sexta-feira, 20 de novembro de 2020 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul
sexta-feira, 13 de novembro de 2020 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A primeira eleição em Cachoeira

Para a instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira alguns requisitos eram obrigatórios, sendo um deles a eleição dos três vereadores, aqueles que iriam dirigir os destinos do novo município.

Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, o ouvidor geral e corregedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina que foi encarregado de proceder à instalação da Vila, foi quem dirigiu a eleição e empossou os eleitos, ficando o ato registrado no livro primeiro da Câmara (CM/OF/TA-008), com o título de Auto de publicação da eleição dos Vereadores, e mais Oficiais, que hão de servir o presente ano de mil oitocentos e vinte*:

Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e vinte, aos cinco dias do mês de agosto do dito ano, nesta Vila Nova de São João da Cachoeira, e Casas da Câmara dela, onde se achava o Doutor Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, Ouvidor Geral, e Corregedor da Comarca comigo Escrivão, Nobreza, e Povo; e sendo aí depois de se proceder à eleição na forma da Lei, e sendo convocadas as pessoas da Nobreza, e Povo da mesma, e na presença de todos foi aberta, e publicada pelo dito Ministro a eleição, e se achou estarem nomeados os seguintes = Para Vereadores João Soeiro de Almeida e Castro, Joaquim Gomes Pereira, Francisco Joze da Silva Moura, para Procurador Antonio Xavier da Silva; e saiu igualmente eleito para Tesoureiro da Câmara Francisco do Loreto. E para constar mandou o dito Ministro fazer este Auto, que assinou com os que se achavam presentes, e comigo Antonio Jozé Soares de Campos Escrivão da Ouvidoria Geral e Correição da Comarca que o escrevi. E se declara, que não se procedeu à eleição de dois Juízes Ordinários e um Juiz dos Órfãos, na conformidade do Alvará com força de Lei de vinte e seis de abril do ano passado, por haver Sua Majestade El Rei Nosso Senhor sido Servido Criar pelo Alvará com força de Lei de vinte e seis de agosto do ano passado de mil oitocentos e dezenove o Lugar de Juiz de Fora do Cível, Crime, e Órfãos nas Vilas do Rio Pardo, e Vila Nova de São João da Cachoeira. Eu sobredito Escrivão o escrevi e assinei.

Dos três vereadores eleitos, dois eram portugueses de nascimento: João Soeiro de Almeida e Castro, natural de Lamego, e Francisco Joze da Silva Moura, nascido na Freguesia de Santa Eulália da Palmeira. Joaquim Gomes Pereira era o único brasileiro, natural de Porto Alegre. A naturalidade dos vereadores dá mostras da forte presença portuguesa e das relações de poder advindas da sua condição de principais povoadores do lugar.


Assinatura do vereador João Soeiro de Almeida e Castro

Assinatura do vereador Joaquim Gomes Pereira


Assinatura do vereador Francisco Joze da Silva Moura

A posse dos eleitos foi dada igualmente pelo Dr. Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, procedendo os mesmos ao juramento sobre o livro dos Santos Evangelhos, em que colocaram a mão direita, comprometendo-se que verdadeiramente servissem os cargos para que foram eleitos, guardando em tudo o Serviço de El Rei Nosso Senhor e o Direito das partes.

Assim foi a primeira eleição da história do quinto município do Rio Grande do Sul.

*Transcrição com grafia atualizada.

MR

Garrafas compram ambulância

O Hospital de Caridade tem uma história de envolvimento com a comunidade desde o tempo da idealização e construção do primeiro prédio, hoje sede da Escola de Saúde. Campanhas comunitárias das mais variadas modalidades, desde chás, almoços, rifas e outras serviram como molas propulsoras da sua história de crescimento e qualificação, sendo responsáveis pelo erguimento também do segundo prédio, inaugurado em 1940, e de tantas outras melhorias até os nossos dias.


Construção do 2.º prédio do Hospital (vista dos fundos) - Museu Municipal

Pois em 1941, eis que mais uma vez a comunidade uniu-se para aquisição de uma ambulância, iniciativa coordenada por um grupo de senhoras. A auto-ambulância, como era então chamada, constituía-se em uma das mais prementes necessidades exigidas atualmente nesta cidade, pois para isso já possuímos um dos melhores hospitais do Estado e quiçá do paiz, dizia O Comércio de 1.º de outubro de 1941. A campanha, denominada Pró auto-ambulância, visava resolver a precariedade do atendimento dos casos clínicos de urgência, ocasião em que os enfermos, necessitando de remoção, muitas vezes eram transportados em caminhões de carga, com riscos de agravamento de seu estado.

As atividades desenvolvidas com o propósito de aquisição da ambulância foram chás de caridade, espetáculos no Cine-Teatro Coliseu, com sorteio de brindes aos espectadores, e Festa da Primavera no Clube Comercial, atingindo cifra considerável. Além dessas, desenvolveu-se com grande sucesso a Campanha das Garrafas, constando do recolhimento de garrafas vazias em endereços residenciais e comerciais da cidade.

Sobre a campanha assim se referiu O Comércio de 5 de novembro de 1941:

Campanha das garrafas. Conforme temos divulgado amplamente, segunda-feira transáta, foi iniciado o recolhimento de garrafas vasias em todas as casas de residencias e comerciais, em uma campanha monetária pró aquisição de um Carro-ambulância, para o Hospital de Caridade.

Essas garrafas uma vez recolhidas, foram vendidas todas, em beneficio dessa iniciativa da mulher cachoeirense, na consecução de uma finalidade altamente humanitaria.

E o apoio e a solidariedade da população não foi menos significativa, pois isto foi demonstrado durante os dias de segunda, terça e quarta-feira, quando recolheram os caminhões transbordantes de garrafas vasias.

É digna pois, dos maiores encomios essa iniciativa das damas que ombreiam com essa idéa, concorrendo assim sem dificuldade a população cachoeirense, para este grande melhoramento para a Princeza do Jacuí.

Depois de angariações diversas necessárias para integralizar o valor necessário para  compra do veículo, finalmente em 26 de abril de 1942, domingo, às 11 horas da manhã, defronte ao Hospital de Caridade, foi entregue solenemente o auto-ambulância doado pela sociedade cachoeirense. Benzida a ambulância pelo Monsenhor Armando Teixeira, houve discurso de oferta pelo Dr. Orlando da Cunha Carlos, pronunciamento do Dr. Fabricio Pillar Soares em nome do Hospital, sendo depois convidados para padrinhos do veículo Reinoldo Preussler, Edwino Schneider, Reinaldo Roesch, Theobaldo Burmeister, Henrique Comasseto, Dr. Fabricio Pillar Soares, João Santos, Manoel Antonio Gonçalves, Manoel José Pereira, Ivo Becker, Luiz Lara e Frederico Gressler.

Segundo noticiou o Jornal do Povo de 30 de abril de 1942, a referida ambulância que, conforme já dissemos, é um dos mais modernos carros para transporte de doentes, está montada sôbre um chassis Ford, 112, 1941. Segundo o mesmo jornal, a ambulância estava aparelhada com os mais recentes dispositivos e com capacidade para transportar dois enfermos.


Ambulância na frente do HCB - Museu Municipal


A exemplo da ambulância, necessidade de primeira ordem naquele tempo, o Hospital de Caridade segue sendo alvo dos esforços da população cachoeirense, posto que ninguém está a salvo de necessitar do seu devido e eficiente socorro.


MR
quinta-feira, 29 de outubro de 2020 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Inauguração da Hidráulica Municipal - 18/10/1925

O dia 18 de outubro de 1925 foi marcado para a realização dos testes de funcionamento dos equipamentos empregados na captação, tratamento e distribuição de água do sistema implantado na segunda hidráulica. As obras, executadas pela firma Silveira, Soares & Cia., seguiam projeto do famoso engenheiro sanitarista Dr. Saturnino de Brito.

Dr. Saturnino de Brito - www.12senado.leg.br

Iniciadas em 1923, quando houve o assentamento dos condutos do esgoto em ruas principais, as obras de saneamento projetadas por Saturnino de Brito se estenderam até 1925, sendo a inauguração da segunda hidráulica, chamada de Hidráulica Municipal, o coroamento desse importante e imprescindível projeto. Coube a João Neves da Fontoura, vice-intendente em exercício, a conclusão e inauguração das obras implantadas na administração do intendente Francisco Fontoura Nogueira da Gama. Chico Gama, como era chamado, afastou-se da administração municipal por motivos de saúde, falecendo em 1927.

Curiosamente a ata da solenidade que marcou a experiência oficial de funcionamento da Hidráulica Municipal foi redigida no Livro n.º 1 da Câmara, o mesmo usado em 5 de agosto de 1820 para instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira. Não deixa o fato de atestar a importância daquele momento histórico que marcou e ainda marca as condições sanitárias de Cachoeira do Sul.

Faziam parte dos componentes da Hidráulica Municipal, localizada próximo das instalações do 3.º Batalhão de Engenharia, o Château d'Eau - atualmente o principal cartão-postal da cidade - e o reservatório enterrado da Praça Borges de Medeiros, na Rua Júlio de Castilhos.



Igreja Matriz e Château d'Eau - Museu Municipal

Reservatório enterrado - Museu Municipal


Eis o conteúdo da ata de 18 de outubro de 1925:


Acta da experiencia official da nova Hydraulica Municipal 

Aos dezoito dias do mez de outubro de mil e novecentos e vinte e cinco, nesta cidade de Cachoeira, Estado do Rio Grande do Sul, no edificio da Hydraulica Municipal, situado nas proximidades do quartel do 3.º Batalhão de Engenharia, á margem esquerda do rio Jacuhy, ahi presentes o sr. dr. João Neves da Fontoura, vice-intendente do municipio no exercicio do cargo de Intendente, autoridades, funccionarios federaes, estaduaes e municipes, associacões civis e religiosas, pessoas gradas e grande massa popular, foi feita a experiencia official das machinas, filtros e demaes obras de que se compôe a nova Hydraulica Municipal, as quaes, postas, em execução, deram exccellentes resultados, constatando-se um perfeito funccionamento.

Em seguida, usou da palavra o referido vice-intendente em exercicio, dr. João Neves da Fontoura que, em brilhante allocucão, se referiu ao novo melhoramento que se vinha de realisar a primeira experiencia e terminou congratulando-se com os habitantes da cidade pelo feliz exito de sua installação.

Em segudia, foi offerecido aos presentes uma uma mesa de doces e finos liquidos.

As obras da nova Hydraulica foram executadas, simultaneamente com as obras de exgottos, pelos engenheiros: Silveira, Soares & Cia, sob a directa fiscalização da Municipalidade e do Governo do Estado, e de accordo com o projecto elaborado pelo eminente engenheiro Saturnino Rodrigues de Brito.

Nada mais havendo, para constar, Eu, Emiliano Antonio Carpes, secretario do Municipio, lavrei a presente acta, para ser assignada pelos presentes.

João Neves da Fontoura (e mais 73 assinaturas) 

Fonte: CM/OF/A-008.

1.ª página da ata de inauguração da Hidráulica Municipal
- CM/OF/A-008


Dentre os signatários da ata, além de João Neves da Fontoura, aparecem Julio Castagnino, Reinaldo Roesch, Antonio Soares (da firma Silveira, Soares & Cia.), Augusto Brandão, Carmen e Marina Neves da Fontoura, Carlos Leal Nogueira da Gama, Alvaro Xavier da Cunha, Placentino Stringuini, Diamantino Carvalho da Fonseca, Joaquim Vidal e o secretário e redator Emiliano Antonio Carpes.

MR

sexta-feira, 16 de outubro de 2020 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Locomóveis

A partir de 1906, com o grande incremento que as lavouras de arroz tiveram a partir do uso da irrigação artificial, os produtores começaram a empregar outros equipamentos, conscientes do quanto a técnica aperfeiçoava a produção.

Uma interessante matéria publicada no jornal Rio Grande em 19 de outubro de 1911, além de revelar o momento de progresso pelo qual a cidade passava, oferece a excepcional possibilidade de datar foto existente no acervo do Museu Municipal. Vamos à matéria:

Locomoveis - Devido ao grande desenvolvimento da lavoura em nosso prospero municipio, a venda de machinas e utensilios agrarios tem augmentado consideravelmente.

Ha poucos dias desembarcaram na estação ferro-viario [sic] 3 possantes locomoveis da afamada fabrica "Lanz" comprados da casa Bromberg por intermedio da casa Josè Müller & Cia. desta cidade.

O primeiro desembarcado tem a força de 21 cavallos e foi adquirido pelos srs. Xavier & Moura; e o segundo de força de 42 cavallos foi adquirido pela empreza dos srs. Laureiro [sic] & Cia. 

Ultimamente desembarcou mais outro de força de 45 cavallos destinado á empreza dos srs. Gama & Silva, no 2.º districto. Este possante locomovel, vae fazer o transporte pelo rio Jacuhy, no passo do "Syringa" na barca de caverna do porto desta cidade, gentilmente cedida para este fim. 

Sò este anno já foram vendidos pela casa Bromberg & Cia. por intermedio de viajantes e da casa Josè Müller & Cia., desta cidade, 45 locomoveis, destinados á lavoura de arroz, entre as forças de 5 a 45 cavallos, representando o capital nada menos de 500 contos de reis.

Existem, actualmente nos trapiches da casa Bromberg & Cia. em Porto Alegre, cerca de 30 locomoveis a despachar, os quaes, em sua maior parte, são destinados ao nosso municipio.

Como vêm os leitores o desenvolvimento da cultura do arroz augmenta dia a dia, tornando rico e prospero o nosso municipio, onde se casam o espirito emprehendedor do homem, com importantes capitaes.

A foto abaixo registra a chegada de equipamentos na Estação Ferroviária de Cachoeira. Sem data, pode muito bem ter sido feita no descarregamento descrito na matéria jornalística do jornal Rio Grande.

Descarregamento de máquinas na Estação Ferroviária
- Museu Municipal

A possibilidade de associação de matérias jornalísticas com imagens não identificadas é uma verdadeira compensação do trabalho de pesquisa, o que se credita à existência e manutenção de instituições de memória, como é o caso do Arquivo Histórico e do Museu Municipal. Se o jornal Rio Grande concede uma informação detalhada e quantificada dos negócios envolvendo as lavouras de arroz no ano de 1911, a foto confirma visualmente cena que parece ter sido bem frequente naqueles primeiros e prósperos tempos dos anos de 1900.

MR

sexta-feira, 2 de outubro de 2020 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Trajes inadequados na Igreja

Com a chegada da primavera e a natural elevação das temperaturas a partir de outubro, a indumentária das pessoas vai sendo reduzida em quantidade, espessura e tamanho. As lãs são abolidas, dando lugar aos tecidos leves; os casacos e toda sorte de acessórios do frio voltam para dentro dos armários. 

Se os tempos atuais não causam surpresas quanto a alguns exageros, em tempos mais remotos o trajar das pessoas era muitas vezes patrulhado, resultando em observância rígida de padrões de comportamento para livre acesso a determinados lugares. Por exemplo, houve tempos em que os homens deveriam obrigatoriamente usar chapéus, com regras para tirá-los da cabeça toda vez que adentrassem em ambiente fechado. Hoje, quando a maioria dos adolescentes usa bonés no lugar dos chapéus de antigamente, tirá-los é impensável, seja dentro ou fora dos ambientes.

Para as mulheres, mais severas eram as regras, pois o recato e os bons costumes transpareciam no comportamento e no tipo de vestes que elas usavam. O nível de exigência podia ser bastante alto em determinados espaços da sociedade, especialmente nas igrejas.

Uma notícia publicada no jornal O Commercio, em 7 de outubro de 1925, dá a medida do quanto o modo de vestir feminino podia ou não ser proibitivo nos cerimoniais e cultos católicos:

Aviso na Igreja Matriz e capellas. - Foi affixado nas portas da Igreja Matriz e das capellas, nos confissionarios e na porta do baptisterio o seguinte aviso para o devido conhecimento:

"Da circular de S. Exa. Revma. Sr. Bispo Diocesano, Dom Attico Eusebio da Rocha - Portanto, declaramos que não podem servir de madrinhas, nem são dignas da absolvição sacramental e da Sagrada Communhão, as senhoras e senhorinhas, que se apresentarem com vestes transparentes ou demasiadamente curtas, braços quasi nús e collo descoberto."


Senhoras e senhoritas na saída da Igreja Matriz - Museu Municipal


As determinações da circular são claras - o modo de vestir, se em desacordo com o recato preconizado pela Igreja, excluía as mulheres infratoras não só da participação de momentos solenes, como casamentos e batizados, inclusive desqualificando-as para o recebimento de sacramentos e da comunhão! 

Para dar a medida de como era importante o trajar, especialmente dentro de igrejas e capelas, por essa época todas as mulheres, solteiras ou casadas, deveriam portar véus nas celebrações e missas. As solteiras usavam véus de renda brancos e as casadas usavam na cor preta. O véu, mais do que uma peça de indumentária, representava respeito ao sagrado e submissão. Com o passar do tempo, a Igreja Católica deixou de exigir o uso do véu, peça que não é exclusividade do catolicismo e que se vê, com outros usos e formas, em múltiplas instituições religiosas pelo mundo.


Véu branco para solteiras e preto para casadas - Facebook

Os tempos e os costumes mudam bastante, de forma que o que escandalizou ontem pode não escandalizar hoje. E amanhã, quem se arrisca a dizer?

MR

sexta-feira, 25 de setembro de 2020 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Primeira lei orgânica do município

Até 1889, quando foi proclamada a República no Brasil, as administrações municipais eram desempenhadas pelas Câmaras. Em 2 de janeiro de 1890, com a sua dissolução, foram nomeadas comissões administrativas para responderem pela condução do município e que atendiam à legislação vigente. Esse período ficou denominado como Junta Municipal. A partir de 1892, foi implantado novo modelo administrativo, o da Intendência Municipal, sendo conduzido o poder executivo por um intendente, cabendo o poder legislativo ao Conselho Municipal.

No dia 9 de setembro de 1892 foi promulgada a primeira lei orgânica do município de Cachoeira pelo intendente Olímpio Coelho Leal. 

Intendente Olímpio Coelho Leal 
- Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato

A lei dispunha sobre o município e seu território, sobre o exercício do governo municipal, destacando as atribuições e responsabilidades do intendente, do vice, dos sub-intendentes e dos conselheiros, sobre as eleições e a decretação das leis, regulando em tudo a administração.

Texto da 1.ª Lei Orgânica - IM/GI/DA/ADLR-001, fl. 1
9/9/1892

Cabia ao intendente, como autoridade máxima, adotar todas as medidas administrativas de utilidade municipal, de acordo com o respectivo orçamento, (...) e expor anualmente ao Conselho a situação dos negócios do município, indicando-lhe, em relatório minucioso, as providências pendentes do mesmo que julgar necessárias.

A prática de expor ao Conselho Municipal todas as ações empreendidas pelo intendente gerou uma série de relatórios que são verdadeiras páginas históricas, pois registram o município em sua totalidade, desde os aspectos históricos, urbanos, de saúde e assistência, educação, climatologia, economia, obras, segurança e demografia, entre outros.

Em grande parte das vezes os relatórios eram impressos em volumes que inclusive eram presenteados a outros municípios, para inteirarem os respectivos intendentes da situação do município de Cachoeira. Além de excelente divulgador das potencialidades municipais, era também um bom meio de ressaltar as ações do administrador. Em outras vezes, ainda que impressos, os relatórios eram publicados em edições sucessivas de jornais na imprensa, como n'O Comércio (1900-1966).

 

Relatório do Intendente Francisco F. N. da Gama - 1923
IM/GI/AB/Re-004

O Conselho Municipal de Cachoeira era composto em 1892 pelos cidadãos Isidoro Neves da Fontoura (presidente), Alfredo Xavier da Cunha, Antonio Rodrigues Severino, Januário Luiz Barreto, Manoel de Carvalho Prates, Antonio Gomes d'Oliveira e Carlos Hofheinz. 

MR