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Aviso da chegada do Imperador

Inverno de 1865. Corria a Guerra do Paraguai.
Em Cachoeira, o prédio da Casa de Câmara, Júri e Cadeia estava quase concluído. Ferminiano Pereira Soares, o construtor, finalizava as obras e em 1.º de agosto deu-a por pronta.
Poucos dias antes, a Câmara Municipal recebeu uma correspondência do Gabinete do Ministro da Guerra, datado de 26 de julho, prevenindo-a que em pouco tempo o Imperador Pedro II chegaria a Cachoeira:

Porto Alegre. Gabinete do Ministro da Guerra em 26 de Julho de 1865.

Previno a Vm.ces do que no dia 28 do corrente daqui seguirá S. M. O Imperador com destino a cidade do Rio Pardo, onde chegará naturalmente no dia 29, ficando Vm.ces na intelligencia de que S. M. Imperial partirá logo para essa cidade.

Deos Guarde a Vm.ces
(assinatura) Angelo Moniz da S.a Ferraz

CM/DA/Ofícios/Caixa 7
- acervo documental do Arquivo Histórico

De pronto a Câmara tratou de providenciar a melhor forma de receber o Imperador, que veio ao Sul em resposta à invasão do território brasileiro pelas forças inimigas paraguaias. Antes de chegar a Cachoeira, havia passado por Rio Grande, por onde entrou no Rio Grande do Sul, depois por Porto Alegre e Rio Pardo. 
Em Cachoeira, D. Pedro II chegou pelas águas do Jacuí, a bordo do vapor Tupy. Quando avistou o prédio concluído da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, logo o requisitou para que nele se instalasse uma enfermaria a fim de que praças do Exército que se dirigiam ao cenário da guerra e se encontravam enfermos pudessem ter ali o atendimento necessário.
Diante da solicitação do Imperador, a Câmara entregou o sobrado em 6 de agosto de 1865. Mas, em novembro daquele ano, já o reclamava:

Illm.mo e Exm.mo Snr.~ = A Camara Municipal da cidade da Cachoeira communica a V. Ex.ça, que achando-se concluida a factura da casa de suas sessões, Jury e cadeia, tomou de ella posse no dia 6 de Agosto do corrente anno, mas que, avista do excessivo numero de doentes militares então aqui existentes e a requisição do Exm.mo Ministro da Guerra, fez d'ella cessão para ahi estabelecer=se o Hospital. Hoje, porem, que está terminada tal necessidade, por só restarem quatro doentes, tendo os demais sido transportados á Capital e juntamente grande parte do trem dos mesmos, pede esta Camara a V. Ex.ça se sirva expedir as suas ordens, para que a vista do estado defficiente dos cofres desta Camara, é medida economica de que tanto ella necessita. = D.s G.e a V. Ex.ça = Sala das sessões da Camara Municipal da cidade da Cachoeira 9 de Novembro de 1865. = Illm.mo Exm.mo Snr.~ Visconde da Boa Vista, Presidente da Provincia. = Isaias Baptista Rodrigues Pereira Lourenço, Jose da S.ª Bandeira = João Alves de Almeida = Mauricio Jose d'Almada = Miguel Candido da Trindade.
(CM/S/SE/RE-002, fls. 52 e 52v.)

Em 1.º de dezembro de 1865, em razão do pequeno número de militares doentes em tratamento no sobrado, a Câmara novamente requisitou-o:

Illm.mo Snr.~= A requisição do Exm.mo Ministro da Guerra e em consideração ao cressido numero de doentes militares, que, então havia, foi posto a disposição para enfermaria, não só o salão do Jury como o sobrado das sessões da Camara; hoje porem que se acha limita dissima a quantidade de doentes, podendo talvez serem convenientemente, não só estes como todos os uttencis accommodados na sala do Jury e peças anexas, e attendendo a necessidade de commodos, e por medida economica, a Camara Municipal pede a V.S.ª como digno director d'aquelle estabelecimento, se digne dar suas providencias para que lhe sejão entregues as chaves do referido D.or Agostinho Jose da Costa Figueredo. = Isaias Baptista Rodrigues Pereira - Vereador Presidente - Antonio Jose d'Almada, Secretario.
(CM/S/SE/RE-007, fls. 54 e 54v.)

A Guerra do Paraguai, acontecida há 150 anos, apesar de ter se desenrolado a quilômetros e quilômetros de Cachoeira, entrou para a história da nossa Casa de Câmara, Júri e Cadeia, determinando que a sua ocupação inicial não se desse pelos ilustres vereadores que, a muito custo, aguardavam por ela desde 1834... 

Inverno de 2015. O velho sobrado que guarda em suas paredes tantas e tantas histórias, como a que acima se vê, espera ansiosamente o início das tão sonhadas obras de restauro!
Fachada frontal da Casa de Câmara, Júri e Cadeia
- Autor: arquiteto Júlio Ramos
(MR)

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