"O dia 1.º de maio, como sempre, é uma data bastante cara para nós todos, pois que, neste dia, homenageia-se o operariado, o braço forte da nação, a fonte propulsora de todo o progresso e todos os inventos do universo. Quem não é operário neste mundo? Patrões e empregados, todos são operários, pois todos trabalham em prol de um mesmo desiderato, de uma mesma finalidade, qual seja a manutenção comum, pois que sem ela ninguém poderá viver."
Com estas considerações o jornal O Comércio introduziu a matéria de primeira página da edição do dia 3 de maio de 1950, intitulada Atingiram a um brilho excepcional as comemorações do Dia do Trabalho realizadas 2.ª feira. Por ela tem-se a dimensão do quanto o Dia do Trabalho era reverenciado e valorizado.
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| Jornal \O Comércio, 3/5/1950, primeira página |
(Início da transcrição)
Na Liga Operária
As comemorações na Liga Operária Cachoeirense, com sede à rua S. Marinho, estiveram excepcionalmente brilhantes e de alta significação. Em primeiro lugar tivemos, á 0 hora de segunda-feira o repicar festivo de todos os sinos das Igrejas e apito das maquinas dos engenhos e demais indústrias locais. Nessa ocasião ao espoucar dos foguetes foi hasteado o Pavilhão desta entidade em sua sede social, cerimônia que contou com a presença de elevado número de pessoas.
A's 6 horas, a Banda de Tambores do Ginasio Roque Gonçalves desfilou pela cidade, anunciando o raiar do Dia do Trabalho.
A's 8 horas, em expressiva cerimônia, teve lugar na sede social, o hasteamento do Pavilhão Nacional, seguindo-se após uma visita ao tumulo do fundador e primeiro presidente Roberto Silva.
A's 9,30, na Igreja Matriz, foi celebrada Solene Missa comemorativa e em intenção dos associados já falecidos."
(Fim da transcrição)
A matéria ainda refere detalhadamente a sessão solene que foi realizada na sede social da Liga Operária, com a presença numerosa de associados, convidados especiais e autoridades. O condutor do ato foi o presidente José Nicolau Barbosa. Depois de discurso alusivo à data, proferido por Floravante Machado em nome da Liga, ocorreu cerimônia de inauguração do retrato do governador Walter Jobim pelo presidente da Câmara, Dr. Fabrício Pillar Soares, seguida de manifestação do Dr. Mário Godoy Ilha. Por fim, o presidente José Nicolau Barbosa fez a entrega do título de Sócio Honorário da Liga Operária Cachoeirense ao Dr. Orlando da Cunha Carlos.
| José Nicolau Barbosa - Caderno de História n.º 5 |
Outras atividades constaram da sessão solene, dentre elas, a entrega por Monsenhor Armando Teixeira de um pergaminho contendo a bênção enviada à Liga pelo Papa Pio XII.
A sessão solene culminou com o lançamento da pedra fundamental do novo edifício que seria construído para sede social da Liga Operária. Segundo o jornal, "Na urna especialmente preparada para o ato, foram colocados jornais e outros objetos de uso atual, como também a ata do acontecimento, sendo este documento assinado pelas autoridades presentes."
Depois dos atos solenes, foram todos obsequiados por um "um suculento churrasco, regado a chopp e outras bebidas".
E segue a matéria jornalística de O Comércio descrevendo as festividades na outra associação de operários da cidade:
(Início da transcrição)
Na União Operária 1.º de Maio
Também a Sociedade Beneficente União Operário 1.º de Maio desde cêdo movimentou-se para festejar condignamente o Dia do Trabalho, tendo para isso elaborado extenso programa festivo.
Cêrca das 8 horas, com o hasteamento do Pavilhão Nacional, ao espoucar de foguetes, tiveram inicio as comemorações que se desenvolveram por todo o dia.
Na parte da manhã tiveram logar vários divertimentos destinados aos seus associados, o que foi abrilhantado pela Banda de Música do Departamento Artístico e Cultural da Sociedade Rio Branco.
Cêrca das 12 horas, deu entrada no recinto daquela sociedade o Revdmo. Monsenhor Armando Teixeira, estimado pároco desta cidade, que ali fôra se associar ás comemorações do operariado cachoeirense.
Em seguida, foi servido aos presentes farto e saboroso churrasco regado a cerveja, no qual tomaram parte, além dos associadas e suas exmas. familias, elevado número de convidados especiais, que desta forma compartilharam mais diretamente das festividades.
(Fim da transcrição)
Como ponto alto da solenidade na União Operária, segundo sequência da matéria de O Comércio, ocorreu a entrega de uma corbeille* de flores ao Monsenhor Armando Teixeira por uma "comissão de senhorinhas", seguindo-se ao ato manifestações do presidente da entidade, Edgar Porto, e do homenageado.
À noite, houve uma sessão solene que teve, como ponto alto, a inauguração do Gabinete Dentário e do Departamento de Enfermagem destinados aos associados. Vários oradores se manifestaram depois do ato, então uma grande conquista da União Operária 1.º de Maio.
É notório o quanto o Dia do Trabalho deixou de ser comemorado com a ênfase de tempos atrás. No entanto, a força do operariado ainda se revela na existência de legados das duas ligas, a primeira, fundada em 1897, e a segunda em 1900. Tais instituições foram importantíssimas para a conquista de direitos dos operários cachoeirenses e também para assistência aos associados e suas famílias. Estas intenções moveram homens como José Nicolau Barbosa, de cuja força emergiu o Hospital da Liga Operária e, antes dele, do maestro Roberto Silva, fundador e primeiro presidente da entidade que ainda hoje mantém sede na Rua Saldanha Marinho.
Por outro lado, há que se relembrar a memória dos abnegados que lutaram pela fundação da União Operária 1.º de Maio que, indicando a relevância que o Dia do Trabalho tinha, colocaram-no no próprio nome.
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| Roberto Silva - primeiro presidente da Liga Operária - Acervo familiar |
*Corbeille: cesta ornamental contendo flores.
Mirian Ritzel


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