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Bancos para a Praça do Mercado e da Igreja

Corria o ano de 1906. A Intendência Municipal, sob o comando do Dr. Cândido Alves Machado de Freitas, buscava empreender melhorias nos espaços urbanos da então acanhada cidade da Cachoeira. As duas principais praças, a da Igreja (atual Dr. Balthazar de Bem) e a do Mercado (oficialmente Praça José Bonifácio desde o século XIX), já rivalizavam em movimento. A primeira, pela vizinhança da Igreja Matriz, do prédio da Intendência e do Teatro Municipal; a segunda, pela localização do Mercado Público e de casas comerciais importantes.

Teatro e Intendência Municipal - Fototeca Museu Municipal

Igreja Matriz - Fototeca Museu Municipal
Dentre as melhorias pretendidas para as duas praças estavam a arborização e a colocação de bancos para os frequentadores. Para tanto, a Intendência passou a receber propostas de empreiteiros dispostos a fabricarem e colocarem os bancos nos jardins das praças. Apresentaram-se, em maio de 1906, João d'Araujo Bastos e Crescencio da Silva Santos, o construtor do Mercado Público (1882).

Mercado Público na Praça José Bonifácio - Fototeca Museu Municipal

As propostas eram para 12 bancos em cada praça, dispondo-se Crescencio a executá-los em madeira de lei, com pés de ferro, sendo firmes no chão, com encosto e pintados de verde. Na sua proposta consta um desenho singelo do modelo do banco a ser empregado junto ao Mercado. Custo: 500 mil réis para os da Praça da Igreja e 300 mil réis para os da Praça do Mercado.

IM/S/SE/CR-006 - 22/5/1906
A proposta de João d'Araujo Bastos, igualmente para a confecção e colocação de 12 bancos na Praça do Mercado, estabelece que seriam executados em angico e louro, ao custo individual de 35 mil réis, perfazendo um total de 420 mil réis. Na Praça da Igreja, os 12 bancos teriam pés de ferro e assentos de louro. Cada unidade sairia por 25 mil réis a um total de 300 mil réis.

IM/S/SE/CR-006 - 25/5/1906

Os tempos passaram, ambas as praças sofreram várias intervenções, restando em melhor estado a antiga Praça da Igreja, hoje Dr. Balthazar de Bem. A Praça do Mercado, paulatinamente empobrecida ao longo das décadas, nada mais guarda dos tempos em que assim era chamada. Sequer o Mercado que lhe dava nome foi mantido. 

Dos velhos bancos sonhados para as antigas praças restam apenas registros fotográficos. Tais registros, ainda que inferiores em tecnologia, mesmo assim são capazes de revelar ao nosso olhar espaços de mansidão e cuidado cada vez mais difíceis de encontrar.

Bancos na antiga Praça do Mercado - Fototeca Museu Municipal
Banco na Praça da Igreja, fronteira ao Teatro Municipal - Fototeca Museu Municipal
MR

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