sexta-feira, 22 de junho de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Brasil - Campeão do Mundo!

Há 60 anos, no dia 29 de junho de 1958, o Brasil conquistava seu primeiro título na Copa do Mundo de Futebol. Depois de uma campanha fracassada em 1954 e do trauma da derrota para o Uruguai, no Maracanã, em 1950, a Seleção Brasileira chegou ao final da Copa de 1958 para combater a Suécia, a dona da casa, vencendo o confronto por 5 a 2! Mesmo derrotada, a torcida sueca aplaudiu o campeão de pé!

A imprensa escrita do país saudou aos quatro ventos a primeira conquista mundial do Brasil no futebol. Os jornais de Cachoeira do Sul, Jornal do Povo e O Comércio, foram porta-vozes da emoção que os cachoeirenses já haviam experimentado pelas ondas do rádio, então único veículo a transmitir as partidas da Copa do Mundo:

Jornal do Povo - edição de 1/7/1958, p. 1 - Acervo de Imprensa do AH


BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO
ESTOCOLMO, Suécia, 29 (JP) - Uma assistência superior a 53 mil pessoas lotou literalmente esta tarde o belo Estádio de Rasunda, de Solma [sic], nesta Capital onde o Brasil e Suecia decidiram o titulo de Campeão Mundial de Futebol.
As dependências do Estádio de Rasunda foram insuficientes para abrigar o grande publico que afluiu ao local do grande jôgo mas, pela televisão, os milhões de suécos tiveram a oportunidade de acompanhar a tôdas as incidências do magno embate.
Os brasileiros, não tão brilhantes como das vêzes anteriores, ainda assim voltaram a impressionar aos aficionados suécos e aos críticos internacionais que reconheceram nos nacionais os campeões de fato e de direito do magno certame.
(...)
AS EQUIPES
As equipes na jornada memorável desta tarde no Estádio de Solna, na Suécia, tiveram as seguintes formações: 
BRASIL com Gilmar; Djalma Santos, Bellini e Newton Santos; Zito e Orlando; Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo.
SUÉCIA com Svensson; Borjecson, Gustavson e Axbon; Bergmark e Parling; Hamrim, Gunnar Green, Simensson, Liedholm e Skoglund.

A reportagem do Jornal do Povo traz também os principais lances do jogo do primeiro e segundo tempos em notícia de página inteira.

O Comércio - edição de 2/7/1958, p. 1 - Acervo de Imprensa do AH

O jornal O Comércio assim deu a boa nova:

Brasil, invíto no Campeonato Mundial de Futeból
Não tem dúvida alguma que o Brasil, nestas duas últimas semanas, é o país cujo nome é pronunciado mais a miude em todo o planeta. Quasi que de uma hora para outra, passou para o primeiro plano no mundo, suplantando, talvez, os Estados Unidos, Russia, França, Inglaterra e os irrequietos países circundantes do Mediterraneo. Nem o lançamento do primeiro satélite russo agitou tanto a opinião mundial. 
Pelo que parece, o que os outros fazem com a cabeça, nós fizemos com os pés.
O futeból, nestes últimos dias, polarisou a atenção, ficando os demais assuntos, para um segundo plano. 
Hoje, o Brasil ocupa lugar de destaque nas manchetes da imprensa mundial e, o que não deixa de ser importante, não por haver engendrado alguma maquina de destruição e morte, mas sim, por haver, por intermédio de um pugilo de desportistas, conquistado, com toda lisura e desmedida pericia, o ambicionado título de Campeão Mundial do Futeból em uma das mais marcantes batalhas desportivas, na qual se empenharam os mais destacados valores de todos quadrantes da terra. 

Os campeões de 1958 - acervo do Museu Paulista - USP
Sessenta anos depois, o Brasil busca nos campos da Rússia o seu hexacampeonato mundial de futebol. O mundo mudou tremendamente nestas seis décadas, mas a paixão pelo futebol segue a mesma, como comprovam as notícias de 1958 e as que chegam instantaneamente até nós em 2018. Graças ao acervo de imprensa de instituições como o Arquivo Histórico, a distância temporal de 60 anos corre célere como o folhear de páginas dos antigos jornais.

MR
sexta-feira, 15 de junho de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Gregório da Fonseca, filho dileto

Cachoeira do Sul é berço de personalidades ilustres nos mais diversos campos, oferecendo uma significativa relação de nomes de homens e mulheres que se destacaram em outras plagas. Vez em quando, retornam ao torrão natal para rever familiares e amigos e interagirem com o cotidiano da cidade.

Um destes filhos ilustres foi o engenheiro militar e escritor Gregório Porto da Fonseca, nascido em 17 de novembro de 1875, filho de Marcos Gonçalves da Fonseca Ruivo e de Luiza Mariana Porto da Fonseca. Adolescente, empregou-se como caixeiro em uma loja de Cachoeira, onde passava recitando versos do poeta Olavo Bilac, esquecendo-se das suas tarefas... Mais tarde, no Rio de Janeiro, tornou-se amigo pessoal do poeta e um dos fundadores da Liga da Defesa Nacional, entidade que existe até hoje e que prega o civismo e o patriotismo.

Gregório Porto da Fonseca - ABL

Reformado da carreira militar, Gregório Porto da Fonseca tornou-se diretor da Secretaria da Presidência no governo provisório de Getúlio Vargas, pós-revolução de 1930. No ano seguinte, ingressou na Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira de número 27.

Gregório da Fonseca algumas vezes retornou a Cachoeira e em uma delas, em junho de 1918, envolveu-se com campanha em prol do Hospital de Caridade, protagonizando uma conferência literária no Cinema Coliseu Cachoeirense que o jornal O Commercio, em sua edição do dia 19 de junho, assim descreveu:

Gregorio da Fonseca. Domingo a tarde realizou-se a conferencia litteraria deste nosso illustre conterraneo, em beneficio do Hospital de Caridade, como fôra préviamente annunciado. 


Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato - 1922

Pouco depois das 3 horas, os srs. Ernesto Barros e dr. Arlindo Leal foram, de automovel, á residencia da progenitora do conferencista, trazendo-o ao Coliseu, onde Gregorio desembarcou, acompanhado daquella respeitavel senhora, emquanto a banda musical Estrella Cachoeirense executava uma marcha festiva. 
O Coliseu, em cujo interior tocou a referida banda encheu-se litteralmente. Dizer-se que essa conferencia constituiu um successo extraordinario não é exprimir-se bem o acontecimento que ficou indelevelmente gravado no espirito e nos sentimentos dos que tiveram a felicidade de assistil-o.


Interior do Coliseu Cachoeirense
- Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato - 1922

A apreciação dessa bellissima pagina da nossa litteratura, a "Arte", já está feita pelos competentes e seria, por certo, uma inaudita temeridade nossa tentar pôl-a em relevo.
Baste-nos dar uma pallida noticia sobre a impressão causada, tanto mais que a Cachoeira é sobretudo suspeita desde que se trate de realçar o merito de seu filho dilecto, como é o capitão Gregorio da Fonseca.
Muitas vezes a conferencia foi entrecortada de applausos vibrantes, que traduziam o enthusiasmo e o arrebatamento do auditorio ante a soberana belleza das imagens da dissertação, e, ao terminal-a, o conferencista recebeu uma extraordinaria ovação.
Pelas jovens Coralia Carvalho e Horaida Pinheiro foram-lhe offertados dois artisticos ramalhetes de flores naturaes.
Do Coliseu um grande numero de familias, amigos e admiradores levou-o até ao Club Renascença, onde lhe foi offerecida uma taça de champagne.
Nessa occasião, em nome da sociedade cachoeirense, o saudou o dr. Arlindo Leal, a cuja saudação respondeu Gregorio da Fonseca, visivelmente emocionado.
A banda de musica, que o acompanhára, executou varias peças em frente ao Renascença, durante o tempo em que ali permaneceu o nosso illustre conterraneo, sendo após acompanhado até á casa de residencia de sua venerando Mãi.
O Commercio, associando-se a essas manifestações de admiração e carinho, deixa consignadas nestas ligeiras linhas, as suas homenagens ao brilhante visitante. (O Comércio, 19 de junho de 1918, p. 2).

Clube Renascença - Rua Sete de Setembro - Fototeca Museu Municipal

Gregório da Fonseca faleceu no Rio de Janeiro em 23 de abril de 1934. Havia sido nomeado embaixador do Vaticano, posto que não chegou a assumir.

Em 2014 e novamente em 2015, o Arquivo Histórico recebeu a visita do bisneto de Gregório, Júlio Fonseca do Amaral, que veio à terra natal do bisavô pesquisar mais sobre sua história, ocasião em que doou à biblioteca da instituição um volume com duas das conferências do literato Gregório da Fonseca: Estética das Batalhas e O ciúme dos deuses.

Júlio Fonseca do Amaral - bisneto de Gregório da Fonseca
- pesquisa no Arquivo Histórico (2015)
Obra doada ao Arquivo Histórico
MR
sexta-feira, 8 de junho de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Um simples requerimento - uma janela para o passado

Diz Anna Fran.ca Roiz. Pereira, residente em Porto Alegre, por seu procurador abaixo assignado, que tendo subido extraordinam.te o preço dos alugueis de casas, e a fim de fazer face ao pagam.to da que aluga p.ª sua moradia e de sua numerosa familia, vem respeitosam.te pedir a V.S.ª se digne ordenar q. d'esta data em diante lhe seja pago o aluguel da casa occupada pela Guarda Municipal, pelo preço de quarenta mil reis mensaes; attendendo tambem a q. é um edificio que está sugeito a m.tos estragos, cujas reconstrucções correm por conta da proprietaria supp.e, como succedeu por occasião do conflicto de 25 de Março de 1891, q. nenhuma indemnisação teve a supp. do Governo Federal como era de justiça, attendendo mais a que com o pagam.to da décima urbana que integralm.te faz a supp.e, nao fica oneroso aos cofres municipaes o acrescimo que pede: Portanto

P. a VS.ª se digne
deferir o q. requer

E  R. M.ce
Cachoeira 31 de Março 1894
Policarpo Perª de Carvº e S.ª 
(IM/S/SE/CR-001)

Requerimento 31/3/1894 - IM/S/SE/CR-002

O requerimento de Anna Francisca Rodrigues Pereira, que havia sido a primeira professora pública nomeada em Cachoeira, traz uma informação muito interessante quando solicitou ao intendente que ordenasse lhe fosse majorado o aluguel para 40.000 réis mensais pela casa ocupada em Cachoeira como quartel da guarda municipal. Com o valor desse aluguel, poderia fazer frente ao que lhe era cobrado pela casa de moradia que alugava para sua numerosa familia. Em seus argumentos para o aumento do aluguel, Anna Francisca referiu que a casa necessitava de muitos reparos que corriam por sua conta, como ocorrera por ocasião de um conflito havido na cidade. Com este simples pedido, ela lança o olhar de hoje para um episódio acontecido em 25 de março de 1891, fato que até o presente momento não havia sido descoberto, muito em razão da inexistência de exemplares de jornais da época. Que conflito teria sido este?

Desde 1884, Porto Alegre dispunha do jornal A Federação, órgão do Partido Republicano, que noticiava os acontecimentos nos mais diferentes recantos do estado. E eis que na  edição de 27 de março de 1891, pôde ser encontrada a notícia Conflicto na Cachoeira, onde se lê que na noite de 25 ocorreu luta entre praças da guarda cívica e do batalhão de engenheiros estacionado na cidade. Encontrando-se em uma rua travaram lucta, informa o jornal. Os praças da guarda cívica buscaram reforços em seu quartel e partiram a atacar o do batalhão de engenheiros. Ali travou-se grave conflicto, ficando feridos soldados de parte a parte. Tambem ficaram feridos o tenente Carlos Pacheco, commandante da secção civica, e o delegado de policia. Pessoas do povo tambem tomaram parte na lucta, a favor das praças civicas. Obedecendo a ordens superiores o batalhão partiu hoje para esta capital, pela estrada de ferro de Porto  Alegre a Uruguayana, ficando na Cachoeira os soldados feridos a elle pertencentes. O jornal informou ainda que seguiria para Cachoeira um reforço da guarda cívica.

Jornal A Federação - edição de  27/3/1891 
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=388653&PagFis=6107&Pesq=mar%C3%A7o%20de%201891

Jornal A Federação - edição de  28/3/1891
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=388653&PagFis=6107&Pesq=mar%C3%A7o%20de%201891

Na edição do dia seguinte, o jornal faz uma mais bem detalhada descrição do conflito, dizendo que tudo começara no dia anterior, quando um soldado do batalhão havia sido ferido por outro da guarda cívica. Em a noite do dia seguinte, logo após a entrada do sol, começaram a apparecer grupos de soldados do batalhão, munidos de cacetes e armas brancas. Começaram os ataques e na contenda o grupo invasor do quartel da guarda civica, composto de cerca de trinta soldados do batalhão, quebrou janellas, arrombou portas, extraviou o archivo, tomou o armamento e com elle começou a fazer fogo contra os populares que então se reuniam na praça. Cerca de uma hora durou o tiroteio. Alem do commandante da guarda civica e do delegado, ficaram feridos mortalmente um guarda e um cidadão, e outros levemente.

Pelo que se deduz das informações contidas n'A Federação, os envolvidos no conflito representavam maus elementos que tinham participado dos episódios ocorridos no Rio. Na confusão em Cachoeira, não acataram as ordens de disciplina dos distinctos officiaes do batalhão que se apresentaram para contel-os na occasião do ataque ao quartel da guarda civica. 

O inocente requerimento da antiga professora Anna Francisca Rodrigues Pereira, cujo despacho do intendente não lhe foi favorável, traz à luz de nossos dias preciosas e até então desconhecidas informações. E juntamente com as novas, traz interrogações que, por enquanto, ainda ficarão à espera de desvendamento. Que conflitos teriam se ferido no Rio? Seria a casa que ela solicitava majoração no aluguel a antiga Aula de Meninas, onde começara a lecionar no final dos anos 1840? Tal casa, segundo ela mesma informou no requerimento, havia sido bastante avariada com o conflito. E sendo aquela a casa, sua localização, na Rua Moron, próxima às praças da Igreja e do Mercado, permitiria que lá o povo se reunisse para observar a briga.

Antiga Aula de Meninas, na Rua Moron - COMPAHC

Daqui a pouco, quando menos se espera, poderão surgir outros documentos com luzes sobre estas dúvidas. Mas muito importante, um excelente achado, foi a preciosa informação que termina a matéria da edição do dia 28 de março de 1891 d'A Federação: O  dr. Ramiro Barcellos compareceu a prestar soccorros medicos aos feridos. Definitivamente o documento encontrado é demais precioso, pois abriu uma janela para o passado, comprovando que o Dr. Ramiro Barcellos realmente um dia clinicou na terra natal!

Dr. Ramiro Barcellos - Wikipédia

MR
quarta-feira, 30 de maio de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Júlio empoeirada!

A Rua Júlio de Castilhos sempre foi uma das vias importantes da cidade, caminho de ingresso dos que vinham do norte, ou do alto dos trilhos, até o centro e vice-versa. Os habitantes das zonas coloniais serviam-se da "Stoffel Pikade", como era chamada a Avenida Brasil pelos alemães, para atingirem a Rua Júlio, ponto em que estavam estabelecidos fortes armazéns.

Rua Júlio de Castilhos - acervo Família Tischler

Em 1915 o aspecto da via era bastante desanimador. Nuvens de poeira costumavam subir aos ares em tempos de seca, transtornando a vida de moradores e comerciantes. Diante da falta de providências das autoridades municipais, um grupo de cidadãos que lá habitavam ou conservavam seus negócios organizou um abaixo-assinado com 43 assinaturas solicitando o que segue:

Os ABAIXO-ASSIGNADOS, moradores á rua Julio de Castilhos, vem respeitosamente á Vossa presença, solicitar o seguinte: 
I - Como a citada rua é a de maior movimento nesta cidade, onde transita todo e qualquer vehiculo, tem muita necessidade de ser ao menos macadamisada com cascalho, (já que não póde ser calçada com pedras) para assim evitar as enormes nuvens de poeira que evade as casas, principalmente no lado oeste.
II - Este melhoramento torna-se util não só aos commerciantes, que necessitam de suas casas abertas, como para as familias em geral.
III - Desejavamos que V. Exa. se vereficasse pessoalmente das sérias difficuldades que lucta um industrialista, de chegar ao ponto de cerrar as portas, suspender com o trabalho diario, privando assim de o operario tirar o seu ordenado para o pão de cada dia.
IV - O trecho principal é comprehendido desde o principio da rua Saldanha Marinho até a casa dos Snrs. Guilherme Beskow & Cia.
V - Sendo a nossa cidade uma das mais apraziveis da campanha, nada recommenda aos olhos dos visitantes ás enchurradas de pó que se vêem obrigados a tragar, como aconteceu nestes ultimos dias, privando os transeuntes de sahirem á rua.
VI - Ha outras cidades na campanha de muito menos commercio como a nossa, e no emtanto já possuem as ruas perfeitamente calçadas, sendo este um dos primeiros asseios.
Esperando o seu benevolo auxilio nesta importante obra de grande utilidade, fizemos este abaixo assignado, em defesa de nossa saude e para combater as doenças derivadas desta tão aborrecida poeira.
Saude e Fraternidade
CACHOEIRA, 25 de Outubro de 1915
Frederico Wilhelm
Ricardo Schaurich
Celeste C. Begnis
Albino José Schaurich
Henrique Pohlmann
Francisco Zanetti
Germano Berner Junior
Theobaldo Ruschel
Emilio Pohlmann
Francisco Guidugli
Aristides Moreira
Avelino F. Cavalheiro
Augusto Schaurich
Ernesto Müller
Leonel Friedrich
Arthur Fetter
Guilherme Ritter
Pedro Port
Frederico Treptow
Franz Rother
Oswald Rother
Henrique Richter & Irmão
Octavio Simões
Manoel Fernandes
Benedicto Dicklhuber
I. S. Macedo
Arnoldo Fischer
Arnoldo Tischler
Nicolau Alario
Alfredo Danzmann & Cia.
Roberto Danzmann
Aldomar Danzmann
Pedro Alario
Antonio Alario
Carlos M. Böer
Sylvio Pascotto
Guilherme Beskow & Cia.
Willy Tesch
Willy Tesch & Cia.
Gustavo Lindner
Olfírio Amaro
Pedro Carlos Zinn
Roberto Pohlmann
Balduino Pohlmann

Abaixo-assinado - IM/S/SE/CR-025 - 701
O pedido dos moradores foi atendido pelo Vice-intendente Francisco Gama, conforme noticiava o jornal O Commercio de 12 de abril de 1916, ocasião em que publicou o edital de concorrência para a realização das obras de macadamização e construção de sarjetas.

Bem mais tarde, na transição dos anos 1930 para 1940, a Rua Júlio de Castilhos foi uma das primeiras da cidade a ser asfaltada.

MR
sexta-feira, 18 de maio de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A cinquentenária Fonte das Águas Dançantes


Há cinquenta anos, no dia 15 de maio de 1968, às vésperas da abertura da II FENARROZ, uma lei municipal instituiu o nome do mais novo ponto de atração da cidade - a Fonte das Águas Dançantes Artibano Savi, localizada no coração da Praça José Bonifácio, em local anteriormente ocupado pelo Mercado Público.

Fonte das Águas Dançantes "Artibano Savi" - Foto Jorge Ritter

A inauguração, que constava do programa da II Feira Nacional do Arroz, ocorreu no dia 18 de maio, atraindo um generoso número de curiosos, todos ávidos para ver as maravilhas que Artibano Savi tinha tirado de seu gênio criativo de técnico-eletricista com extensa folha corrida de serviços prestados no município e fora dele.

As águas, embaladas por músicas especialmente escolhidas para combinarem com a coreografia, tomavam diferentes cores, produzindo na plateia um deslumbramento. Tais artifícios puderam ser sincronizados por Artibano graças ao também gênio criativo de Ruben Otto Prass. Ambos produziram mecanismos que encantaram gerações de cachoeirenses.

Fonte em funcionamento - Foto Jornal do Povo

O Jornal do Povo em sua edição do dia 16 de maio de 1968, traz a notícia sobre a votação da lei que criou e denominou a Fonte das Águas Dançantes:

Fonte das Águas Dançantes “Artibano Savi”

A Câmara Municipal de Vereadores aprovou, por unanimidade, na reunião de têrça-feira, o projeto de lei de autoria do edil Volny Figueiró que concede o nome de “Artibano Savi”, à Fonte das Águas Dançantes.

Ao apresentar o projeto, ora transformado em lei, dizia seu autor que para justificá-lo ‘basta dizer que esta Casa, verdadeiro estuário das reinvindicações e das mais caras expressões de sentimento do povo cachoeirense, em aprovando êste projeto de lei, estará prestando, de forma imorredoura, o reconhecimento e a homenagem àquele que, com seu trabalho, com sua inteligência e sobretudo com o entusiamo que só podem ter aquêles que realmente amam a nossa querida Princesa do Jacuí, dotou Cachoeira do Sul desta obra magnífica que é a Fonte das Águas Dançantes, hoje um ponto turístico a elevar bem mais alto o nome de nossa cidade, não apenas no cenário riograndense, mas brasileiro”.

E a Câmara de Vereadores apoiou, sem uma única voz discordante, o projeto de lei de Volny Figueiró, numa cabal demonstração do quanto tem de merecida e de justa a homenagem.

Ao assim proceder, não resta a menor dúvida, que o Poder Legislativo interpretou, fielmente, o desejo de tôda uma coletividade, que sabe e que proclama, que só o gênio despreendido e desinteressado de Artibano Savi, poderia dar a Cachoeira uma obra de tamanha beleza e de tão alto valor.

Inaugurada, ontem, a Fonte das Águas Dançantes, já o foi com o nome de seu arquiteto e construtor, Artibano Savi, êmbairrista como poucos, que preferiu construí-la graciosamente em Cachoeira, a fazê-lo em outros municípios, mediante polpudas compensações financeiras.

Cachoeira sabe disso e resolveu, através de seu setor mais representativo – a Câmara de Vereadores – demonstrar todo o seu reconhecimento. E a forma simples, porém sincera de fazê-lo, foi dar á Fonte das Águas Dançantes o nome de seu próprio idealizador e construtor: “Artibano Savi”.


Artibano Savi - Fototeca do Museu Municipal

Cachoeira do Sul sempre reconheceu e reverenciou o talento de Artibano Savi, natural de Santana do Livramento. Sua chegada à cidade se deu em 1917, atraído pelo futebol. Fez carreira na Prefeitura Municipal, sendo chamado para trabalhos de eletricidade e iluminação em diferentes lugares, inclusive fora do país. Em Cachoeira construiu sua família e há cinquenta anos legou-nos a fonte que, a duras penas, tenta pôr suas águas para dançar.

MR
sexta-feira, 11 de maio de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Colheita do arroz - 1908

O arroz, historicamente, como sabido pelos cachoeirenses, é o produto que mais longe levou o nome do município. A excelência de sua produção e o pioneirismo em técnicas de cultivo com irrigação artificial das lavouras credenciaram Cachoeira do Sul ao título de Capital Nacional do Arroz. É bom relembrar isto em tempos que se aproximam da realização da 20.ª FENARROZ, que acontecerá de 29 de maio a 3 de junho de 2018.

Arroz - riqueza municipal - foto Robispierre Giuliani

Há 110 anos, o produto estava em ascensão. Grandes áreas cultivadas rendiam excepcionalmente, dando destaque a nomes como Neves, Torres & Cia. e André Kochemborger, com grandes lavouras de irrigação mecanizada junto ao arroio Irapuá; Dr. Arlindo Leal e Ernesto Pertille, junto ao rio Jacuí, e Nunes, Preussler & Cia., no Alto Ferreira.

Jorge Franke, João Jorge Krieger, Fidélis Prates, Roberto Danzmann, Eurípedes Mostardeiro, João Baptista Carlos e Dr. Balthazar de Bem, entre outros, já tinham feito investimentos na irrigação mecanizada de suas lavouras um ano antes, despertando o interesse de novos empreendedores.

Jorge Hugo Franke, pioneiro na irrigação artificial 


O jornal Rio Grande , edição de 8 de maio de 1908, traz a seguinte nota:

Colheita do arroz. Prosseguem com a maior actividade, em todo o municipio, os trabalhos da colheita de arroz. Infelizmente, pella secca a principio, ultimamente pela intensidade do frio, a producção vae ser muito inferior aos calculos feitos no começo da safra. A producção da colonia pode considerar-se completamente perdida.
E' provavel, no entanto, que a escassez do producto seja compensada pela elevação do preço, visto que a diminuição da colheita tem sido assignalada este anno em todo o Rio Grande do Sul, como nos estados do norte, segundo  informações da imprensa.

Chama a atenção a eterna preocupação com o preço do produto, o que a distância mais do que centenária não conseguiu mudar. Também é digno de nota o frio que já naquele princípio de maio de 1908 estava a causar prejuízos às lavouras, exatamente o contrário do que maio de 2018 tem mostrado.

2018 e 1908, apesar do hiato de tempo, no quesito arroz, guardam diferenças e similaridades que não se afetam apenas ao clima ou ao preço do produto no mercado. Em 110 anos, Cachoeira do Sul desceu alguns degraus no ranking, chegando em 2015 ao 10.º posto dentre os municípios com maior produção de arroz no Rio Grande do Sul. Mas "quem é rei nunca perde a majestade".

MR
sexta-feira, 4 de maio de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

70 anos da Escola Dr. David Fontoura de Barcelos

Há 70 anos, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. David Fontoura de Barcelos nasceu como um grupo escolar municipal. Desde 24 de abril de 1948, quando a escola foi inaugurada, a comunidade do Bairro Barcelos tem sido servida por uma instituição de ensino de relevante papel no desenvolvimento das gerações que por suas dependências passaram.

https://escoladavidbarcelos.wordpress.com/2009/09/
Fachadas da  E.E.E.F. Dr. David Fontoura de Barcelos - Arquivo da escola


A edição do Jornal do Povo de 3 de maio daquele ano de 1948, última página, traz as informações sobre o dia festivo da inauguração daquele educandário:

Criado recentemente por Decreto do govêrno prefeitural, teve lugar dia 24 do corrente, às 9 horas, a solenidade de inauguração do Grupo Escolar "Dr. David Fontoura de Barcellos", sito à Vila Barcelos, nesta cidade, regido pelas professoras Stela Marques e Terezinha Zinn, sob a direção da professora Norma Preussler.
A inauguração oficial, que esteve a cargo do sr. Prefeito, dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, contou com a honrosa presença do Exmo. sr. dr. Danton de Oliveira, Juiz de Direito da 2.ª vara, Mons. Armando Teixeira, Pároco local, industrialista Edwino Schneider, Waldomiro Carvalho Bernardes, Sub Prefeito da séde e professora Alba Carlos Lima, Orientadora do Ensino Municipal, além de grande número de convidados especiais. O ato inaugural obedeceu o seguinte programa:
1.º - Inauguração oficial pelo sr. Prefeito.
2.º - Hino Nacional, cantado pelos alunos.
3.º - Entronização da imagem de Santa Terezinha. Canto "Queremos Deus".
4.º - Saudação ao sr. Prefeito, pelo aluno Darcy Kenel.
5.º - Saudação à Orientadora, professora Alba Carlos Lima pela aluna Yara Barreto.
6.º - Inauguração do retrato do patrono, Dr. = David Fontoura de Barcelos.
7.º - Biografia do patrono.
8.º - A escola, por Galdina Prus.
Após as solenidades programadas, foram os presentes obsequiados com finas bebidas, a todos impressionando a gentileza e a fidalguia das dignas professoras do novel estabelecimento de ensino.

O patrono do então grupo escolar, médico David Fontoura de Barcelos, descendia da família que dava nome à vila Barcelos. Era neto de David Soares de Barcelos, proprietário original das terras que depois constituíram o bairro, e filho de Epaminondas Soares de Barcelos e de Benta Xavier Fontoura.

David Barcelos medicou em Cachoeira por pouco tempo, transferindo-se para São Paulo e depois Porto Alegre, onde faleceu bastante jovem, aos 44 anos, em junho de 1943. No tempo que trabalhou em Cachoeira, integrou o corpo clínico do Hospital de Caridade, juntamente com os colegas médicos Tito Osório Torres, Milan Kras, José Félix Garcia, Sílvio Scopel e Arthur Frederico Decker.

Corpo médico do Hospital - Dr. David F. de Barcelos - 3.º em pé
- Fototeca do Museu Municipal

Apesar de ter sido inaugurada em 24 de abril de 1948, a comunidade escolar comemora o aniversário do educandário em 2 de julho. Em fevereiro de 1957, o governo do estado encampou a escola, deixando a mesma de ser um grupo escolar municipal.
                                                                                                                                                                    MR