Pular para o conteúdo principal

Biblioteca Pública Municipal "Dr. João Minssen" - 75 anos

No dia 2 de dezembro de 1946 foi criada a Biblioteca Pública Municipal de Cachoeira do Sul, atendendo a uma antiga aspiração da comunidade em ofertar livros e leitura para aqueles que não tinham acesso às bibliotecas de associações, clubes e entidades.

Biblioteca Pública Municipal "Dr. João Minssen"
- Casa de Cultura Paulo S. V. da Cunha - foto Jorge Ritter -


As discussões começaram a ganhar força entre integrantes do Centro Cultural Cachoeirense, presidido pelo médico Ervin Wolffenbüttel e tendo também como entusiasta Liberato Salzano Vieira da Cunha. O fato é que o prefeito Cyro da Cunha Carlos foi convencido da importância da criação de uma biblioteca municipal de caráter público, providenciando na sua efetivação através do Decreto Lei n.º 59:

Decreto Lei n.º 59

Cria a Biblioteca Municipal, organiza o respectivo quadro

e abre o crédito especial de Cr$ 80.000,00.

O Prefeito Municipal de Cachoeira do Sul, usando das atribuições que lhe confere o art. 12, n.º 1 do Decreto-Lei Federal n.º 1.202, de 8 de abril de 1.939, e de acôrdo com a Resolução n.º 1675/46, de 5 de novembro de 1.946, do Conselho Administrativo do Estado.

Decreta:

Art. 1.º - É instituida a Biblioteca Municipal destinada à consulta publica.

§ Único - O horario do funcionamento da Biblioteca será regulado pelo seu regulamento Interno que disporá, tambem, sobre as atribuições do seu pessoal.

Art. 2.º - O Patrimonio Bibliografico será formado:

I - com as obras que forem adquiridas pela Prefeitura

II - com as obras que forem remetidas à Biblioteca pelos Departamentos públicos ou Institutos Oficiais.

III - com os legados e doações.

Art. 3.º - Para atender os serviços da Biblioteca é criado o seguinte quadro de funcionarios:

1 - Diretor, padrão .................... 17

1 - Bibliotecario, padrão .......... 13

1 - Escriturario, padrão ........... 10

1 - Escriturario, padrão ........... 11

1 - Continuo, padrão ................  8.

Art. 4.º - É aberto sob código 8.34.4, o crédito especial de Cr$ 80.000,00 o qual terá vigencia no corrente e no proximo exercicio de 1.947, e destinado á atender ás despesas com a instalação da Biblioteca.

Art. 5.º - Para atender a despesa de que trata o artigo anterior, servirá de recurso a arrecadação a maior a se verificar no corrente exercicio.

Art. 6.º - Este Decreto-Lei entra em vigor na data da sua publicação, revogadas as desposições em contrario.

Prefeitura Municipal de Cachoeira do Sul, 2 de Dezembro de 1.946.

(as) Cyro da Cunha Carlos

Prefeito

(Livro Registro de Decretos - Prefeitura Municipal - março 1943 a agosto 1947 - Decreto n.º 33, de 4/3/1943 a Decreto de 22/8/1947).


Decreto n.º 59 - Criação da Biblioteca Pública
- Livro Registro de Decretos - 1943 a 1947 - 

A instalação da Biblioteca Pública, no entanto, só se deu em 8 de março de 1947, conforme noticiou o Jornal do Povo em sua edição de 10 de março, p. 3:

Foi inaugurada a Biblioteca Pública

No dia 8 do corrente, foi inaugurada, solenemente, a Biblioteca Pública local.

O ato inaugural foi presidido pelo sr. Prefeito Municipal, Ciro da Cunha Carlos, sob cuja gestão foi creada a Biblioteca e contou com elevado número de presentes, representando as entidades militares, civis, eclesiásticas, além de muitas pessoas gradas. 

Após ter sido cortada a fita simbólica de entrada aos salões do edifício, sito à rua sete de Setembro, esquina da rua Major Eurique, usou da palavra o dr. Sílvio Dutra de Albuquerque, M. D. Secretário do Município, o qual pôs em relevo o valor do esfôrço e dispêndio que representava esta dádiva do poder público à população cachoeirense, esperando que os leitores desta [rasgado] colhessem os melhores [rasgado] [inicia]tiva pela qual [rasgado] tempo.

Disse, ainda, que sentia-se satisfeito em frizar que o atual Prefeito, bem compreendera, desde longo tempo, a necessidade de uma casa como a que estava sendo inaugurada, mas que impedimentos insuperáveis haviam protelado sua realização.

O dr. Sílvio Dutra de Albuquerque encerrou seu discurso, dizendo que tinha plena certeza de que a população de Cachoeira acorreria aos salões de leitura, como a melhor prova da sua correspondência ao empreendimento da administração municipal.

A seguir, usou da palavra, em nome do Rotary Clube de Cachoeira, o dr. Orlando Carlos que agradeceu a prova do interêsse demonstrado pelo govêrno municipal, pondo a disposição da população cachoeirense uma instituição popular, vindo assim, ao encontro de antiga aspiração.

O referido orador acrescentou que era, realmente, uma brilhante efeméride a constar dos anais de nossa cidade.

Ambas as orações foram muito aplaudidas, significando, assim, a justiça dos conceitos emitidos.

A seguir, o diretor da biblioteca, dr. João Minssen, teve ocasião de mostrar o sistema decimal a que obedece a classificação das obras existentes e o método de consultas, assim como as diversas dependências do edifício.

Nossa reportagem, convidada para reportagem, convidada para o ato inaugural, teve ocasião de contestar a presença de elevado número de cachoeirenses que ali compareceram, e que assinaram o livro de atas, demonstrando o seu interesse por tão importante iniciativa dos poderes públicos.

A Biblioteca estará aberta à visitação pública, diariamente, das 15,30 às 18 horas e das 19 às 22 horas.

Após a criação e instalação na primeira sede, à Rua Sete de Setembro esquina Major Ourique, a instituição circulou por outros endereços, sempre na tentativa de cumprir com seu importante papel. Esteve sediada na Rua Sete de Setembro n.º 1121, para onde voltou depois e permanece, na Rua Moron n.º 1352 e, por um breve período, junto às dependências da extinta Caixa Econômica Estadual.

Biblioteca Pública Municipal - sede da Rua Moron - Acervo BPM

Nos seus 75 anos de história, a Biblioteca Pública Municipal, que tomou por patrono o seu primeiro diretor, Dr. João Minssen, conseguiu manter seu ideal de oferecer leitura e oportunidades de contato com o mundo das letras e do conhecimento para várias gerações de cachoeirenses. 

Parabéns a todos que ajudaram a escrever esta história e continuam no desafio diário de manter seu importantíssimo papel!

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminian...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...