Pular para o conteúdo principal

Uniformes para a banda

Em 21 de novembro de 1924, véspera do dia consagrado à música, o intendente Francisco Fontoura Nogueira da Gama promulgou a Lei N.º 174, dando cumprimento à resolução do Conselho Municipal, que concedia auxílio pecuniário ao maestro Miguel Iponema, regente da Banda Musical Estrela Cachoeirense, para aquisição de fardamentos aos seus integrantes.

Maestro Miguel Iponema - MMEL

A letra da lei é a seguinte:

Lei n.º 174 - que auctorisa o Intendente a conceder, no exercicio de 1925, até a quantia de dois contos de reis, ao Maestro Miguel Iponema, para acquisição de fardamentos aos musicos da Banda de musica "Estrella Cachoeirense". (IM/GI/DA/ADLR-009, fl. 96, 21/11/1924).

A Banda Musical Estrela Cachoeirense entrou para a história cultural de Cachoeira do Sul, pois foi a mais longeva de todas as demais organizadas  na cidade. Seus integrantes eram majoritariamente negros, assim como o seu famoso maestro, Miguel Iponema. A música era para eles, também na maior parte das vezes, a segunda profissão, pois consta desempenharem seus integrantes outros ofícios, dos quais provinham o seu sustento. Ainda que a banda participasse de todos os eventos da cidade, fossem festas, retretas ou cortejos fúnebres, havia uma subvenção municipal para aquisição de instrumentos e, como no caso em questão, para os fardamentos, ou uniformes. Desta forma, as apresentações normalmente eram gratuitas. 

Miguel Iponema, além de exigente músico (seu instrumento era o clarinete), também cobrava do grupo que se portasse da melhor maneira, o que incluía a indumentária. Não à toa a banda tinha fama de muito organizada e competente nas suas apresentações. 

Apesar do tempo de atuação e das diversas atividades em que se fez presente ao longo do primeiro quarto do século XX, poucos são os registros em imagem da composição. A mais famosa fotografia da Banda Musical Estrela Cachoeirense está eternizada no "Grande Álbum de Cachoeira no Centenário da Independência do Brasil", organizado por Benjamin C. Camozato em 1922. Eis a imagem:

Em novembro, quando as atenções e atividades sócio-culturais celebram o Mês da Consciência Negra, o Arquivo Histórico relembra a famosa Banda Musical Estrela Cachoeirense e seu regente. Aqueles músicos negros emprestaram seu talento e distribuíram acordes nos principais eventos pelos salões, ruas e praças da velha Cachoeira.

MR 

Comentários

  1. Parabéns pela matéria um belo resgate da memória de cachoeira do Sul
    .. sempre enriquecedora.. espero poder ver desfrutar desse acervo em breve

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

Casa da Aldeia: uma lenda urbana

Uma expressão que se tornou comum em nossos dias é a da "lenda urbana", ou seja, algo que costuma ser afirmado pelas pessoas como se verdade fosse, no entanto, paira sobre esta verdade um quê de interrogação!  Pois a afirmação inverídica de que a Casa da Aldeia é a mais antiga da cidade é, pode-se dizer, uma "lenda urbana". Longe de ser a construção mais antiga da cidade, posto ocupado pela Catedral Nossa Senhora da Conceição (1799), a Casa da Aldeia, que foi erguida pelo português Manoel Francisco Cardozo, marido da índia guarani Joaquina Maria de São José, é mais recente do que se supunha. Até pouco tempo, a época tida como da construção da casa era dada a partir do requerimento, datado de 18 de abril de 1849, em que Manoel Francisco Cardozo: querendo elle Suppl. Edeficar umas Cazas no lugar da Aldeia ecomo Alli seaxe huns terrenos devolutos na Rua de S. Carlos que faz frente ao Norte efundos ao Sul fazendo canto ao este com a rua principal cujo n...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...