Neves da Fontoura desde 1912, quando a contragosto assumiu o cargo de intendente municipal, já havia noticiado que abandonaria os cargos públicos. Seguiria como chefe do Partido Republicano em Cachoeira, cuja liderança era incontestável.  Coronel Isidoro Neves da Fontoura - Fototeca Museu Municipal Eleito intendente municipal, o Dr. Balthazar de Bem escolheu para seu vice o coronel Isidoro Neves da Fontoura, que declinou da indicação, recusando a nomeação. Não havendo exemplares de nenhum jornal da imprensa cachoeirense no ano de 1914, restam como comprovantes desta história os registros existentes no acervo documental do Arquivo. Como o que consta no "Relatório apresentado ao Dr. Balthazar Patricio de Bem, Intendente do Município de Cachoeira, pelo encarregado da Estatística e Arquivo, Mario Godoy Ilha, em 17 de setembro de 1914", em cuja página 24, que trata da Administração, consta o que segue: Não aceitando o coronel Isidoro Neves a sua nomeação para o c...

1894: renúncia do intendente

Retomando suas atividades, o Arquivo Histórico coloca-se à disposição da comunidade no atendimento de suas demandas de pesquisa e abre a série 2024 de postagens no blog com um imbróglio administrativo provocado há 130 anos, durante a sangrenta revolução da degola. A revolução que teve início em 1893 e se prolongou até 1895, conhecida como Revolução Federalista, ou da Degola, por ato de um coronel do Exército, provocou uma crise política na Intendência Municipal de Cachoeira, levando o intendente David Soares de Barcellos a se exonerar do cargo em ato assinado em 5 de fevereiro de 1894. Foto extraída do jornal O Commercio , 21/9/1904, p. 1 O motivo foi a ordem que o coronel Henrique Guatimozin Ferreira da Silva (1852-1931) deu para recrutamento de cidadãos com o fim de comporem força armada sem ter consultado o intendente David Barcellos. Desrespeitado em sua autoridade, o intendente telegrafou ao presidente do estado mostrando-se indignado. Obtendo resposta em desacordo com o seu pensa...

A Revolução de 1893 em documentos

Manifesto dos principaes chefes federalistas A' NAÇÃO BRAZILEIRA - Os povos opprimidos, em armas no Estado do Rio Grande do Sul, estão sendo injusta e atrozmente calumniados em seus nobres e alevantados intuitos patrioticos. Nossos adversarios, com o designio perfido de tornar antipathica á opinião a revolução Rio-Grandense, apontão-nos ao paiz como restauradores da monarchia. E' uma monstruosa calumnia. E' uma torpe e miseravel especulação. Não! O objectivo dos revolucionarios rio-grandenses não é a restauração da monarchia, é libertar o Rio-Grande da tyrannia que ha oito mezes o opprime, restabelecendo a garantia de todos os direitos individuaes, é acabar com o regimen das perseguições, das violencias inauditas, do latrocinio, do saque e do assassinato official, que desgraçadamente tem sido apoiado pelo Governo do marechal Floriano Peixoto. E' este o pharol que guia os revolucionarios rio-grandenses, cuja causa não póde ser mais sagrada, nem mais humanitaria. O paiz i...

"Um dia é da caça, outro do caçador"

A notícia transcrita aqui vem do Jornal do Povo  de 21 de dezembro de 1954. Vivia Cachoeira do Sul,  naquele tempo, situação análoga à de hoje, quando estava no comando do executivo municipal o vice-prefeito no exercício do cargo de prefeito. Análoga apenas na condição administrativa, pois que o titular, Virgilino Jayme Zinn, havia se afastado do cargo voluntariamente e não por questões judiciais, licenciando-se para tratar de assuntos de interesse particular. Em seu lugar assumiu o Capitão Henrique Fonseca Ghignatti. Mas não é este o caso da postagem. O que a motivou foi mostrar um deslize ocorrido no serviço público e que foi trazido ao conhecimento de todos por pedido do próprio prefeito ao ser provocado por um vereador. Diz a notícia:  Em nossa secção   "Atividades da Câmara", publicamos domingo último um pedido de informações do vereador Odeval Carneiro, dirigido ao Executivo, sôbre a situação dos fotógrafos ambulantes. Pedido de informações - Jornal do Povo, 19...