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Mostrando postagens com o rótulo Sepultamentos

Cercas do Cemitério

 No dia 1.º de dezembro de 1883, o provedor das Irmandades Conjuntas do Santíssimo e Nossa Senhora da Conceição, João Thomaz de Menezes, oficiou à Câmara Municipal solicitando providências em razão do abuso de alguns moradores que estavam construindo cercas em terreno dos seus arredores e uso, exigindo providências. Correspondência do provedor das Irmandades - 1/12/1883 - CM/SOP/Ofícios - Caixa 14 Assim se dirigiu o provedor ao presidente e mais vereadores da Câmara Municipal: Concistório das Irmandades Conjunctas do S. S. e N. S. da Conceição 1.º de Desembro de 1883. Illm.ºs Senrs. A Mesa das Irmandades Conjunctas do S. S. e N. S. da Conceição d'esta Cidade, resolveu em sessão de hoje impetrar a essa illustrada Corporação haja de providenciar no sentido de que seja desembaraçada não só a rua em frente ao Cemiterio d'esta Cidade que se axa invadido com cercados particulares, como toda a frente e lados do mesmo Cemiterio na largura pelo menos de úma rua por quanto é n'esse e...

Abusos em sepultamentos

Os ritos de morte e sepultamento têm mudado ao longo do tempo. O que necessitou de disciplinamento e ensejou legislação específica no decorrer da história são as formas de inumar (sepultar) os corpos e as questões formais para registrar os mortos e as causas das mortes. Um interessante documento, datado de 4 de dezembro de 1854, emitido pelo delegado de polícia da Vila da Cachoeira, denotava a legítima preocupação com o procedimento que parecia ser comum do sepultamento de mortos sem o devido atestado médico, bem como de pessoas assassinadas sem o conhecimento das autoridades. O delegado de polícia era João Tomas de Menezes Filho e, amparado na legislação, comunicava à Câmara que não permitiria que tais abusos seguissem ocorrendo e que esperava dos vereadores a elaboração de postura correspondente. Sendo Úm dos maiores abuzos introduzidos nas Parochias deste Termo, o Sepultarem-se Corpos que fallecem de molestia sem que seje prezente aos Vigarios os Attestados dos Facultativos assisten...

O Cemitério Municipal

No final do século XIX, o esgotamento do Cemitério das Irmandades, denúncias de seu mau estado e o fato de nele serem sepultados apenas fiéis católicos, fez despertar nas autoridades a intenção de dotarem a cidade de outro local para os sepultamentos. Escolhido o Alto dos Loretos para tal, foi o Cemitério Municipal inaugurado em 20 de agosto de 1891. Pórtico do Cemitério Municipal - COMPAHC Há no acervo do Arquivo Histórico vários livros de registros de sepultamentos no Cemitério Municipal, bem como documentos avulsos. O primeiro livro é um encadernado de atestados de óbitos relativos ao ano de 1902. Nos documentos avulsos, o primeiro atestado foi emitido para o falecido João Albuquerque em 27 de setembro de 1892.  Os livros trazem colunas em que devem constar as seguintes informações sobre a pessoa falecida: data do óbito, nome, idade, estado civil, número da sepultura, número do quadro, número da portaria, naturalidade, filiação, cor, causa mortis, importância paga e informações....

Proibido sepultar nas igrejas!

O acervo documental do Arquivo Histórico abre janelas incríveis para o passado. Uma dessas janelas descortina um ofício datado de 11 de abril de 1831 e conduz para uma realidade de 190 anos atrás, quando a prática do sepultamento dos mortos nas igrejas e em seus entornos fazia parte do cotidiano nas vilas e cidades do Brasil recém-independente. No ofício, assinado pelo vigário Ignacio Francisco Xavier dos Santos, que por longos 44 anos ficou à frente do comando da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição (1798 - 1842), há uma pormenorizada circunscrição dos fatos envolvendo as questões de sepultamentos e as exigências legais que sempre os cercaram.  Eis o documento: Ofício do vigário - 11/4/1831 - CM/OF/Ofícios - Caixa 12 Sequência do ofício do vigário - CM/OF/Ofícios - Caixa 12 Na sua longa carta ao presidente e mais vereadores da Câmara da Cachoeira, o vigário Ignacio Francisco discorreu sobre todas as providências que tomara para atender às disposições das autoridades sobre as r...

Um cemitério para a Vila

Até meados da primeira metade do século XIX era prática corrente em todo o Brasil enterrar os mortos dentro das igrejas e cabia aos padres a tarefa de registrar nos livros correspondentes os assentos de batismos, casamentos e óbitos dos fiéis, bem como providenciar os sepultamentos. Na Vila Nova de São João da Cachoeira não era diferente e, apesar dos incômodos, especialmente o mau cheiro dos corpos em decomposição na estrutura mal vedada das paredes da Igreja Matriz, as autoridades nada faziam para solucionar a prática. Até que em 4 de outubro de 1827, o cirurgião-mor do Império, Gaspar Francisco Gonçalves, fez um alerta em sessão dos vereadores, prevenindo-os da urgente necessidade da construção de um cemitério fora da vila. Em seu pronunciamento, Gaspar Francisco Gonçalves foi contundente, afirmando que sepultar os mortos dentro da igreja consistia em causa pestífera assaz capaz de infeccionar uma grossa cidade, quanto mais uma vila tão pequena, como se prova pelas grandes ...

Um outro cemitério para a cidade

No início da última década do século XIX, grande era a insatisfação dos cachoeirenses com os serviços de sepultamento no Cemitério das Irmandades, então o único existente no recinto urbano. Havia grande reclamação com o descaso, com as taxas cobradas pela igreja e também pela questão do credo que limitava os sepultamentos apenas aos católicos. Desde a década anterior, ou seja, 1880, a então Câmara Municipal tratava da necessidade da construção de um novo cemitério, tendo escolhido para isto um terreno no Alto dos Loretos. Em 14 de agosto de 1891, cientificado pela Junta Municipal*, o vigário da Paróquia da Cachoeira, padre Vicente Zeferino Dias Lopes, oficiou a David Soares de Barcellos** dando conta de que já havia feito saber ás Irmandades remettendo uma copia para intelligencia e cumprimento para cessar os sepultamentos no antigo Cemiterio, e fazer-se no novo , o que indicava estar pronto e apto ao funcionamento o Cemitério Municipal. Correspondência do vigário às auto...

Grades do Cemitério - recortes da história que se preserva

A construção de um outro cemitério para Cachoeira ensejou muitas avaliações e estudos por parte da administração municipal, pois o Cemitério das Irmandades Conjuntas, inaugurado em 1833, já não dava conta dos sepultamentos, além de ser administrado pela Igreja Católica, limitando assim os serviços aos seguidores deste credo. A decisão sobre o local de instalação do Cemitério Municipal, após análises feitas por uma comissão especialmente nomeada para este fim, recaiu sobre o Alto dos Loretos. Assim sendo, as obras tiveram  começo entre o final da década de 1880 e o início da de 1890.  Farta documentação há no Arquivo Histórico detalhando todo o processo que envolveu a obra. Em um destes conjuntos documentais destaca-se um ofício de 19 de março de 1890 remetido à Junta Municipal pela Fabrica de Coffres de Ferro e Serralharia E. Berta , de Porto Alegre, famosa até os dias de hoje pela fabricação de cofres de aço, remetendo proposta e desenhos para fornecer ao Município 8...