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O vereador descendente de açorianos

Dando sequência às publicações sobre a presença açoriana na história de Cachoeira do Sul e em comemoração aos 270 anos do povoamento açoriano no Rio Grande do Sul, o blog traz ao conhecimento dos leitores a figura de Antônio José de Menezes. Foi ele um descendente direto de açorianos que entrou para a história político-administrativa de Cachoeira. Rubrica de Menezes nos livros da Câmara  Diferente da composição inicial da Câmara, cujos três primeiros vereadores foram eleitos e empossados no dia da instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira, em 5 de agosto de 1820, houve uma sequência de nomeações feitas por carta régia. A carta régia era um documento oficial assinado por Sua Alteza Real D. João VI e que não passava pela chancelaria da Corte, ou seja, era enviado diretamente para a autoridade que deveria dar-lhe cumprimento.  Assim, em 23 de janeiro de 1822, dando cumprimento à carta régia de 24 de novembro de 1821, foram empossados e prestaram juramento os três vereadores, dentre
Postagens recentes

O 13 de Maio

Neste 13 de maio, quando transcorrem 134 anos da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, extinguindo legalmente a escravidão no Brasil, buscamos descobrir como a Cidade da Cachoeira recebeu a notícia. Como não existem atas das sessões desse período histórico, graças à anotação do historiador Aurélio Porto num livro da Seção de Estatística e Arquivo (IM/EA/SA/RL-001, fls. 10 e 10v), organizado por ele enquanto Secretário da Intendência, é que se torna possível reviver o que foi feito. 14 de Maio. Rendendo homenagens à data da extincção da escravidão no Brasil, a Camara reune-se em sessão solemne, determinando o seguinte: 1.º Lavrar acta especial sobre o advento da Liberdade; 2.º Iluminar por tres dias a fachada do edificio da Camara; 3.º Telegraphar a José do Patrocinio, o batalhador dessa crusada; 4.º Felicitar o Gabinete de 10 de Março*. Abolicionista José do Patrocínio - Academia Brasileira de Letras Edifício da Câmara, que foi iluminado por três noites para celebrar a Abolição

Escravo carpinteiro

Um dos mais importantes construtores da história de Cachoeira se chamava Ferminiano Pereira Soares. A credenciar esta importância, foram de sua operosidade a construção dos pilares que sustentavam a malfadada Ponte do Jacuí, o salão do Império do Divino Espírito Santo e a Casa de Câmara, Júri e Cadeia. Muito provavelmente Ferminiano teve ao seu dispor vários escravos que foram responsáveis pelo levantamento de tais obras.  Casa de Câmara, Júri e Cadeia, atual Museu Municipal - Fototeca Museu Municipal À direita, prédio do Império do Divino Espírito Santo  - Fototeca Museu Municipal Um deles era o carpinteiro, ou seja, o artífice das obras em madeira, cuja citação, sem nomeá-lo, conseguiu chegar até nossos dias em razão de um ofício que foi registrado em livro correspondente da Câmara Municipal com data de 30 de agosto de 1865, ocasião em que Ferminiano Pereira Soares tinha recentemente falecido. Diz o documento: Illmmo. Snr.' = Em virtude do pedido de V. S.ª a Camara Municipal dest

A morte do Poeta das Opalas

Há 100 anos, no dia 1.º de abril de 1922, falecia em Lisboa, o diplomata e poeta cachoeirense Antônio Vicente da Fontoura Xavier, mais conhecido como Fontoura Xavier. Fontoura Xavier - Museu Municipal Consagrado pela obra Opalas, onde exibe todo seu talento e erudição, Fontoura Xavier acabou por se tornar conhecido justamente como o "Poeta das Opalas". A obra é considerada um marco do parnasianismo rio-grandense e brasileiro e foi editada pela primeira vez, em Porto Alegre, no ano de 1884. Opalas, edição de 1905 - www.traca.com.br Para marcar o centenário do falecimento de Fontoura Xavier, buscamos no Acervo de Imprensa, mais especificamente no jornal O Commercio,  edição de 5 de abril de 1922, a repercussão de sua morte na terra natal, estampada na primeira página: Embaixador Fontoura Xavier Telegrammas vindos de Lisbôa para a imprensa porto-alegrense dão-nos a triste nova do repentino fallecimento, ocorrido em 31 de março*, do nosso illustre conterraneo, inspirado poeta e e

A açoriana Eugênia Rosa

No ano em que se comemoram os 270 anos do povoamento açoriano no Rio Grande do Sul, o blog do Arquivo Histórico tentará trazer para suas postagens assuntos que relembrem personalidades e fatos ligados aos açorianos que também fizeram de Cachoeira a sua morada a partir de 1753. Comecemos pela açoriana Eugênia Rosa, casada com o também açoriano João Pereira d'Agueda, que no Brasil passou à alcunha de João Pereira Fortes. A chegada do casal ao Rio Grande do Sul se deu em 1756, quando Cachoeira ainda era uma freguesia de Rio Pardo, onde constituíram uma família que acabou por se tornar tronco de muitas outras que se espalharam pela região. Eugênia Rosa hoje é lembrada graças a um achado do historiador Fritz Strohschoen. Ou melhor, de um jardineiro que encontrou o inventário de Eugênia no porão de uma antiga casa na Rua 15 de Novembro e o entregou ao perscrutador do passado. Fritz dedicou-se à transcrição do documento emitido em 1812, desvendando as estruturas familiares e os bens ameal

Mulheres protagonistas do século XIX

A história tem sido escrita ao longo dos séculos pelos homens, de forma que há um número inferior de mulheres que conseguiram granjear o espaço merecido no correr dos tempos. Cachoeira, criada há pouco mais de 200 anos, não viveu situação diversa. Quantas mulheres, apesar do protagonismo que tiveram em diferentes momentos dessa bicentenária trajetória, conseguiram ter seus nomes reconhecidos e lembrados? Não foram muitas, mas as três que serão trazidas à luz, nesta postagem que dá início à programação das comemorações do Mês da Mulher, conseguiram marcar seu lugar na história.  CLARINDA FRANCISCA PORTO DA FONTOURA Clarinda da Fontoura - foto atribuída a Luigi Terragno - Museu Municipal Clarinda Francisca Porto nasceu numa família de bravos homens que lutaram nas guerras que marcaram a história do Rio Grande. Deve ter se acostumado a ouvir histórias de barbárie e de valentia, aprendendo a dura lição de que a vida tinha que continuar, apesar da guerra. E essa vida muitas vezes necessitou

Rainha do Carnaval de 1952

O carnaval de 1952 foi marcado por uma promoção da ZYF-4, a Rádio Cachoeira do Sul, e Associação Rural, que movimentou toda a cidade: a escolha da rainha dos festejos de Momo. Vamos conhecer esta história pelas páginas do Jornal do Povo : Absoluto êxito aguarda a sensacional iniciativa da ZYF-4 e Associação Rural - Milton Moreira (PRH-2) e a famosa dupla "Felix" da Televisão Tupi  participarão de atraente "show" Cachoeira do Sul viverá sábado à noite o maior acontecimento social dos últimos anos, com a realização do monumental "Garden-Party" promovido pela Rádio Cachoeira do Sul e Associação Rural nos jardins da ZYF-4. Rainha do Carnaval de 1952 -  Jornal do Povo, 21/2/1952, p. 1 Rádio Cachoeira do Sul - ZYF-4 - Coleção Emília Xavier Gaspary Precedido de quatro grandiosos bailes que se efetuaram nas principais entidades sociais cachoeirenses, o "Garden-Party" vem centralizando as atenções da cidade inteira, pois, assinalará o mais deslumbrante es