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A Freguesia às portas da Vila

3 de agosto de 1820. A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira estava às portas do grande dia em que seria emancipada da vizinha Vila de Rio Pardo. Os preparativos já se faziam notar, especialmente pela presença do Ouvidor Geral e Corregedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina, Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, que providenciava o aparato e os documentos para a grande solenidade de instalação do município, marcada para 5 de agosto.

Uma das tarefas do Ouvidor foi a de abrir os livros competentes para o lançamento das rotinas administrativas do futuro município, com destaque para o que serviria ao registro dos termos da criação da Vila Nova de São João da Cachoeira, o mais importante dos livros abertos naquela época:

Este Livro háde servir, para nelle se lansarem os Termos da Creação da Villa Nova de São João da Cachoeira, o qual vai numerado, e rubricado por mim Ouvidor Geral, e Corregedor da Comarca, e no fim leva o seu encerramento. Cachoeira, "3 de Agosto de 1820"

Joaqm. Bernardino de Senna Ribr.º


Termo de Abertura do livro CM/OF/TA-008
Capa do livro 1.º de Criação da Vila - CM/OF/TA-008

Pouco se sabe da vida de Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa e sequer ficou registrado  o tempo de sua permanência entre os cachoeirenses de então. Sua chegada foi bem anterior ao dia 5, como atestam os livros por ele abertos. Onde teria ficado? Que personagens daquele período histórico teriam sido seus anfitriões e auxiliares? A solenidade de instalação da Vila, constante da abertura dos pelouros e respectivos livros, eleição dos vereadores e demais cerimônias constantes do ritual devem ter demandado uma preparação, cabendo à autoridade máxima proceder à sistematização da documentação que faria os registros da história do quinto município mais antigo do Rio Grande do Sul.

É provável que o local onde se reuniu o povo para a cerimônia de instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira tenha sido o terreno que dez anos depois receberia o nome de Praça do Pelourinho (atual Praça José Bonifácio), certamente em alusão ao espaço em que foi erguido o pelourinho, símbolo e marco da autonomia municipal.

Se de Joaquim Bernardino pouco ou quase nada se sabe, sua rápida passagem pelo município foi de suma importância para que ficasse registrado como o homem que abriu, lavrou e rubricou os primeiros instrumentos de registro da nossa história político-administrativa. Em sua memória o município nomeou a Rua Joaquim Senna Ribeiro, no Bairro Barcelos.

MR

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