sexta-feira, 15 de março de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Château d'Eau colorido

Quem passa pela Praça Dr. Balthazar de Bem e observa a monumentalidade do Château d'Eau nem sequer imagina que há décadas atrás uma inusitada ação conferiu-lhe aspecto diverso do que fora planejado por seus construtores.

Praça Dr. Balthazar de Bem - Foto Renato F. Thomsen

É provável que muitos ainda lembrem que as ninfas receberam uma pintura que coloria seus cabelos, túnicas e cântaros. Logicamente houve reações contrárias à audácia de desfazer a imagem monocromática original das divindades que circundam o monumento. Para os autores da proeza, talvez a motivação tenha sido a ilusão de dar às figuras mitológicas ares de meras mortais.



Em agosto de 1964, um dos vereadores que compunham a Câmara Municipal, Erondino Rael da Rosa, escreveu um texto que discorre sobre as ninfas em que justifica a pintura que receberam:

Texto de Erondino Rael da Rosa - Fundo Prefeitura Municipal
- sem classificação

Ninfas. Permitam-me falar sôbre ninfa, em virtude de se tratar de uma figura existente na mitologia, e pela razão de não ser mitólogo. No entanto, nem por isso, acho-me privado de falar ou escrever a respeito de mitologia. 

Existem muitas obras que tratam de mitologia, e, estão ao alcance de qualquer pessoa. De acordo com o que já li, a palavra (vocábulo) ninfa, significa: Divindade fabulosa dos rios, dos bosques e dos montes, segundo a mitologia grega e latina. Fig. Mulher formosa e jovem.

Ora, as fabulosas ninfas de que trata a mitologia eram verdadeiras deusas da beleza, e teriam, lògicamente, que ter suas vestes, também belas. Logo assim, não vejo motivos para críticas, naturalmente, destrutivas, em relação à pintura de nossas ninfas. As ninfas da Praça Baltazar de Bem. A nossa querida Praça da Matriz.

Na parte superior do "chateau deaux", isto é, em cima da caixa d'água está postado o rei dos mares, Neptuno. Em baixo ao redor, as ninfas rainhas dos rios, dos bosques, dos montes e dos prados. Depois, o lago onde está instalada a fonte luminosa. À esquerda, a Igreja Matriz, a Casa de Deus. À direita a Prefeitura Municipal, a Casa do Povo. Na parte sul, o busto de um dos mais eminentes filhos da terra, o Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha. Na outra parte, o de Antônio Vicente da Fontoura, figura destacada do passado.

A Praça da Matriz, certamente, servirá de orgulho não tão sòmente aos cachoeirenses, mas, a todos os rio-grandenses.


Cachoeira do Sul, 26 de agôsto de 1964.-
Erondino Rael da Rosa

A defesa das cores das ninfas feita no texto do vereador não esclarece se a pintura já estava realizada ou se era apenas uma cogitação. O fato é que ela se concretizou. Não foram ainda localizadas notícias sobre a obra para apurar maiores detalhes ou até mesmo a motivação da iniciativa. Tampouco são conhecidas fotografias deste período... 

Quanto tempo assim permaneceram as coloridas ninfas? Que reações provocaram nas pessoas? O Arquivo Histórico lança o desafio aos cachoeirenses para varrerem seus arquivos em busca de provas desta "aventura" pictórica...

MR
sexta-feira, 8 de março de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Mulheres em pauta

Apesar de todas as conquistas das mulheres nos mais diversos segmentos, ainda pouco se fala de seu papel na história, porque a elas sempre foi relegada posição secundária na sociedade. Mas em todas as épocas mulheres se destacaram, rompendo barreiras e fazendo a diferença.

Na história de Cachoeira houve muitas mulheres protagonistas, como Clarinda Francisca Porto da Fontoura (1814-1877), a esposa do Comendador Antônio Vicente da Fontoura, que tocou a vida da família sem a presença do marido na maior parte do decênio farroupilha; como Cândida Fortes Brandão (1862-1922), a primeira professora de Cachoeira formada pela Escola Normal de Porto Alegre e que para lá foi sozinha estudar; e mais recentemente, a museóloga Lya Wilhelm  (1928-2013) que imprimiu uma marca impressionante no cenário cultural de Cachoeira do Sul.

Fototeca Museu Municipal

A música, para citar apenas um dos segmentos de atuação assertiva das mulheres, foi espaço ocupado por elas com muita personalidade. Maria de Lourdes Figueiró, Lise Santos, Dinah Néri Pereira, Rita de Cássia Fernandes Barbosa foram expressões da área. Nas artes, idem, começando pela ceramista Hilda Goltz, uma precursora da arte da fotografia em Cachoeira, com ateliê próprio, e depois introdutora da cadeira de cerâmica na Escola Nacional de Belas Artes. Fez história fora de sua terra natal, deixando como marca uma personalidade à frente de seu tempo.

Busto da pianista Rita de Cássia Fernandes Barbosa
- Acervo do Museu Municipal

Fototeca Museu Municipal

Inúmeras são as mulheres que orgulham esta terra, desde as que granjearam sucesso em suas áreas de atuação e deixaram obras a serem admiradas quanto as que desempenharam e ainda desenvolvem atividades corriqueiras, sem o glamour da fama ou do reconhecimento público.

Trabalhadora com filhos - Fototeca Museu Municipal

Às mulheres cabem vários e simultâneos papéis, razão de terem um dia do ano inteirinho em sua homenagem.

MR
sexta-feira, 1 de março de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Festejos de Momo

Fantasia antiga de Momo - www.riodejaneiroaqui.com

Os festejos de Momo, como normalmente eram tratadas as comemorações de carnaval no passado, apesar de diferenças de animação de ano para ano, dificilmente deixaram de acontecer em Cachoeira, conforme os registros que ficaram nos exemplares de jornais que estão disponíveis para pesquisa no acervo de imprensa do Arquivo Histórico. 

Desde 1900, quando O Commercio começou a circular, já há notas sobre o Carnaval:

O Commercio,  31/1/1900, p. 2 

O carnaval, em bôa hora o dizemos, não passará despercebido entre nós. Sabemos que alguns distinctos cavalheiros da nossa sociedade pretendem solemnisar com um baile á phantasia e outras diversões, a passagem do deus Momo, que, apesar de muito velho, é o mesmo folião de sempre. Feliz lembrança; não ha duvida. (O Commercio, Ano I, N.º 5, de 31 de janeiro de 1900, p. 2).

Na edição do mesmo jornal, dia 14 de fevereiro de 1900, outra notinha:

O Commercio, 14/2/1900, p. 2

Carnaval. O nosso projectado carnaval, que já era considerado morto e bem enterrado até, parece que renascerá com novo e desusado esplendor. Não querem vêr que o endiabrado se assemelha mesmo á phenix da fabula.

Ainda nas notícias do ano de 1900, em 28 de fevereiro, O Commercio faz outra referência ao carnaval:

Estiveram pouco animados os festejos carnavalescos entre nós, que quasi cifraram-se em dois coretos com as respectivas bandas de musica e nalguns mascaras em excursão pelas ruas da cidade. Não fôra o baile á phantasia, dos Pyrilampos, e poderiamos dizer que não tiveramos carnaval. Em compensação, porém, o jogo do entrudo esteve muito forte. Aproveitamos o ensejo para agradecer aos amaveis Pyrilampos a gentileza do convite.

E concluindo as notícias de 1900,  O Commercio dá a medida do "enterro dos ossos", em edição de 7 de março:

O Commercio, 7/3/1900, p. 3

Club Moçambique. Percorreu domingo ultimo as principaes ruas desta cidade o caracteristico e alegre grupo carnavalesco Moçambique, celebrando os funeraes do desalentado carnaval deste anno. O enterro dos ossos foi effectuado com os rigores do ceremonial, ao entoar de um canto funebre por entre lamentações. Á frente ia o caixão do finado - um magro porco assado, em torno do qual aquelles que cumpriam o dever de acompanhal-o á ultima morada, agitavam-se, como corvos junto a carniça; em seguida ia um pequeno andor cuja verdadeira significação não nos foi dado compreender, e por ultimo sagrado pallio guardando os sacerdotes que deviam lançar a extrema uncção sobre o morto. A despeito do desanimo reinante domingo por toda a cidade, os Maçambiques conseguiram despertar geral attenção, apresentando-se com espirito, tanto que nos pareceu mais alegre depois de morto do que mesmo em vida, o nosso invalido carnaval.

Como se depreende das notícias d'O Commercio, o carnaval de 1900 não foi dos mais animados, tendo sido salvo pelo grupo Moçambique que, ao findar dos festejos, no chamado "enterro dos ossos", desfilou pelas principais ruas de Cachoeira, chamando a atenção e demonstrando mais alegria do que o próprio carnaval tinha conseguido despertar entre os foliões naquele ano.

Interessante ressaltar que o grupo que portava o sugestivo nome de Moçambique, apesar de não haver alusão à etnia dos integrantes, certamente era composto por negros praticantes de manifestação folclórica de raiz africana, cuja passagem do tempo fez desaparecer entre nós. Só por este aspecto, sem contar a delícia de poder ser remetido ao passado pelas páginas d'O Commercio, os festejos de Momo em 1900, ainda que não tenham sido esplendorosos, nos remetem aos traços culturais que forjaram o carnaval como uma das mais ricas manifestações do povo brasileiro.

MR
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

BANRISUL - 90 anos em Cachoeira do Sul

Quem chega pela primeira vez a Cachoeira do Sul e persegue o trajeto feito pela Rua Sete de Setembro se depara, antes da "subida dos bancos", com uma verdadeira joia do passado:  um imponente prédio encimado por figuras escultóricas representativas das atividades comerciais e industriais.

Agência central do Banrisul - foto Renato F. Thomsen
Figuras escultóricas do frontão do Banrisul - foto Renato F. Thomsen
Vista geral do prédio principal - foto Renato F. Thomsen

Este prédio, inaugurado em 1922, foi erguido pelo Banco Pelotense, instituição financeira fundada em 5 de fevereiro de 1906 por pecuaristas, charqueadores, comerciantes e profissionais liberais na cidade de Pelotas. Fazia parte da estratégia de marketing do banco a construção de prédios suntuosos, clara demonstração de riqueza e opulência que também acabou por decretar grande endividamento à instituição. Boa parte destes prédios ainda estão em pé nas cidades em que o Banco Pelotense funcionou, servindo alguns ainda hoje como agências para o Banco do Estado do Rio Grande do Sul - Banrisul, fundado em 1927, e que o encampou depois.



Banco Pelotense - Fototeca Museu Municipal


A inauguração da agência do Banco do Rio Grande do sul se deu em 25 de fevereiro de 1929 e foi assim noticiada pelo jornal O Commercio:

Banco do Rio Grande do Sul. - Á tarde de ante-hontem, no predio da rua 7 de Setembro n.º 221, foi inaugurada a succursal que o Banco do Rio Grande do Sul, de credito rural e hypothecario, installou nesta cidade.


Alguns minutos depois das 3 1/2 horas, reunidos muitos comerciantes, industrialistas, criadores, representantes dos estabelecimentos bancarios locaes e da imprensa, estando presente o sr. intendente municipal, fez uso da palavra o dr. João Neves da Fontoura.

Após ligeiras considerações sobre a utilidade do novo instituto, que vem favorecer principalmente a agricultura e a criação, pelo emprestimo de dinheiro a juro modico e a prazo longo, o dr. João Neves deu por inaugurada a succursal do Banco do Rio Grande do Sul, sendo as suas palavras seguidas de forte salva da palmas.

Logo após foi servida uma taça de champagne aos presentes, que foram gentilmente recebidos e tratados pelos srs. Edgar Leite, gerente da succursal, e Silecio Pinós, collector estadual.

Da inauguração foi lavrada uma acta pelo sr. Wladimir Gama, escrivão da collectoria, acta que foi assignada pelos presentes.

Congratulando-nos com a nossa população pela installação da succursal do Banco de Credito Rural e Hypothecario, fazemos votos para que a sua actividade fructifique em beneficios de toda ordem.

(O Comércio, 27/2/1929, p. 4.)

O Banrisul está consolidado como uma das mais populares instituições financeiras; é um patrimônio dos gaúchos. A sua agência central, em Cachoeira do Sul, é patrimônio histórico-cultural dos cachoeirenses e tem sido utilizada, desde a sua construção, sempre como instituição bancária, o que constitui marco na história do Banco do Estado do Rio Grande do Sul.

Parabéns, Banrisul!

MR
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

17 de fevereiro de 1939: primeiro aniversário da "Casa dos Astros"

Em 17 de fevereiro de 1939, a cidade comemorou, com pompa e alegria, o primeiro aniversário do grandioso, moderno e apreciadíssimo Cine-Teatro Coliseu. Desde a inauguração, aquela casa de espetáculos tinha definitivamente conquistado os cachoeirenses que lotavam as diferentes sessões e transformavam o coração da Rua Sete de Setembro em ponto de encontro e de grande circulação.

O jornal O Comércio do dia 22 de fevereiro de 1939 traz a notícia:

Jornal O Comércio, 22/2/1939, p. 1
Acervo de Imprensa do AH

O 1.º anniversario da "Casa dos Astros"
A's 5 horas de 17 de Fevereiro de 1938, Cachoeira, a "Cidade Formosa", assistia "São Francisco a Cidade do Peccado", através á téla do novo e magestoso Cine-Theatro Coliseu, dentro do qual havia o perfume da graça, a elegancia da arte e a imponencia do bello.

Com chave de ouro se festejava, então, o inicio da actuação da "Casa dos Astros".

Agora que decorre um anno, a sua commemoração constituiu um acontecimento de invulgar brilhantismo, a qual se verificou sexta-feira passada.

A fachada ornamentada com harmonia e arte, onde se viam em combinações de luzes, expressivos dizeres, chamava a attenção de todos, despertando, tambem, enthusiasticos commentarios, o hall e outras dependencias do Theatro pela precisa e bella disposição dos quadros e vasos com folhagens, ornamentação essa que foi feita sob a orientação do pintor-amador, sr. Luiz Figueiredo.

O film escolhido para esse dia, - "Heidi" - foi assistido  por uma grandiosa assistencia e culminou num extraordinario successo, pois para assim acontecer, a Empreza nos brindou o sorriso e a graça de Shirley Temple, a estupenda artista.

Depois do espetaculo cinematographico, os srs. Henrique Commasseto e Algemiro Carvalho ofereceram em sua residencia, champagne e outros finos liquidos e doces ás numerosas pessoas que os foram felicitar.

Aquelles proprietarios do Cine-Theatro tambem receberam muitos telegrammas e phonogrammas de felicitações, tanto desta cidade como das outras do Estado.

Fachada do Cine-Theatro Coliseu engalanada para o 1.º aniversário
- Fototeca Museu Municipal
Hall do Coliseu adornado por Luiz Figueiredo para o 1.º aniversário
- Fototeca Museu Municipal

Como bem demonstra a matéria jornalística pela farta adjetivação e descrição do ambiente festivo, o primeiro aniversário do empreendimento de Henrique Commasseto e Algemiro Carvalho foi tão impactante como havia sido a inauguração do Cine-Teatro Coliseu, um ano antes. Da mesma forma que em 1938 o filme inaugural trazia como principal ator o então grande astro Clark Gable, no primeiro aniversário também a "fita" era estrelada pela pequena atriz-prodígio, Shirley Temple, justificando assim a alcunha de "Casa dos Astros", empregada pelo jornal.

Shirley Temple e Jean Hersholt - Heidi , 20th Century Fox - 1937
- Pinterest
Nos dias de hoje, quando o que restou do pomposo e imponente prédio do Coliseu estava a despertar a ira de alguns e a compaixão de outros, eis que a luz da renovação anunciada pela sua restauração vem de animar e revitalizar uma das páginas mais alegres e saudosas da nossa história.

MR
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Disciplinamento do Trânsito em 1928

Quem percorre as ruas de Cachoeira do Sul percebe as dificuldades causadas pela intensa circulação de veículos. Ainda que a movimentação cause transtornos, especialmente na obtenção de vagas para estacionamento, é preciso compreender a cidade como um espaço que pouco ou quase nada fez para receber, distribuir e conviver com tamanho fluxo. As ruas centrais conservam essencialmente o desenho reproduzido por João Martinho Buff em 1850, quando ruas poeirentas só recebiam o trânsito de pedestres, cavalos, mulas, carroças e carros-de-boi. 

Imaginemos então a possibilidade de transportar um habitante do passado para os nossos dias. Datemos a transposição no ano de 1928, escolhendo como destino a Rua Sete de Setembro em 2019. Certamente o passageiro do passado seria guindado à estupefação. Seus olhos incrédulos procurariam as referências de seu tempo - quase todas desaparecidas - e instantaneamente ele pensaria aonde fora parar o guarda que controlava o trânsito nas proximidades do relógio. Em seus pensamentos visualizaria os poucos veículos de sua época circulando sob as ordens do guarda. Como agora, ou melhor, no seu futuro, tantos carros e outros veículos para ele desconhecidos conseguiam circular em tamanha quantidade sem um guia?

Rua Sete de Setembro - 1928 - Fototeca Museu Municipal

Guarda nas proximidades do relógio público - Rua Sete de Setembro
- Fototeca Museu Municipal

Conjeturas à parte sobre as diferenças entre 1928 e 2019, interessante é que justamente naquele final da década de 1920 a Intendência Municipal, então preocupada com a regulamentação do trânsito público, decretou medidas para melhorar a sua efetivação:

Decreto n.º 268

No uso das attribuições que me confére a Lei Organica, art. 17, n.º 4, considerando a necessidade de melhor regulamentar o trânsito publico, resolvo, ampliando as demais disposições estatuidas em os decretos anteriores,
Decretar:
Art. 1.º - Os vehiculos não poderão parar a menos de cinco metros dos cruzamentos de ruas.
Art. 2.º - Os vehiculos não poderão descer as ruas 24 de Maio* e 7 de Setembro, nas seguintes quadras:
Paragrapho 1.º - Na rua 24 de maio entre as ruas Saldanha Marinho e 7 de Setembro.
Paragrapho 2.º - Na rua 7 de Setembro, entre o Largo Colombo** e a rua Venancio Ayres***.
Art. 3.º - Os vehiculos não poderão subir a rua Saldanha Marinho no trecho compreendido entre a rua Venancio Ayres e o trilho da Via Ferrea.
Art. 4.º - Os vehiculos não poderão fazer a volta contornando o relogio publico que esta sendo installado á Praça José Bonifacio, na face da rua 7 de Setembro.
Art. 5.º - Revogam-se as disposições em contrario.
Intendencia Municipal, 16 de Fevereiro de 1928.

Fonte: IM/GI/DA/ADLR-010, fls. 229 e 230.

Capa do livro IM/GI/DA/ADLR-010

Decreto n.º 268, de 16/2/1928 - IM/GI/DA/ADLR-010, fls. 229 e 230

*Rua 24 de Maio: atual Rua Dr. Sílvio Scopel.
**Largo Colombo: fronteiro à Estação Ferroviária.
***Rua Venâncio Aires: atual Rua Presidente Vargas.

Como provam os documentos do passado, disciplinamento do trânsito e modificações no fluxo da cidade já constituíam preocupações dos gestores há mais de 90 anos. Veículos e suas facilidades também já marcavam aqueles distantes tempos, quando seu uso cada vez maior começava a modificar a rotina antes pacata e calma da cidade.

Rua Sete de Setembro a partir da esquina com Venâncio  Aires - atual Presidente Vargas
- Fototeca Museu Municipal

MR
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Asilo da Velhice Nossa Senhora Medianeira - 70 anos

Em 6 de janeiro de 1949, na sede da SCAN - Sociedade Cachoeirense de Auxílio de Necessitados, aconteceu uma reunião para fundação e eleição da primeira diretoria do Asilo da Velhice Nossa Senhora Medianeira. A reunião foi promovida pela senhorita Rica Carvalho Bernardes e presidida pelo Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, prefeito municipal.

O jornal O Comércio, edição do dia 12 de janeiro de 1949, em sua primeira página, traz a notícia: 

Asilo da Velhice Nossa Senhora Medianeira
Eleita presidente a senhorinha Rica Carvalho Bernardes

(...)

Esta reunião foi concorridissima e preliminarmente os trabalhos estiveram sob a presidência do dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, prefeito Municipal, que após declarar abertos os mesmos, explicou aos presentes a finalidade daquela assembleia, tendo a seguir procedido a leitura dos estatutos que regerão a nova entidade, os quaes foram aprovados por unanimidade.

Dr. Liberato S. V. da Cunha - prefeito municipal
- Fototeca Museu Municipal

Em seguida foi procedida a eleição da primeira diretoria, decorrendo a votação em meio de grande entusiásmo. Serviram como escrutinadores os srs. dr. Ari Pilar Soares e Miguel Fachin, que proclamaram vencedora a seguinte chapa:

Presidente Rica Carvalho Bernardes; Vice idem, José Joaquim de Carvalho; 1.º secretário, Emiliana Saldanha; 2.º idem, Erich Engel; 1.º tesoureiro, Miguel Fachin; 2.º idem, Aida Elwanger.

D. Rica Carvalho Bernardes - Fototeca Museu Municipal

Comissão de Contas: Honorino J. de Freitas, Edwino Schneider e Achylles Figueiredo.

Convidando a presidente eleita, o dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, transmitiu o cargo, à senhorinha Rica Carvalho Bernardes, empossando tambem os demais membros eleitos.

Nesta ocasião o dr. Liberato S. V. da cunha, usando da palavra exteriorisou as suas felicitações e dos demais presentes à primeira presidente da nóvel entidade, fazendo votos para que o Asilo preenchesse realmente as suas verdadeiras finalidades, de dar amparo à nossa velhice pobre.

Setenta anos se passaram. O Asilo Nossa Senhora Medianeira atravessou décadas prestando o amparo que o Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha almejava em 1949. Hoje, apesar das mudanças havidas no tempo e inclusive no emprego da terminologia relativa às pessoas que alcançam idade avançada, a instituição também alargou sua assistência, abrangência e credibilidade. A par de muitas dificuldades, de hercúleo envolvimento dos voluntários e de lutas que enobrecem ainda mais o seu trabalho, o Asilo oferece uma opção de vida assistida àqueles que já perderam o vigor, a independência e, muitas vezes, os vínculos com a família e a sociedade.

Prédio principal do Asilo da Velhice Nossa Senhora Medianeira
http://www.asilomedianeira.org.br

Muito ainda é preciso avançar, mas chegar aos 70 anos sem se desvirtuar das verdadeiras finalidades é como erguer um troféu. Parabéns a todos que ao longo das últimas sete décadas têm entregue um pouco de si à causa dos que muito já deram para a sua comunidade.

MR