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Corpo de Deus

A comunidade católica realiza a festa religiosa de Corpus Christi (Corpo de Cristo, em latim) para celebrar o mistério da eucaristia e como a hóstia representa o corpo e o sangue de Cristo.

A festa é marcada no calendário 60 dias depois do Domingo de Páscoa, ou na quinta-feira seguinte ao domingo que celebra a Santíssima Trindade, aludindo à Quinta-feira Santa, quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia.

As cidades de tradição portuguesa, como é o caso de Cachoeira, costumam marcar o dia de Corpus Christi confeccionando tapetes em lugares públicos por onde costumam passar os fiéis na procissão religiosa. 

Há 100 anos, a imprensa, através do jornal O Commercio, não falava em tapetes pelas ruas, mas ressaltava a beleza e bom gosto de ornamentação nos quatro altares erguidos pelo trajeto. Notava-se, também, o grande envolvimento das entidades e associações religiosas, bem como das autoridades municipais. 

Notícia publicada n'O Commercio
- Coleção de Imprensa do Arquivo Histórico

Procissão do Corpo de Deus

Foi imponente a procissão do Corpo de Deus, realizada nesta cidade, domingo ultimo, apezar do vento molesto que com impetuosidade fez levantar grande quantidade de pó pelas ruas.
Acabada a missa das 9 1/2 horas, o revmo. padre Luiz Scortegagna fez breve allocução sobre a alta importancia dessa procissão, appellando para os exemplos de fé que deram varões illustres na historia, como São Luiz, Rei de França, Thomaz Moro, chanceller da Inglaterra, etc.
A procissão obedeceu á ordem indicada; iam á frente os Irmãos da Irmandade de N. S. do Rosario, os collegios publicos e particulares, seguindo-se as diversas associações religiosas, Apostolado da Oração, Congregação Mariana, a Irmandade Conjuncta com as respectivas insignias e o Pallio, sob o qual ia o S. S. Sacramento. As varas do Pallio eram empunhadas pelos srs. dr. Quintiliano de Mello e Silva, capitão Francisco Fontoura Nogueira da Gama, coronel Horacio Gonçalves Borges, capitão Sebastião da Silva Barros, dr. Aurelio Castello Branco e capitão Rodolpho Motta, coadjuvados por outros cavalheiros.
Symbolos bem expressivos eram levados por gentis meninas de vestidos brancos, outras representavam anjos. Os 4 altares improvisados em differentes pontos do trajeto, rivalisavam em belleza e bom gosto de ornamentação. Em cada altar foi dada a benção solemne do S. S. Sacramento, assistindo todos os fieis com a maior devoção, de joelhos, como deve ser.
Antes de dar a ultima benção no altar improvisado á porta da igreja matriz, o vigario da parochia, não podendo deixar de externar sua commoção pela viva demonstração de fé, felicitou ás autoridades, aos collegios, ás corporações religiosas e civis e ao povo em geral, implorando de Jesus, presente na Sagrada Hostia, paz e felicidade sobre todos, sobre o municipio de Cachoeira, sobre todo o Estado e sobre todo o nosso paiz.
O côro do Apostolado, com os seus melodiosos canticos apropriados em louvor do S. S. Sacramento, concorreu muito para a imponencia da procissão, a par da Banda Estrella Cachoeirense, que, apresentando-se de uniforme novo, fez ouvir selectas peças de seu vasto repertorio.
A Irmandade Conjuncta foi incançavel na ornamentação das ruas, levantando arcos etc.; por isso o vigario da parochia dirigiu á mesa administrativa da mesma Irmandade um officio de agradecimento e de louvor, para ser lido na primeira sessão e transcripto no livro competente. 

(Jornal O Commercio, Cachoeira, edição de 13 de junho de 1917, p. 2, Coleção de Imprensa do Arquivo Histórico).

Autoridades municipais presentes à procissão de Corpus Christi
- Fototeca Museu Municipal

Nos dias de hoje, ainda que a grandiosidade da festa de Corpus Christi não se reproduza, ganha força a cada ano a tradição dos tapetes, superando-se os artífices em expressar com delicadeza, arte e beleza a sua fé.

(MR)

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