Pular para o conteúdo principal

A origem da Paróquia São José

Em 2002, o Arquivo Histórico realizou um trabalho de pesquisa sobre a Capela de São José, embrião da atual Paróquia São José. O trabalho resultou num importante levantamento da iniciativa que moradores do Alto dos Loretos empreenderam para dispor de um local mais próximo para realização dos ofícios religiosos. E interessante é que três mulheres protagonizaram os primeiros movimentos, todas de nome Hermínia. Não foram as únicas, mas chama atenção a coincidência do nome. 

Informativo n.º 10 do Arquivo Histórico - jan./dez. 2002

A primeira delas, Hermínia Porto da Fontoura, foi nomeada em 1913 a presidente da comissão de construção da Capela de São José, que seria erguida no terreno doado por Carlos Schmidt. 

A segunda, de nome Hermínia Godoy Ilha, era catequista e sob sua orientação preparou a primeira turma de crianças para receber a comunhão em 1916. Mas Hermínia Ilha não era apenas a catequista. Tomou sob seus cuidados a manutenção das alfaias da capela, bem como a sua decoração.

A terceira Hermínia tem os registros pela história oral, pois seu nome não consta dos anais históricos da capela. Hermínia Thomaz era o seu nome e, segundo contam, teria feito uma promessa a São José caso o seu filho se recuperasse de uma doença grave. A promessa era a de que se curado fosse ela doaria para a capela uma imagem de São José da altura do menino. E foi o que aconteceu. 

Primitiva Capela de São José - Alto dos Loretos - reprodução AHMCS

Estas histórias somam-se a muitas outras que redundaram, bem mais tarde, na criação da Paróquia São José, em 27 de abril de 1952. Naquele dia festivo, houve também a posse de seu primeiro pároco, Padre José Eduardo Bini. 

Instalação da Paróquia São José na Capela de São José - 27/4/1952 -  reprodução AHMCS

E foi justamente o Pe. Bini um dos mais empenhados em conseguir terreno para a futura igreja, pois já estava acanhada a Capela de São José, ainda que em 1940 já tivesse passado por obras de ampliação. Todas as ações, dificuldades e movimentos dos fiéis em prol da concretização de seu sonho de ter uma igreja nova e maior estão descritos na obra de sua autoria, intitulada "Os soldados rasos da Igreja". A edição da obra, em caráter póstumo, já que José Eduardo Bini faleceu em 30 de abril de 1987, relata toda a história e também o abandono da batina pelo autor, que se casou aos 55 anos com Elsita Inez Breitembach.

Criada a Paróquia de São José, seis anos mais tarde os esforços do Pe. Bini e de paroquianos foram coroados com a doação, pelo governo do estado, de terreno pertencente ao DAER, na Avenida Brasil. Em outubro de 1959, já tendo por pároco o Padre Orestes Trevisan, foram iniciadas obras de adaptação de uma salão de cinema na Avenida Brasil que serviria de igreja. A inauguração da nova Igreja de São José, no referido salão, se deu em 5 de novembro de 1961. Dez anos mais tarde, teve início a construção da atual Igreja de São José, para a qual concorreu muito o esforço e trabalho do Pe. Orestes.

Padre Orestes Trevisan - foto Paróquia São José

E, finalizando esta história de união de fiéis, corpo religioso e população cachoeirense, foi a 3 de dezembro de 1978 inaugurado o novo templo da Paróquia São José, cuja construção consumiu sete anos. Digna de nota é a iniciativa do Pe. Orestes Trevisan que durante todo o processo de construção da nova igreja buscou junto à população a doação de garrafas, jornais e outros itens, sendo considerado um precursor na coleta seletiva do lixo que pode se transformar em recursos e ajudar a conquistar sonhos.

Igreja São José - foto Thiago Cazarotto

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminian...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...