D. Pedro I teve com a primeira esposa, D. Maria Leopoldina, sete filhos. A quinta deles, D. Paula Mariana, protagonizou uma das mais tristes histórias da família do Primeiro Imperador do Brasil.
![]() |
| Princesa Dona Paula Mariana - Wikipédia |
A menina nasceu no Rio de Janeiro em 17 de fevereiro de 1823, ano seguinte ao da Independência do Brasil. Nos nove anos que viveu, sempre enfrentou problemas de saúde, além de ter ficado órfã de mãe aos três e sem o pai aos oito, quando ele abdicou do trono e foi para Portugal. Por esta época, as crianças já tinham uma madrasta, pois D. Pedro I havia casado com D. Amélia de Leuchtenberg em 1829.
Os historiadores dizem que Paula de Bragança era uma menina muito dócil, pacífica e resignada. Ela e seus irmãos, incluindo D. Pedro II, sucessor do trono, ficaram sob os cuidados de pessoas designadas pelo pai, a quem nunca mais viram.
Quando Paula chegou aos oito anos, seu estado de saúde agravou-se muito e os tratamentos a que era submetida não surtiam nenhum resultado. Há divergências sobre que doença a afetava, se meningite ou os efeitos da malária. O fato é que a menina não resistiu e faleceu no dia 16 de janeiro de 1833, prestes a completar 10 anos.
A comoção pela morte da princesa foi muito grande, tanto que seus funerais foram suntuosos e o sepultamento realizado no Convento de Santo Antônio.
![]() |
| Caixão da Princesa Paula Mariana - Convento de Santo Antônio - Wikipédia |
Edictal
A Camara Municipal da Villa Nova de Sam João da Cachoeira
Faz saber a todos os moradores do Municipio desta Villa que em Officio do Excellentissimo Senhor Prezidente da Provincia de doze de Fevereiro corrente foi transmitido a Camara o Avizo por copia do Exmo. Ministro e Secretario de Estado dos Negocios do Imperio do teor seguinte = Illmo. e Exmo. Snr" = Sendo Deus servido chamar a sua Santa Gloria a Senhora Princeza Imperial Donna Paula Mariana, no dia dezaceis do corrente, pelas nove horas, e meia da manham, e procedendo-se ao seu funeral, no dia dezoito pellas seis horas da tarde, conduzindo-se o corpo da Mesma Senhora a Igreja das Religiozas, de Nossa Senhora d'Ajuda, onde tem o seu jazigo: A Regencia em Nome do Imperador, manda participar a V Ex.ª este infausto acontecimento, e que o mesmo Augusto Senhor, em demonstração, de sua profunda magua Rezolveo tomar luto com a Corte por tempo de seis mezes, que principiao hoje, e vindo trez rigorozos e trez aliviados. Deus Guarde a V Ex.ª Palacio do Rio de Janeiro, em dezanove de Janeiro de 1833 Nicolau Pereira de Campos Verguiros Senr" Manoel Antonio Galvão = Registre-se Porto Alegre 11 de Fevr.º de 1833 Galvão = Esta conforme = Germano Francisco d'Oliveira = E para que chegue a noticia de todos, se manda Publicar, o prezente Edictal, e será publicado selado na forma do estilo. Dado e passado nesta Villa Nova de Sam João da Cachoeira aos 10 de Fevrº 1833 Eu Antonio Duarte Rodrigues Pernambuco Secretario que o escrevy e assigney
Joze Pereira da Silva = Joze Roiz. de Moraes
Manoel Alvares dos Santos Pessôa. Mel. Ant.º Simoens Teixeira;
Tristão da Cunha e Soiza.
![]() |
| Edital - CM/OF/Editais - Caixa 12 - 10/2/1833 |
Como se vê, até os mais distantes recantos, como a Vila Nova de São João da Cachoeira, participavam dos acontecimentos da história do Brasil, inclusive do luto de seis meses que foi decretado em todo o país. Dos seis meses, três deveriam ser "rigorosos" e três "aliviados". O luto rigoroso exigia o uso de traje integralmente preto opaco e o aliviado já permitia o uso do branco e do preto. Costumes antigos, traços culturais que hoje estão praticamente em desuso.

.jpg)

Comentários
Postar um comentário