Pular para o conteúdo principal

Proibição do Entrudo

Os festejos carnavalescos terminaram, as pessoas voltaram aos seus afazeres diários, os estudantes já retornaram às aulas, mas ainda é oportuno e interessante fazer menção histórica ao entrudo*, isto é, ao Carnaval.
Em 8 de fevereiro de 1833, o presidente e vereadores, em sessão extraordinária da Câmara Municipal da então Vila Nova de São João da Cachoeira, analisaram e aprovaram alguns artigos que foram adicionados às Posturas Municipais. Esses artigos, num total de quatro, foram tornados públicos através de um edital.
Os artigos estão relacionados à proibição do Carnaval e trazem suas penalidades no caso de desobediência. Dizem assim, com grifo e paragrafação acrescentados:

Artigo 1º. Fica prohibido o brinquedo do entrudo, os contraventores serao multados pela primeira vez, em mil reis, sendo liberto, ou quatro dias de Cadeia, e os Escravos, terão amesma pena pecuniaria, ou cincoenta assoites, a escolha de seu Senhor.
Artº. 2º. No caso de reencedencia, serão multados os contraventores, em penas dobradas, e as mais que se se seguirem, serão consideradas sempre em dupla da ultima pena que se lhe tenha imposto.
Artº 3º. Os limoens chamados de cheiro, que forem encontrados a vender-se; pelas ruas serão inutilizadas, assim como, os que estiverem avendagem nas Tabernas, ou em outro qual quer lugar, eno cazo de reencedencia, alem de serem inutillizados os contraventores serão sugeitos as penas do artigo segundo.
Artigo 4º. O Fiscal, nos ultimos tres dias de Entrudo, fará requesetar, ao Juis de Páz, as Patrulhas neceçarias, para prohibir tutalmente, iste devertimento.

CM/OF/Editais/Caixa 6

O edital está selado com o selo das armas nacionais e nele consta a assinatura do presidente Joze Pereira da Silva e do secretário Antônio Duarte Roiz Pernambuco.

*Provém do latim "introitus", que significa entrada, acesso. Refere-se à entrada na Quaresma, no dia a seguir ao do Entrudo, isto é, na Quarta-Feira de Cinzas. Também é denominada uma antiga brincadeira carnavalesca, trazida pelos portugueses, no século XVI.
Para saber mais acesse: 
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=262:entrudo&catid=40:letra-e&Itemid=184

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminian...