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Mostrando postagens com o rótulo Índios

Série 400 anos das Missões: o indígena João Isidoro Pinto

Em 17 de maio de 1865, a Câmara recebeu um requerimento do indígena João Isidoro Pinto, morador na Aldeia, pedindo título ou despacho que lhe garantisse a posse dos terrenos que ocupava. A Câmara resolveu conceder-lhe a posse, condição esta sujeita à mudança caso o entendimento do inspetor das aldeias fosse contrário. CM/0F/A-006, sem paginação (Início da transcrição de CM/OF/A-006, sem paginação) Outro do indio João Izidoro Pinto morador na aldeia desta cid.e pedindo titulo ou despaxo em q~ lhe fique garantida a posse dos terrenos q~ occupa, a Camara resolveo conceder-lhe a posse até q.~ o Inspector das Aldeias determine encontrario. (Fim da transcrição do documento) Estas situações devem ter sido vividas por muitos dos descendentes dos indígenas que habitavam a velha aldeia, cujos ancestrais foram ali instalados, porém, sem a titulação de suas posses.  No cadastro que acompanhava a planta da cidade da Cachoeira, elaborado por João Martinho Buff em 1850, constam apenas seis terren...

Série 400 anos das Missões: a Aldeia

Cachoeira deve sua conformação urbana ao estabelecimento de uma aldeia de indígenas catequizados pelos jesuítas espanhóis e localizada  nas proximidades do rio Jacuí. Restam desse período nebuloso de nossa história, quando foram protagonistas os indígenas, pelo menos duas definitivas heranças que se conservam até hoje: o nome Aldeia, para o lugar do seu assentamento, e o nome Cachoeira, advindo do convívio diário com as pequenas quedas d'água que movimentavam o leito do Jacuí naqueles tempos. Cachoeiras no Jacuí - MMEL Recuperar os nomes desses indígenas primitivos é tarefa quase impossível. No entanto, vez ou outra a documentação custodiada pelo Arquivo Histórico, cujo marco inicial é 5 de agosto de 1820, revela algumas pistas dos ocupantes da Aldeia. Em 1850, quando o engenheiro João Martinho Buff foi contratado para elaborar o primeiro mapa de Cachoeira e solicitou a todos os proprietários que apresentassem os seus títulos de posse para a devida comprovação e elaboração de um ca...

Série: 400 anos das Missões

São de autoria do historiador cachoeirense Aurélio Porto os volumes III, IV e V da publicação "Jesuítas no Sul do Brasil", uma obra referencial em seis volumes sobre a história das Missões e o trabalho de evangelização que os padres jesuítas procederam com os indígenas, organizada pelo Padre Luís Gonzaga Jaeger.  Os volumes III e IV da publicação, que tratam da "História das Missões Orientais do Uruguai"*, são hoje considerados itens de colecionadores, tal a raridade. O Arquivo Histórico, por transferência de acervo feita pelo Museu Municipal, possui estes volumes e deles podem ser extraídas as primeiras observações sobre tão vasto e importante legado missioneiro que alcança os 400 anos de história.  Os dois volumes que hoje integram o acervo bibliográfico do Arquivo Histórico foram impressos pela Livraria Selbach, de Selbach & Cia., em Porto Alegre, constituindo partes da segunda edição feita em 1954. Aurélio Porto já era então falecido.  Volumes II e III de Hi...

Série Documentos da imigração alemã em Cachoeira: um registro jornalístico do ano do sesquicentenário

Há 50 anos o Jornal do Povo  registrou a passagem dos 150 anos da imigração alemã em texto produzido por Leontino Roos. O articulista traça um panorama histórico do Rio Grande do Sul à época, registra a chegada dos primeiros imigrantes alemães, em julho de 1824, e discorre sobre o seu legado.  No ano em que comemoramos os 200 anos da imigração alemã no estado, enfocando a repercussão em Cachoeira do Sul, importante rememorar tão detalhado registro. 150 anos de colonização alemã no R.S. O primeiro presidente nomeado para a Província do Rio Grande do Sul foi o desembargador José Feliciano Fernandes Pinheiro, futuro senador do Império e Visconde de São Leopoldo, que foi empossado no dia 8 de março de 1824. Esse ilustre homem público, emérito autor dos anais Província de São Pedro, foi o primeiro organizador da colônia alemã em nossa terra. Escolhido para comandante das armas, foi o legendário gaúcho general José de Abreu.  Pela constituição de 1824 a província seria administ...

Indiscutível razão para um estudo da vida do indígena

Na década de 1960, existia uma publicação voltada aos professores chamada Revista do Ensino. Fundada na década de 1950 pela professora Maria de Lourdes Gastal, tinha supervisão técnica pelo Centro de Pesquisas e Orientação Educacionais da Secretaria de Educação Cultura de São Paulo. Era distribuída para todo o Brasil e servia de roteiro para o processo de ensino-aprendizagem nas escolas. Muitos professores eram assinantes da revista e se serviam dela para o seu trabalho no magistério. Uma coleção incompleta da revista foi doada ao Arquivo Histórico por Maria de Jesus Uebel, de Agudo - RS, e consta como Arquivo Particular n.º 85. Pois uma destas revistas, a de número 105, do ano de 1965, traz uma matéria especial sobre o indígena brasileiro, " apresentando em seu conteúdo, numa seqüência de artigos, um documentário mais ou menos completo dos traços de sua cultura, ressaltando o que há de belo, curioso e sobretudo històricamente significativo, no campo do estudo da organização da vi...

Um raro documento

O acervo documental do Arquivo Histórico guarda surpresas, pois tal é a sua riqueza que poderá abastecer os olhares atentos de pesquisadores ainda por um incontável número de anos. Como a história pode ser analisada de diferentes ângulos, muitas vezes um único documento pode oferecer múltiplos vieses de abordagem e exploração de conteúdo.  O conjunto de documentos que ora se apresenta foi constituído a partir de um requerimento feito por uma viúva ao Palácio do Governo, em Porto Alegre, no ano de 1822. A mulher, moradora na Vila de Taubaté, província de São Paulo, de nome Angela Ramos Vieira, solicitava, por meio de seu procurador Alexandre de Abreu Valle, a posse das terras que seu marido morreu defendendo na província do Rio Grande. O marido de Angela era o capitão de milícias Policarpo Pires Maxado, assassinado pelos infieis e Barbaros Charruas .  Requerimento de Angela Ramos Vieira - CM/OF/Requerimentos - Caixa 13 Segundo o que consta no requerimento da viúva, os bens que ...

Segurança - uma ânsia de todos os tempos

As questões de segurança, embora pareçam ser um problema moderno, sempre estiveram no topo das preocupações dos cidadãos cachoeirenses. Ao tempo do início da povoação, ainda no século XVIII, dentre outras, a ameaça de ataques dos índios selvagens, chamados pelos padres de infiéis, atemorizava as famílias dos primeiros moradores.  No primeiro livro de assentos de óbitos da Diocese de Cachoeira do Sul há registros de mortes provocadas por ataques de índios, como o caso ocorrido em 9 de setembro de 1796, quando foram atacados e  desgraçadamente mortos pelos infiéis tupis  Maria Pedroza, viúva de 70 anos aproximadamente, a filha Luzia Garcia, viúva, e os netos Roza, solteira, e os menores Felippe, de 10 anos, e Joanna, sete anos. Como se vê, aqueles eram tempos de vida selvagem e abandono à própria sorte... Houve períodos de revoluções, especialmente a Guerra dos Farrapos, quando por diversas vezes a vila foi tomada ora por legalistas, ora por farroupilhas. O medo an...

Dia do Índio

A coleção do jornal O Commercio , do acervo de imprensa do Arquivo Histórico, mais uma vez nos brinda com uma notícia que vem à luz justamente quando no Brasil é comemorado o Dia do Índio, em 19 de abril. Trata-se de um relato da situação dos indígenas do Rio Grande do Sul, sendo que o autor, que assina apenas com as iniciais B. S., toma por exemplo aldeamentos da região do Alto Uruguai em 1901! Guardadas as diferenças temporais e de tratamento social da questão, o que a matéria abaixo transcrita demonstra é que, mesmo transcorridos 114 anos, quase nada do panorama relatado em 1901 foi modificado.  Guarani-mbyá - Imagem: pib.socioambiental.org Indigenas do Rio Grande O interesse que de tempos tenho tomado por tudo quanto se prende á historia e cousas do Estado levou-me, em abril ultimo, ao aldeamento dos indigenas do alto Uruguay e agora, aproveitando as férias do Natal, de novo ali estive, afim de completar as notas que estão servindo para uma noticia que a respeit...

A fronteira do rio Jacuí

O Arquivo Histórico convida para: Palestra: A fronteira do rio Jacuí, pelo historiador Tau Golin Lançamento do livro: A Guerra Guaranítica - o levante indígena que desafiou Portugal e Espanha, de Tau Golin Dia 14 de novembro de 2014, às 19h SIPROM: Rua Virgílio de Abreu, 1175 O evento integra a programação do Novembro Azul - Núcleo Municipal da Cultura Promoção: Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura - AMICUS Conselho Municipal de Política Cultural - CMPC Associação de Amigos da Fazenda da Tafona Apoio: Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul

Terras dos índios na Vila Nova de São João da Cachoeira - 1856

Às vésperas da comemoração do Dia do Índio, 19 de abril, vasculhamos a documentação do Arquivo Histórico em busca de referências aos nossos primitivos habitantes. No Livro 1.º de Lançamento da Receita e Despesa da Vila da Cachoeira, aberto em 11 de junho de 1840 (C/S/SE/RE-002), à folha 178, há uma cópia de ofício remetido pela Câmara para o Presidente e Comandante das Armas da Província, Conselheiro Jeronimo Francisco Coelho, com o seguinte teor: A Camara Municipal da Villa da Cachoeira, de posse da Circular do antecessor de V.Ex.ª, sob n.º 12 de 9 do mez proximo passsado, na ql. em conformidade com as ordens do Governo Imperial expedidas pela repartição das Terras publicas, de mandar demarcar quanto antes as terras das Aldeias dos Indios desta Provincia, que existão ainda os aldiamentos, quer se achem existintos [sic], sendo conveniente que esta Camara informe com urgencia, se neste Municipio ha, ou não terras pertencentes a os Indios, e qual ellas sejão: Esta Camara em cumpri...