sexta-feira, 2 de dezembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Câmara de Vereadores e Arquivo Histórico: uma parceria em prol da memória histórica II

No dia 21 de novembro de 2016, quando o Arquivo Histórico ocupou a Tribuna Popular da Câmara de Vereadores para agradecer o apoio recebido da Casa para a recuperação do Livro CM/OF/A-005, deixou outra solicitação ao Presidente Homero Tatsch e seus pares: o patrocínio dos trabalhos de restauração da primeira planta da Cidade da Cachoeira, obra original de Johann Martin Buff, entregue ainda em 2008 à restauradora Naida Maria Vieira Corrêa, da empresa Restauratus - Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis Ltda., de Porto Alegre.




As servidoras do Arquivo Histórico com o Vereador Presidente Homero Tatsch

A planta é a primeira representação cartográfica do que era Cachoeira em 1850 e desde a instalação do município, em 5 de agosto de 1820, ter um registro da conformação física da Vila, ou seja, a sua divisão em terrenos, ruas, quadras e praças era uma necessidade, pois uma das atribuições dos vereadores da então Câmara Municipal era o de demarcar terrenos e ruas, esquadrinhar e conceder licenças para construções. Mas como fazê-lo sem uma representação do recinto urbano? Depois de muitas solicitações ao governo da Província, finalmente Johann Martin Buff, um agrimensor e engenheiro alemão radicado no Brasil, foi encarregado de executar o serviço. Chamadas públicas foram feitas aos cidadãos para que apresentassem seus títulos de propriedades e assim a planta foi sendo elaborada e junto com ela um cadastro de ruas e terrenos de Cachoeira com seus respectivos proprietários.

A planta da Cidade da Cachoeira, forma adotada pelo agrimensor para denominar o trabalho, sobreviveu à passagem do tempo, foi salva de uma fogueira, mas não passou incólume e chegou aos nossos dias em estado de degeneração quase total. Para permitir que este precioso documento siga cumprindo com seu papel de retratar o que hoje pode ser considerado o centro histórico da cidade, o Arquivo Histórico solicitou à Câmara de Vereadores o custeio do restauro, orçado em R$ 5.750,00.









Cabe ao Arquivo Histórico, mais uma vez, através de sua equipe, agradecer a atenção que a Câmara de Vereadores, liderada pelo atual Presidente Homero Tatsch, tem dispensado às demandas do Arquivo Histórico, esperando poder consolidar esta parceria que já foi vitoriosa na restauração do Livro CM/OF/A-005 e que restaurará a primeira planta da Cidade da Cachoeira. Uma vez restaurada, a planta então poderá retornar ao Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima, onde sempre foi considerada um dos mais importantes objetos do acervo que retrata nossa história.

(MR)
segunda-feira, 28 de novembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Câmara de Vereadores e Arquivo Histórico: uma parceria em prol da memória histórica

O Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul, representado em sua equipe pela assessora e pesquisadora Mirian Ritzel, ocupou a tribuna popular da Câmara de Vereadores no dia 21 de novembro de 2016 para prestar contas e agradecer o apoio recebido daquela casa para a restauração de um importante livro de seu acervo documental - o livro de atas do Fundo Câmara Municipal abrangendo o período de 1851 a 1861, identificado como CM/OF/A-005. A restauração do referido livro só foi possível graças ao fornecimento de todo o material necessário pela Câmara, numa iniciativa do então presidente, Vereador Marcelo Figueiró.

Em seu pronunciamento, a representante do Arquivo Histórico fez a apresentação do papel da instituição e em imagens mostrou as diversas etapas pelas quais o restauro do livro CM/OF/A-005 passou, de forma a ilustrar todo o processo desenvolvido pela assessora técnica Jussara Maria de Andrade Garske, que foi auxiliada no início do trabalho pela voluntária Alba Lindemann. 


















Ao final da apresentação e agradecimento pelo apoio ao restauro do livro referido, a equipe do Arquivo Histórico deixou outra importante solicitação ao atual presidente, Vereador Homero Tatsch: a do custeio do trabalho de restauração da primeira planta da Cidade da Cachoeira (1850), obra de Johann Martin Buff, pertencente ao acervo do Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima e que desde 2008 se encontra em poder da restauradora Naida Maria Vieira Corrêa, da empresa Restauratus - Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis Ltda., em Porto Alegre. O custo do restauro, atualizado, é de R$ 5.750,00. Este importante documento é o primeiro registro cartográfico do que hoje configura o centro histórico de Cachoeira do Sul. Sua recuperação é fundamental para entendimento da evolução urbana da cidade e para o planejamento futuro de sua expansão sem desprezar os bens e espaços de memória.

(MR)
domingo, 20 de novembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A Bandeira Nacional

Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a república no Brasil. O novo sistema de governo, além das mudanças que acarretou na organização político-administrativa brasileira, obrigou as autoridades a promoverem mudanças de toda ordem, inclusive nos símbolos nacionais, até então representativos do extinto império.

Em 20 de janeiro de 1890, Júlio de Castilhos oficiou a todas as juntas municipais - comissões de cidadãos que respondiam naquele momento de transição pelos negócios municipais - cientificando-as que uma nova bandeira nacional havia sido instituída e remetendo o desenho da mesma para que fosse imediatamente adotada. Referia-se, no ofício, ao Decreto n.º 4, de 19 de novembro de 1889:

Ofício de Júlio de Castilhos - 20/1/1890
JM/S/SE/CR - Caixa 2
Desenho da bandeira anexado ao ofício de Júlio de Castilhos
As instruções contidas no ofício acima resolviam a questão levantada em correspondência de 19 de novembro de 1889, coincidentemente o dia do decreto que instituiu a nova bandeira, remetida pelo comando do 2.º Batalhão de Engenharia na Cachoeira ao então delegado de polícia, Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros. O conteúdo é o seguinte:


Correspondência de 19/11/1889
JM/S/SE/CR - Caixa 2
Havendo recebido hontem do Commando das Armas o telegramma concebido nos seguintes termos: -"Não tendo ainda o governo dado instrucções sobre modificações no pavilhão nacional, não deve nenhuma bandeira ser hasteada  com caracter official como symbolo de nossa nacionalidade até vir instrucções" - rogo a V.S.ª de tomar providencias accordes com o intuito da letra do dito telegramma.

(ass.) Antonio Alves Pereira Salgado
Ten Cor el Com.e

A bandeira nacional, até por ter sido criada apenas quatro dias depois da proclamação da república, resultou de uma adaptação da bandeira do império feita por Décio Vilares. As cores verde e amarela, representadas no losango e no retângulo, aludem às casas reais de D. Pedro I, mas com o passar do tempo passaram a ter outra interpretação, referindo as riquezas e as florestas brasileiras.


www.significados.com.br/bandeira-do-brasil/

(MR)
sexta-feira, 11 de novembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Salários dos professores

É sabido e difundido, com muita propriedade, que os salários dos professores não condizem com a nobre missão que desempenham. Histórica já é a luta em prol das melhorias das condições de trabalho e da remuneração a que fazem jus estes profissionais que constituem a base de todas as profissões, porque ninguém atinge formação sem o professor.

Um documento do acervo documental do Arquivo Histórico, Fundo Junta Municipal (1889-1892), datado de 13 de abril de 1892, mostra o quanto o assunto não é novo e uma faceta das várias situações a que a classe do magistério tem sido submetida ao longo do tempo:


Ofício de 13/4/1892 - JM/S/SIP-Ofícios - Caixa 2

Dizia o documento, enviado à Junta de Cachoeira pela Diretoria Geral da Instrução Pública, em Porto Alegre, que os vencimentos dos professores interinos não normalistas seriam reduzidos de 880 para 600 mil réis, autorizando a municipalidade a abrir concurso para nomeação de outros, desde que fossem abertos editais. Os candidatos deveriam apresentar documentos que comprovassem sua maioridade, isenção de culpa e bom procedimento, além de outras condições e determinando que Si algum dos interinos não tiver competidor e mostrar, por algum documento, possuir approvação de exame que seja superior ao que determina o art.º 82 § unico do Regulamento, deverá ser contractado independente de novo exame. Como se vê, no final do século XIX, provavelmente por carência de professores com formação nas escolas normais, outras pessoas eram contratadas para desempenho do magistério e, já naquele tempo, vê-se que o estado valorizava pecuniariamente melhor os realmente habilitados.

Na vigência do século XXI, apesar de todo avanço tecnológico, os professores seguem no desafio diário de vencer as batalhas que lhe são impostas por um mundo em profunda mudança, enfrentando o descrédito, a baixa remuneração e as incertezas de uma profissão que está absolutamente em desvantagem na sociedade, apesar da importância, da relevância e do caráter praticamente insubstituível que possui...

(MR)
quinta-feira, 3 de novembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Um outro cemitério para a cidade

No início da última década do século XIX, grande era a insatisfação dos cachoeirenses com os serviços de sepultamento no Cemitério das Irmandades, então o único existente no recinto urbano. Havia grande reclamação com o descaso, com as taxas cobradas pela igreja e também pela questão do credo que limitava os sepultamentos apenas aos católicos. Desde a década anterior, ou seja, 1880, a então Câmara Municipal tratava da necessidade da construção de um novo cemitério, tendo escolhido para isto um terreno no Alto dos Loretos.

Em 14 de agosto de 1891, cientificado pela Junta Municipal*, o vigário da Paróquia da Cachoeira, padre Vicente Zeferino Dias Lopes, oficiou a David Soares de Barcellos** dando conta de que já havia feito saber ás Irmandades remettendo uma copia para intelligencia e cumprimento para cessar os sepultamentos no antigo Cemiterio, e fazer-se no novo, o que indicava estar pronto e apto ao funcionamento o Cemitério Municipal.

Correspondência do vigário às autoridades municipais - JM/OF/CR-Cx. 1
Com a abertura do Cemitério Municipal, os sepultamentos das pessoas de outros credos, especialmente os luteranos, já em número significativo na cidade, passaram a ser feitos sem embaraços, legitimando a intenção que havia sido expressa em correspondência de alguns membros da comunidade evangélica local (que seria oficialmente fundada em 1893) dirigida à Junta Municipal em 18 de março de 1890:



Correspondência de membros da comunidade evangélica
- JM/OM/DC-Cx. 1

O teor da correspondência, que é assinada pelos luteranos João Gerdau, Carlos Koch, Phillip Adam, Jacob Trarbach e [Guilherme?] [França?], diz que há tempos era intenção da comunidade evangélica local fundar um cemitério próprio, para o que angariava recursos entre os interessados, mas que diante da notícia publicada no jornal 15 de Novembro de que a Junta Municipal estava na diligencia de construir um novo Cemiterio, vinha oferecer a quantia arrecadada de 400 mil réis para contribuir com a obra. Para tanto, os signatários solicitavam que fosse concedida a dita Comunidade evang. protest. dentro do limite do novo cemiterio que se está construindo, um terreno de [?] 25 Metros de frente e de 50 Metros de fundo. Seria completo o desejo da Comunidade se a fôr concedido o dito terreno correndo o cumprimento do mesmo pela metade da frente do novo cemiterio, obrigando-se a dita comunidade de pôr e conservar o dito terreno em bom estado, avorizar o [ar?] e concorrer deste modo de sua parte para que o cemiterio mostrará uma vista digno ao seu fim: Memoria aos defuntos.

Grande é o número, ainda nos dias atuais, de túmulos, capelas e jazigos perpétuos com inscrições em alemão que remontam àqueles tempos, constituindo-se em monumentos com importância histórica, arquitetônica e simbólica que merecem atenção e respeito das autoridades, devendo ser preservados como testemunhas de uma época.

* Comissão encarregada da administração do município a partir da proclamação da República.
** Erroneamente tratado na correspondência como intendente municipal. A Intendência, e com ela a figura do intendente, só seria instituída em 1892.

(MR)
domingo, 23 de outubro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Festa Nacional do Trigo em Cachoeira - 60 anos

Entre os dias 20 e 22 de outubro de 1956, Cachoeira do Sul sediou a VI Festa Nacional do Trigo e II Exposição Agro-Industrial, eventos que mobilizaram a cidade e a colocaram em evidência no país.

Os jornais locais, O Commercio e Jornal do Povo, fizeram ampla cobertura da programação da Festa e das atividades que a cercaram. A cidade, engalanada, recebeu o Presidente da República, Juscelino Kubistchek, o Governador do Estado, Ildo Meneghetti, e o senador e jornalista Assis Chateaubriand, proprietário da maior revista de circulação nacional da época - O Cruzeiro, dentre outras personalidades políticas, militares, civis e eclesiásticas.


                         
                            Edição do Jornal do Povo de 20/10/1956
                         - Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico

Edição do jornal O Comércio de 17/10/1956
- Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico


Disse o Jornal do Povo na edição de 21 de outubro de 1956, cuja manchete era "Estamos Trabalhando Para Dar ao Brasil o Pão de Que Precisa": 

Cachoeira do Sul tributou, no dia de ontem entusiástica recepção às comitivas federais e estaduais do Govêrno Estadual e Federal que aqui aportaram para assistir à inauguração da VI Festa Nacional do Trigo. Pela manhã, às 10,30 horas, em avião da VARIG, desembarcou no aeroporto local o Governador Ildo Meneghetti, que se fazia acompanhar de secretários de Estado, deputados estaduais e de representantes das classes econômicas gaúchas, sendo recepcionado por elevado número de pessoas pertencentes as mais diversas classes ficando hospedado na residência do industrialista Reinaldo Roesch.
Às 12,30 horas chegava o dr. João Goulart, Vice-Presidente da República, em avião procedente de São Borja. E uma hora após, o Presidente Juscelino, em avião especial da FAB, acompanhado do senador Assis Chateaubriand, do dr. Tancredo Neves, presidente interino do Banco do Brasil, deputados Godoy Ilha, Marcial do Lago, Lutero Vargas, José Moraes, Daniel Dipp, Unírio Machado, Fernando Ferrari e César Prieto. Juscelino foi recepcionado por altas autoridades civis, militares e eclesiásticas, tendo a Banda dos Fuzileiros Navais prestado as honras do estilo e com salva de obuzes pela Guarnição Federal desta cidade. O presidente desceu sorridente, envergando roupa cinza e gravata de igual côr, estampada com desenhos de feixes de trigo.

Após o desembarque, o Jornal do Povo noticiou que o presidente seguiu para a cidade à frente de um cortejo de carros que desfilaram pelas ruas em companhia do vice-presidente, do governador e do prefeito Arnoldo Paulo Fürstenau, rumando até o Parque de Exposição para inaugurar solenemente a VI Festa Nacional do Trigo. As ruas estavam repletas de populares e colegiais para ovacionar os visitantes.

Uma vasta programação foi desenvolvida ao longo dos dias 20, 21 e 22 de outubro logo após o corte da fita inaugural da Festa pelo presidente, às 14h15 do dia 20. Depois de vários discursos, bênção dos pavilhões da II Exposição Agro-Industrial de Cachoeira do Sul pelo Bispo Dom Antônio Reis e visita aos estandes, o Presidente deixou marcada sua presença pela seguinte frase: Estamos trabalhando para dar ao Brasil o pão de que ele precisa. O trigo, como o problema do petróleo, exige homens de ação e decisão.

Programa da VI Festa Nacional do Trigo - O Comércio, 17/10/1956
- Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico


Na noite do dia 20, às 20h, no salão de festas do Clube Comercial, foi oferecido um banquete às autoridades e às 23h, nos salões da Sociedade Rio Branco, aconteceu o baile de gala com coroação da Rainha da VI Festa Nacional do Trigo, senhorita Ivany Barchet. Dentre as jovens que compunham a sua corte, as cachoeirenses Janice Schneider e Rosemarie Lüdtke. 

Coroação da Rainha Ivany Barchet
- Jornal do Povo, 27/10/1956

No dia 21 de outubro, domingo, um grande desfile intitulado "Parada da Triticultura", com máquinas agrícolas e carros alegóricos, tomou as ruas principais da cidade. O palanque oficial da Festa estava instalado na Praça Borges de Medeiros. Durante os dias em que a VI Festa Nacional do Trigo se desenrolou, constaram do programa bailes diários nas diferentes sociedades recreativas. 

Um dos carros alegóricos da Parada da Triticultura
- Jornal do Povo, 27/10/1956
- Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico


Concomitante às atrações populares e festivas, aconteceu também o VI Congresso Nacional de Triticultores, no auditório do Ginásio Roque Gonçalves.

A VI Festa Nacional do Trigo, que era um evento itinerante realizado em diferentes cidades brasileiras onde a cultura do trigo tinha destaque, aconteceu em Cachoeira do Sul 15 anos depois da Festa do Arroz, preenchendo uma lacuna de eventos desta natureza que vinha desde 1941. Apesar do sucesso da VI Festa Nacional do Trigo, 12 anos se passaram até a realização da II FENARROZ, dando início a uma sequência de festas/feiras voltadas para a lavoura orizícola, cultura que marca a economia cachoeirense. 

(MR)
sexta-feira, 14 de outubro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

100 anos da visita de Olavo Bilac a Cachoeira

Há exatos cem anos, no dia 14 de outubro de 1916, o celebrado poeta Olavo Bilac chegou a Cachoeira, uma das tantas cidades brasileiras que visitou em razão de uma grande cruzada que empreendeu pelo país com o objetivo de divulgar a recém-criada Liga da Defesa Nacional, entidade com fins patrióticos.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

A recepção ao poeta, já na Estação Ferroviária, foi festiva. A Banda Musical Estrela Cachoeirense tocava uma marcha quando o trem chegou, às 16h45. Ao desembarcar, o poeta foi saudado em nome do povo cachoeirense pela menina Jenny Pinheiro que lhe ofereceu um ramalhete artístico. Entre vivas do povo que se aglomerava junto à Estação, o poeta desceu a escada do prédio e passou por uma longa ala de alunos e professores do Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura, liderados pela diretora Cândida Fortes Brandão. Novamente recebeu um ramalhete de flores com dedicatória do colégio das mãos do aluno Waldemar Brum, que proferiu os seguintes versos:

Amai as flores, crianças!
Sois irmãs nos esplendores,
Porque há muitas semelhanças
Entre as crianças e as flores

Olavo Bilac

Em teus versos, da flor tão bem tu falas
E da crença, ó cantor dos cantores!
Que ao passares, é justo que façam alas,
Vivando-te as crianças e as flores...

Cândida F. Brandão

Estação Ferroviária de Cachoeira - fototeca Museu Municipal

Acompanhado pela banda e pelo povo, o poeta foi conduzido ao Hotel do Comércio, onde ficou hospedado.


Hotel do Comércio, Rua Sete de Setembro - fototeca Museu Municipal

O programa da visita constou de recepção ao poeta na Intendência Municipal, à noite, aonde chegou conduzido por automóvel. Lá foi recebido efusivamente e saudado por discurso proferido pelo Dr. João Neves da Fontoura em que, ressaltando o propósito nacionalista do poeta, disse: 

A tua campanha triunfará o Brasil de amanhã, emancipado de tutelas odiosas, esquecido dos erros, reconciliado, unido, no gozo perfeito da sua maioridade nacional..."

Olavo Bilac respondeu com manifestações de reconhecimento pelas elevadas homenagens que lhe rendia o povo da Cachoeira.

Por três dias o poeta conheceu as belezas de Cachoeira e a recepção calorosa do povo: visitou a Granja da Penha, propriedade do Dr. Balthazar de Bem, proferiu uma conferência cívica e outra literária no Cinema Coliseu Cachoeirense, local onde também foi, na tarde do dia 17, alvo de uma festa escolar promovida pelo Colégio Elementar.

Cinema Coliseu Cachoeirense, Praça José Bonifácio - fototeca Museu Municipal

De Cachoeira, Olavo Bilac rumou de trem para Santa Maria. Em dezembro de 1916, em papel timbrado da Liga da Defesa Nacional, entidade por ele representada na difusão do nacionalismo e culto aos símbolos da Pátria, respondeu a carta de um amigo de Cachoeira dizendo, dentre outras coisas:

A leitura das suas linhas deu-me alegria e tristeza: alegria, porque me deu a certeza de que deixei amigos na Cachoeira; e tristeza, pela ardente e viva saudade que me causou: saudade de Cachoeira, e de toda a boa e generosa gente de Cachoeira...

Olavo Bilac faleceu dois anos depois que esteve em Cachoeira, a 28 de dezembro de 1918. Ficou conhecido pela produção literária e pelo espírito nacionalista e patriótico. Dentre as suas bandeiras, estava a defesa do serviço militar obrigatório. A Liga da Defesa Nacional, da qual foi um dos fundadores, existe até hoje e é responsável pela corrida do fogo simbólico, atividade que todo ano enseja o início das comemorações da Semana da Pátria.

Fonte: Coleção do O Commercio, edições de outubro de 1916 - Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico.
(MR)