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Mostrando postagens com o rótulo Literatura

Cachoeira - centro de operações dos mosquitos

Interessante como a história se repete e como falta ao indivíduo a capacidade de, espelhando-se nela, mudar o curso das coisas. Prova inconteste disso, é uma excelente crônica publicada no jornal  O Commercio,  em 15 de março de 1924, sem indicação do autor, em que o mosquito e as condições que favoreciam o seu habitat não diferem muito do que se vê hoje. E olha que 100 anos faz grande diferença! https://eu.biogents.com/aedes-aegypti-o-mosquito-da-dengue Diz o cronista do passado: Coisas e factos Quem acompanhar o desenvolvimento da cidade da Cachoeira, não pode deixar de notar que o mosquito vem, pouco a pouco e de par com o progresso, estabelecendo, aqui, seu centro de operações. Dir-se-ia que essa raça de zumbidores e sugadores nocturnos é um apanagio do progresso si, com antecedencia, não se soubesse que o seu desenvolvimento vem de uma fonte menos nobre. Porque veiu esse intermino enxame de mosquitos para a cidade? Attrahido pelas arvores e pelas flores das praças? Convid...

Medalha de ouro ao Grande Álbum de Cachoeira

O Grande Álbum de Cachoeira no Centenário da Independência do Brasil, organizado pelo dentista, fotógrafo e filatelista Benjamin Celestino Camozato, é uma daquelas obras que têm lugar obrigatório nas bibliotecas de historiadores ou de colecionadores.  Pensada originalmente para ser lançada em 1922, ano das comemorações do centenário da Independência do Brasil, sua edição só foi de fato ter comercialização em 1923. A julgar pelas notícias da imprensa da época, fez estrondoso sucesso, pois foi negociada em diferentes municípios e estados pelo Brasil afora. A própria Intendência Municipal de Cachoeira pagou um conto de réis ao organizador pela aquisição de 250 exemplares, o que ensejou a publicação da Lei N.º 176, de 21 de novembro de 1924 (IM/GI/DA/ADLR-009, fl. 96). Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato Impresso pelas Oficinas Gráficas da Escola de Engenharia de Porto Alegre, o Grande Álbum de Cachoeira trata de vários aspectos: história, comércio, agricultura, pecuária, i...

A gripe

Em tempos de pandemia, quando os protocolos sanitários ditam distanciamento, uso de protetor facial e muita higienização, eis que uma pérola salta das páginas do jornal O Commercio , de 7 de setembro de 1921. Trata-se de uma composição jocosa em versos, assinada com as iniciais A. V., em que o tema é a contagiosa gripe.  Em primeiro lugar, é preciso contextualizar a época, 1921, e entender que há pouco o mundo tinha enfrentado a pandemia da gripe espanhola, que teve início em 1918 e durou até dezembro de 1920. Um terço da população mundial foi contaminada, vitimando cerca de 100 milhões de indivíduos. Em Cachoeira, a espanhola atingiu cerca de 3.000 pessoas, com 29 vítimas até o final de 1918. Nos anos de 1919 e 1920 os números arrefeceram, assim como as mortes. Portanto, a memória da gripe estava bem presente, assim como as suas nefastas consequências e o medo que causou. A. V. eram as iniciais de Arnaldo Vaz, pseudônimo utilizado pelo advogado e poeta Ernesto Barros, que costume...

João Neves na Academia Brasileira de Letras

Há 85 anos o advogado João Neves da Fontoura, figura máxima da vida política cachoeirense, foi eleito para assumir a cadeira número 2 na prestigiada Academia Brasileira de Letras - ABL. A eleição se deu em 19 de março de 1936 e a posse ocorreu em 12 de junho de 1937. João Neves com o fardão da ABL -  Museu Municipal O interessante é que João Neves assumiu a cadeira que havia pertencido ao escritor Coelho Neto, a quem, muitos anos antes, conduzira em visita a Cachoeira. O jornal O Commercio  de 25 de março de 1936, na primeira página, traz a notícia: Eleito para a vaga de Coelho Netto. - Foi eleito para a vaga aberta com a morte do grande intellectual brasileiro Coelho Netto, na Academia Brasileira de Letras, o nosso illustre conterraneo e um dos maiores talentos do parlamento nacional - Dr. João Neves da Fontoura, que alcançou esta victoria com grande maioria de votos, e cujo acontecimento muito vem honrar a terra que lhe deu o berço (...) O Commercio , 25/3/1936, p. 1 Quando ...

Gregório da Fonseca, filho dileto

Cachoeira do Sul é berço de personalidades ilustres nos mais diversos campos, oferecendo uma significativa relação de nomes de homens e mulheres que se destacaram em outras plagas. Vez em quando, retornam ao torrão natal para rever familiares e amigos e interagirem com o cotidiano da cidade. Um destes filhos ilustres foi o engenheiro militar e escritor Gregório Porto da Fonseca, nascido em 17 de novembro de 1875, filho de Marcos Gonçalves da Fonseca Ruivo e de Luiza Mariana Porto da Fonseca. Adolescente, empregou-se como caixeiro em uma loja de Cachoeira, onde passava recitando versos do poeta Olavo Bilac, esquecendo-se das suas tarefas... Mais tarde, no Rio de Janeiro, tornou-se amigo pessoal do poeta e um dos fundadores da Liga da Defesa Nacional, entidade que existe até hoje e que prega o civismo e o patriotismo. Gregório Porto da Fonseca - ABL Reformado da carreira militar, Gregório Porto da Fonseca tornou-se diretor da Secretaria da Presidência no governo provisório de G...

Sete de Setembro

SETE DE SETEMBRO Silencio!... não turbeis na paz da morte Os manes que o Brazil quasi esquecia!... E' tarde!.. Eis que espedaça a lousa fria De um vulto venerando o braço forte!... Surgiu!.. A magestade traz no porte, Onde o astro da gloria s'irradia!... Vem, grande Andrada, adivinhaste o dia!... Vem juntar ao da patria o teu transporte!... Recua?!.. Não se apressa em vir saudal-a; Cobre a fronte brilhante de heroismo, E soluça!.. O que tem?!. Eil-o que fala; "Oh! patria que eu salvei do despotismo! Lá vejo a corrupção que te avassalla! Não te conheço!.." E se afundou no abysmo!..                                Felix Xavier da Cunha Soneto publicado em O Commercio, 4/9/1907 - Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico O soneto acima, do advogado, jornalista, escritor e político Félix da Cunha, foi publicado pelo jornal O Commercio , edição do dia 4 de setembro d...

Homenagem a Tupinambá Pinto de Azevedo

O Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul registra, com pesar, o falecimento do Dr. Tupinambá Pinto de Azevedo, advogado, promotor e professor universitário que não era cachoeirense (Tupanciretã, 1942), mas amou e legou à cidade um trabalho de pesquisa que resultou na obra Cachoeira do Sul Comarca - 150 anos de história , lançada originalmente em 1985 e reeditada em 1994, constituindo-se em fonte imprescindível quando o assunto é a história da comarca local. Dr. Tupinambá Pinto de Azevedo Cachoeira do Sul Comarca - 150 anos de história 2.ª edição - 1994 Tupinambá de Azevedo, quando jovem, colaborou com as páginas literárias do Jornal do Povo, participando de uma coluna intitulada NG, por onde desfilaram talentos das letras, como Sérgio Lezama, Pedro Port, A. C. J. Cunha, Cláudio Trarbach, N. J. Estrázulas, para citar alguns. Em sua homenagem, buscou-se na coleção de imprensa do Arquivo Histórico um dos textos por ele produzidos e que foi publicado na edi...

100 anos da visita de Olavo Bilac a Cachoeira

Há exatos cem anos, no dia 14 de outubro de 1916, o celebrado poeta Olavo Bilac chegou a Cachoeira, uma das tantas cidades brasileiras que visitou em razão de uma grande cruzada que empreendeu pelo país com o objetivo de divulgar a recém-criada Liga da Defesa Nacional, entidade com fins patrióticos. Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac A recepção ao poeta, já na Estação Ferroviária, foi festiva. A Banda Musical Estrela Cachoeirense tocava uma marcha quando o trem chegou, às 16h45. Ao desembarcar, o poeta foi saudado em nome do povo cachoeirense pela menina Jenny Pinheiro que lhe ofereceu um ramalhete artístico. Entre vivas do povo que se aglomerava junto à Estação, o poeta desceu a escada do prédio e passou por uma longa ala de alunos e professores do Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura, liderados pela diretora Cândida Fortes Brandão. Novamente recebeu um ramalhete de flores com dedicatória do colégio das mãos do aluno Waldemar Brum, que proferiu os seguintes ver...

Palestra: Criação literária - Assis Brasil

O Arquivo Histórico, associando-se às atividades da 29.ª Feira do Livro de Cachoeira do Sul, convida os interessados para participarem da palestra "Criação Literária", com o Secretário de Estado da Cultura, o escritor Luiz Antônio de Assis Brasil.