sexta-feira, 8 de novembro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Remoção de materiais fecais


Imaginemos como era complexo para uma cidade resolver a questão do recolhimento dos materiais fecais em tempo em que não havia saneamento básico. A prática mais comum nas casas era o uso de recipientes, os chamados urinóis, e a abertura de poço com o assentamento de uma "casinha" sobre ele para servir de privada.

Com o desenvolvimento urbano, os materiais fecais necessitavam de recolhimento adequado. Em 1907, o intendente e médico Cândido Alves Machado de Freitas, preocupado em atacar convenientemente a questão, pensou em copiar o sistema adotado em Santa Maria. 

Finalmente, em 1.º de setembro de 1909, a Intendência pôs em prática a remoção das fezes por meio de cubos, ou cabungos, confeccionados em madeira. Os cubos eram entregues nas residências e casas comerciais e recolhidos em dias específicos por carroça. A carroça se dirigia para o rio Jacuí, onde o conteúdo dos cubos era despejado e eles passavam por limpeza. Feito isto, a carroça seguia para o chalé do Asseio Público, na Rua Conde de Porto Alegre, onde também havia estrebaria para os animais empregados no transporte e ficava a residência do responsável. 

Em documento de 26 de janeiro de 1916, João Antonio da Motta, o responsável, solicitou ao Vice-Intendente autorização para mandar consertar 40 cubos que estavam furados. O serviço custou 16.000 réis e foi executado por João Ferreira. A quitação, em 29 de janeiro, foi custeada pela rubrica "Higiene e Assistência - Material".

Solicitação de autorização para conserto dos cubos - 26/1/1916 - IM/RP/SF/D -157

Requisição do pagamento do serviço de conserto - 29/1/1916 - IM/RP/SF/D-157

Voltemos novamente a imaginação para o quanto nefasto era o rastro deixado pela carroça do Asseio Público e quão insalubre o trabalho do seu condutor... Sem falar no pobre consertador dos furos!

MR 
sexta-feira, 1 de novembro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Dia dos Finados

O blog do Arquivo Histórico busca acompanhar, na medida da sua documentação e acervo de imprensa, as datas comemorativas, acontecimentos históricos e outros fatos relevantes que ajudaram a forjar a valiosa história desta terra.

Na época em que as homenagens têm destino os entes queridos que não vivem mais, um poema publicado no jornal O Comércio de 70 anos atrás dá a medida do quanto o preito aos mortos têm de tradição e se faz segundo o seu tempo:

"Dia dos Finados"

Mui lindas flores, de perfume vário,
Revestem cada abrigo sepulcral, -
Mansão dos que da Morte o cruel fadário
Recolheu, com sua mão sempre fatal.

Corações cheios de saudade atroz,
Faces em muitas lágrimas banhadas,
Almas, erguendo em prece a triste voz,
Contemplam dos que dormem as moradas.

Lembrança de um viver muito feliz
Trazem aquelas pedras silenciosas...
E cada sepultura também diz
Que as horas tôdas correm pressurosas.

Em cada lousa fria assim se lê:
Na tumba, um dia, vós ireis viver;
Por que tanta ambição? Oh, sim, por que,
Si nada podereis pra cá trazer?

Por que andais sob o jugo da vaidade
Si aqui na terra iguais todos sereis?
Por que tanto rancor, tanta maldade,
Si a Justiça é implacavel em suas leis?

Preparai-vos, agora, para o dia
Em que soar da trombeta o som final.
Oh! Não deixeis partir, assim vazia,
Vossa alma, para o trono divinal.

Sepulcros - oh! mensagens veementes!
Jazigos - oh! bemditas esperanças!
Jamais sereis cadeias inclementes,
Quando o Senhor tomar da Morte as lanças

Então não mais o "Dia dos Finados"
Observado será em nenhum lugar,
Porque todos serão ressuscitados,
E lá na Eternidade irão morar.

Lidia J. Martins

(O Comércio, 2 de novembro de 1949, p. 3)

Hoje, ainda que o mundo tenha passado por profundas transformações, a morte continua uma incógnita, dominando os espíritos a sua inexorabilidade.

Túmulo no Cemitério Municipal - COMPAHC

MR
sexta-feira, 18 de outubro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Hospital de Caridade

Há 80 anos a comunidade cachoeirense estava empenhada em erguer um segundo prédio para o Hospital de Caridade, uma vez que o primeiro, inaugurado em 1910, já estava acanhado para atender à demanda.

Primeiro prédio do Hospital - 1922  - Museu Municipal

Para isto, a exemplo do que aconteceu com o primeiro Hospital, contar com o auxílio da comunidade era medida importantíssima e capaz de levantar os recurso necessários para tão importante obra.

O jornal O Commercio, em sua edição do dia 18 de outubro de 1939, alertou os leitores sobre o momento crucial enfrentado pela diretoria da instituição hospitalar e comissão de construção:

O Comércio - 18/10/1939

O Hospital de Caridade de Cachoeira atravessa, no momento, a phase mais difficil de sua construcção. Escassos se vão tornando os recursos de que dispõe a directoria para fazer face ao vultoso custo do arremate da obra, do mobiliario e do aparelhamento cirurgico e clinico necessarios.
Em veemente appello dirigido, ha pouco, á população de Cachoeira, a directoria do Hospital frisou que, sem um novo esforço do povo, no sentido de effectuar o pagamento de suas contribuições já promettidas, estariam as obras na imminencia de paralisação. Felizmente o apello da directoria, que tem consagrado á essa obra o melhor de seus esforços, ecoou profundo na alma de todos os que sentem a necessidade de um Hospital á altura do progresso de Cachoeira. Muitos que já haviam contribuido, voltaram, voluntariamente, a prestar seu auxilio, com novas e maiores doações. Entretanto ainda ha muitos que deram pouco em relação ás suas posses e outros que ainda nada deram. Chegou, porém, a occasião de uns e outros prestarem o auxilio que o Hospital requer de todos, visto que, para todos, está sendo elle cosntruido e nesse sentido a sua directoria renova seu appello aos cachoeirenses para que congreguem  seus esforços em prol de uma nova campanha para a finalisação dessa grande obra que será o amparo dos necessitados e o orgulho de Cachoeira.
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Durante a semana finda registraram-se mais as seguintes contribuições: 
Exma. sra. Martha Fuerstenau 5:000$000
Exma. sra. d. Rosa Hipp               500$000
Festival realisado pelas Irmãs Missionarias  300$000
Exma. sra. d. Hilda Preussler Gressler - mobiliario completo de quarto de 2.ª classe
- Chá corrente realisado na residencia da senhorinha Adalgisa N. Xavier  250$000

A comunidade cachoeirense mais uma vez aderiu à causa, venceu as dificuldades e atingiu o objetivo de inaugurar as novas dependências de seu Hospital de Caridade e Beneficência, o que ocorreu festivamente em 19 de maio de 1940.

Hospital de Caridade - fachada da Rua 7 de Setembro - Museu Municipal

A história do Hospital de Caridade e Beneficência sempre foi marcada pelas ações comunitárias em prol de seu desenvolvimento. A gênese de tudo isto foi plantada em 1903, quando o advogado Ernesto Barros conclamou todos a se unirem em prol da causa de dotar a cidade de um hospital através da manifestação publicada na imprensa com o título de Appello aos corações generosos.

Desde então, os corações jamais deixaram de ser generosos.

MR
sexta-feira, 11 de outubro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Árvores frutíferas

Cachoeira do Sul sempre foi reconhecida como uma cidade bem arborizada e muitas são as reservas de verde existentes em seu recinto urbano, como as praças e o Parque Municipal da Cultura, com seu pouco difundido Jardim Botânico. Esta condição tem sido um dos fatores que fazem da cidade um lugar aprazível, especialmente quando as estações mais quentes causam suas ações sobre a vida dos indivíduos, sequiosos por sombras.

A manutenção de um viveiro municipal é uma prática governamental que atravessa muitas décadas. Dele saem muitas mudas de ornamentais e frutíferas para reposição nos diferentes recantos da cidade.

A prática de aquisição de árvores, quando ainda não havia um setor municipal próprio para a produção e cultivo de mudas, vem de longe. Uma nota de compra guardada dentre os documentos contábeis da Intendência Municipal, datada de 16 de julho de 1909, revela que o intendente Isidoro Neves da Fontoura adquiriu, da Granja Bom Retiro, de Pelotas, enxertos para diversas frutíferas, como laranjeiras, tangerina pequena, cerejeiras, caqui, pereiras e pessegueiros.

Nota de compra - IM/RP/SF/D-064, de 16/9/1909
Interessante é perceber que a Granja Bom Retiro, que pertencia a Ambrosio Perret, foi a mesma que forneceu as mudas de tipuanas que, no ano de 1926, foram plantadas na nova e embelezada Praça José Bonifácio pelo filho de Isidoro Neves, o intendente João Neves da Fontoura.

Tipuanas recém-plantadas - Museu Municipal

Cachoeira, ao longo de sua história e, principalmente, quando a área urbana ainda dividia terrenos com pequenas chácaras, possuía viveiros particulares, responsáveis pela comercialização de todo tipo de vegetais, incluindo verduras, flores e árvores. Eram geralmente chamadas de quintas e, dentre elas, existiam a Quinta Saldanha Marinho, de Francisco Alves Duarte, a Quinta Recreio, de Pedro Dühart Landart e Antônio Marques Ribeiro, que fornecia mudas de frutíferas para adorno e jardins, além de temperos, e que se localizava defronte ao quartel do 3.º Batalhão de Engenharia no ano de 1917. Havia também a Quinta da Granja São José, sociedade do mesmo Pedro Dühart Landart com José Herbstrith, feita em 1922, para comércio de frutíferas e eucaliptos no Passo d'Areia. Landart era homem de cultivos, pois eis que mais adiante produzia hortaliças na granja do Dr. Silvio Scopel, na Rua Duque de Caxias, e em 1931 mantinha banca de verduras no Mercado Público. Duas antigas propriedades do gênero eram a Chácara das Flores, de João José Rodrigues, que muitos anos foi jardineiro do municípío, e a Granja da Pureza, de Júlio Porto Ferraz.

Cachoeira, como se depreende pelo número de quintas e chácaras de produção, era cidade bem abastecida de plantas e árvores e, a julgar pela nota de compra da Intendência, estava buscando aprimorar a qualidade de seus pomares importando enxertos de qualificados produtores de outros lugares.

MR
sexta-feira, 27 de setembro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Uma igreja no brasão da cidade

O brasão representativo do Município de Cachoeira do Sul porta em seu escudo, na meia parte superior esquerda, em fundo azul, a silhueta de parte do frontão da Igreja Matriz, hoje Catedral, numa referência mais do que oportuna ao que este templo representa na história local.



Matriz eclesiástica de Cachoeira do Sul e testemunha da história da cidade, a Igreja Matriz chega aos 220 anos com o devido reconhecimento de sua importância. Inaugurada em 30 de setembro de 1799, desde então vem acompanhando todos os momentos históricos, fazendo parte deles em diferentes situações. Pela sua relevância, em 20 de janeiro de 1969, a Lei Municipal n.º 1379 considerou-a como monumento histórico. A lei, publicada no Jornal do Povo do dia 23 de janeiro de 1969, tem o seguinte teor:

Jornal do Povo, 23/1/1969, p. 3
Pela lei, foi considerada como "Monumento Histórico do Município de Cachoeira do Sul, a fachada da bicentenária IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, em virtude de ter sido escolhida para aparecer no brasão desta cidade e para que seja conservada à posteridade como símbolo de antiguidade e de fé".

O brasão havia sido concebido por meio de concurso, saindo vencedor o projeto do Tenente Geraldo da Silva Chaves, estudioso de heráldica.  Sua aprovação se deu pela Lei Municipal n.º 809, de 10 de dezembro de 1959, ou seja, dez anos antes de se tornar monumento histórico do município.

Em 1985, igualmente pela importância histórica e arquitetônica, a Igreja Matriz foi tombada como patrimônio histórico-cultural de Cachoeira do Sul pelo COMPAHC - Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural. Em 1991, foi criada a Diocese de Cachoeira do Sul, desmembrando-se da Diocese de Santa Maria, passando a Igreja Matriz à denominação de Catedral Nossa Senhora da Conceição que chega agora aos 220 anos de existência.

Catedral Nossa Senhora da Conceição - Monumento Histórico de Cachoeira do Sul
- Foto Renato F. Thomsen
MR
segunda-feira, 23 de setembro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

E a revolução se avizinha...

Em 24 de setembro de 1835, antevendo problemas com a ordem e segurança públicas em razão do estouro da Revolução Farroupilha, o Juiz de Paz do Centro oficiou à Câmara Municipal comunicando-a da situação: 

Officios = Do Js. de Páz do Centro = 24 de Septembro Corr.e = Que se responda disendo que com magoa recebeo a nuticia que no mesmo dá, porem que muito lhe louva o Zello que tem tomado sobre o bem estar do Municipio e que espera que Continue na serteza de que a Camara o cuadjuvara em tudo que estiver a seu Alcance. Que se fassa Publico por Editais fazendo Constár que no Municipio riscos não há de Ser perturbado; que sem que a Camara espera em Seus habitantes hajao de prestar se com união e obdiencia as Leys e a Authoridades legalm.e constituidas huma vez que o corrão serconstancias que exijão.
E por ser dada a hora o Senr" Prezidente levantou a seção E para Constar se lavrou a presente Acta em que assignarão perante mim Manoel Alves Ferrás Junior Secret.º que o escrevÿ
Joze Pereira da Silva
Joaquim Gomes Pereira
João Antonio Galvão
Antonio Joaqm. Barboza
Joaqm. Correa d'Olivra
Manoel Alvares dos Stos. Pessôa

(CM/OF/A-003, fl. 149v)

CM/OF/A-003, fl. 149v - 24/9/1835

Este precioso documento dá bem a medida das prevenções que as autoridades deviam ter diante do que se avizinhava e mostra também toda a logística de que dispunham em tempos tão remotos, de escassos meios de comunicação. Ainda que em cenário adverso, os alertas foram feitos, cumprindo as autoridades o seu papel em momento de crise e perigo.

O  exato conteúdo do ofício recebido pelo Juiz de Paz e que ensejou o alerta à Câmara, bem como o edital por ela lançado, podem ter desaparecido nas escaramuças que marcaram o longo período da guerra. Mas felizmente restou o registro, ainda que lacônico, no encadernado que guarda as atas das sessões dos que viveram o romper da Revolução Farroupilha.

MR
sexta-feira, 6 de setembro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Armas ofensivas

Em tempos de discussão a respeito do rearmamento do cidadão, interessante se deparar com um edital do século XIX, do ano de 1862, em que a Câmara Municipal da Cidade da Cachoeira declarou quaes as armas offensivas cujo uzo as autoridades policiaes poderão permittir, e os cazos em que o podem fazer, e para este fim adoptou a resolução seguinte,

Artigo 1.º
Hé prohibido trazer qualquer arma de fogo, cortante, perfurante ou contundente, excepto bengala e chapeo de Sol; sendo unicamente permittido aos officiaes de officio e carreteiros o uzo dos instrumentos proprios em quanto trabalharem, podendo removelos de um lugar para o outro durante o dia.
2.º
As autoridades policiaes poderão conceder licença 
1.º  para trazer armas de caça as pessoas insuspeitas e estabelecidas no lugar =
2.º para trazerem qualquer arma as pessoas que andarem em viagem ou nos campos, sendo os impetrantes pessoas de reconhecida probidade. Tanto no primeiro como no segundo cazo porem, se fará a expressa menção nas licenças da condição de não poderem entrar nos povoados com as armas carregadas.
3.º
Tambem poderão conceder licença para andar armado dentro das povoaçoens aquelles que justificar que sua vida se acha ameaçada, prestando porem fiança idonea em que os fiadores se obriguem a pagar a quantia de dois contos de reis, quando o afiançado cometter crime com as armas cujo uzo lhe tiver sido concedido e não for capturado, depositando alem disso o m.mo afiançado no Cofre desta Camara a quantia de quinhentos mil reis, que só poderá levantar quando tiver cessado a licença, e que perderá com a fiança quando quebrada em beneficio da m.ma Camara. 
As armas que se poderão permittir neste cazo são, pistola, faca ou punhal trazidos ocultamente, e bengala sem adaga ou estoque.
E sendo esta resolução aprovada pelo Exmo. Presidente da Provincia, mandou publicar o presente para que chegue ao conhecimento de todos, com os artigos do Codigo penal relativos ao uzo de armas, que são os seguintes - 
Artigo 297 = Uzar de armas offensivas que forem prohibidas. Penas de prizão por 15 a 60 dias e de multa correspondente a metade do tempo, alem da perda das armas.
Artigo 298. Não incorrerão nas penas do artigo antecedente.
§1.º Os officiaes de justiça andando em diligencia.
§2.º Os militares de 1.ª e 2.ª linha e ordenanças andando em diligencia ou em exercicio, na forma de seo regulamento.
§3.º Os que obtiverem licença dos juizes de Paz.
Paço da Camara Municipal da Cidade da Cachoeira 11 de Abril de 1862.
O Vereador Presidte.
Ferminiano P. Soares
O Secretario
Antonio Joze de Almada
(CM/S/SE/RE-002, fls. 266v a 267v)

O edital lançado pela Câmara dava cumprimento ao disposto no artigo 299 do Código Criminal da época (1830), que determinava: 
Art. 299. As Camaras Municipaes declararão em editaes, quaes sejam as armas offensivas, cujo uso poderão permittir os Juizes de Paz; os casos, em que as poderão permittir; e bem assim quaes as armas offensivas, que será licito trazer, e usar sem licença aos occupados em trabalhos, para que ellas forem necessarias. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/LIM-16-12-1830.htm)



CM/S/SE/RE-002 - Edital de 11/4/1862

O edital em questão deve ter sido afixado em cópias nas paredes dos principais prédios da Cachoeira de 1862, especialmente na Igreja Matriz, e provavelmente no edifício do Império do Divino Espírito Santo e no "teatro velho", então as construções mais imponentes. Em 1862 ainda não existia nenhum jornal em Cachoeira para difusão do conteúdo do edital pela imprensa.

O presidente da Câmara, que assinou o documento, era Ferminiano Pereira Soares, o homem que estava construindo o prédio da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, obra iniciada um ano antes.

Interessante destacar do conteúdo do edital o que se refere ao tipo de armas, sendo a bengala considerada uma delas, especialmente se escondesse um punhal, artefato muito utilizado pelos senhores no século XIX como parte da indumentária. Era pois um acessório do vestuário e, em alguns casos, arma de proteção pessoal.

Comparando o edital de 1862 com as possibilidades de armamento em 2019 percebe-se o quanto o poder letal das armas foi aumentado de lá para cá, seja pela evolução da indústria bélica, seja pela natureza das relações/reações dos homens de hoje.

MR