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60 anos da Legalidade

No dia 27 de agosto de 1961, o Jornal do Povo estampou em sua primeira página: Estarrecida a Nação com a Renúncia do Sr. Jânio Quadros. O Vice-Presidente João Goulart deverá completar o quinquenio presidencial - Reina ordem em todo o país. O episódio da renúncia do Presidente do Brasil abriu um período de insegurança governamental quando os três ministros das Forças Armadas vetaram a sucessão legal e a posse do Vice-Presidente João Goulart, a quem taxavam de comunista. Imediatamente o governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, cunhado de João Goulart - Jango, deflagrou uma campanha para cumprimento do que estava previsto na Constituição com relação à posse do vice em caso de renúncia do presidente, no que foi apoiado por outros governadores. Através de uma cadeia de rádios, Brizola conclamou o povo e a Brigada Militar a apoiarem a posse de Jango. Depois de confrontos, acordos e adesão ao parlamentarismo, Jango conseguiu tomar posse em 7 de setembro daquele ano. Governado...

Sua Majestade O Álcool

Um dos mais combatidos vícios do ser humano é o alcoolismo. A pandemia que assola o mundo desde 2020 serviu também para aumentar o consumo de álcool entre as pessoas. No Brasil, segundo pesquisa feita com mais de 40 mil internautas, 18% deles revelaram estar bebendo mais durante a pandemia, contribuindo para potencializar os problemas advindos dessa prática.  blog.bancadoramon.com.br Atravessam-se as eras e a luta para convencer as pessoas dos efeitos nefastos do álcool segue a mesma. Isto pode ser comprovado pela matéria publicada no jornal O Commercio  de 24 de abril de 1900, reproduzindo texto do jornal Patria , de Rio Pardo, escrito por Catulle Mendes. Apesar dos 121 anos que separam a publicação dos nossos dias, ainda assim o texto mantém a atualidade, pois apesar do tempo decorrido e dos novos hábitos e vícios que surgiram o álcool segue soberano em suas "conquistas". S. M. O ALCOOL "Me conheceis?... Eu sou o principe de todas as alegrias; o companheiro de todos os...

Surto de aftosa em Cachoeira

Há 121 anos, o médico que respondia pela Delegacia de Saúde, Dr. Amedeu Masson, informou o Intendente Municipal, Coronel David Soares de Barcellos, que tinha tomado conhecimento de um surto de aftosa na fazenda do Sr. Salustiano Ilha. Temendo a disseminação da doença, tomou a liberdade de alertá-lo do problema, recomendando-lhe as medidas adequadas para contenção do mal. Cel. David Soares de Barcellos - jornal O Commercio - 21/9/1904 Assim se dirigiu o Dr. Amedeu Masson ao Coronel David Barcellos: Cidadão sr. Coronel David Barcellos  Dignissimo Intendente Municipal da Cachoeira. Communico-vos que tendo tido conhecimento do apparecimento de alguns cazos de febre aphtósa no estabelecimento de criação do sr. Salustiano Ilha, tratei de ajudicar pessoalmente do facto e verifiquei que não só os campos d'este senhor achão-se contaminados, como tambem os de Virgilio Brilhante e Manduca Prates nas proximidades do Passo do Seringa. No sentido de localizar o mal, entendo necessaria a interdiç...

Arquivo Histórico - 34 anos - Informativo nº 1 - janeiro/julho 2021

 

Bar América - plantas no acervo do Arquivo Histórico

A notícia de obras de recuperação e melhoria do Bar América para nele ser instalada a futura Secretaria Municipal da Cultura faz renascer a esperança de ver aquela parte nobre da Praça José Bonifácio revitalizada e, ao mesmo tempo, viabilizar espaço e melhores condições à valiosíssima área cultural do município.  A história do Bar América remonta ao ano de 1943, quando a imprensa noticiou que a Prefeitura Municipal pretendia construir um quiosque-bar na Praça José Bonifácio. Assim noticiou o jornal O Comércio , de 17 de março daquele ano: A Praça José Bonifácio será dotada de um quiosque-bar Faz parte do programa de reforma da cidade, desde o calçamento das principais ruas, a construção de um quiosque-bar na Praça José Bonifácio. De tempos em tempos, o nosso Governo Municipal faz publicar editais de concurrencia publica para a construção e exploração de um bar naquele local, mas estes não apareciam. Agora, foi posta em fóco novamente a questão e apresentou-se um único candidato, qu...

A utilidade da imigração

A imigração foi um processo importante para a ocupação do imenso e pouco povoado território brasileiro no século XIX e, ao mesmo tempo, desafogador da Europa. Aqui radicados, imigrantes europeus contribuíram também para o desenvolvimento econômico e para a vida social e cultural.  No século XX, outras levas de imigrantes vieram, estando Cachoeira incluída no recebimento de judeus, sírios, libaneses e palestinos, notadamente, tendo chegado mais tarde os japoneses. Uma circular remetida à Intendência de Cachoeira, em 21 de janeiro de 1925, pela Sociedade Nacional de Agricultura, entidade de utilidade pública fundada em 1897, mostrando suas finalidades de promover o desenvolvimento da produção brasileira, continha um questionário acerca do pensamento corrente sobre a imigração, com ênfase na ideia da promoção da vinda da immigração amarella e na verificação da aceitação da immigração negra . No documento, assinado por Lyra Castro, presidente da entidade, constavam as seguintes questõe...

Receita e despesa do município de Cachoeira há 100 anos

Um quadro gráfico elaborado com capricho e à mão pela Secção de Estatistica da Intendência Municipal registra minuciosamente dados relativos à receita e à despesa do município de Cachoeira entre 1821 e 1920.  O servidor municipal que se atirou à tarefa de transpor os dados para o papel, quadriculou meticulosamente a folha acartonada, estabelecendo um comparativo de 200 anos, ou seja, desde o primeiro ano de existência da Vila Nova de São João da Cachoeira, quando a Câmara Municipal administrava os negócios públicos e disciplinava a vida dos cidadãos, até 1920, período da Intendência. Por essa época, a administração pública era comandada pelo intendente municipal e acompanhada em suas ações pelo Conselho Municipal, equivalente ao poder legislativo atual e então desempenhado pelos conselheiros. Vamos aos dados. Em 1821, a receita da Vila Nova de São João da Cachoeira foi de 201.160 réis, ficando a despesa na casa de 173.593. Houve, portanto, uma sobra positiva de recursos, ainda que ...