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Criados de salário mensal

Nos dias correntes, quando a sociedade brasileira alcança ajustes trabalhistas para os empregados domésticos, categoria que ainda não havia conquistado vantagens que outras já possuíam, é interessante observar as práticas que cercavam a contratação de serviços dos criados na Cachoeira do século XIX. Há no acervo documental do Arquivo Histórico um encadernado do Fundo Câmara Municipal, intitulado Registro de Contratos de Criados (CM/S/SE/RCC-001), onde se pode tomar conhecimento dos tipos de criados, dos contratantes, ou patrões, dos serviços oferecidos e dos proventos a que faziam jus pelo cumprimento das tarefas próprias das suas funções, como "serviço de minha casa", "serviço de cozinha", "serviço de condução de malas do correio", "serviço doméstico", "serviço doméstico de cozinha e engomar", "serviço de cozinheiro", "serviço de aguadeiro", "serviço de vendedor de água" e outros mais do gênero. O refer...

São João, o patrono da Cachoeira

Há dentre os preciosos documentos do Arquivo Histórico do Município um encadernado (CM/S/SE/RE-001) da antiga Câmara Municipal que traz o registro das correspondências expedidas pelo escrivão e que remonta ao período da constituição da Vila Nova de São João da Cachoeira. Trata-se de carta dirigida a Sua Majestade D. João VI pela Câmara e remetida pela Secretaria de Estado dos Negócios do Reino em 26 de agosto de 1820. O teor do documento dá o motivo pelo qual foi escolhido o nome da Vila Nova de São João da Cachoeira: Senhor O Juiz pella Ordenação vereadores, e officiaes da Camara da Villa Nova de São João da Caxoeira, Prostrados humildemente aos Pés do Augusto Throno de Vossa Magestade Fidelicima tem a Honra de amnunciar que em execução das Reaes Ordens de Vossa Magestade, e Ouvidor e Corregedor desta Commarca Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa no dia sinco do corrente mes de Agosto procedeu ao Acto Solemne da ereção desta Villa. = A Camara por si, em nome do Povo pene...

5 de agosto - instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira e aniversário de criação do Arquivo Histórico

O dia 5 de agosto é muito importante para a história de Cachoeira do Sul. Nesse dia, há 193 anos, era solenizada a instalação do quinto município do Rio Grande do Sul, denominado como Vila Nova de São João da Cachoeira. Para o ato, protagonizado pelo Ouvidor Geral, Corregedor e Provedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina, Dr. Joaquim Bernardino de Sena Ribeiro da Costa, foram convidados o povo e os homens probos da Vila, cujas assinaturas ficaram registradas no livro n.º 1 da Câmara (CM/OF/TA-008). Naquele dia, como reza a tradição portuguesa, foi levantado o Pelourinho e eleitos os primeiros vereadores: João Soeiro de Almeida e Castro (Presidente), Joaquim Gomes Pereira e Francisco José da Silva Moura. Também foram escolhidos o procurador da Câmara, Antônio Xavier da Silva, o Tesoureiro, Francisco de Loreto, o 1.º Tabelião e Escrivão da Câmara, Joaquim dos Santos Xavier Marmello, e o 2.º Tabelião e Escrivão dos Órfãos, Manoel Alves Ferrás. Livro n.º 1 da Câmara com regis...

Impostos sobre supérfluos na Intendência de Cachoeira

Com o pomposo nome de "impostos sumptuários", uma página do livro etiquetado com a inscrição "Receita", do conjunto de documentos da antiga Intendência Municipal da Cachoeira, registra os comerciantes que em 1893 pagavam impostos pelo oferecimento de produtos e serviços relativos ao luxo, ou seja, supérfluos. Estavam, dentre estes serviços, a venda de bilhetes, apresentações artísticas e a exploração de bilhares. Lançamento dos impostos sumptuários - Livro IM/CO/DRD/RD-001 Os cidadãos que pagaram esses impostos aos cofres da Intendência em 1893 foram: - Pedro Martins Lopes, por dois bilhares - Felicio de Mello, pela venda de bilhetes da loteria do Estado - Isidoro Neves da Fontoura, pela casa onde vende bilhetes da loteria do Estado - João Silva, pelos seus dois bilhares - Ismael Alves d'Almeida, por vender bilhetes da loteria do Estado e outros - Melchiades Francisco da Silva, pela venda de bilhetes do Estado - João da Matta, pela venda d...

Isolamento de doente

Uma interessante carta remetida ao Presidente e Vereadores da Câmara Municipal da Cachoeira pelo Delegado de Polícia Hilario José de Barcellos, datada de 21 de maio de 1874, nos fornece elementos para compreender a profilaxia das doenças contagiosas em meados do século XIX.  A carta fala do caso de um menino que adquiriu bexigas, ou varíola, e que  foi isolado pela autoridade policial a fim de evitar o contágio da doença em outras pessoas.  O delegado diz na carta: Cumpre-me levar ao conhecimento a Vv.Ss.ªs que aparecendo um caso de bexigas em um menino, e convindo evitar que se desinvolva a epedimia, e em vista do Art.º 116 das posturas Municipaes, resolvi esolar o bexigento, allugando p.ª isso a chacara de D. Senhorinha de Carvalho Ilha, justando tambem uma peçôa p.ª ajudar a cuidar no enfermo, allugando a M.el Homem d'Oliveira carroças p.ª transportar o bexigento, trastes e viveres, e obrigando-me a que o medico fosse ver o enfermo as vezes necessarias, e forn...

Fábrica de Cerveja e Gasosa de Franz Rother

A apreciação e consumo da cerveja é um dos traços marcantes da cultura alemã. E em Cachoeira não foi diferente quando os primeiros alemães aqui se estabeleceram, vindos da Colônia Santo Ângelo. Logo deram jeito de providenciar a fabricação da bebida tão apreciada, surgindo a Cervejaria Deutsch Bier Brauerei, de Rodolfo Homrich, a Cervejaria Moderna, de Augusto Trommer, e a Fábrica de Cerveja de Pedro Port & Cia. A Rua Sete de Setembro era pontilhada de chaminés das fábricas de cerveja. Rua 7 de Setembro, vendo-se as chaminés das cervejarias ao fundo - fototeca do Museu Municipal Um dos pioneiros na produção de cerveja na cidade foi Franz Rother. No ano de 1901, quando foi realizada em Porto Alegre a Exposição Estadual, evento que apresentava os principais produtos da economia rio-grandense de então, a FÁBRICA DE CERVEJA E GASOSA, nome do estabelecimento de Franz Rother, obteve a medalha de bronze. Por conta desta distinção, o proprietário divulgava no jornal O Commercio ...

"Viagem em bicycleta"

A edição do jornal O Commercio , de 28 de agosto de 1901, traz a interessante notícia sobre viagem  protagonizada por dois cidadãos da Cachoeira, apreciadores, como os atuais membros do Cicloativado, do bom e saudável uso das bicicletas: Já se acham de regresso a esta cidade os srs. Pedro Baptista e Hygino Livi que a 19 do corrente, ás 12 horas do dia, dirigiram-se em bicycleta d'qui ás minas de cóbre de Camaquam. Os valentes excursionistas, na ida e volta, percorreram em cinco dias 312.600 kilometros ou sejam 47 leguas e 2.400 metros, tendo em sua viagem de enfrentar mil difficuldades, taes como o mau tempo reinante, chuvas e ventos contrarios e as pessimas condições em que, como consequencia encontraram as estradas. Foi o seguinte o seu itinerario: De Cachoeira ao Seringa,  metros 4.800 A Feliciano Prates                    "        8.500 A Fidelis Prates           ...