sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Coca-Cola X Kola Soel

Provavelmente toda pessoa, em qualquer momento da sua vida, experimentou ou experimentará uma Coca-Cola, o refrigerante mais popular, mais vendido e mais difundido pelo mundo.

Publicidade da Coca-Cola em 1890
- http://origemdascoisas.com/a-origem-da-coca-cola/

Criada nos Estados Unidos no final do século XIX (1886), a Coca-Cola nasceu de um dos tantos experimentos do farmacêutico John Pemberton, que estava atrás de uma bebida que pudesse ser consumida livremente numa época de puritanismo religioso e com forte campanha antiálcool. Além do mais, pelos ingredientes originais, a bebida também apresentava uso medicinal.

Pemberton não usufruiu do sucesso de sua criação, pois vendeu a fórmula em 1888 por 1.750 dólares para Frank Robinson. Em 1891, Asa Griggs Candler, farmacêutico e empresário, comprou-a de Robinson, transformando a marca num grande negócio que muito prosperou com seus próximos investidores.

No Brasil, a Coca-Cola chegou em 1941, durante a II Guerra Mundial, instalando-se em Recife para atender aos soldados americanos que operavam em uma base militar naquela cidade.

O interessante é que no mercado local, já na década de 1920, havia um produto cujo nome remete ao do famoso refrigerante e que parecia guardar, em sua essência, a proposta original do farmacêutico Pemberton, ou seja, de também ser usado como remédio. Trata-se da Kola Soel.

Anúncio do produto no jornal O Commercio, de 14/3/1928 
A Kola Soel, segundo o anúncio, era o maior tonico que existe. Tinha o poder de reparar organismos enfraquecidos, cansados, raquíticos. Também oferecia vantagens para as senhoras que amamentam não só porque augmenta o leite, mas porque tonifica a creança. E terminava a propaganda dizendo: Garante-se 1/2 kilo de 15 em 15 dias. 

Coca-Cola e Kola Soel guardam pontos em comum. Nascida a famosa marca de uma mistura de folhas de coca e noz de cola, ingredientes com efeito sobre náuseas e dor de cabeça, depois de muitos experimentos de Pemberton, necessitou de boa adição de açúcar para suprimir o amargor. A congênere, pelo que se deduz do anúncio, certamente também utilizava uma porção generosa de açúcar, fórmula sempre eficaz para garantir quilos extras aos seus consumidores. E apesar dos idos tempos em que ambas surgiram (a Kola Soel obteve registro em maio de 1916), seguem firmes e fortes no mercado, atendendo a segunda pelo nome atual de Kola Fosfatada Soel. 

MR
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Rei Momo preparando-se para a estrepitosa arrancada

Em 2018 não haverá carnaval de rua em Cachoeira do Sul. Ou melhor, o carnaval com apoio institucional não terá os tradicionais desfiles de rua. Mas como carnaval é paixão, alguns blocos carnavalescos irão levar a folia para as ruas, fazendo seu tributo a Momo e aos folguedos típicos desta época.

Os desfiles de rua há muito aconteciam em Cachoeira e tais registros aparecem na imprensa desde 1900, quando surgiu O Commercio, jornal de que foi preservada a coleção.

Há 100 anos, os cachoeirenses de então reuniram-se na Praça das Paineiras para ver os corsos passarem, atirando-se ao "jogo do confete e serpentina". Em 1928, alguns blocos, como os Grooms  e Os Fidalgos promoveram "um animado corso na Avenida". Havia também o bloco Os Futuristas, "do Alto", e o Sai da Frente.

Em 1938, O Commercio, edição do dia 16 de fevereiro, traz a seguinte notícia em sua primeira página:

"Rei Momo" preparando-se para a estrepitosa "arrancada". Rei Momo vae iniciar, esta semana, seus preparativos para a retumbante "arrancada" de 26 e 28 de Fevereiro e 1.º de Março. 
Assim, hoje, quarta-feira, está projectada uma forte "investida" á residencia do sr. Edwino Schneider.

Casa adquirida por Edwino Schneider em 1928 - Fototeca Museu Municipal

Sabbado, ao que consta, haverá, no Commercial, um baile burlesco, entre cujos blocos surgirão, com aquella animação que os caracterisam, o desacatante "Carurú" e os ruidosos "Casados" e "Solteiros".

Bloco carnavalesco defronte à sede do Clube Comercial - AP João Carlos Mór

Também é provavel que, neste dia, os diversos cordões das ruas façam a sua exhibição, notadamente: "Floresta-Aurora", o terror dos paralelepípedos; "Filhas do Trabalho" e o "Bloco dos Sargentos", cujos dois ultimos obtiveram, no carnaval passado, um grance successo.
Por sua vez, o Concordia e Sociedade Italiana não ficarão, indubitavelmente, sem darem uma nota magnifica, distincta, assim como a do anno transcurso, que foi fulgurante.
Pelo que observamos, parece que apezar das "crisias" e outras "brusuras" (como diz o Bichinho), teremos um carnaval regular, pois o movimento no sentido de organizações de blocos vae estendendo, sendo confeccionadas letras e adaptadas musicas para sambas, canções e marchas.
São as seguintes as marchas e canções das "enfezadas turmas" do Commercial:
"Maria Sapeca", "Ama secca", "Eu dei", "Que horas são?", "Nos callos não me pise", "Apanhar não é prazer", "Vem, meu bem", "Você gosta de brincar", "Yes, nós temos bananas" e "Vacca preta".

Bloco carnavalesco Fica Firme - década de 1930 - Clube Comercial
- AP João Carlos Mór

Como se vê, há muito Momo reina sobre as plagas cachoeirenses e o povo, mesmo em situações adversas, acha um jeito de render-lhe divertidas homenagens.

MR
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Fevereiro de 1918 - reabertura do Colégio Alemão-Brasileiro

Em fevereiro de 1918, o mundo ainda estava sob o efeito da 1.ª Guerra Mundial, cujo fim só aconteceria em novembro. Cachoeira não estava alheia aos acontecimentos e vivia também consequências do conflito mundial. Uma delas foi o fechamento do Colégio Alemão-Brasileiro, hoje Colégio  Sinodal Barão do Rio Branco, em razão de lá ser ministrado o ensino na língua alemã. O próprio nome da escola era alemão: Deutsch Brasilianische Schule. 

Deustsch Brasilianische Schule
O jornal O Commercio, em sua edição do dia 6 de fevereiro de 1918, traz uma boa notícia para a comunidade evangélica, tão ciosa da oferta de educação para os seus filhos:

Reabertura de uma escola. No principio do mez de Janeiro esteve na Intendencia Municipal a directoria da escola mantida pela Communidade Evangelica da Cachoeira, composta dos srs. Ernesto Müller, Augusto Wilhelm e Emilio Schlabitz, solicitando permissão para ser reaberta a referida escola, com a condição de leccionar sómente a lingua portugueza.

O capitão Francisco Gama consentiu na reabertura, sob o compromisso formal de ser ministrado exclusivamente o ensino da lingua vernacula.

Posteriormente foi pedida á Intendencia, pela referida directoria, uma relação dos livros adoptados nas escolas publicas, a qual foi fornecida.

As autoridades locaes exercerão a fiscalisação da referida escola, que foi reaberta no dia 4, às 8 horas da manhã.

São professores daquelle estabelecimento de ensino o sr. Gustavo Schreiber, a exma. sra. d. Gertrudes Mützel e o sr. pastor Germano Dohms, que tambem exerce as funcções de director.

A notícia acima mostra que houve um importante acordo entre o Intendente, Capitão Francisco Fontoura Nogueira da Gama, e o diretor da escola, o Pastor Germano Dohms, também a liderança religiosa da comunidade e porta-voz de decisão tomada entre os seus membros.

Augusto Wilhelm e Ernesto Müller que junto a Emílio Schlabitz
solicitaram a reabertura da escola 


Capitão Francisco Gama - Intendente
- Galeria de Intendentes
Pastor Hermann (Germano) Dohms - Portal Luterano

O Pastor Dohms, um dos grandes nomes do Sínodo Rio-Grandense, havia chegado em Cachoeira no ano de 1914, quando a comunidade contava apenas com 44 membros, mas já havia construído um prédio para a escola, onde ele encontrou acomodação para morar em um pequeno apartamento e um auditório para realizar os cultos. Tornou-se o primeiro diretor da escola, voltando-se para a educação da juventude. Em dois anos, aumentou o número de alunos de 47 para 137 matriculados. De ano em ano, segundo informações do Pastor Kurt Benno Eckert*, ia acrescentando uma série, chegando ao final de quatro anos a contar com oito séries. Por esse tempo, o Colégio Alemão-Brasileiro equiparou-se às mais requintadas escolas da capital. Dohms também foi o criador do "Proseminar" - Instituto Pré-Teológico para formação de pastores luteranos. O prédio do Proseminar foi erguido em seis meses no ano de 1917, projetado pelo arquiteto Hans von Hof.

Prédio do antigo Proseminar - tombado - Arquivo COMPAHC
Anos mais tarde, como mostra anúncio n'O Commercio de junho de 1933, a escola era chamada Colégio Brasileiro-Alemão.

Anúncio n'O Commercio - janeiro de 1933

A mais do que centenária história do Colégio Sinodal Barão do Rio Branco mostra a força da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Cachoeira do Sul e das suas lideranças desde 1893, ano da sua criação, dando sustentação à trajetória importantíssima deste educandário que tantas gerações formou e ainda formará.

*Fonte: livro Quando Florescem os Arrozais - História da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Cachoeira do Sul, Pastor Kurt Benno Eckert. Martins Livreiro - Editor, Porto Alegre, 1994.

MR
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Pontes na Ferreira, problemas de hoje e de sempre!

O século XXI corre célere, mas problemas que pelo adiantamento das técnicas hoje oferecidas já não deveriam mais causar transtornos teimam em reincidir!  Um deles é o caso de uma ponte na Ferreira, na Estrada VRS-809, cuja solução de mais um desmoronamento está a causar dores de cabeça aos gestores e, principalmente, aos moradores daquela localidade. 

Mas havia outra ponte que em 1857 tinha sido destruída por uma poderosa enchente e que estava a causar dores de cabeça às autoridades. No início da década de 1860, a Câmara Municipal andava às voltas com a reconstrução dessa ponte e uma correspondência remetida ao presidente da Província, Dr. Esperidião Eloy de Barros Pimentel, em 16 de janeiro de 1863, dá mostras do quanto este tipo de obra demandava ações que esbarravam em todo tipo de problema, desde a burocracia da época, os recursos, sempre escassos, e até o imponderável. 

Depois de processo de abertura de edital público para apresentação de propostas de empreiteiros, galgou a condição de  concorrente a de Manoel Pires dos Santos Jacuhy, cujo cumprimento das exigências tornou-se difícil em razão do que era proposto aos fiadores. Mas eis que, além das dificuldades, o imponderável também aconteceu: o falecimento do pretendente. Em consequência disso, a presidência da Província havia mandado afixar novos editais de concorrência em todos os distritos, porém os que apareceram não se dispunham a depender da Contadoria Provincial, sempre morosa nos pagamentos, além de calcarem suas incertezas na experiência do que Manoel Jacuhy havia vivido. Assim, diante do recebimento de uma nova proposta, aparentemente mais vantajosa que a anterior, a Câmara oficiou ao presidente da Província recomendando-a:

Illmo. Exmmo. Snr. A Camara Municipal da cidade da Cachoeira, tendo recebido em seu devido tempo o officio de VExcia, sob N 21 de 21 de Agosto do anno proximo passado, autorisando-a a receber as propostas que se lhe appresentassem para a factura da ponte no arroio da Ferreira, visto ter ficado de nenhum effeito a proposta apesentada por Manoel Pires dos Santos Jacuhy; em consequencia do fallecimento d'este mandou fixar editaes em todos os districtos convocando concorrentes para a factura da referida obra. Com effeito alguns pretendentes aparecerão, mas desde que tinhão de luctar para a realisação do contracto, visto como é aqui sabido que não foi elle effectuado com o finado Jacuhy, não obstante apresentar elle dous fiadores idoneos, por lhe ter sido exigido uma justificação dos bens que possuião os ditos fiadores, e uma certidão do cartorio do registro geral das hypothecas de que aquelles bens se não achavão hypothecados. Agora porém, apresentou Santiago Ferrari a proposta que a Camara tem a honra de passar as mãos de VExcia, offerecendo faser a ponte pela quantia de seis contos de reis, substituindo a parte que deve ser de madeira por pedra e tijolo. A Camara é obrigada a enformar a VExcia que julga esta proposta mais vantajosa do que qualquer que lhe fosse apresentada de conformidade com o orçamento, por que a pequena differença de seis contos e tantos mil reis é sobejamente indemnisada com o trabalho e despesas que lhe vão accrescer. Pelo convencimento que tem a Camara das habilitações do proponente não hesita em informar a VExcia da vantagem que entende colherá este Municipio, bem como o transito publico em aceitação d'esta proposta, não duvidando mesmo entrar com o dinheiro de seus cofres, que fôr preciso para [?] excesso da quantia por que foi arcada, se VExcia assim o determinar. E para evitar as defficuldades da arrematação que acima ponderou, espera que VExcia a autorise a faser o contracto da referida ponte, e a fiscalisar a obra até a sua conclusão, ficando VExcia certo que esta Camara envidará todos os seus esforços para que a obra seja feita com a maior solidez e perfeição. Ds Gde a VExcia. Paço da Camara Municipal 16 de Janeiro de 1863. (ass.) Jacintho Franco de Godoy, Ferminiano Pereira Soares, Jose Costodio Coelho Jr, Antonio Gomes Pereira, Policarpo Pereira da Silva, Felisbino Ignacio Soares. (CM/S/SE/RE-002, fls. 287 e 287v). 

Livro da Secretaria da Câmara com registro de expedidos
- CM/S/SE/RE-002, fl. 287
A resposta do Presidente da Província à consulta e recomendação feitas pela Câmara a respeito da proposta de Santiago Ferrari foi negativa, tendo em vista o estádo dos Cofres Provinciaes (...) e que em vista disso não pode a mma. Presidencia por taes considerações annuir que seja levada a effeito a arrematação da dita ponte. (CM/S/SE/RE-002, fl. 291).

E esta história de 1863 se repetiu muitas e muitas vezes, como se vê agora em pleno 2018, quando outra necessária e reclamada ponte clama por consertos ou reconstrução.

O tempo, que é inexorável, deveria ser acompanhado em sua marcha pela capacidade de resolução.

Nota: Agradecimento ao arquiteto Osni Schroeder por indicação correta da ponte que o documento acima referido cita.

MR
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Desordem e prisão

Vista geral de Cachoeira no começo do século XX - Fototeca Museu Municipal

A vida da cidade não era tão pacata assim há 100 anos. Como prova da agitação que por vezes tomava as ruas, uma notícia publicada na edição de 16 de janeiro de 1918 d'O Commercio refere desordem e prisão na calada da noite cachoeirense:

V. M. e E. B., em companhia das horisontaes* A. C. e P. M., resolveram consagrar à farra a noite de sexta-feira, noite tradicionalmente conhecida como escolhida para a apparição de bruxas, almas do outro mundo, boi-tatás e quejandas coisas que o vulgo rodeia de pavoroso mysterio, architectando, sobre ellas, as lendas mais extravagantes.

Na Pensão 15 de Outubro, de C. M., nome sob o qual se disfarça o cabaret localisado no extremo leste da rua Andrade Neves, entregaram-se esses comparsas de orgia a libações excessivas, ultrapassando o limite que o corpo era susceptivel de comportar sem desequilibrio.

Sahindo d'ali, já pela madrugada de sabbado, começaram a manifestar signaes de forte perturbação do entendimento, quebrando violentamente algumas vidraças do cabaret.

Depois, parando á rua 15 de Novembro, quadra entre as ruas General Portinho e Andrade Neves, uma das pandegas, sobre cujo systema nervoso o alcool, com certeza, estava a produzir grande excitação, começou a gritar desesperadamente, como si lhe estivessem a cortar algum membro do corpo com uma faca afiada.

Os gritos lancinantes, que mais pareciam uivos de cão do que vozes humanas, acordaram e puzeram em polvorosa todas as familias daquella quadra pacifica, deshabituada a semelhantes interrupções do seu placido repouso!

Debalde um dos comparsas dizia: Fica quieta! Qual nada! A incommoda creatura continuava a berrar, como quem estava nos derradeiros estertores da agonia.

Tal gritaria attrahiu para as janellas e as portas uma grande parte da vizinhança, e, d'ahi ha pouco. appareceu tambem a policia administrativa, que prendeu correcionalmente os quatro perturbadores do socego nocturno.

Triste fim da alegre noitada de assombro: hospedagem á sombra e pagamento, per capita, de 5$000 réis pela sahida, alem da indemnisação pela quebra das vidraças do cabaret.

- Sabemos que, na mesma noite, esses ou outros desordeiros, cuja culpabilidade cabe á policia averiguar, quebraram vidraças de alguns predios da rua Ramiro Barcellos, quadra entre as ruas 15 de Novembro e 1.º de Março, casas essas pertencentes á exma. sra. d. Maria Isabel da Silva Souto. (O Commercio, 16/1/1918, p. 3).

Bruxas, boitatás, almas do outro mundo... nada mais são do que mistérios que dão tempero e disfarce às coisas mais mundanas.

*horizontais: meretrizes.
Nota: os nomes dos meliantes, apesar de século passado, foram abreviados. 

MR
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Marista Roque: de quartel da Guarda a Ginásio Municipal

O Colégio Marista Roque está a um ano de completar seu 90.º aniversário. No ano anterior, 1928, às vésperas do início efetivo de seu funcionamento, importantes medidas foram tomadas para que Cachoeira ganhasse, a exemplo do que já havia em Santa Maria, um ginásio que oferecesse aos estudantes do município a oportunidade de optarem por um curso comercial ou ginasial que também lhes permitisse prestar exames de preparatórios para cursos superiores.

Colégio Marista Roque - colegiomarista.org.br

A primeira tentativa de estabelecimento de uma escola de orientação marista se deu em 1907, quando Irmão Climaco e Irmão Geraldo estiveram em visita a Cachoeira para escolher um local para abertura de um ginásio. No ano seguinte, foi fundado por eles o Colégio Nossa Senhora da Conceição, na Rua Saldanha Marinho, com funcionamento regular até 1914.

A segunda tentativa, muito bem sucedida, começou com a assinatura de um contrato entre a Associação Champagnat, mantenedora dos maristas, e a Intendência Municipal para cessão do prédio do antigo quartel da Intendência, erguido em 1895 na Rua Saldanha Marinho. O contrato, de 12 cláusulas, assinado em 9 de janeiro de 1928 pelo intendente em exercício João Neves da Fontoura e pelo irmão Weibert, representante do irmão provincial Geraldo, previa, dentre outras coisas, a construção pela Intendência de duas salas para aulas e fazer as reparações necessarias no predio. Enquanto funcionasse, o estabelecimento de ensino seria isento de taxas e impostos municipais e do pagamento do abastecimento de água e esgotos, correndo por conta da Associação as construcções e installações dos serviços que se fizerem. 

Ginásio Municipal Roque Gonzales  - antigo quartel da Guarda Municipal
- Fototeca Museu Municipal

Para garantir a manutenção do ginásio, a Intendência comprometeu-se a dar uma subvenção annual de treis contos de reis, desde a installação do Collegio e durante os primeiros cinco annos, podendo esta subvenção ser prorrogada por mais tempo, no todo ou em parte, se assim o entender a Municipalidade, o que ficou acertado na cláusula terceira.

A cláusula seguinte estabelecia um compromisso duplo: No decurso de dez annos, a Intendencia Municipal obriga-se a vender a Associação Champagnat pelo preço de cem contos de reis (100:000$000) o predio de que trata o presente contracto, o que veio a se concretizar em 1.º de setembro de 1938, mas não como compra e venda, mas em forma de doação da Prefeitura Municipal, representada pelo Prefeito Reynaldo Roesch, à União Sul-Brasileira de Educação e Ensino, representada pelo irmão Afonso, provincial dos maristas.

Reynaldo Roesch - Galeria de Prefeitos

A cláusula sétima do contrato determinava à Associação Champagnat a obrigação de instituir e manter, com o número necessario de professores, um curso commercial identico ao que mantem o Gymnasio Municial Santa Maria e um curso Gymnasial até o 3.º anno inclusive, de modo a que os alumnos possam prestar exames finaes de preparatorios, para cursos superiores, de accordo com a legislação correspondente, como filial do alludido Gymnasio de S. Maria. Esta cláusula foi cumprida regiamente até 1994, quando foi extinto o então curso Técnico em Contabilidade. 

As demais cláusulas previam a manutenção e conservação do prédio pela Associação, incluindo as instalações sanitárias exigidas, o estabelecimento de um internato, desde que fosse ministrado o ensino gratuitamente a dez alumnos indicados pelo Intendente Municipal, dos quaes dois internos, quando houver internato e definiam a obrigação dela installar o Collegio em março de 1929, devendo funccionar todos os cursos desde que haja matricula correspondente de 20 alumnos, pelo menos. O que foi igualmente cumprido, entrando o Gymnasio  Municipal Roque Gonzales em funcionamento a partir de 21 de janeiro de 1929. A escola mantém, até os dias de hoje, bolsas de estudos e projetos gratuitos para crianças e jovens da comunidade.

Pátio interno do colégio - aproximadamente 1929
- Acervo Colégio Marista Roque

Para as obras de adaptação do antigo prédio da Guarda Municipal para nele funcionar o ginásio a Intendência assinou, em 27 de setembro de 1928, contrato com a firma Scarano & Filhos para o serviço de construcção de um augmento no predio á rua Saldanha Marinho, destinado ao Gymnasio Municipal.

A assinatura foi firmada por José Carlos Barbosa, intendente municipal, e Miguel Scarano, sócio principal de Scarano & Filhos, vencedores da concorrência pública. O prazo estipulado para a conclusão da obra era o de 120 (cento e vinte) dias decorridos da assignatura do presente contracto, sob pena de multa de 20% sobre o seu valor.

O Colégio Marista Roque é responsável pela formação de muitas gerações de cachoeirenses e nome de referência na história da educação em Cachoeira do Sul. Mas chegou a esta condição graças às reiteradas tentativas dos irmãos maristas e à boa acolhida dos gestores municipais. Seguiram a máxima de uma antiga casa comercial - a Casa Augusto Wilhelm - que dizia: Insista, periga ter!

Fonte: IM/G/AB/C-004, pp. 34v. a 35v. e 50 a 51v.

MR
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

D. Remídio Bohn, um estudioso de genealogia

Cachoeira do Sul está a lamentar o falecimento do Bispo Diocesano D. Remídio Bohn, ocorrido no Dia de Reis, 6 de janeiro de 2018. Em razão de sua interação com a comunidade e sua liderança junto aos católicos, a comunidade pranteou seu desaparecimento, comparecendo em grande número às cerimônias fúnebres ocorridas na Catedral Nossa Senhora da Conceição no dia 7.

D. Remídio Bohn - pt.wikipedia.org

Dom Remídio era um apreciador e estudioso de genealogia. Em mais de uma ocasião demonstrou seu interesse participando de atividades promovidas pelo Arquivo Histórico ou permitindo que a equipe utilizasse o excepcional arquivo documental da Diocese, onde estão resguardadas informações que remontam aos primórdios da história de Cachoeira do Sul, com registros a partir de 1779.

Em 2012, ano da chegada de D. Remídio à cidade, durante a Semana de Cachoeira do Sul, o Arquivo Histórico promoveu a apresentação de estudos sobre a ocupação inicial do município por pessoas oriundas dos Açores e sua descendência. D. Remídio se fez presente ao evento e demonstrou, naquela ocasião, o quanto valorizava os estudos nesta área, informando ter feito a árvore genealógica de sua família e demonstrando grande desenvoltura com programas digitais voltados à alimentação de informações do gênero.

D. Remídio presente à atividade no Arquivo Histórico (foto inferior)


O falecimento de D. Remídio José Bohn, pela comoção que causou, levou o Prefeito Municipal, Dr. Sergio Ghignatti, a decretar luto oficial no município por três dias (Decreto n.º 001/2018, de 7/1/2018).

R.I.P. D. Remídio José Bohn!

MR