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Mostrando postagens com o rótulo Escravidão

Documentos pré-abolição

No período que compreende os anos de 1820, marco da instalação do município de Cachoeira, após a sua emancipação de Rio Pardo até 1888, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, há farta documentação no acervo do Arquivo Histórico registrando os tempos do cativeiro. Os dois documentos selecionados para esta postagem mostram momentos diferentes daquele período histórico, refletindo situações que sugerem a evolução do processo que redundou na libertação, assim como o pensamento que vigorava entre as autoridades constituídas. No primeiro, de 23 de abril de 1880, destaque para a Lei 2.040*, de 28 de setembro de 1871, conhecida como "Lei do Ventre Livre". Nele, há orientação, de forma sigilosa, de como as autoridades poderiam agir no convencimento dos senhores de escravos a tomarem atitude mais favorável ao Império sem deixarem de descumprir o que estava previsto no parágrafo 1.º do artigo 1.º da referida lei.  O citado artigo estabelecia o que segue:  Art. 1.º Os filhos de mu...

O 13 de Maio

Neste 13 de maio, quando transcorrem 134 anos da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, extinguindo legalmente a escravidão no Brasil, buscamos descobrir como a Cidade da Cachoeira recebeu a notícia. Como não existem atas das sessões desse período histórico, graças à anotação do historiador Aurélio Porto num livro da Seção de Estatística e Arquivo (IM/EA/SA/RL-001, fls. 10 e 10v), organizado por ele enquanto Secretário da Intendência, é que se torna possível reviver o que foi feito. 14 de Maio. Rendendo homenagens à data da extincção da escravidão no Brasil, a Camara reune-se em sessão solemne, determinando o seguinte: 1.º Lavrar acta especial sobre o advento da Liberdade; 2.º Iluminar por tres dias a fachada do edificio da Camara; 3.º Telegraphar a José do Patrocinio, o batalhador dessa crusada; 4.º Felicitar o Gabinete de 10 de Março*. Abolicionista José do Patrocínio - Academia Brasileira de Letras Edifício da Câmara, que foi iluminado por três noites para celebrar a Abol...

Escravo carpinteiro

Um dos mais importantes construtores da história de Cachoeira se chamava Ferminiano Pereira Soares. A credenciar esta importância, foram de sua operosidade a construção dos pilares que sustentavam a malfadada Ponte do Jacuí, o salão do Império do Divino Espírito Santo e a Casa de Câmara, Júri e Cadeia. Muito provavelmente Ferminiano teve ao seu dispor vários escravos que foram responsáveis pelo levantamento de tais obras.  Casa de Câmara, Júri e Cadeia, atual Museu Municipal - Fototeca Museu Municipal À direita, prédio do Império do Divino Espírito Santo  - Fototeca Museu Municipal Um deles era o carpinteiro, ou seja, o artífice das obras em madeira, cuja citação, sem nomeá-lo, conseguiu chegar até nossos dias em razão de um ofício que foi registrado em livro correspondente da Câmara Municipal com data de 30 de agosto de 1865, ocasião em que Ferminiano Pereira Soares tinha recentemente falecido. Diz o documento: Illmmo. Snr.' = Em virtude do pedido de V. S.ª a Camara Municipal...

Princesa Isabel - A Redentora

A televisão, através da novela "Nos tempos do Imperador", tem tirado das brumas do passado a figura da Princesa Isabel, conhecida como "A Redentora". Princesa Isabel - Imagem Mercado Livre Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon nasceu em 29 de julho de 1846, sendo a segunda filha de D. Pedro II e Teresa Cristina. Pela morte do primeiro irmão, ainda criança, Isabel foi nomeada herdeira presuntiva do Trono do Brasil. Quando adulta, e depois de casada com Gastão de Orléans, o Conde d'Eu, assumiu por três vezes como regente do Brasil pelo afastamento provisório de seu pai: 1871, ocasião em que assinou a Lei do Ventre Livre, de 1876 a 1877 e em 1888, quando decretou a libertação dos escravos pela assinatura da Lei Áurea.  Por ocasião do último período em que assumiu o trono, a Princesa Imperial Regente assinou uma carta-patente de promoção do alferes da Arma de Infantaria Augusto Luiz de Souza Neves para o posto de ...

Escravas em arruaça

Na época da Câmara Municipal, mais precisamente no final da década de 1880, o Delegado de Polícia do Termo da Cachoeira contratava cidadãos para exercerem o papel de polícia particular. A atribuição destes cidadãos era, pois, a de zelar pela segurança e ordem pública, reportando ao delegado toda e qualquer ocorrência que verificassem em suas rondas. Outra atribuição deles era a de verificar o estado da iluminação pública que, à época, era feita por lampiões acendidos e apagados diariamente por um encarregado especial, o acendedor de lampiões. Uma "parte", que era assim o nome do documento emitido pelo encarregado de prestar contas da ronda ao delegado de polícia, emitida em 20 de novembro de 1887, relatou um acontecimento interessante: DP/D-004  Quartel da Policia Particular em Cachoeira, 20 de Novembro de 1887. Parte: Illm.º Sr.º Fiz a ronda nas principaes ruas da cidade, até ás 12 horas da noite e confórme as ordens de V.S.; rondei as patrulhas co...

A escrava que foi a pé até Rio Pardo

Uma série de documentos advindos dos aparelhos da justiça, com datas anteriores à Revolução Farroupilha e que estão cuidadosamente preservados no Arquivo Histórico, começaram a passar por processo de transcrição. Sob o olhar atento da assessora Maria Lúcia Mór Castagnino, a Ucha, as urdiduras do passado têm vindo à tona. E as situações são surpreendentes e às vezes inusitadas, revelando aspectos de um tempo distante e absolutamente distinto do atual. Ucha em atento trabalho de transcrição O documento em transcrição é um auto cível de averiguação, datado de 16 de dezembro de 1829, cujo suplicante era Jozé Raimundo da Cunha, senhor da escrava Matildes, que estivera desaparecida desde setembro daquele ano. A audiência e lavratura dos correspondentes registros foram feitas em caza de morada do Juis de Pás Suplente o Capitão Bernardo Moreira Lirio onde Escrivão do seu Cargo adiante nomeado e asignado foi vindo e sendo ahi tão bem prezente o Capitão Jozé Raimundo da Cunha (...)....

Pela liberdade dos escravos

A Câmara Municipal de Cachoeira, como de resto de outras cidades, foi destinatária de correspondência do Directorio do Centro Abolicionista em Porto Alegre , datada de 24 de maio de 1885, firmada por Joaquim Pedro Salgado, presidente, Joaquim de Salles Torres Homem, 1.º secretário, e pelos diretores Achylles Porto Alegre, João Duval, Julio Cezar Leal, Severino F. Prestes, Damasceno Vieira, João Theophilo V. da Cunha, Ignacio de Vasconcellos Ferreira, Aurelio Virissimo de Bittencourt, Antonio Candido da Silva Job e Candido Antonio da Costa. O teor da correspondência reveste-se de significação maior ainda quando revela o quanto a propaganda abolicionista estava fortalecida no breve tempo que então antecedia a assinatura da lei áurea, ato da Princesa Isabel a 13 de maio de 1888, demonstrando também o quanto ainda estava por ser feito. Os seus signatários confirmam o peso que o movimento obteve junto a lideranças intelectuais. Nomes como o de Acchylles Porto Alegre, escritor, j...

Cadeia empestada

A obra de restauração do prédio construído para sede da Casa de Câmara, Júri e Cadeia tem trazido à luz várias histórias relacionadas aos tempos em que ainda desprovidas das comodidades de um espaço para abrigar os vereadores e suas alfaias, a justiça e suas varas e a cadeia e seus presos as autoridades necessitavam recorrer à locação de casas. Tais casas, quase sempre inadequadas, serviam mal e insatisfatoriamente - e a um preço alto - às necessidades e aos objetivos de seus ocupantes. De longe a que abrigava a cadeia era a mais preocupante, pois além das condições mínimas para acomodar pessoas, a casa precisava oferecer segurança suficiente para evitar a evasão dos condenados. Com o término da construção da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, o primeiro espaço a ser ocupado foi o da cadeia, situado nos fundos do térreo do sobrado. A transferência dos presos para a "nova" prisão se deu em 16 de março de 1865. Aqueles detentos acompanharam ainda os ultimatos da obra e dividir...

Ventres e frutos livres

Há muitas histórias do período da escravidão, grande parte delas acompanhadas pelo sentimento da indignação que brota quando o ser humano não é tratado como tal...  Na segunda metade do século XIX, o regime escravista já tinha muitos opositores e a década de 1880 entrou com grande efervescência, especialmente pelo crescimento dos movimentos republicanos e abolicionistas. A escravidão passou a ser vista como algo incompatível com as ideias de liberdade. Uma circular urgente do Palácio do Governo em Porto Alegre, de 23 de abril de 1880, remetida em caráter "reservado"  às Câmaras Municipais, dentre elas Cachoeira, tem a intenção de fazer um levantamento de como os senhores de escravos estavam agindo quanto á entrega dos filhos livres de mulher escrava.  E o governo provincial recomendava que com o maior cuidado procurem obter os necessarios dados. Ofício de Henrique d'Avila - 20/4/1880 - CM/DA/O/Caixa 7 Tal pedido se prendia ao determinado pela ...

Escravo Fujão

O acervo do Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul guarda verdadeiros tesouros. Muitas destas jóias seguem ainda inéditas, aguardando o olhar criterioso de quem, primeiramente,  se disponha a decifrar a arcaica caligrafia e, muitas vezes, a pouca clareza do escriba... Recentemente, em averiguação de documentos guardados em um arquivo denominado Justiça, não classificado como integrante do Fundo Câmara Municipal e por isto mesmo apartado deste conjunto documental, foi localizado um interessante depoimento de um negro fujão, datado de 4 de maio de 1829. Transcrito minuciosamente pela assessora técnica Maria Lúcia Mór Castagnino, a Ucha, o documento trouxe à luz do século XXI uma situação certamente corriqueira naquela primeira metade do século XIX, tempo de senhores, de escravos, de fugas e de guerras. A assessora Ucha Mór em trabalho de transcrição 1829"             Autto de Pregunta Mº 4 N.º 8             ...

13 de maio de 1888 - assinatura da Lei Áurea

Há 126 anos a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea, gesto que pôs fim oficial ao sistema escravista no Brasil. Apesar de ser entendida hoje como uma formalidade desvinculada da prática, pois não criou condições para que os libertos tivessem amparo estatal ou mecanismos que garantissem a sua inserção plena na sociedade, a assinatura representou um avanço e foi celebrada festivamente por todo o país e os intelectuais da época. Princesa Isabel Em Cachoeira, apesar da libertação dos escravos ser paulatina na década de 1880, contando-se em 1884 com um contingente de 1305 escravos, dos quais 441 já haviam sido libertados, ainda as práticas associadas à escravidão estavam bem presentes na rotina da então cidade da Cachoeira. No final daquele ano restavam 369 homens e 318 mulheres escravizados. Eis algumas dessas práticas: Aos escravos era proibido: - comprar ou vender qualquer objeto ou produto sem a licença escrita de seus amos; - participar de jogos, sob pena de seus ...

Histórias do tempo da escravatura

No último dia 13 de maio transcorreram os 124 anos da abolição da escravatura, oficializando o fim de um período triste da história do país.  Em Cachoeira, segundo o historiador Aurélio Porto, a libertação dos escravos já vinha sendo feita de forma sistemática, de modo que em 1889 a população cativa estava bastante reduzida. Há no acervo documental do Arquivo Histórico muitas provas do período escravagista, como a carta de venda da escrava Maria, datada de 6 de fevereiro de 1814, que remonta ao tempo em que ainda Cachoeira era uma freguesia subordinada a Rio Pardo.  A escrava Maria, de nação Benguela, tinha treze anos e foi vendida por Floriano Joze Severo ao Vigário da  Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira, Ignacio Francisco Xavier dos Santos, pela quantia de 179.200 réis. Como se vê, escravos eram bens adquiridos por qualquer cidadão, inclusive os do clero. Documento avulso - Justiça