Pular para o conteúdo principal

Postagens

Bilhete de amor

Muitas vezes os livros resguardados no Arquivo documentam histórias que extrapolam o seu propósito, ou melhor, guardam em suas páginas amareladas pelo tempo rabiscos que não deveriam estar ali... No afã da pesquisa, não raras são as vezes que surpresas interrompem a rotina do pesquisador, permitindo que ele fuja do objeto de seu trabalho para se lançar em divagações e suposições. Numa destas tão caras e importantes tarefas, eis que ao folhear um antigo livro de receita e despesa da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, ano 1834, a pesquisadora Ucha Mór localizou, dentre suas páginas, um bem dobrado bilhete escrito a lápis. Livro 2.º de Receita e Despesa da Irmandade do Rosário A caligrafia revela pessoa rudimentarmente iniciada no alfabeto. Trata-se de uma mulher de nome e tempo ignorados. Bilhete manuscrito a lápis Diz o bilhete mal traçado em um rasgo irregular de papel: quirido velinho eu te ispereito da a tarde e tu não apareseu eu acho que ja so esqueci...

Brasil - Campeão do Mundo!

Há 60 anos, no dia 29 de junho de 1958, o Brasil conquistava seu primeiro título na Copa do Mundo de Futebol. Depois de uma campanha fracassada em 1954 e do trauma da derrota para o Uruguai, no Maracanã, em 1950, a Seleção Brasileira chegou ao final da Copa de 1958 para combater a Suécia, a dona da casa, vencendo o confronto por 5 a 2! Mesmo derrotada, a torcida sueca aplaudiu o campeão de pé! A imprensa escrita do país saudou aos quatro ventos a primeira conquista mundial do Brasil no futebol. Os jornais de Cachoeira do Sul, Jornal do Povo  e O Comércio,  foram porta-vozes da emoção que os cachoeirenses já haviam experimentado pelas ondas do rádio, então único veículo a transmitir as partidas da Copa do Mundo: Jornal do Povo - edição de 1/7/1958, p. 1 - Acervo de Imprensa do AH BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO ESTOCOLMO, Suécia, 29 (JP) - Uma assistência superior a 53 mil pessoas lotou literalmente esta tarde o belo Estádio de Rasunda, de Solma [sic], nesta Capital o...

Gregório da Fonseca, filho dileto

Cachoeira do Sul é berço de personalidades ilustres nos mais diversos campos, oferecendo uma significativa relação de nomes de homens e mulheres que se destacaram em outras plagas. Vez em quando, retornam ao torrão natal para rever familiares e amigos e interagirem com o cotidiano da cidade. Um destes filhos ilustres foi o engenheiro militar e escritor Gregório Porto da Fonseca, nascido em 17 de novembro de 1875, filho de Marcos Gonçalves da Fonseca Ruivo e de Luiza Mariana Porto da Fonseca. Adolescente, empregou-se como caixeiro em uma loja de Cachoeira, onde passava recitando versos do poeta Olavo Bilac, esquecendo-se das suas tarefas... Mais tarde, no Rio de Janeiro, tornou-se amigo pessoal do poeta e um dos fundadores da Liga da Defesa Nacional, entidade que existe até hoje e que prega o civismo e o patriotismo. Gregório Porto da Fonseca - ABL Reformado da carreira militar, Gregório Porto da Fonseca tornou-se diretor da Secretaria da Presidência no governo provisório de G...

Um simples requerimento - uma janela para o passado

Diz Anna Fran.ca Roiz. Pereira, residente em Porto Alegre, por seu procurador abaixo assignado, que tendo subido extraordinam.te o preço dos alugueis de casas, e a fim de fazer face ao pagam.to da que aluga p.ª sua moradia e de sua numerosa familia, vem respeitosam.te pedir a V.S.ª se digne ordenar q. d'esta data em diante lhe seja pago o aluguel da casa occupada pela Guarda Municipal, pelo preço de quarenta mil reis mensaes; attendendo tambem a q. é um edificio que está sugeito a m.tos estragos, cujas reconstrucções correm por conta da proprietaria supp.e, como succedeu por occasião do conflicto de 25 de Março de 1891, q. nenhuma indemnisação teve a supp. do Governo Federal como era de justiça, attendendo mais a que com o pagam.to da décima urbana que integralm.te faz a supp.e, nao fica oneroso aos cofres municipaes o acrescimo que pede: Portanto P. a VS.ª se digne deferir o q. requer E  R. M.ce Cachoeira 31 de Março 1894 Policarpo Perª de Carvº e S.ª  (IM/S/...

Júlio empoeirada!

A Rua Júlio de Castilhos sempre foi uma das vias importantes da cidade, caminho de ingresso dos que vinham do norte, ou do alto dos trilhos, até o centro e vice-versa. Os habitantes das zonas coloniais serviam-se da "Stoffel Pikade", como era chamada a Avenida Brasil pelos alemães, para atingirem a Rua Júlio, ponto em que estavam estabelecidos fortes armazéns. Rua Júlio de Castilhos - acervo Família Tischler Em 1915 o aspecto da via era bastante desanimador. Nuvens de poeira costumavam subir aos ares em tempos de seca, transtornando a vida de moradores e comerciantes. Diante da falta de providências das autoridades municipais, um grupo de cidadãos que lá habitavam ou conservavam seus negócios organizou um abaixo-assinado com 43 assinaturas solicitando o que segue: Os ABAIXO-ASSIGNADOS, moradores á rua Julio de Castilhos, vem respeitosamente á Vossa presença, solicitar o seguinte:  I - Como a citada rua é a de maior movimento nesta cidade, onde transita todo e...

A cinquentenária Fonte das Águas Dançantes

Há cinquenta anos, no dia 15 de maio de 1968, às vésperas da abertura da II FENARROZ, uma lei municipal instituiu o nome do mais novo ponto de atração da cidade - a Fonte das Águas Dançantes Artibano Savi, localizada no coração da Praça José Bonifácio, em local anteriormente ocupado pelo Mercado Público. Fonte das Águas Dançantes "Artibano Savi" - Foto Jorge Ritter A inauguração, que constava do programa da II Feira Nacional do Arroz, ocorreu no dia 18 de maio, atraindo um generoso número de curiosos, todos ávidos para ver as maravilhas que Artibano Savi tinha tirado de seu gênio criativo de técnico-eletricista com extensa folha corrida de serviços prestados no município e fora dele. As águas, embaladas por músicas especialmente escolhidas para combinarem com a coreografia, tomavam diferentes cores, produzindo na plateia um deslumbramento. Tais artifícios puderam ser sincronizados por Artibano graças ao também gênio criativo de Ruben Otto Prass. Ambos produzir...

Colheita do arroz - 1908

O arroz, historicamente, como sabido pelos cachoeirenses, é o produto que mais longe levou o nome do município. A excelência de sua produção e o pioneirismo em técnicas de cultivo com irrigação artificial das lavouras credenciaram Cachoeira do Sul ao título de Capital Nacional do Arroz. É bom relembrar isto em tempos que se aproximam da realização da 20.ª FENARROZ, que acontecerá de 29 de maio a 3 de junho de 2018. Arroz - riqueza municipal - foto Robispierre Giuliani Há 110 anos, o produto estava em ascensão. Grandes áreas cultivadas rendiam excepcionalmente, dando destaque a nomes como Neves, Torres & Cia. e André Kochemborger, com grandes lavouras de irrigação mecanizada junto ao arroio Irapuá; Dr. Arlindo Leal e Ernesto Pertille, junto ao rio Jacuí, e Nunes, Preussler & Cia., no Alto Ferreira. Jorge Franke, João Jorge Krieger, Fidélis Prates, Roberto Danzmann, Eurípedes Mostardeiro, João Baptista Carlos e Dr. Balthazar de Bem, entre outros, já tinham feito inves...