quarta-feira, 27 de março de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A devastação crescente das matas do Estado - 1902

O Dr. Borges de Medeiros, Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, em ofício circular enviado ao Conselho Municipal de Cachoeira, no dia 15 de outubro de 1902, chamava a atenção sobre a devastação crescente das matas do Estado, "alterando notoriamente o regime dos rios navegáveis e seus tributários e modificando, em consequência, as condições meteorológicas necessárias à prosperidade da agricultura e indústria pastoril". Tal devastação devia, segundo expresso no ofício "ser objeto de constante atenção por parte das Intendências e Conselhos Municipais."
No ano anterior, Borges já havia recomendado às Intendências que proibissem o corte de madeira nas florestas marginais dos rios, "dentro da faixa de sete braças contadas do ponto médio das enchentes ordinárias para o interior, mesmo em matos de propriedade privada, pois a faixa é considerada de servidão pública, nos termos das leis civis em vigor." E esclarecia que "as estradas de ferro de Porto Alegre a Uruguaiana e de Santa Maria a Pau Fincado, empregando a lenha em suas locomotivas, concorrem atualmente em grande escala para essa devastação, tornando-se pois de inadiável necessidade a adoção de medida que abate tal consumo." E a medida que o Presidente sugeriu foi a da criação de um imposto sobre o fornecimento desse combustível às estradas de ferro, de forma a forçar-lhes, por mais vantajosa, a aquisição de carvão mineral.
Bem, a história nos mostra que as estradas de ferro desapareceram, perdurando algumas poucas linhas para transporte de carga. Com tal desaparecimento, muito perdeu a sociedade em termos de mobilidade, integração territorial e em economia no transporte. Quanto ao desmatamento, o consumo de lenha para as locomotivas cessou, mas outros motivos para a devastação das matas ciliares seguem preocupantes. Até quando? A natureza já tem dado sinais de que é preciso repensar alguns hábitos e práticas. 
Borges de Medeiros, como prova este ofício circular que integra o acervo de documentos do nosso Arquivo Histórico, mesmo há 111 anos atrás, pensava longe e... certo!




Conselho Municipal/D/SE/001 - Ofícios
sexta-feira, 22 de março de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Exame do leite

A documentação preservada no Arquivo Histórico é preciosa, pois além de fornecer informações sobre rotinas, procedimentos, meios de vida e de organização da sociedade, vez ou outra nos transporta para práticas que buscavam soluções para melhoria dos produtos e serviços oferecidos à população ou serviam para o controle de sua qualidade. É o que podemos verificar através do Boletim de exame de leite procedido no dia 1.º de dezembro de 1912, que relatava o resultado do lacto-decímetro aplicado ao leite comercializado no Mercado Público de Cachoeira.

Mercado Público - fototeca do Museu Municipal

O boletim elenca os nomes dos produtores e vendedores de leite e o resultado do lacto-decímetro, apresentando detalhadamente o teste em dois deles, a saber:

- Coronel Isidoro Neves da Fontoura - leite com 1027
  Resultado do lacto-decímetro: 
  temperatura 22 graus
  água posta para exame 800cc
  leite 4cc
  gordura 4,5%

- Gustavo Germano Drews - leite com 1027
  Resultado do lacto-decímetro: 
  temperatura 20 graus
  água posta para exame 115cc
  leite 4cc
  gordura 6%

Os leiteiros listados eram: Francisco Costa, Carlos Krüger, Waldomiro Trindade, Joaquim Loreto Sobrinho, João André Felix, João A. da Rosa, João C. Schmidt, Affonso Gonçalves, Luiz Diefenbach, Pedro Felix da Silva, Theofilo Lobato, José C. Mausin, Gustavo Lindener, Henrique Longoni, Propicio Severo, João Alípio, Ignacio Rangel, Manoel Luiz, Arthur da Rosa, Luiz Casemiro, Carlos Gama, Felisberto Filis, Vicente Filis da Silva, Fermino Freitas, Alfredo Ristow, Florencio Corrêa, Eduardo C. Oliveira, Coronel Isidoro Neves, Gustavo Germano Drews, Carlos Schumacher, Josephina Estevam, Antonio Felis.


Documento avulso da Intendência Municipal
- 01/12/1912 -

Os resultados sobre o leite dos produtores foi encaminhado ao Engenheiro Chefe Dr. Pereira da Costa pelo empregado Freitas, lotado no Estabelecimento do Mercado Público.

terça-feira, 19 de março de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Correspondência da Goodyear ao Intendente de Cachoeira - 1923

Em novembro de 1923, o Intendente de Cachoeira, Annibal Lopes Loureiro, recebeu uma correspondência da The Goodyear Tyre and Rubber Co. of South America que encaminhava um questionário "para auxiliar a obtenção de dados que se relacionam com o mais adiantado meio de locomoção atualmente existente", no intuito de ultimar um trabalho de estatística sobre o automobilismo no Estado. Na correspondência, o remetente Mr. Bredendick afirmava que já haviam recebido respostas favoráveis de quase todos os municípios do Estado, esperando obter de Cachoeira também o panorama do automobilismo local.
Ainda não descobrimos se Annibal Loureiro respondeu ao questionário da Goodyear, tampouco as perguntas que continha, mas certamente a tática da empresa era difundir as vantagens do automobilismo para garantir a produção e venda dos pneumáticos, como eram então chamados os pneus dos automóveis. Passados 90 anos, sabemos que muito a Goodyear produziu e ainda produz neste mundo dominado pelo automóvel. E a cada dia percebemos o quanto é importante possuirmos um arquivo histórico organizado que permite "viagens" interessantíssimas ao nosso passado. E sem precisar de pneumáticos! 

IM/S/SE/CR-025
segunda-feira, 11 de março de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A importância de recolher e repassar documentos


Arquivos históricos são espaços de memória e podem abrigar os mais diferentes tipos de documentos, tanto os produzidos pelo poder público quanto por pessoas físicas ou jurídicas.
O Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul é o guardião da documentação produzida pelo Município de Cachoeira do Sul desde a sua emancipação político-administrativa, ocorrida em 26 de abril de 1819 e consumada em 5 de agosto de 1820.
Vez ou outra a equipe do Arquivo Histórico tem a satisfação de ver pessoas preocupadas em resguardar a memória de sua geração, o que é traduzido através da doação de documentos que não raro passam a compor o mosaico que é a vida cotidiana de uma cidade e que contribuem para a reconstituição de períodos históricos.
Recentemente houve a doação de um raro álbum produzido em 1905, inédito no acervo do Arquivo Histórico, intitulado Álbum do Rio Grande do Sul, organizado por Carlos A. Reis. 

Álbum do Rio Grande - 1905
- acervo do Arquivo Histórico
Pois este álbum foi retirado do lixo, entregue ao Arquivo Histórico e salvo para a posteridade por Délcia Regina Fontoura. O precioso álbum traz informações sobre personalidades rio-grandenses, algumas delas significativas porque entraram para a nossa história, como Borges de Medeiros, por exemplo. Deste álbum saiu também a fotografia de um patrono de rua em Cachoeira, cujo rosto não era conhecido pela pesquisadora Mirian Ritzel, responsável pela coluna As Ruas da Cidade, do Jornal do Povo.

O jovem Borges de Medeiros - Álbum do Rio Grande
- acervo Arquivo Histórico

Como se vê, recolher documentos, mesmo que do lixo, pode ser importantíssimo para preencher o imenso quebra-cabeça que é a história de uma cidade.