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Mostrando postagens com o rótulo Distritos

O imponderável acontece

Quem acompanha o blog sabe que desde a pandemia as consultas feitas a distância se multiplicaram. Na medida do possível, levando em consideração o reduzido número de servidores, e quando há referências que permitem a localização rápida do tema solicitado, a busca é feita. Na semana corrente, um pesquisador de Formigueiro, chamado Gildo Bortolotto, entrou em contato com o Arquivo Histórico para solicitar informações sobre processo envolvendo fato acontecido em 1830, tendo por protagonista o carpinteiro Francisco Antônio de Vargas. Como se tratava de processo, o arquivo da Justiça foi consultado no período compreendido entre 1830 e 1834, ano do falecimento do carpinteiro, quando então foi extinta a causa. Nada foi localizado. Em outra ligação do pesquisador, desta feita para obter o resultado da busca procedida no acervo documental, novos fatos relacionados ao evento que originou o processo foram citados, abrindo possibilidades de outras frentes de pesquisa. E aí o imponderável acontece....

Série Documentos da Imigração Italiana em Cachoeira: serviços nas estradas públicas do 5º distrito

2025 marca os 150 anos da chegada dos primeiros imigrantes italianos ao Rio Grande do Sul. Para contribuir com as discussões que serão levadas a efeito no correr das comemorações, iniciadas oficialmente em 16 de janeiro, o Arquivo Histórico passará a publicar uma série de postagens com documentos dos italianos que aqui aportaram. Os imigrantes italianos chegaram na região de Cachoeira pouco depois dos assentados nas primeiras colônias da serra do Rio Grande do Sul, ou seja, lá pelos idos de 1878, quando foi criada a Quarta Colônia, denominada Silveira Martins.  O documento que inicia a série é um ofício da subintendência municipal do 5.º distrito de Cachoeira, remetido por Nicomedes Barboza Lima ao intendente do município, Dr. Viriato Gonçalves Vianna, em 9 de janeiro de 1905. Nele, o subintendente Nicomedes indica os nomes dos cidadãos comissionários do serviço nas estradas públicas locais. Interessante é que então já prevaleciam cidadãos com sobrenomes italianos, confirmando a su...

Série Documentos da imigração alemã em Cachoeira: inauguração do monumento aos pioneiros

Em novembro de 1932, por ocasião dos 75 anos de chegada dos primeiros imigrantes alemães à Colônia Santo Ângelo, estabelecida em território cachoeirense, os descendentes dos pioneiros prestaram-lhes uma significativa homenagem, inaugurando um monumento que se conserva até hoje.  A inauguração de um monumento  No dia 6, ás 9 horas, como mandava o programa elaborado pela comissão promotora das festas, reunidos os que delas queriam participar na residencia do sr. F. Goltz, dalí se dirigiram todos, em massa compacta e usando de todos os meios de locomoção, para o Serro Chato, local onde devia ser inaugurado o grande monumento comemorativo da magna data, chegando áquele lugar, onde já os esperava uma verdadeira multidão, entre a qual as autoridades do distrito, grande numero de pessoas gradas e as sociedades de tiro ao alvo, de cantores, Tiro de Guerra 678, Sociedade de Senhoras, Sociedade de Bolão, etc., ás 10 horas. Nesta ocasião apareceu naquele local uma carrêta puxada a bois, ...

A indescritível seca e o apelo dos miseráveis agricultores

Corria o ano de 1877. A velha Cachoeira, assim como toda a Província do Rio Grande do Sul, vivia uma enorme seca. A situação de estio e as decorrências de seu prolongamento são de nosso amplo conhecimento, pois o recente 2022 repetiu tão nefasto fenômeno, cujas consequências se fazem sentir ainda fortemente em 2023.  A informação chegou até nós graças ao livro Copiador elaborado pelo historiador Aurélio Porto, quando desempenhou as funções de Secretário de Arquivo e Estatística do Município na primeira década do século XX. Nesse livro ele organizou um índice explicativo dos documentos produzidos pelas administrações municipais desde a instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira, no memorável 5 de agosto de 1820. Assim ele registrou o assunto:  7.º - Actas - 1877  - (...) Neste anno ha enorme secca, como nunca fôra visto que occasionara indiscriptiveis prejuisos á lavoura e á criação do Municipio. Em 23 de Maio é nomeada uma commissão para computar os prejuisos causad...

Um raro documento

O acervo documental do Arquivo Histórico guarda surpresas, pois tal é a sua riqueza que poderá abastecer os olhares atentos de pesquisadores ainda por um incontável número de anos. Como a história pode ser analisada de diferentes ângulos, muitas vezes um único documento pode oferecer múltiplos vieses de abordagem e exploração de conteúdo.  O conjunto de documentos que ora se apresenta foi constituído a partir de um requerimento feito por uma viúva ao Palácio do Governo, em Porto Alegre, no ano de 1822. A mulher, moradora na Vila de Taubaté, província de São Paulo, de nome Angela Ramos Vieira, solicitava, por meio de seu procurador Alexandre de Abreu Valle, a posse das terras que seu marido morreu defendendo na província do Rio Grande. O marido de Angela era o capitão de milícias Policarpo Pires Maxado, assassinado pelos infieis e Barbaros Charruas .  Requerimento de Angela Ramos Vieira - CM/OF/Requerimentos - Caixa 13 Segundo o que consta no requerimento da viúva, os bens que ...

Moradores da Colônia Soturno: Não queremos mudar a estrada!

Ao tempo em que Cachoeira era um município constituído por vários distritos, nos quais estavam inclusas importantes zonas coloniais, a Intendência Municipal tinha compromisso de efetuar obras públicas e assim garantir que esses lugares fossem assistidos em suas necessidades. Um abaixo-assinado de moradores do 5.º distrito, lugar denominado Colônia Soturno, externava ao intendente seu descontentamento com a mudança da estrada que conduzia ao 4.º distrito, alegando ser prejudicial aos seus interesses.  Datado de 11 de fevereiro de 1906, o documento traz o seguinte teor: Illm.º Snr. D.ºr Intendente do Municipio de Cachoeira. Nós, abaixo assignados moradores na Colonia denominado Soturno 5.º districto d'este municipio viemos por meio do presente e respeitosamente representar a VS.ª que nos achamos muito prejudicado com a mudança da estrada que vai deste ponto para a Colonia S. Miguel 4.º districto e estação Restinga Secca no logar denominado passo da Larangeira aonde foi fechado um tre...

Tarefa de agrimensor

Em 31 de outubro de 1903, o agrimensor Cassiano de Freitas Santos enviou à Intendência Municipal um trabalho de levantamento e cálculo da zona a desapropriar na ex-Colônia Santo Ângelo, para conclusão da estrada de Dona Francisca.  O agrimensor é aquele profissional que verifica e determina os limites das propriedades, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Nessa tarefa, é preciso coletar, organizar e fornecer dados para formalizar os limites e permitir com sua definição que obras possam vir a ser executadas ou projetos serem desenvolvidos. Cassiano de Freitas Santos era profissional bem requisitado e que mantinha, no início do século XX, um escritório na Rua Sete de Setembro n.º 54. Na divulgação de seus serviços, informava que fazia medições, inscrições Torrens*, projetos para construções, orçamentos e plantas topográficas. No material encaminhado à Intendência, Cassiano de F. Santos fez um longo relatório dando conta que as autoridades municipais solicitaram-lhe levantar uma...

Vigário ou vigarista?

Em tempos de flagelo, como acontece nas guerras e nas pandemias, é comum o gesto humanitário de socorro a vítimas de tais eventos. Mas como o homem é sempre o homem, independente dos tempos e das épocas, há os que são genuinamente solidários e há os que buscam tirar proveito pessoal das situações. Terminada a I Grande Guerra, que ocorreu na Europa entre 1914 e 1918, maléficas foram as consequências. Milhares de famílias foram atingidas em sua integridade e bens, restando um número enorme de órfãos desassistidos. Movimentos de amparo foram deflagrados em todo o mundo, notadamente pela Cruz Vermelha, instituição criada em 1863 para garantir a proteção e a assistência a vítimas de conflitos armados e tensões. Por outro lado, interessados em ganhar dinheiro em cima da desgraça alheia começaram a surgir, vindo notícia de Palmas, interior do município de Cachoeira, em janeiro de 1920, dando conta da presença de um sujeito que se fazendo passar por padre andava de casa em casa atrás de donati...