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Iluminação pública

Nestes tempos de dificuldade com os recursos naturais, outrora tidos como inesgotáveis no Brasil, as pessoas de bom senso têm pensado muito a respeito da adoção definitiva do uso sustentável da água e da energia.
Quando recorremos a registros históricos, nos apercebemos do quanto evoluímos em tecnologia para obtenção e distribuição dos recursos. Tal evolução, logicamente, implicou também em disseminação do acesso, crescimento da demanda e esgotamento dos recursos.
Mas como era feita, por exemplo, a iluminação pública de Cachoeira no final do século XIX, quando Thomas Edison já havia inventado a lâmpada elétrica?
Um telegrama de 24 de janeiro de 1881, dois anos após a divulgação da invenção (1879), mostra que as nossas ruas ainda estavam iluminadas a lampiões e que o combustível empregado pelo acendedor era a querosene, devendo em breve ser substituído pela gasolina. Ao final, refere que Quanto ao augmento de lampeões oportunamente se resolverá.

Telegrama - CM/DA/Telegramas/Caixa 3

A eletricidade só teve suas primeiras experiências em Cachoeira a partir de 1901, mas esparsas. Em 1910 a Intendência assinou contrato com a firma Lima & Martins para a instalação elétrica na cidade. Problemas na remessa dos equipamentos e materiais, que vinham da Europa, atrasaram o serviço. Em 1911, a iluminação a querosene ainda era paga pela Intendência e a profissão de acendedor de lampiões ainda estava garantida. O ano seguinte, que seria de avanços no serviço, a energia elétrica passou a ser distribuída muito precariamente pelo Grande Engenho Central, de Aydos, Neves & Cia., localizado à margem do rio Jacuí, e em outubro daquele ano a Usina Elétrica foi finalmente instalada, na esquina da Rua Moron com a atual Dr. Milan Kras.
Entre 1918 e 1919, ou seja, quarenta anos depois da invenção da lâmpada, o serviço prestado pela Usina melhorou, chegando a sua força a 500 cavalos, com fornecimento de energia elétrica, durante o dia, aos estabelecimentos industriais!

Comentários

  1. Quero mais ! Muito bom ! Dificilmente hoje pensamos em viver sem luz elétrica e também não pensamos no que a falta desta devia causar na vida das pessoas.

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  2. Verdade, Suzana! Documentos do passado não são só papéis velhos, são retratos de tempos idos que nos permitem mil reflexões!

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