Pular para o conteúdo principal

Semelhança ou coincidência?

Apesar da passagem do tempo e das modificações por ele promovidas, alguns aspectos da vida na cidade são atemporais, ou seja, serão sempre considerados pelo grau de interferência que produzem na vida das pessoas.

O jornal O Commercio, em sua primeira edição do ano de 1918, traz uma notícia dos últimos dias do ano de 1917, marcando uma distância temporal de 100 anos, em que coincidentemente a preocupação é a mesma que marca os últimos dias de 2017 e quiçá os primeiros de 2018:

Chuva. - Pelas 5 horas da tarde de terça-feira, 25 do passado, annuviou-se o tempo, e após ligeira ventania, cahiram algumas bategas d'agua sobre esta cidade e suas immediações.

Vista geral da cidade entre 1917 e 1918 - Fototeca Museu Municipal

Na cidade, porém, foi tão pequena a queda d'agua que mal deu para apagar o pó das ruas. Entretanto, a cerca de uma legua de distancia, a rumo nordeste da urbs, choveu abundantemente, como por exemplo, nas propriedades ruraes dos nossos amigos coronel David Soares de Barcellos e Adolpho Brendler.

Sede da chácara do Cel. David Soares de Barcellos - Acervo COMPAHC

Sabemos que á margem esquerda do Botucarahy, a pouco mais de uma legua desta cidade, os campos estão verdes. Só nas proximidades da cidade continúa o aspecto desolador da falta de pastagens.

Esperamos que o anno novo, que hoje entra, seja menos desfavoravel e menos usurario na distribuição de chuvas, permittindo a todos acudir efficazmente, na medida de suas forças, ao appello do dr. Wenceslau Braz*, que pediu intensificassemos a cultura dos campos.

- Hontem, pela manhã, começou a chover nesta cidade, e á tarde cahiram algumas bategas d'agua, que refrescaram a elevada temperatura dos ultimos dias, havendo esperança de termos mais algumas quedas d'agua.

Semelhança ou coincidência, 100 anos depois o apelo dos cachoeirenses é o mesmo: que venham as chuvas e amenizem o calor, aplacando a seca que já se anuncia.

*Wenceslau Braz Pereira Gomes: presidente do Brasil de 1914 a 1918.

Com a última postagem de 2017, desejamos a todos os seguidores do blog do Arquivo Histórico um ano de 2018 auspicioso, agradecendo a agradável companhia e o estímulo de sempre. 
Feliz ano novo a todos!

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminian...

Casa da Aldeia: uma lenda urbana

Uma expressão que se tornou comum em nossos dias é a da "lenda urbana", ou seja, algo que costuma ser afirmado pelas pessoas como se verdade fosse, no entanto, paira sobre esta verdade um quê de interrogação!  Pois a afirmação inverídica de que a Casa da Aldeia é a mais antiga da cidade é, pode-se dizer, uma "lenda urbana". Longe de ser a construção mais antiga da cidade, posto ocupado pela Catedral Nossa Senhora da Conceição (1799), a Casa da Aldeia, que foi erguida pelo português Manoel Francisco Cardozo, marido da índia guarani Joaquina Maria de São José, é mais recente do que se supunha. Até pouco tempo, a época tida como da construção da casa era dada a partir do requerimento, datado de 18 de abril de 1849, em que Manoel Francisco Cardozo: querendo elle Suppl. Edeficar umas Cazas no lugar da Aldeia ecomo Alli seaxe huns terrenos devolutos na Rua de S. Carlos que faz frente ao Norte efundos ao Sul fazendo canto ao este com a rua principal cujo n...