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Remoção de materiais fecais


Imaginemos como era complexo para uma cidade resolver a questão do recolhimento dos materiais fecais em tempo em que não havia saneamento básico. A prática mais comum nas casas era o uso de recipientes, os chamados urinóis, e a abertura de poço com o assentamento de uma "casinha" sobre ele para servir de privada.

Com o desenvolvimento urbano, os materiais fecais necessitavam de recolhimento adequado. Em 1907, o intendente e médico Cândido Alves Machado de Freitas, preocupado em atacar convenientemente a questão, pensou em copiar o sistema adotado em Santa Maria. 

Finalmente, em 1.º de setembro de 1909, a Intendência pôs em prática a remoção das fezes por meio de cubos, ou cabungos, confeccionados em madeira. Os cubos eram entregues nas residências e casas comerciais e recolhidos em dias específicos por carroça. A carroça se dirigia para o rio Jacuí, onde o conteúdo dos cubos era despejado e eles passavam por limpeza. Feito isto, a carroça seguia para o chalé do Asseio Público, na Rua Conde de Porto Alegre, onde também havia estrebaria para os animais empregados no transporte e ficava a residência do responsável. 

Em documento de 26 de janeiro de 1916, João Antonio da Motta, o responsável, solicitou ao Vice-Intendente autorização para mandar consertar 40 cubos que estavam furados. O serviço custou 16.000 réis e foi executado por João Ferreira. A quitação, em 29 de janeiro, foi custeada pela rubrica "Higiene e Assistência - Material".

Solicitação de autorização para conserto dos cubos - 26/1/1916 - IM/RP/SF/D -157

Requisição do pagamento do serviço de conserto - 29/1/1916 - IM/RP/SF/D-157

Voltemos novamente a imaginação para o quanto nefasto era o rastro deixado pela carroça do Asseio Público e quão insalubre o trabalho do seu condutor... Sem falar no pobre consertador dos furos!

MR 

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