sexta-feira, 20 de abril de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Abril de 1908 - boato de varíola

Corria o ano de 1908. Cachoeira estava sob o comando do vice-intendente e médico Cândido Alves Machado de Freitas desde o início de 1906, quando o também médico Viriato Gonçalves Vianna renunciou ao cargo de intendente por questões políticas e pessoais. 

Dr. Cândido Freitas - Galeria de Intendentes

Quando assumiu a função de vice-intendente em exercício, Dr. Cândido enfrentou mais do que uma crise política, mas principalmente uma grave crise financeira, uma vez que o município estava assolado por uma seca prolongada e por sucessivos ataques de gafanhotos que dizimavam as poucas culturas que vicejaram, apesar da estiagem.

Para piorar o quadro, um boato de casos de varíola surgidos no 1.º distrito ameaçava a paz do vice-intendente...

Nas páginas do jornal Rio Grande, órgão do Partido Republicano, à época dirigido por Antunes de Araújo e Aurélio Porto, edição do dia 5 de abril de 1908, são referidas as medidas adotadas pelo Dr. Cândido:

Estado sanitario. Ha dias correu insistentemente pela cidade um boato alarmante. Dizia-se á bocca pequena que nas Aguas Mornas, 1.º districto deste municipio, manifestara-se a variola. 
Combinando esta, com as noticias vindas de Porto Alegre, respeito ao estado sanitario, o boato crescia e tomava proporções impressionantes.
Eis porque o nobre vice-intendente em exercicio, nosso illustre amigo dr. Candido de Freitas, sempre solicito em attender aos reclames do bem publico, immediatamente tomou as providencias cabiveis no caso.
Os suppostos casos de variola tinham sido notificados á municipalidade pelo nosso correligionario dr. Augusto Priebe.

Dr. Augusto Priebe - Acervo de família

Quinta-feira, a convite do operoso e illustrado dr. vice-intendente, seguiu para as Aguas Mornas o nosso presado amigo e distincto clinico dr. Balthazar de Bem, medico da Assistencia Publica.

Dr. Balthazar de Bem
- Fototeca Museu Municipal
Acompanhava-o o sub intendente da sede, nosso amigo capitão Alfredo Cunha.

Alfredo Cunha - Galeria de Intendentes

O dr. Balthazar, depois de minucioso exame, regressou á tarde, trazendo a agradavel noticia da inexistencia da variola.

Consignando esta magna solicitude pela saude publica, cumpre o Rio Grande o dever de salientar o esforço infatigavel do nosso amigo dr. Candido de Freitas, a prol de todas as necessidades collectivas.
Sem esmorecimento, a despeito do seu precario estado de saude, o distincto vice-intendente tem cooperado por todas as formas para o engrandecimento do municipio, cuja direcção assumiu num momento difficil, encontrando desorganizados todos os serviços.

A julgar pelas considerações feitas pelo jornal, a notícia de que a varíola no 1.º distrito foi apenas um boato deve ter melhorado sensivelmente o "precário estado de saúde" do valoroso Dr. Cândido.

MR
sexta-feira, 13 de abril de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A Cachoeira de 1849

O passado é um tempo de descobertas.

Voltemos a 1849. A Vila Nova de São João da Cachoeira era então um lugar de desbravadores, homens que enfrentavam desafios diários para garantir a sustentação de suas famílias e a melhoria do rincão em que viviam. Os vereadores, então em número de sete, apoiados por juízes com diferentes atribuições, eram os responsáveis pela administração pública. Graças às rotinas burocráticas que tinham que seguir, estes homens do passado legaram documentos que são como fotografias, revelando aos olhos de hoje um tempo que não dista apenas no contar dos anos, mas também nos costumes e no modo de viver e de produzir.

Um volume de correspondência expedida pelos vereadores, com data de 11 de maio de 1849, dentre outras coisas, faz um relatório da geografia e da produção da sede e dos distritos da Vila, atendendo a uma exigência contida em circular do presidente da Província, o Tenente General Francisco Jozé de Souza Soares d'Andréa, Barão de Caçapava, que dirigiu o Rio Grande do Sul em duas ocasiões, de 27 de julho a 30 de novembro de 1840 e de 10 de abril de 1848 a 6 de março de 1850:

Francisco Jozé de Souza S. d'Andréa - pt.wikipedia.org


CM/S/SE/RE-006, fl. 186 e 186v
[Anotado em 186]
Nº 47= Ill.mo e Exmº Senr.”= Tendo esta Camara Municipal, em cumprimento á Circular de V.Exª de vinte e quatro de Janrº do corr.e anno, pedido dos differentes Destrictos as informações exigidas na mesma Circular, não lhe foi possivel obter com a perciza brevidade, e só agora he que ella pode levar ao conhecimento de V.Exª as informações seguintes:= 1º Que o principal ramo de criação d’animaes neste Municipio em prº lugar he o gado, e em segundo ultimo são os animaes Cavallares e muares; e que existem dezeceis estancias de gados, e as mais que havião em outro tempo, tendo se repartido p.r muitos herdeiros p.r fallecim.to de seus primeiros possuidores, se achão hoje divididas em o nº de 102 piquenas fasendas de criar: A criação de Ovelhas he deminuta, existindo apenas pequenos rebanhos em algumas fazendas, que aproveitão unicam.e pª o consumo:= 2º Que o genero d’Agricultura mais úzado e mais productivo neste Municipio he a mandioca em prº lugar, e em segdº o milho e o feijão:= 3º Que não ha plantações de cana e nem de Café:= 4º Que não consta existir neste Municipio minas de ouro, prata, e nem d’outro qualquer metal, e só ha indicios de minas de carvão de pedra e talves com abundancia, na estancia denominada= da Capellinha segundo Destricto desta Vª. Ha bastante pedra calcaria, porem só existem dous fornos de Cal em acção:= 5º Que ha em todo este Municipio oito Olerias de telha e tijollo, m.s nem todas trabalhão regularm.e: Olerias de louça não ha, apezar d’áver barro proprio para esse fim:= 6º Que não existem fabricas de generos de industria, se não alguns poucos teáres em que fabricão com escravos tecidos grossos pª vestua=
[Anotado em 186v]
vestuario dos mesmos: ha tambem algumas fabricas de fazer farinha de mandioca a qual he toda consumida no Paÿs, cujas fabricas são montadas por escravos:= 7º Que não consta haver agoas mineraes neste Municipio a essepção de húa fonte discoberta por um monge, no 4º Destricto deste Municipio, no lugar denominado= Campestres, que disem alguns ser agoa mineral. Existem neste Municipio os regatos, sangas, arroios, e rios seg.es: Piquirÿ que divide este com o Municipio de Rº Pardo, Taquarenchÿn, Sarandÿ, Ferreios, Taquara, e Areia que desagóão no Arenal, cujo arroio e igualm.e os de São Sepé e Santa Barbara confluem no Vacacahÿ grd.e: O arroio das palmas, Passo grd.e, e o Lagiado que dezagóão no irapuá, o Capanézinho que desagoa no Capané grande, o arroi do Só e o regato da Tronqueira que dezagóão no Vacacahÿ mirÿn; todos estes arroios, assim como o piqueno regato de S.Nicolão vãoconfluirem no Rio Jacuÿ pela margem direita: Há o regato da forquêta que dezagoa no Butucarahÿ, cujo arroio, bem como os regatos Amorim, Areia, Ferreira, Taboão, Barriga, e o do rincão do inferno, vão confluirem no Rio Jacuhÿ pela margem esquerda: Ha o arroio Toropÿ que divide este com o Municipio de São Borja, e vai dezaguar no Ibicuhÿ, o qual divide tãobem este Municipio com o da Crus-Alta dentro da Picada de S. Martinho: Existem trez grandes sangas dentro do recinto desta Villa com as denominações= do Lavapé, de Mecaéla, e da Bica, bem como outra no 5º Destricto deste Municipio com a denominação= do paredão=, que se torna notavel por sua immença grandeza; alem destas existem outras muitas sangas que por sua piquena importancia, não tem denominações algumas: Rios navegaveis neste Municipio, não ha se não o Jacuhÿ, o qual o he em todo tempo p.r canoas de tolda athe o Passo do m.mo nome, sendo com bastante dificuldade em tempo de sêcca p.r cauza das Cxr.as; e em tempo de cheias podem navegar pelo m.mo Rio, enbarcações da Carga de 50 á 58 Toneladas.= He quanto esta Camara pode informar a V.Exª, que mandará o que for servido= D.s G.de a V.Exª= Sala das secções da Camara Municipal da Villa da Cachoeira 11 de Maio de 1849= Ill.mo e Exmº Senr.” Ten.e General – Francisco Jozé de Souza Soares d’Andréa, Presidente desta Prov.ca= Alexandre Coelho Leal= João Jozé Roiz.’= Jacintho Franco de Godoes= David Jozé de Barcellos= João Antonio Galvão.-

CM/S/SE/RE-006, fl. 186 - Arquivo Histórico

O documento confirma e reforça que a criação de animais era a principal atividade econômica do município, sendo a de gado a maior, seguida pela de cavalos e mulas, então os principais meios de transporte. A criação era desenvolvida em 16 estâncias que tinham sido anteriormente em maior número, reduzidas pelo falecimento dos proprietários e as consequentes divisões entre os herdeiros, resultando em 102 pequenas fazendas. As ovelhas, hoje importantes na produção pecuária, naquela época eram reduzidas a pequenos rebanhos em algumas destas fazendas, cuja criação era apenas para consumo próprio.

Na agricultura, a mandioca era o principal produto, seguida pelo milho e feijão. Plantação de cana, fartamente cultivada no resto do país, inexistia no município, assim como café. 

Minas de ouro, prata e outros metais e minerais constavam não existir, tendo registro de carvão em pedra e, na Estância da Capelinha, abundância de pedra calcária. Havia apenas dois fornos ativos de queimar cal; em contrapartida, oito olarias de telha e tijolo, inexistindo produção de louça, embora registrassem barro propício para tal. 

Nada de indústrias, apenas poucos teares acionados por escravos que produziam tecidos grossos para seu vestuário. Aos escravos também competia o fabrico dos moinhos para farinha de mandioca, as atafonas. 

Os aspectos geográficos dão destaque para os cursos d'água: regatos, sangas, arroios e rios. Sobre as sangas, o relatório fala em três grandes dentro do recinto da Vila: Lavapé, Micaela e da Bica. O único rio navegável era o Jacuí, singrado por canoas de tolda até o passo do mesmo nome, com dificuldade de navegação nos períodos de seca em razão das cachoeiras. Em época de águas normais, o Jacuí dava passagem para embarcações de até 58 toneladas.

Como se vê, o documento acima transcrito traz muitas informações, sendo rica fonte para entendimento da situação da Vila Nova de São João da Cachoeira naqueles tempos. Mesmo que aos olhos de hoje o que foi relatado seja considerado pouco em termos de progresso e desenvolvimento, ainda assim foi suficiente para que, em 15 de dezembro de 1859, ou seja, dez anos depois, a Vila granjeasse o título de Cidade da Cachoeira.

MR
sexta-feira, 6 de abril de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Uma nota fiscal de 150 anos

O acervo documental do Arquivo Histórico oferece um universo de possibilidades para perscrutação do passado. Uma simples nota fiscal, por exemplo, item que comumente jogamos na lata de lixo, é capaz de permitir uma verdadeira viagem no tempo, especialmente se ela foi emitida há 150 anos!

Logicamente uma nota fiscal de 150 anos está arquivada no acervo documental em razão de sua condição de documento comprobatório de uma despesa gerada para a Câmara Municipal, com trânsito pelas seções então existentes dentro do aparato administrativo. A figura do procurador, que era o responsável pelas finanças municipais, tinha grande importância, pois seu compromisso era de "arrecadar e aplicar as rendas municipais e multas destinadas a despesas da Câmara; demandar a execução das Posturas Municipais, impondo penas aos contraventores; defender os direitos da Câmara perante a Justiça Ordinária; apresentar trimestralmente as contas à Câmara e conservar em boa guarda todos os objetos pertencentes à Câmara, os quais deveriam ser inventariados. Conforme registros de pagamentos em livros e documentação avulsa, competia ao procurador efetuar os pagamentos das contas da Câmara." Eis a razão da nota fiscal da Loja de Fazendas, ferragens, miudezas, louça e molhados, de Gomes & Meneses ter sido trazida aos nossos dias, revelando uma aquisição de materiais que seriam empregados na Casa de Câmara, Júri e Cadeia, constantes de:

12 Arandellas de bronse com mangas de 2 luses (valor unitário de 12 réis) - 180.000
6 Globos de vidro (valor unitário de 8 réis)  - 48.000
26 Lanternas com vidros de cores brancas (valor unitário de 1 réis) - 26.000
Acondiccionamento - 3.000
Frete ao vapor e carretos - 6.000
nota que perfez o total de 263.000 réis. Francisco de Souza Meneses, para quem a nota foi emitida, era vereador da Câmara (legislatura de 1865-1868).

Nota fiscal de Gomes & Meneses, Cachoeira, 10/4/1868
- CM/Po/DRD/DD-Caixa 26
A nota fiscal de Gomes & Meneses revela que a Cachoeira de 1868 tinha estabelecimentos comerciais especializados, capazes de abastecer o mercado com importação de produtos, pois os itens lançados tiveram que vir de vapor, com as despesas de frete incluídas na negociação. A despesa foi feita com a Casa de Câmara, Júri e Cadeia, então uma novel construção, na sua iluminação interna e externa, conforme registrado em livro de Demonstração de Receita e Despesa da Câmara Municipal da Cidade da Cachoeira - CM/Po/RD/AC-003, fl. 219.

Onde ficava a loja de Gomes & Meneses? Seria o vereador para quem a nota foi emitida, em nome da Câmara, o "Meneses" da razão social?

A história é uma "senhora" de mil faces, costumando se revelar por inusitadas formas, ou manter-se escondida, levando-nos a procurar mais e mais.

MR
quinta-feira, 29 de março de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

1928 - Chevrolet & Ford

O mercado automobilístico no século XXI oferece milhares de opções a um mundo movido por quatro rodas. Os automóveis, nos dias correntes, extrapolaram o caráter de utilitários para se tornarem verdadeiros objetos de desejo...

Imaginemos então a oferta dos autos, ou bólidos, que o mercado de 90 anos atrás disponibilizava. Era um tempo de inexistência de indústria do setor no Brasil. Automóveis e outros veículos eram todos importados - e o preço de tais luxos condizia com o longo trajeto que precisavam fazer para chegar aos revendedores locais.

Em meados de março de 1928, duas revendas em Cachoeira ofereciam novidades, conforme noticiava O Commercio, edição do dia 28:

Sabbado ultimo realizou-se, na Agencia Chevrolet, do sr. Eduardo Schaurich, e na Agencia Ford, dos srs. Schirmer & Minssen Ltda., a exposição  dos novos typos Chevrolet e Ford, com os ultimos aperfeiçoamentos introduzidos pelos fabricantes.
A Agencia Chevrolet foi aberta depois das 19 1/2, porém, desde as 19 horas já os interessados e curiosos formavam cordão á frente do edificio, provando como o automobilismo vai, em proporção crescente, despertando o interesse publico.

Agência Chevrolet - Rua 7 de Setembro - Coleção Robispierre Giuliani

Abertas as portas, exmas. senhoras, senhoritas e cavalheiros encheram o recinto da Agencia, admirando e commentando o novo modelo, de que já estavam vendidos 4 carros, inclusive o que figurava na exposição.

Chevrolet 1928 - Pinterest

Aos presentes foram servidos doces, vinho do Porto e cerveja, estando o edificio profusamente iluminado.
Uma victrola alegrou, com trechos de musica classica, a reunião, que prolongou-se até além das 9 horas da noite.
- A's 20 1/2 começou a affluencia de exmas. familias e cavalheiros á Agencia Ford, profusamente iluminada, onde estava exposto o novo modelo Ford, annunciado ha mezes e anciosamente esperado.
Entre os quatorze aperfeiçoamentos introduzidos, é notavel o augmento da força do motor, de 20 para 40 cavallos, continuando o Ford no seu ideal de produzir carros de typo leve, proprios para a campanha.

Agência Ford - Rua Saldanha Marinho - Fototeca Museu Municipal

Tambem ali houve um grande vai-vem de visitantes, que se premiam no recinto, sendo servido chopp aos presentes.

Ford 1928 Modelo A - Streetside Classics

Pelas 9 horas, a banda musical Estrella Cachoeirense chegou á Agencia, executando alguns trechos de seu repertorio.
Essas duas exposições constituiram, pela numerosa assistencia que tiveram, o principal successo da semana finda.

O século virou e a tecnologia evoluiu tremendamente, mas uma coisa segue indefectivelmente a mesma: o fascínio da humanidade pelos automóveis.

MR
sexta-feira, 23 de março de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

De Cachoeira para Passo Fundo

Passados 60 anos da morte de Joaquim de Almeida Vidal, natural que sejam relembradas as suas obras construtivas e a participação que teve na vida cultural e social da cidade. Cidadão que sempre se envolveu com os grandes acontecimentos locais, com sua habilidade de desenhista/projetista, foi decorador de vitrines para eventos especiais, criador de carros alegóricos e artífice nos salões dos clubes em festas de carnaval, bailes e solenidades.

Seu legado arquitetônico, ainda que pouco reconhecido, vem sendo aos poucos redescoberto, especialmente por força do trabalho de identificação e ordenamento do acervo de plantas e projetos existentes no acervo do Arquivo Histórico, tarefa em curso e executada em parceria com acadêmicos da Faculdade de Arquitetura/UFSM, Campus Cachoeira do Sul, sob a coordenação da Ms. Letícia Castro Gabriel.

Ms. Letícia Gabriel analisando conjunto de plantas e projetos
- Acervo Cartográfico do Arquivo Histórico

Planta do pavilhão restaurante da VI Festa Nacional do Trigo
- Acervo Cartográfico do Arquivo Histórico

O que poucos sabem é que Joaquim Vidal, a partir de sua experiência com o planejamento e construção dos pavilhões para a VI Festa Nacional do Trigo, ocorrida em Cachoeira entre 20 e 22 de outubro de 1956, utilizou sua expertise na próxima sede da festa, na cidade de Passo Fundo, no ano seguinte. Das instalações da festa sediada em Cachoeira nada restou e as poucas fotografias conhecidas do evento e das instalações do parque de exposições, sediado no atual Parque da FENARROZ, são de autoria de Alvino Friedrich, proprietário da Fábrica de Trilhadeiras Friedrich, ou estão disponíveis nas coleções de imprensa da época.

Uma das fotos de Alvino Friedrich no parque da VI Festa Nacional do Trigo
- Fototeca Museu Municipal

Ao contrário de Cachoeira do Sul, Passo Fundo, que em 1957 completou seu centenário, registrou fotograficamente os grandes pavilhões de sua festa e, graças ao arquivo particular de Joaquim Vidal existente no Arquivo Histórico, é possível verificar, em um belo álbum, a extensão do trabalho que ele desenvolveu naquela cidade.


Pavilhões da Indústria, do Trigo e da Cultura - VII Festa Nacional do Trigo
- AP Joaquim Vidal

Projeto do Pavilhão do Trigo  - VII Festa Nacional do Trigo
- Acervo Cartográfico do Arquivo Histórico

A dedicação foi tamanha, que Vidal mudou-se com a família para Passo Fundo a fim de orientar e supervisionar as obras. 

Joaquim Vidal trabalhando em Passo Fundo. Na mesa, a maquete
do pavilhão principal da VII Festa Nacional do Trigo
- AP Joaquim Vidal

O gênio criativo de Joaquim Vidal parecia não se esgotar. Desde que assumiu suas funções na Secretaria de Obras Públicas do município de Cachoeira, no ano de 1919, muitas foram as suas frentes de trabalho no embelezamento de recantos públicos e particulares. Mas nem a aposentadoria conquistada depois de 35 anos de trabalho o fez parar, pois ainda empregou sua criatividade e marca pessoais naquele último grande trabalho que o levou de Cachoeira para Passo Fundo.

Joaquim Vidal faleceu no ano seguinte ao da realização da VII Festa Nacional do Trigo, no dia 13 de março de 1958, deixando a esposa Carlinda, os filhos Cléo, Eda, Léo, Neusa, Nelita e vários netos.

MR
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Coca-Cola X Kola Soel

Provavelmente toda pessoa, em qualquer momento da sua vida, experimentou ou experimentará uma Coca-Cola, o refrigerante mais popular, mais vendido e mais difundido pelo mundo.

Publicidade da Coca-Cola em 1890
- http://origemdascoisas.com/a-origem-da-coca-cola/

Criada nos Estados Unidos no final do século XIX (1886), a Coca-Cola nasceu de um dos tantos experimentos do farmacêutico John Pemberton, que estava atrás de uma bebida que pudesse ser consumida livremente numa época de puritanismo religioso e com forte campanha antiálcool. Além do mais, pelos ingredientes originais, a bebida também apresentava uso medicinal.

Pemberton não usufruiu do sucesso de sua criação, pois vendeu a fórmula em 1888 por 1.750 dólares para Frank Robinson. Em 1891, Asa Griggs Candler, farmacêutico e empresário, comprou-a de Robinson, transformando a marca num grande negócio que muito prosperou com seus próximos investidores.

No Brasil, a Coca-Cola chegou em 1941, durante a II Guerra Mundial, instalando-se em Recife para atender aos soldados americanos que operavam em uma base militar naquela cidade.

O interessante é que no mercado local, já na década de 1920, havia um produto cujo nome remete ao do famoso refrigerante e que parecia guardar, em sua essência, a proposta original do farmacêutico Pemberton, ou seja, de também ser usado como remédio. Trata-se da Kola Soel.

Anúncio do produto no jornal O Commercio, de 14/3/1928 
A Kola Soel, segundo o anúncio, era o maior tonico que existe. Tinha o poder de reparar organismos enfraquecidos, cansados, raquíticos. Também oferecia vantagens para as senhoras que amamentam não só porque augmenta o leite, mas porque tonifica a creança. E terminava a propaganda dizendo: Garante-se 1/2 kilo de 15 em 15 dias. 

Coca-Cola e Kola Soel guardam pontos em comum. Nascida a famosa marca de uma mistura de folhas de coca e noz de cola, ingredientes com efeito sobre náuseas e dor de cabeça, depois de muitos experimentos de Pemberton, necessitou de boa adição de açúcar para suprimir o amargor. A congênere, pelo que se deduz do anúncio, certamente também utilizava uma porção generosa de açúcar, fórmula sempre eficaz para garantir quilos extras aos seus consumidores. E apesar dos idos tempos em que ambas surgiram (a Kola Soel obteve registro em maio de 1916), seguem firmes e fortes no mercado, atendendo a segunda pelo nome atual de Kola Fosfatada Soel. 

MR
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Rei Momo preparando-se para a estrepitosa arrancada

Em 2018 não haverá carnaval de rua em Cachoeira do Sul. Ou melhor, o carnaval com apoio institucional não terá os tradicionais desfiles de rua. Mas como carnaval é paixão, alguns blocos carnavalescos irão levar a folia para as ruas, fazendo seu tributo a Momo e aos folguedos típicos desta época.

Os desfiles de rua há muito aconteciam em Cachoeira e tais registros aparecem na imprensa desde 1900, quando surgiu O Commercio, jornal de que foi preservada a coleção.

Há 100 anos, os cachoeirenses de então reuniram-se na Praça das Paineiras para ver os corsos passarem, atirando-se ao "jogo do confete e serpentina". Em 1928, alguns blocos, como os Grooms  e Os Fidalgos promoveram "um animado corso na Avenida". Havia também o bloco Os Futuristas, "do Alto", e o Sai da Frente.

Em 1938, O Commercio, edição do dia 16 de fevereiro, traz a seguinte notícia em sua primeira página:

"Rei Momo" preparando-se para a estrepitosa "arrancada". Rei Momo vae iniciar, esta semana, seus preparativos para a retumbante "arrancada" de 26 e 28 de Fevereiro e 1.º de Março. 
Assim, hoje, quarta-feira, está projectada uma forte "investida" á residencia do sr. Edwino Schneider.

Casa adquirida por Edwino Schneider em 1928 - Fototeca Museu Municipal

Sabbado, ao que consta, haverá, no Commercial, um baile burlesco, entre cujos blocos surgirão, com aquella animação que os caracterisam, o desacatante "Carurú" e os ruidosos "Casados" e "Solteiros".

Bloco carnavalesco defronte à sede do Clube Comercial - AP João Carlos Mór

Também é provavel que, neste dia, os diversos cordões das ruas façam a sua exhibição, notadamente: "Floresta-Aurora", o terror dos paralelepípedos; "Filhas do Trabalho" e o "Bloco dos Sargentos", cujos dois ultimos obtiveram, no carnaval passado, um grance successo.
Por sua vez, o Concordia e Sociedade Italiana não ficarão, indubitavelmente, sem darem uma nota magnifica, distincta, assim como a do anno transcurso, que foi fulgurante.
Pelo que observamos, parece que apezar das "crisias" e outras "brusuras" (como diz o Bichinho), teremos um carnaval regular, pois o movimento no sentido de organizações de blocos vae estendendo, sendo confeccionadas letras e adaptadas musicas para sambas, canções e marchas.
São as seguintes as marchas e canções das "enfezadas turmas" do Commercial:
"Maria Sapeca", "Ama secca", "Eu dei", "Que horas são?", "Nos callos não me pise", "Apanhar não é prazer", "Vem, meu bem", "Você gosta de brincar", "Yes, nós temos bananas" e "Vacca preta".

Bloco carnavalesco Fica Firme - década de 1930 - Clube Comercial
- AP João Carlos Mór

Como se vê, há muito Momo reina sobre as plagas cachoeirenses e o povo, mesmo em situações adversas, acha um jeito de render-lhe divertidas homenagens.

MR