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Despesas da Câmara com o 7 de Setembro

Desde que a Independência foi decretada por D. Pedro I, no dia 7 de setembro de 1822, junto ao riacho Ipiranga, em São Paulo, a data passou a ser reverenciada todos os anos. Cabia às Câmaras Municipais das vilas incentivarem os seus moradores a iluminarem suas casas e participarem das celebrações religiosas de exaltação do 7 de setembro.

Em Cachoeira não foi diferente. No ano de 1857, nas comemorações dos 35 anos da Independência do Brasil, a Câmara Municipal deixou em seus registros documentais a relação das despesas que efetuou com os atos solenes no município. Os lançamentos das despesas foram feitos no livro CM/Po/RD/DD-001, cuja abertura traz a seguinte informação de seu conteúdo:

Abertura do livro CM/Po/RD/DD-001 - 14-2-1851

(Início da transcrição da abertura do livro CM/Po/RD/DD-001):

Este livro he o segundo q' ha de servir para registo geral da Camara Municipal, e dos documentos q' acompanhão as contas, o qual he numerado e rubricado com a minha rubrica q' diz = Leál = Cachoeira 14 de Fevereiro de 1851

Alexandre Coelho Leál

Ver.or Presidente

(Fim da transcrição da abertura do livro).

Livro CM/Po/RD/DD-001, fl. 171 

(Início da transcrição dos documentos lançados à folha 171 e 171v do livro CM/Po/RD/DD-001):

Portaria = O Procurador da Camara Joaquim Gomes de Carvalho, é por esta authorizado a fazer as despezas necessarias, para solemnizar-se o dia 7 de Setembro entrante com um Te Deum, e illuminação da caza da Camara, conforme foi deliberado em Sessão. Paço da Camara Municipal da Villa da Cachoeira 28 de Agosto de 1857. = Antonio Xavier da Silva Veriador Presidente. O Secretario Antonio Gomes Pereira da Silva. 

Conta n.º 20 = Conta do The [sic]-Deun no dia 7 de Setembro feito pela Camara Municipal desta Villa. = Ao Paroco gratis. = Pe. Antonio gratis = Izaquiel de Niza Castro 3000 reis = Sacristão 1000 reis = R$ 4000 reis. = 

Recibo = Reciby a importancia acima por mão do Senr' Joaquim Gomes de Carvalho Procurador da mesma Camara. Cachoeira 14 de Setembro de 1857. = O Vigario José Teixeira da Cunha Louzd.ª Sobr.º = Setembro 14 de 1857. =

Conta n.º 21 = Conta da Sera gasta no Te Deun do día 7 de Setembro do anno d 1857. = 28 lt de Sera a 1600 - 44800

Recibo = Recebÿ a importancia da Conta acima por mão do Senr' Procurador Joaquim Gomes de Carvalho. = Cachoeira 14 de Setembro de 1857.= O Vigario Jose Teixeira da Cunha Louzd.ª Sobr.º = 

Recibo n.º 22 = Recibÿ do Senr' Joaquim Gomes de Carvalho, Procurador da Camara Municipal, a quantia de qutro [sic] mil e quatro centos e oitenta reis 4$480 reis, pelo a alluguel dos lampias e tapetes da Irmandade do Espirito Santo para a elluminacão e Thdem [sic] no dia 7 do Corrente. = Cachoeira 14 de Selembro de 1857. = Luis Silva Moura =

Conta n.º 23 = Conta da allmação da Capella mor para o Thedeo [sic] no dia 7 de Setembro 1200 reis. =

Recibo = Recibÿ do Procurador da Camara desta Villa o Senr' Joaquim Gomes de Carvalho a conta acima Cachoeira 14 de Setembro de 1857. = Iziquiel da Cunha =

Recibo n.º 24 = Recibÿ do Illmo Senr' Capm Joaqm. Gomes de Carvalho, como Procurador da Camara desta Villa, a quantia de quarenta mil reis /40000 reis/ para pagamento da Muzica que cantou e tocou no Te Deun o dia 7 de Setembro do corrente anno. = Villa da Cachoeira 22 de Setembro de 1857. = Manoel Homem Oliveira. = Cachoeira 6 de Setembro de 1857. =

Conta n.º 25 = Senr' Joaquim Gomes de Carvalho Manoel Moureira de Carvalho Deve 40 vellas de Sebo para a lominação da Caza da Camara 60 reis 2400 reis. = 

Recibo = Recibÿ a importancia acima Cachoeira 14 de Setembro de 1857. = Manoel Moureira de Carvalho = Cachoeira 7 de Setembro de 1857. 

Conta n.º 26 = Senr' Joaquim Gomes de Carvalho / Manoel Moureira de Carvalho Deve. Para o festejo do dia 7 de Setembro. = 18 duzias de Fogutes [sic] á 4500 81$000 = 

Recibo = Recibÿ a importancia acima. Cachoeira 14 de Setembro de 1857. = Manoel Moureira de Carvalho =

(Fim de transcrição da folha 171, frente e verso, encadernado CM/Po/RD/DD-001).

O encadernado lançou de forma organizada todas as despesas com a festa do dia 7 de Setembro de 1857, deduzindo-se, pela natureza dos gastos, o que era comum à época em solenidades desta natureza: a iluminação, a decoração e a música. Destes itens, os foguetes e a música foram as que despenderam maior gasto e, certamente, as que mais devem ter agradado aos conterrâneos de então.

Mirian Ritzel

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