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Arquivo rumo aos 35 anos: fatias desta história I

No ano em que o Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul chega aos seus 35 anos de criação, é importante relembrar ações que ajudaram a consolidar e a instrumentalizar a instituição no cumprimento de suas atribuições.   Há 25 anos, o editor de cultura do Jornal do Povo , jornalista Mário Martins, entregou à então diretora do Arquivo Histórico, Professora Lúcia Fogliatto Homrich, alguns livros que pertenceram a Paulo Salzano Vieira da Cunha, diretor e proprietário daquele órgão de imprensa. Nas páginas do próprio Jornal do Povo , edição de 28 e 29 de junho de 1997, comemorativa aos 68 anos de fundação do jornal, a notícia: AH recebe arquivo do Chefe Paulo No momento em que completa seus 68 anos, o Jornal do Povo fez uma doação de materiais de valor inestimável para a Família JP. O editor de Cultura do jornal, Mário Martins, fez a entrega ao Arquivo Histórico Municipal de livros que faziam parte do acervo particular de Paulo Salzano Vieira da Cunha. Em vida, o chefe Paulo manif
Postagens recentes

Os d'Agueda

Seguindo com as postagens relativas aos 270 anos do povoamento açoriano no Rio Grande do Sul, abordaremos desta feita sobre aqueles que vindos dos Açores fizeram da região de Cachoeira sua morada e local de negócios, dando início a várias gerações que conservam traços sanguíneos oriundos daquele arquipélago. Foi por volta de 1752 que seis irmãos d'Agueda rumaram dos Açores, mais especificamente da Ilha de São Jorge, para o Brasil, atraídos pelas ofertas de terras, sementes e utensílios para darem início a uma nova vida. Os seis irmãos eram João, Maria Santa, Antônio, Miguel, Felícia e Rosa Joaquina, filhos de João Teixeira d'Agueda e de Isabel Nunes, casados no dia 14 de outubro de 1726, na Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, Vila do Topo, na Ilha de São Jorge. O sobrenome d'Agueda, ou de Agueda, era o resultado do aportuguesamento do sobrenome holandês Der Haagen , de família oriunda da cidade de Maastricht. Os dois irmãos João e Antônio trocaram de nome no Brasil, adot

O noivo ideal

 Às vésperas do Dia dos Namorados, encontramos no jornal O Commercio,  ano de 1906, a reprodução de um interessante concurso que o jornal carioca O Paiz instituiu entre senhoritas para saber qual o perfil de moços elas consideravam ideal para o noivado.  Aqueles eram tempos em que os casais passavam pela etapa do namoro e depois pelo noivado, quando oficialmente o homem procurava a família da moça para pedir-lhe a mão em casamento. Nessa época era muito comum também os casamentos por conveniências. Os tempos mudaram bastante, por isso é muito interessante observar as expectativas e os níveis de exigência das mulheres do início dos anos 1900 na busca dos seus pares perfeitos. Imagem: pngwing.com O concurso para moças promovido pelo jornal O Paiz solicitava às inscritas que respondessem à pergunta: Qual o vosso noivo ideal? Das várias inscritas, o  jornal selecionou três respostas que julgou mais interessantes, atribuindo-lhes primeiro, segundo e terceiro lugares. O Commercio  reproduziu

"Atrás de nós ficam páginas findas e voltadas"

Esta frase, extraída dos escritos de João Neves da Fontoura, foi o lema escolhido para a Academia Cachoeirense de Letras - ACL, fundada em 30 de setembro de 2021 e empossada em 3 de junho de 2022.  João Neves, o patrono da ACL e da sua cadeira n.º 01, nasceu em Cachoeira no dia 16 de novembro de 1887, filho de Isidoro Neves da Fontoura e de Adalgisa Godoy da Fontoura. João Neves da Fontoura - Museu Municipal Cachoeira do Sul tem dois de seus filhos como membros da Academia Brasileira de Letras: João Neves da Fontoura, ocupante da cadeira n.º 02, que pertenceu a Coelho Neto, para a qual foi eleito em 19 de março de 1936, e Gregório Porto da Fonseca, ocupante da cadeira número 03 que tem por patrono Maciel Monteiro. Na Academia Cachoeirense de Letras eles ocupam, respectivamente, a cadeira n.º 01 e número 21. João Neves da Fontoura e Gregório da Fonseca - cachoeirenses na ABL - Imagens ABL João Neves da Fontoura foi uma figura de grande envergadura política. Advogado de formação, ocupou

Concurso de provas para professores municipais

O ato número 01 do prefeito Cyro da Cunha Carlos, datado de 27 de janeiro de 1940, determinava a abertura de concurso de provas para os professores municipais a fim de regularizar sua situação funcional e promover um real aproveitamento do quadro disponível. Recentemente, também no intuito de regularizar os contratos emergenciais e suprir as carências das escolas municipais, o prefeito José Otávio Germano determinou a realização de mais um concurso para o magistério.  No relatório da Prefeitura Municipal que o sub-prefeito Cyro da Cunha Carlos publicou, relativo ao exercício de 1939, consta que:  Neste setor (o da instrução pública) muito   temos feito e muito resta ainda a fazer. Procurando auxiliar a solução do grave problema da nacionalização, temos localizado as escolas em zonas de densas populações infantis, aproveitando do professorado municipal os elementos capazes e exonerando alguns professores que absolutamente não estavam à altura de sua missão. Agora, para atingirmos os ve

O vereador descendente de açorianos

Dando sequência às publicações sobre a presença açoriana na história de Cachoeira do Sul e em comemoração aos 270 anos do povoamento açoriano no Rio Grande do Sul, o blog traz ao conhecimento dos leitores a figura de Antônio José de Menezes. Foi ele um descendente direto de açorianos que entrou para a história político-administrativa de Cachoeira. Rubrica de Menezes nos livros da Câmara  Diferente da composição inicial da Câmara, cujos três primeiros vereadores foram eleitos e empossados no dia da instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira, em 5 de agosto de 1820, houve uma sequência de nomeações feitas por carta régia. A carta régia era um documento oficial assinado por Sua Alteza Real D. João VI e que não passava pela chancelaria da Corte, ou seja, era enviado diretamente para a autoridade que deveria dar-lhe cumprimento.  Assim, em 23 de janeiro de 1822, dando cumprimento à carta régia de 24 de novembro de 1821, foram empossados e prestaram juramento os três vereadores, dentre

O 13 de Maio

Neste 13 de maio, quando transcorrem 134 anos da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, extinguindo legalmente a escravidão no Brasil, buscamos descobrir como a Cidade da Cachoeira recebeu a notícia. Como não existem atas das sessões desse período histórico, graças à anotação do historiador Aurélio Porto num livro da Seção de Estatística e Arquivo (IM/EA/SA/RL-001, fls. 10 e 10v), organizado por ele enquanto Secretário da Intendência, é que se torna possível reviver o que foi feito. 14 de Maio. Rendendo homenagens à data da extincção da escravidão no Brasil, a Camara reune-se em sessão solemne, determinando o seguinte: 1.º Lavrar acta especial sobre o advento da Liberdade; 2.º Iluminar por tres dias a fachada do edificio da Camara; 3.º Telegraphar a José do Patrocinio, o batalhador dessa crusada; 4.º Felicitar o Gabinete de 10 de Março*. Abolicionista José do Patrocínio - Academia Brasileira de Letras Edifício da Câmara, que foi iluminado por três noites para celebrar a Abolição