Pular para o conteúdo principal

1834 - situação dos presos na Vila de Cachoeira

Apesar de estarmos em pleno século XXI e da imensa evolução proporcionada pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia, quando o assunto é o sistema carcerário brasileiro os problemas ainda parecem longe dos avanços experimentados pela era contemporânea. Entre 2014 e 1834, 180 anos nos separam. Os presos de hoje têm muitas benesses, mas as condições de nossas cadeias atuais não diferem muito daquelas do século XIX.

Manuseando documentos relativos à cadeia em Cachoeira, eis que surge um ofício datado de 22 de dezembro de 1834, remetido para a Câmara de Cachoeira pelo Presidente da Província, Antônio Rodrigues Fernandes Braga, referindo a denúncia do carcereiro sobre o estado deplorável dos presos da cadeia da Vila.

Eis o teor do documento:

Enviando-me o Juiz de Direito huma reprezentação do Cacereiro da Cadeia dessa Villa, sobre o deploravel estado a que se achavão reduzidos os prezos, dormindo no chão por não haver huma só tarimba, jazendo na escuridão da noite sem luzes, e esfaimados com huma diminuta comida de vinte em vinte quatro horas; convem que Vmces., fazendo proceder a exame na caza da prizão, mandem organisar hum orçamento da despeza, a que poderá montar a construcção de tarimbas na dita Caza, informando-me a respeito do mais expendido na dita reprezentação; afim de dar as providencias que estiverem ao meu alcance.
Deus Guarde a Vmces.
Porto Alegre 22 de Dezembro de 1834.

Antonio Roiz. Fenz. Braga

A história nos mostrou que a Vila ainda levaria 30 anos para acomodar os presos em uma casa própria para a cadeia... E esta casa, que também era a sede da Câmara e do Júri, veio a se tornar o nosso bem tombado e atualmente conhecido como Paço Municipal, na Praça Dr. Balthazar de Bem.

Câmara Municipal/Série C: Obras e Melhoramentos/Subsérie 2: Ofícios/Caixa 5

Comentários

  1. O Presidente Antonio R.Fernandes Braga estava no cargo no inicio da Guerra dos Farrapos em 35....??????

    ResponderExcluir
  2. A grafia que abreviava dois sobrenomes daquele presidente da província: Antonio Roiz. Fenz. Braga, (Antonio Rodrigues Fernandes Braga) deve-se ao nome correto ser Rodriguez (com Z) e Fernandez (com Z)?

    ResponderExcluir
  3. Se a fonte da informação for confiável: "Quando Bento Gonçalves marchou para Porto Alegre em 20 de setembro de 1835, o presidente Fernandes Braga se refugiou na cidade de Rio Grande, que tornou-se assim a base principal do Império do Brasil no Rio Grande do Sul. Os farroupilhas empossaram Marciano José Pereira Ribeiro como novo presidente. Fernandes Braga teria sido presidente da província entre 2 de maio de 1834 e 21 de setembro de 1835.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Colégio Estadual Diva Costa Fachin: a primeira escola de área inaugurada no Brasil

No dia 1.º de outubro de 1971, Cachoeira do Sul recebeu autoridades nacionais, estaduais e regionais para inaugurar a primeira escola de área do Rio Grande do Sul e que foi também a primeira do gênero a ter a obra concluída no Brasil. Trata-se do Colégio Estadual Diva Costa Fachin, modelo implantado com recursos do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Médio - PREMEM, instituído pelo Decreto n.º 63.914, de 26/12/1968.  Colégio Estadual Diva Costa Fachin - Google Earth A maior autoridade educacional presente àquela solenidade foi Jarbas Passarinho, Ministro da Educação, acompanhado por Euclides Triches, governador, e pelos secretários de Educação, Coronel Mauro Costa Rodrigues, de Interior e Justiça, Octávio Germano, das Obras Públicas, Jorge Englert, e da Fazenda, José Hipólito Campos, além de representantes do Senado, de outros ministérios, estados e municípios.  Edições do Jornal do Povo noticiando a inauguração da escola (30/9/1971 e 3/10/1971, p. 1) Recepcionados na Ponte do Fa

Cachoeira do Sul e seu rico patrimônio histórico-cultural

A história de Cachoeira do Sul, rica e longeva, afinal são 202 anos desde a sua emancipação político-administrativa, legou-nos um conjunto de bens que hoje são vistos como patrimônio histórico-cultural. Muito há ainda de testemunhos desta história que merecem a atenção pelo que representam como marcas dos diferentes ciclos históricos. Mas felizmente a comunidade e suas autoridades, desde 1981, pela criação do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural - COMPAHC, têm reconhecido e protegido muitas destas marcas históricas. Antes da existência do COMPAHC muitos e significativos bens foram perdidos, pois o município não dispunha de mecanismos nem legislação protetiva, tampouco de levantamento de seu patrimônio histórico-cultural. Assim, o Mercado Público, em 1957, e a Estação Ferroviária, em 1975, foram duas das maiores perdas, sendo estes dois bens seguidamente citados como omissões do poder público e da própria comunidade. Sempre importante lembrar que por ocasião do anúncio da

O açoriano que instalou a Vila Nova de São João da Cachoeira

O que pouca gente sabe é que a autoridade máxima que procedeu à instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira era açoriano de nascimento.  Trata-se do Ouvidor Geral, Corregedor e Provedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, autoridade constituída que veio à Freguesia de Nossa Senhora da Conceição para instalar a Vila Nova de São João da Cachoeira no dia 5 de agosto de 1820. Naquele ato, providenciou na abertura dos livros da Câmara, conduziu a escolha e a posse dos três primeiros vereadores e mandou levantar o pelourinho, símbolo da autonomia político-administrativa, segundo a legislação portuguesa. Abertura do Livro 1.º da Câmara, feita por Joaquim B. de Senna Ribeiro da Costa em 3/8/1820  - CM/OF/TA-008 - foto Cristianno Caetano Deste homem pouca coisa se sabe. Natural dos Açores, tinha sido juiz de fora da Ilha Graciosa, em 1803. Era casado com Inácia Emília de Castro Borges Leal, tendo dois filhos: José e Joaquim José.  No mesmo