segunda-feira, 19 de setembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Forasteiros no Arquivo Histórico

O Arquivo Histórico tem servido com sua farta e preciosa documentação a muitos pesquisadores, com especial afluência, nos meses derradeiros de inverno, de pessoas vindas das mais diferentes regiões em busca de subsídios para seus temas de estudos.

O professor Marlon Lessa Voloski, vindo de Minas Gerais, frequentou a instituição por duas semanas em busca de material para dar sustentação histórica ao processo de formação da classe média no Brasil. Vasculhou documentos do Fundo Câmara Municipal (1820 - 1889), dizendo-se extremamente satisfeito com o que encontrou. Já programou outras vindas a Cachoeira do Sul, quando pretende trazer alunos bolsistas para empreenderem outras pesquisas no acervo documental e de imprensa do Arquivo Histórico.


Professor Marlon Voloski analisa documentos da Guarda Nacional


Outra pesquisadora, a arquiteta polonesa Ewa Grela, vinda da cidade de Poznan, na Polônia, esteve no Arquivo Histórico acompanhada pelo marido Rogério Angoneze Júnior, no último dia 5 de setembro, para buscar dados sobre a arquitetura alemã na antiga Colônia Santo Ângelo. Documentos do acervo, monografias e obras da biblioteca foram consultadas na ocasião. O casal, ele brasileiro, estava percorrendo municípios da extinta Colônia Santo Ângelo para localizar obras do estilo enxaimel para constarem do trabalho de doutorado de Ewa.



A arquiteta Ewa Grela e o marido Rogério Angoneze Júnior
buscam informações sobre a arquitetura alemã na antiga Colônia Santo Ângelo

Guardar, organizar e oferecer à pesquisa documentos que remontam a trajetória político-administrativa do município é o papel do Arquivo Histórico. Cumpri-lo com a satisfação de seus usuários é estímulo para seguir neste compromisso.

(MR)
terça-feira, 6 de setembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Monumento à Independência

A Semana da Pátria traz à lembrança os movimentos que culminaram com o célebre ato protagonizado por D. Pedro I às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo. O famoso grito de "Independência ou Morte", ainda que pouco difundido nos dias de hoje, segue como marca histórica de um período em que o Brasil buscava o nascimento como nação. O estudo e o ensino de história, assim como tudo no mundo, sofrem mudanças e o culto às personalidades históricas passa por momentos que oscilam entre a glória e o ostracismo...

Um documento enviado de São Paulo em 18 de julho de 1877 às câmaras municipais das cidades dos mais diferentes recantos do Brasil dá mostra do quanto o século XIX, em tempo bem próximo do 7 de setembro de 1822, ainda guardava grande louvor ao brado de Pedro I, considerando-o digno de eterna comemoração:


CM/S/SE/CR-010

Ill.mos Srs,

Possuindo a Côrte dois monumentos, e estando á eregir terceiro, nada existe, entretanto, em S. Paulo á assignalar a gloriosa colina onde se proclamou a Independencia do Brazil. Após mais de meio seculo o Governo não cura de perpetuar ahi o mais sublime dos feitos Nacionaes; de saldar a sagrada divida de gratidão da Patria aos heróes de nossa emancipação politica.

Em consequencia a Camara Municipal desta Cidade resolveo tomar a si a realisação da gloriosa empreza, appelando para o patriotismo Nacional. A' tal fim ella nomeou uma Comissão Central na Côrte, composta de conspicuos Cidadãos, e outra nesta Cidade. Esta, em data de 28 de Setembro de 1875, dirigiu Circular ás Camaras Municipaes do Imperio pedindo-lhes que nomeassem Commissões em cada Districto de Paz, afim de agenciarem donativos por meio de subscripção popular, pedido que igualmente foi feito pela referida Camara em igual Circular.

Presentemente, tendo o Imperio entrado em novo quatriennio municipal, e em consequencia, achando-se as Camaras Municipaes organisadas com pessoal diverso, e contando que VV. SS., por seu amor ao Paiz não deixaráo de cooperar para a eterna comemoração do feito que indepentisou o Brazil, vimos, por parte da referida Commissão desta Cidade, rogar-lhes que se dignem informar-nos do que ha occorrido á respeito, e procederem á nomeação das ditas Commissões, caso não tenham sido nomeadas, ou actival-as no cumprimento de seu encargo, si não tiver havido da parte dellas o preciso e esperado zelo.

Na satisfação do nosso pedido ha urgencia visto que brevemente vamos contractar a obra.

Contamos que VV. SS. não consentiráo que entre os mais Municipios do Imperio deixe de figurar como concorrendo para o Monumento de tão grande gloria do Brazil esse Municipio, aliás povoado, como o resto do Imperio, por Cidadãos de acrisolado patriotismo.

A correspondência segue orientando as comissões no trabalho de subscrição, chamando a atenção que as doações poderiam ser aceitas de ambos os sexos, por mais módicas que fossem, que os nomes dos subscritores seriam lançados em livro próprio por municípios e províncias, a ser impresso e distribuído gratuitamente e que todas as despesas seriam lançadas e divulgadas, ficando à disposição de quem quisesse verificá-las pelo prazo de três anos. 

Este documento, impresso, traz a assinatura do Secretário Diogo de Mendonça e do Presidente da Comissão Joaquim Ignacio Ramalho.

Monumento à Independência - junto ao riacho Ipiranga - São Paulo
- conjunto escultórico inaugurado em 1922 -
Apesar do patriotismo elevado daqueles tempos, os cachoeirenses, talvez preocupados com as questões locais, não conseguiram erigir nenhum monumento à Independência, embora tenham adotado para a sua principal praça o nome do seu patriarca: José Bonifácio de Andrada e Silva, de certa forma legando à posteridade não como pretendiam os paulistas o gesto do nosso primeiro imperador, mas o nome do homem que foi um dos principais personagens do movimento que separou definitivamente o Brasil de Portugal. Quanto às colaborações para o monumento de São Paulo... não há notícia, por enquanto, de subscrições de cachoeirenses.

(MR)
terça-feira, 30 de agosto de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Máquina para votar em 1909! Qualquer semelhança terá sido mera coincidência...

Em tempos de corrida eleitoral e de ampla divulgação de todo o aparato que cerca as eleições no Brasil, interessante descobrir que no início do século XX um italiano chamado Boggiano inventou uma máquina de votar. A notícia da invenção chegou até Cachoeira pelas páginas do jornal Rio Grande, edição do dia 28 de fevereiro de 1909, e, por incrível que pareça, guardadas as proporções e a evolução tecnológica, as semelhanças da máquina de Boggiano com a urna eletrônica adotada no Brasil em 1996 não são meras coincidências:

Jornal Rio Grande, Cachoeira, 28/2/1909
- acervo de imprensa do Arquivo Histórico
Está dando muito bom resultado, e pena é que não fosse ainda utilisada entre nós, a machina para votar, descoberta por Boggiano e que funcciona com admiravel precisão.
Trata-se de um apparelho de um metro de altura e provido de tantas aberturas, quantos os candidatos que disputam a representação politica, o emprego ou qualquer outra coisa.
Em cima e debaixo dessas aberturas, em logar bem visivel apparece não sómente o nome, mas tambem o retrato de cada candidato.
Assim, os eleitores que não sabem ler, podem estar certos de que não serão victimas de enganos, de que ninguem poderá escamotear o seu voto.
O emprego da machina idealisada por Boggiano implica o desapparecimento da cedula eleitoral. em vez desta, cada eleitor receberá ao entrar na secção eleitoral, uma especie de ficha que elle introduz na abertura destinada ao candidato por quem tiver preferencia.
Constantemente apparece a vista do publico o numero total das fichas depositadas no apparelho.
O registro se effectua automaticamente.
Em cada "Prefografo", pódem rapida e facilmente depositar seu voto dez mil eleitores. O escrutinio ou a apuração, geralmente morosa e incommoda verifica-se com extraordinaria precisão.
Ahi está a maior das vantagens que indubitavelmente offerece o "Prefografo".
Terminada a votação, o presidente e os demais individuos que formam a mesa eleitoral, não teem mais que levantar uma placa metallica, na qual, debaixo do total dos votantes, apparece o numero dos suffragios que cada candidato alcançou. 
Na Italia já se teem effectuado provas por demais satisfactorias com o "Prefografo".
Valendo-se desse apparelho quarenta mil cidadãos tomaram parte em um "referendum" municipal realisado em Turim.
Em muito curto espaço de tempo conhecia-se o resultado preciso da votação. Não menos feliz foi o resultado obtido pelo municipio de Varcelli, onde foi tambem utilisada a engenhosa machina.
O parlamento italiano não quiz se conservar indifferente à invenção do engenhoso Boggiano e já está resolvido a adoptar o original "Prefografo".
A Suissa, o paiz onde se faz maior numero de eleições, vai adoptar a nova machina.
Nos paizes onde os governos escamoteam escandalosamente os votos aos cidadãos, onde o direito de votar é uma mentira, o apparelho de Boggiano está muito longe de ser adoptado.
A cedula eleitoral que se deposita na urna, não raro de fundo duplo, é muito mais facilmente substituida que a ficha do apparelho automatico.

A máxima "nada se inventa, tudo se copia" segue soberana...

Urna eletrônica adotada no Brasil desde 1996 - ipnews.com.br

(MR)
segunda-feira, 22 de agosto de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Cachoeira - um livro útil

Com o título acima, o jornal Rio Grande, da coleção de imprensa do Arquivo Histórico, em sua edição do dia 28 de janeiro de 1909, trazia a notícia da intenção do historiador Aurélio Porto de lançar uma obra sobre Cachoeira: ...um trabalho de real utilidade para a nossa terra. Dedicando-se ha algum tempo a excavações historicas, tendo manuseado documentos de alto merito da nossa vida, quer no precioso archivo da Intendencia, quer em cartorios, em archivos particulares, e em outras partes nesta e outras cidades e na capital do Estado, Aurelio Porto, tem já subsidios excellentes para a obra a que se consagra com afam.

Jornal Rio Grande, 28/1/1909

A obra referida pelo Rio Grande foi ao prelo como parte histórica e de fundamentação do relatório que o intendente Isidoro Neves da Fontoura apresentou ao Conselho Municipal em setembro de 1910, dando conta dos negócios e da administração municipal sob seu comando. Foi intitulada Resumo histórico. 

Originalmente a obra de Aurélio Porto sobre Cachoeira previa quatro partes: A Terra, A Aldeia - 1758-1820, A Cidade - 1850-1908. A quarta abrangeria três períodos distintos, estudados separadamente: a cidade sob o regime monárquico, sob o regime republicano e naquele ano de 1908, a que o autor intitularia Atualidade. O jornal Rio Grande ressaltou que O livro constará de mais de trezentas paginas e será caprichosamente impresso na capital do Estado, sendo as illustrações e mappas que o acompanham feitos em Buenos Ayres.

Aurélio Porto, um dos mais renomados e confiáveis historiadores do Rio Grande do Sul, era um pesquisador contumaz. Ao mesmo tempo em que analisava documentos existentes nos arquivos da Intendência, onde desempenhava as funções de chefe do serviço de arquivo e estatística municipal, ia tomando nota e organizando a documentação. Graças a ele, os primeiros documentos produzidos pelas autoridades constituídas foram preservados e acabaram por constituir o acervo inicial do Arquivo Histórico. Sua carreira de pesquisador foi ampliada quando se tornou servidor do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, onde produziu obras de vulto como a História das Missões Orientais do Uruguai, dentre tantas outras de grande significado para a compreensão da evolução histórica rio-grandense.

Affonso Aurelio Porto - fototeca Museu Municipal

Benjamin Camozato, quando lançou o Grande Álbum de Cachoeira no Centenário da Independência do Brasil, em 1922, ocupou parte deste Resumo Histórico para abertura da obra. No álbum, Aurélio Porto foi apresentado como membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, entidade que hoje possui a maior parte dos arquivos produzidos pelo historiador. O Museu Municipal de Cachoeira do Sul também é depositário de obras, objetos, fotografias e alguns documentos pertencentes ao ilustre historiador a quem devemos a definição da data magna do município - 5 de agosto de 1820 - que ele defendia com argumentos históricos irrefutáveis.

Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato
- Resumo Histórico por Aurelio Porto - 
(MR)
sexta-feira, 12 de agosto de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Resgatando a Grande Cachoeira

No dia 11 de agosto de 2016, às 18 horas, no hall da Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha, a professora e pesquisadora Terezinha Tessele Fenker lançou o livro Resgatando a Grande Cachoeira. Segundo a autora, a obra "abrange todos os períodos históricos do maior município do Rio Grande do Sul, cujos limites encostavam no rio Uruguai. A obra focaliza os seus distritos e freguesias: Agudo, Caçapava, Cerro Branco, Dona Francisca, Restinga Seca, Rincão da Porta, Santa Maria, Alegrete e outras localidades conquistadas para a Coroa Portuguesa."

Terezinha Tessele Fenker autografando a obra - foto Ricardo Zimmer

Mirian Ritzel, Ione Rosa e Jussara Garske, assessoras do Arquivo Histórico
junto à autora - foto Ricardo Zimmer
As assessoras do Arquivo Histórico, Elisabete F. da Silva (Museu Municipal),
a autora Terezinha T. Fenker e a pesquisadora Ione M. Sanmartin Carlos - foto Ricardo Zimmer
Com 554 páginas, o livro foi escrito a partir de pesquisas da autora, especialmente no Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul, instituição que guarda, preserva, organiza e difunde a documentação da história político-administrativa do município de Cachoeira do Sul desde sua instalação, em 5 de agosto de 1820. Em razão disto, o Arquivo Histórico dispõe de farta documentação relativa à grande Cachoeira, fonte primária imprescindível para obra que se propõe a reconstituir a trajetória histórica das localidades que integraram o território original da Vila Nova de São João da Cachoeira.

Exemplares do livro poderão ser adquiridos junto ao Arquivo Histórico, Rua Sete de Setembro, 350, ao custo de R$50,00. 


sexta-feira, 5 de agosto de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Arquivo Histórico - 29 anos a serviço da preservação da história documental do município

5 de agosto é um dia de dupla significação para Cachoeira do Sul: há 196 anos houve a instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira e o seu desmembramento de Rio Pardo e há 29 anos, em 1987, aconteceu a criação do Arquivo Histórico do Município. A data foi “escolhida a dedo” para dar significação ao papel que o Arquivo teria: o de guardar, organizar, preservar e difundir a documentação político-administrativa de valor histórico que o município produziu desde e a partir de então. E esta documentação não atrai apenas os pesquisadores locais, mas muitos vindos de diferentes lugares, com destaque para os municípios que tiveram em Cachoeira sua cidade-mãe.

Com o correr do tempo, à documentação foram agregadas as coleções de jornais editados em Cachoeira do Sul a partir de 1900. A coleção de imprensa é diariamente procurada pelos usuários do Arquivo Histórico, atraindo pesquisadores e cidadãos em busca de notícias, informações e notas de seu interesse, especialmente no O Commercio (1900 – 1966), O Correio (1992 – 2016) e o Jornal do Povo (a partir de 1929).

Para marcar a data, alguns dos últimos usuários dos serviços do Arquivo Histórico foram convidados a significar o trabalho que a instituição oferece com depoimentos que constituirão o documentário do 29.º ano de funcionamento:

         











A equipe do Arquivo Histórico agradece as manifestações e seguirá pautando seu trabalho de forma a cumprir com seus preceitos de preservar a memória documentada de Cachoeira do Sul.


(MR)
terça-feira, 26 de julho de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Plantel de animais do município em 1877

A criação de gado impôs-se como a grande mola da economia rio-grandense desde os tempos em que a possessão das terras era espanhola. Os padres jesuítas, ao empreenderem suas missões, introduziram aqui o gado e o cultivo de todo tipo de produtos necessários à sua subsistência e à manutenção das reduções. O gado nas terras sulinas encontrou condições favoráveis para sua expansão, povoando rapidamente os rincões.

Quando finalmente as fronteiras entre espanhóis e portugueses foram definidas, a custas da expulsão dos jesuítas e da reação revoltosa dos índios, pouco a pouco o que hoje é o território do Rio Grande do Sul foi-se materializando em povoações e cidades que tiveram também na pecuária a sua primeira e principal atividade econômica. Cachoeira foi uma delas.

No ano de 1876, a Câmara Municipal de Cachoeira, como de resto muitas outras da Província, foram instadas a conceder dados sobre a criação de animais nos recintos de seus municípios. A circular n.º 4.745, emitida pela Presidência da Província em 28/11/1876, submeteu os vereadores a uma série de questionamentos a respeito do plantel de animais criados no município. Como fazia parte das rotinas administrativas da época, a Câmara reuniu-se e decidiu nomear uma comissão de vereadores para a verificação dos dados que respondessem aos quesitos a ella feitos na circular da Presidencia da Provincia.


Resposta da Câmara Municipal - CM/S/SE/CR-010

A comissão encarregada das respostas era composta pelos vereadores João Thomaz de Menezes e Francisco Gomes Porto. Eis os dados por eles apresentados:

[...]
Quanto ao primeiro quesito responde; que pelos dados colhidos calcula existir neste Municipio cento e trinta mil animaes vacuns, e vinte mil ovelhuns. Deixa de mencionar o numero das mais raças de que tracta o quesito, em consequencia de ser limitadissima a criação das mesmas neste Municipio.
Quanto ao segundo responde; que calcula em oito mil couros o numero exportado annualmente deste Municipio.
[...]

Como se vê pelas respostas, a pecuária era muito forte naqueles tempos, restringindo-se basicamente ao gado bovino e ovino, com supremacia do primeiro, fator que deve ter contribuído sobremaneira para que no ano seguinte ao da resposta à Presidência da Província fosse estabelecida, às margens do rio Jacuí, a primeira indústria de porte de Cachoeira: a Charqueada do Paredão.

(MR)