terça-feira, 30 de agosto de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Máquina para votar em 1909! Qualquer semelhança terá sido mera coincidência...

Em tempos de corrida eleitoral e de ampla divulgação de todo o aparato que cerca as eleições no Brasil, interessante descobrir que no início do século XX um italiano chamado Boggiano inventou uma máquina de votar. A notícia da invenção chegou até Cachoeira pelas páginas do jornal Rio Grande, edição do dia 28 de fevereiro de 1909, e, por incrível que pareça, guardadas as proporções e a evolução tecnológica, as semelhanças da máquina de Boggiano com a urna eletrônica adotada no Brasil em 1996 não são meras coincidências:

Jornal Rio Grande, Cachoeira, 28/2/1909
- acervo de imprensa do Arquivo Histórico
Está dando muito bom resultado, e pena é que não fosse ainda utilisada entre nós, a machina para votar, descoberta por Boggiano e que funcciona com admiravel precisão.
Trata-se de um apparelho de um metro de altura e provido de tantas aberturas, quantos os candidatos que disputam a representação politica, o emprego ou qualquer outra coisa.
Em cima e debaixo dessas aberturas, em logar bem visivel apparece não sómente o nome, mas tambem o retrato de cada candidato.
Assim, os eleitores que não sabem ler, podem estar certos de que não serão victimas de enganos, de que ninguem poderá escamotear o seu voto.
O emprego da machina idealisada por Boggiano implica o desapparecimento da cedula eleitoral. em vez desta, cada eleitor receberá ao entrar na secção eleitoral, uma especie de ficha que elle introduz na abertura destinada ao candidato por quem tiver preferencia.
Constantemente apparece a vista do publico o numero total das fichas depositadas no apparelho.
O registro se effectua automaticamente.
Em cada "Prefografo", pódem rapida e facilmente depositar seu voto dez mil eleitores. O escrutinio ou a apuração, geralmente morosa e incommoda verifica-se com extraordinaria precisão.
Ahi está a maior das vantagens que indubitavelmente offerece o "Prefografo".
Terminada a votação, o presidente e os demais individuos que formam a mesa eleitoral, não teem mais que levantar uma placa metallica, na qual, debaixo do total dos votantes, apparece o numero dos suffragios que cada candidato alcançou. 
Na Italia já se teem effectuado provas por demais satisfactorias com o "Prefografo".
Valendo-se desse apparelho quarenta mil cidadãos tomaram parte em um "referendum" municipal realisado em Turim.
Em muito curto espaço de tempo conhecia-se o resultado preciso da votação. Não menos feliz foi o resultado obtido pelo municipio de Varcelli, onde foi tambem utilisada a engenhosa machina.
O parlamento italiano não quiz se conservar indifferente à invenção do engenhoso Boggiano e já está resolvido a adoptar o original "Prefografo".
A Suissa, o paiz onde se faz maior numero de eleições, vai adoptar a nova machina.
Nos paizes onde os governos escamoteam escandalosamente os votos aos cidadãos, onde o direito de votar é uma mentira, o apparelho de Boggiano está muito longe de ser adoptado.
A cedula eleitoral que se deposita na urna, não raro de fundo duplo, é muito mais facilmente substituida que a ficha do apparelho automatico.

A máxima "nada se inventa, tudo se copia" segue soberana...

Urna eletrônica adotada no Brasil desde 1996 - ipnews.com.br

(MR)
segunda-feira, 22 de agosto de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Cachoeira - um livro útil

Com o título acima, o jornal Rio Grande, da coleção de imprensa do Arquivo Histórico, em sua edição do dia 28 de janeiro de 1909, trazia a notícia da intenção do historiador Aurélio Porto de lançar uma obra sobre Cachoeira: ...um trabalho de real utilidade para a nossa terra. Dedicando-se ha algum tempo a excavações historicas, tendo manuseado documentos de alto merito da nossa vida, quer no precioso archivo da Intendencia, quer em cartorios, em archivos particulares, e em outras partes nesta e outras cidades e na capital do Estado, Aurelio Porto, tem já subsidios excellentes para a obra a que se consagra com afam.

Jornal Rio Grande, 28/1/1909

A obra referida pelo Rio Grande foi ao prelo como parte histórica e de fundamentação do relatório que o intendente Isidoro Neves da Fontoura apresentou ao Conselho Municipal em setembro de 1910, dando conta dos negócios e da administração municipal sob seu comando. Foi intitulada Resumo histórico. 

Originalmente a obra de Aurélio Porto sobre Cachoeira previa quatro partes: A Terra, A Aldeia - 1758-1820, A Cidade - 1850-1908. A quarta abrangeria três períodos distintos, estudados separadamente: a cidade sob o regime monárquico, sob o regime republicano e naquele ano de 1908, a que o autor intitularia Atualidade. O jornal Rio Grande ressaltou que O livro constará de mais de trezentas paginas e será caprichosamente impresso na capital do Estado, sendo as illustrações e mappas que o acompanham feitos em Buenos Ayres.

Aurélio Porto, um dos mais renomados e confiáveis historiadores do Rio Grande do Sul, era um pesquisador contumaz. Ao mesmo tempo em que analisava documentos existentes nos arquivos da Intendência, onde desempenhava as funções de chefe do serviço de arquivo e estatística municipal, ia tomando nota e organizando a documentação. Graças a ele, os primeiros documentos produzidos pelas autoridades constituídas foram preservados e acabaram por constituir o acervo inicial do Arquivo Histórico. Sua carreira de pesquisador foi ampliada quando se tornou servidor do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, onde produziu obras de vulto como a História das Missões Orientais do Uruguai, dentre tantas outras de grande significado para a compreensão da evolução histórica rio-grandense.

Affonso Aurelio Porto - fototeca Museu Municipal

Benjamin Camozato, quando lançou o Grande Álbum de Cachoeira no Centenário da Independência do Brasil, em 1922, ocupou parte deste Resumo Histórico para abertura da obra. No álbum, Aurélio Porto foi apresentado como membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, entidade que hoje possui a maior parte dos arquivos produzidos pelo historiador. O Museu Municipal de Cachoeira do Sul também é depositário de obras, objetos, fotografias e alguns documentos pertencentes ao ilustre historiador a quem devemos a definição da data magna do município - 5 de agosto de 1820 - que ele defendia com argumentos históricos irrefutáveis.

Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato
- Resumo Histórico por Aurelio Porto - 
(MR)
sexta-feira, 12 de agosto de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Resgatando a Grande Cachoeira

No dia 11 de agosto de 2016, às 18 horas, no hall da Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha, a professora e pesquisadora Terezinha Tessele Fenker lançou o livro Resgatando a Grande Cachoeira. Segundo a autora, a obra "abrange todos os períodos históricos do maior município do Rio Grande do Sul, cujos limites encostavam no rio Uruguai. A obra focaliza os seus distritos e freguesias: Agudo, Caçapava, Cerro Branco, Dona Francisca, Restinga Seca, Rincão da Porta, Santa Maria, Alegrete e outras localidades conquistadas para a Coroa Portuguesa."

Terezinha Tessele Fenker autografando a obra - foto Ricardo Zimmer

Mirian Ritzel, Ione Rosa e Jussara Garske, assessoras do Arquivo Histórico
junto à autora - foto Ricardo Zimmer
As assessoras do Arquivo Histórico, Elisabete F. da Silva (Museu Municipal),
a autora Terezinha T. Fenker e a pesquisadora Ione M. Sanmartin Carlos - foto Ricardo Zimmer
Com 554 páginas, o livro foi escrito a partir de pesquisas da autora, especialmente no Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul, instituição que guarda, preserva, organiza e difunde a documentação da história político-administrativa do município de Cachoeira do Sul desde sua instalação, em 5 de agosto de 1820. Em razão disto, o Arquivo Histórico dispõe de farta documentação relativa à grande Cachoeira, fonte primária imprescindível para obra que se propõe a reconstituir a trajetória histórica das localidades que integraram o território original da Vila Nova de São João da Cachoeira.

Exemplares do livro poderão ser adquiridos junto ao Arquivo Histórico, Rua Sete de Setembro, 350, ao custo de R$50,00. 


sexta-feira, 5 de agosto de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Arquivo Histórico - 29 anos a serviço da preservação da história documental do município

5 de agosto é um dia de dupla significação para Cachoeira do Sul: há 196 anos houve a instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira e o seu desmembramento de Rio Pardo e há 29 anos, em 1987, aconteceu a criação do Arquivo Histórico do Município. A data foi “escolhida a dedo” para dar significação ao papel que o Arquivo teria: o de guardar, organizar, preservar e difundir a documentação político-administrativa de valor histórico que o município produziu desde e a partir de então. E esta documentação não atrai apenas os pesquisadores locais, mas muitos vindos de diferentes lugares, com destaque para os municípios que tiveram em Cachoeira sua cidade-mãe.

Com o correr do tempo, à documentação foram agregadas as coleções de jornais editados em Cachoeira do Sul a partir de 1900. A coleção de imprensa é diariamente procurada pelos usuários do Arquivo Histórico, atraindo pesquisadores e cidadãos em busca de notícias, informações e notas de seu interesse, especialmente no O Commercio (1900 – 1966), O Correio (1992 – 2016) e o Jornal do Povo (a partir de 1929).

Para marcar a data, alguns dos últimos usuários dos serviços do Arquivo Histórico foram convidados a significar o trabalho que a instituição oferece com depoimentos que constituirão o documentário do 29.º ano de funcionamento:

         











A equipe do Arquivo Histórico agradece as manifestações e seguirá pautando seu trabalho de forma a cumprir com seus preceitos de preservar a memória documentada de Cachoeira do Sul.


(MR)