Pular para o conteúdo principal

Revistas Aquarela

Pouca gente sabe que uma revista chamada Aquarela circulou por um bom tempo em Cachoeira do Sul. Era o principal produto da extinta Tipografia Guidugli, propriedade de Humberto Atílio Guidugli, ou Eliseu, como era mais conhecido na cidade.

Revista Aquarela n.º 1 - setembro de 1947
Apresentação da Revista Aquarela - 1957

Eliseu Guidugli era o pai do conhecido Guidugli, figura muito popular e querida e que assumiu por um tempo a edição da Aquarela depois do falecimento do pai, ocorrido em 23 de fevereiro de 1971.

Não há um levantamento de todos os números que circularam. Não havia uma periodicidade definida, de forma que as edições eram levadas à publicação quando Eliseu integralizava os patrocínios que permitiam a impressão. Assim, além de trazer informações históricas, culturais, sociais e econômicas sobre Cachoeira, as revistas Aquarela também serviam como guia de serviços e profissionais, uma vez que boa parte do empresariado, dos profissionais liberais e do comércio local pagavam anúncios.

Havia no acervo bibliográfico do Arquivo Histórico uns poucos exemplares dessas revistas, sendo as de números 2, 6, 10, 45, 51 e 121. Pois uma importante doação veio preencher lacunas na coleção e, provavelmente, fazer do Arquivo Histórico a instituição que mais possui exemplares da já considerada rara Aquarela em todo município. Feito alcançado graças à generosidade do colaborador Antônio Trevisan que repassou a sua coleção particular para a instituição, franqueando a toda comunidade cachoeirense o acesso às informações que a publicação traz, pois este é um dos serviços oferecidos pelo Arquivo Histórico.

Antônio Trevisan e a coleção de revistas Aquarela doadas,
bem como DVDs com os programas de rádio "Resgatando a história" - foto Jaqueline Fischer

A coleção doada veio acondicionada em pastas especiais e, em alguns casos, traz cópias xerográficas de revistas que não faziam parte da coleção de Antônio Trevisan, mas que ele teve o cuidado de tentar completar através de cópias de originais pertencentes a outras pessoas.

Para quem quiser ajudar o Arquivo Histórico a completar sua coleção, seguem os números faltantes: 3, 8, 19, 30, 31, 36, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 46, 47, 48, 49, 50, 52, 53, 54 a 120, 122 a 149.

A Equipe do Arquivo Histórico agradece a generosa doação de Antônio Trevisan, saudando seu desprendimento e entendimento da importância de dividir com a comunidade o conteúdo da hoje rara e sempre apreciada revista Aquarela.

Mirian Ritzel

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminian...

Casa da Aldeia: uma lenda urbana

Uma expressão que se tornou comum em nossos dias é a da "lenda urbana", ou seja, algo que costuma ser afirmado pelas pessoas como se verdade fosse, no entanto, paira sobre esta verdade um quê de interrogação!  Pois a afirmação inverídica de que a Casa da Aldeia é a mais antiga da cidade é, pode-se dizer, uma "lenda urbana". Longe de ser a construção mais antiga da cidade, posto ocupado pela Catedral Nossa Senhora da Conceição (1799), a Casa da Aldeia, que foi erguida pelo português Manoel Francisco Cardozo, marido da índia guarani Joaquina Maria de São José, é mais recente do que se supunha. Até pouco tempo, a época tida como da construção da casa era dada a partir do requerimento, datado de 18 de abril de 1849, em que Manoel Francisco Cardozo: querendo elle Suppl. Edeficar umas Cazas no lugar da Aldeia ecomo Alli seaxe huns terrenos devolutos na Rua de S. Carlos que faz frente ao Norte efundos ao Sul fazendo canto ao este com a rua principal cujo n...