sexta-feira, 26 de abril de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Curso de Recepcionistas do SENAC visita o Arquivo Histórico

As alunas do Curso de Recepcionista do SENAC Cachoeira do Sul, acompanhadas pela professora Cíntia Daniele dos Santos, estiveram em visita ao Arquivo Histórico do Município, na tarde do dia 25 de abril, ocasião em que conheceram a instituição, sua função, objetivos e acervo. Foram atendidas pelas assessoras técnicas Ione Rosa e Mirian Ritzel.

Foto: Mirian Ritzel

Durante a visita, as alunas conheceram o acervo de imprensa do Arquivo Histórico, alguns trabalhos de genealogia e o acervo documental, tomando conhecimento dos cuidados necessários para a preservação e conservação da nossa memória histórica.

Foto: Mirian Ritzel

Para agendar visitas ao Arquivo Histórico, contate o telefone (51) 3724-6006 ou o e-mail arquivohistorico@cachoeiradosul.rs.gov.br



Apelo de um professor

No ano de 1877, Modesto Carvalho da Silva Rosa, professor público da aula do sexo masculino que havia no Distrito de Palma, solicitou por ofício ao Juiz de Paz do 2.º Distrito da Cachoeira, cópia do relatório que havia sido remetido à Diretoria Geral da Instrução Pública, relatando as dificuldades e apontando as ações que as autoridades deveriam tomar para mudar o panorama educacional das aulas do interior:

Do relatório escrito pelo Juiz de Paz em exercício José Daniel Beresford destacamos itens que chamam a atenção das dificuldades vividas pelo professor e seus alunos:

Das inspecções a que procedi, fiz lavrar as actas que envio por copia; e por elas V.S.ª se compenetrará do quanto urge ser a Aula provida do material q. lhe falta, a vista do estado pauperrimo e vergonhoso mesmo dos poucos utencis que emprega; pelo q. o ensino já se está prejudicando, e acarretará mais tarde o descredito e talvez a queda de tão util e esperansoso Estabelicimento. (...) O Professor não tem uma cadeira apropriada em q. se assente, e nem dispõe de outras p.ª oferecer aos vesitantes. Tem as honras da mesa do Magisterio um pequeno aparador q. se firma no chão da salla, na ausencia do estrado q. serve de pedestal. Existem duas bancas compridas de assento, que não bastando p.ª acommodar os alumnos, o Professor improvisou, como tal, um pranchão em bruto, que collocou sobre cavalletes p.ª q. alguns d'elles não se conservassem de pé. As Escrivaninhas são velhas, e por muito leves não tem firmesa; acho-as perigosas p. suceptiveis de quedas e produzir algum acidente. O servisso mecanico da Aula faz-se alternadamente, p. q. havendo somente douse Ardosias p.ª os exercicios de contabilidade, não é possivel os dicipulos todos se servirem ao mesmo tempo: semelhante processo rouba o tempo ao Professor, q. em diversas occasiões não pode aproveita-lo em outras lições. Uma taboleta tingida de preto p.ª o ensino das cousas, é de necessidade p.ª sertos alumnos q. é mister educar as mãos, adestrando-as primeiramente a trassar os caracteres das letras a giz, pois é fora de questão; q. a escripta é maximo problema q. o Professor tem a resolver com a especie de meninos q. cumpre arrancar do estado quase q. primitivo da naturesa. Sendo em grande parte os filhos de Pais pobres, q. a lei fatal da necessidade obrigaos a emprega-los nos trabalhos rudes e pesados da lavoura, p.ª prover a propria subsistencia, ficão de tal modo com as ideias embotadas, as mãos calosas, e os dedos entorpecidos, q. se tornão pouco capases de outra applicação. O Professor com toda a sua pericia lucta com serias dificuldades p.ª vencer a aversão q. elles votão ao estudo, corrigir os vicios da pronuncia, e certos habitos inveterados.

O Juiz seguiu sua análise, constatando que os professores interinos dificilmente poderiam ser substituídos pelas normalistas porque elas não sacrificarião, queimando as pestanas, treis dos melhores annos da mocidade, para se opporem a ellas, mormente havendo muito onde escolher; e as pessoas aptas e com capacidade para o Professorado, pelo simples facto de não terem o curso completo, tambem a ellas se não oppoem, por que não tem garantia alguma. E assim pois, devendo dar-se mais latitude ao corpo docente, pelo contrario o cercão de entraves, em prejuiso da instrução e da sociedade.

E concluiu: uma transição comessa incensibelmente a opperar-se na grande familia Rio Grandense; não está longe a época do trabalho livre substituir ao braço escravo, e a grande lavoura a industria e artes, a vida pastoril que definha, a transformação é inivitavel; e para que ella se efectue sem senciveis abalos a nossa organisação social, cumpre que os cidadãos que estremecem pela patria preparem o terreno à geração que nos precede, dando a luz, a luz civilisadora do progresso que é o elemento que ainda nos falta. 
Documento avulso da Justiça - 16/12/1877
O documento em parte acima reproduzido foi transcrito pelo Escrivão de Paz Marcellino Gonçalves da Fonseca. lembrado também como um dos proprietários das pioneiras lavouras de arroz que adotaram a irrigação por gravidade, inscrevendo seu nome dentre os empreendedores que ajudaram a construir nosso título de Capital Nacional do Arroz. Mas esta é outra página da nossa rica história...

Residência de Marcelino Gonçalves da Fonseca ainda existente
e localizada na Rua Sete de Setembro, esquina Conde de Porto Alegre
- coleção Claiton Nazar
segunda-feira, 15 de abril de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Antigas profissões na Cachoeira

Entre 1820 e 1900, período em que Cachoeira foi administrada pela Câmara Municipal (1820 a 1889), pela Junta Administrativa (1890 a 1892) e pela Intendência Municipal (1892 a 1930), havia categorias de empregados públicos e de autônomos que acabaram desaparecendo com o tempo, dada a extinção dos serviços prestados e a modernização da sociedade. Algumas profissões sobrevivem, mas já são raras de encontrar. Vejamos algumas delas:

1820 a 1889
- ajudante de corda: ajudante do agrimensor
- professor de primeiras letras
- ama ou criadeira: mãe de leite
- aguateiro: vendedor de água em pipas
- arruador: medidor de terrenos
- aferidor: conferente de pesos e medidas
- boticário: farmacêutico
- capitão-do-mato: caçador de escravos fugitivos
- jornaleiro: operário diarista
- cirurgião do Partido: médico contratado pela Câmara
- acendedor de lampiões: acendia os lampiões da iluminação das ruas ao anoitecer
- zelador de lampiões: cuidava da manutenção dos lampiões de iluminação das ruas
- tropeiro
- lavrador
- cubeiro: recolhia os cubos com dejetos humanos
- alcaide: oficial de justiça

Vila da Cachoeira - 1848 - em primeiro plano, um tropeiro


1890 a 1892
- mascate: vendedor ambulante
- inspetor de aulas públicas: inspecionava o ensino público
- zelador do relógio da Igreja Matriz
- vendedor de couro
- tamanqueiro
- porteiro contínuo da Câmara
- afiador ambulante de facas
- carcereiro: guarda da cadeia
- estafeta: carregador de malas do correio

1892 a 1930
- retratista: fotógrafo
- funileiro
- negociante
- costureira
- barbeiro
- cervejeiro
- sapateiro
- carpinteiro
- alfaiate
- empreiteiro ou construtor de obras
- carroceiro
- caixeiro viajante: vendedor

Cachoeira ao tempo da Intendência - fototeca do Museu Municipal
Fonte: Folheto do Arquivo Histórico "Cachoeira: Indústria e Comércio através dos Tempos".
sexta-feira, 12 de abril de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

R. Consolato d'Italia - Agenzia di Cachoeira

Muitos de nós, cachoeirenses, já ouvimos falar que a Áustria mantinha um vice-consulado em Cachoeira, sendo seu representante Ernesto Müller, um dos cidadãos beneméritos da nossa história.  Por outro lado, poucos de nós sabemos que houve uma agência do Consulado da Itália em Cachoeira, sendo o agente consular um cidadão que ficou conhecido na cidade como "Pedro faz tudo". Seu nome: Pietro Fortunati Battisti Allegri, ou Pedro Fortunato Batista para os da terra.

Fragmento do documento do Consulado da Itália em Cachoeira - 1895
Assinatura do agente consular P. F. Battisti Allegri

A informação se confirma através de um documento que integra o acervo do Arquivo Histórico, mais precisamente uma carta remetida pelo agente consular para o Sub-delegado de Polícia no dia 14 de setembro de 1895, contendo reclamação de Giovanni Pradell, súdito italiano estabelecido no Rincão da Mouraria, contra um vizinho que queria apropriar-se do terreno em que ele estava estabelecido. 
Não sabemos o resultado da contenda, nem que providências o sub-delegado tomou, mas a carta serve para mostrar o quanto a colônia italiana em Cachoeira era forte, organizada e representativa a ponto de ter uma agência consular e de ter fundado, em 1912, a Sociedade Italiana Príncipe Umberto, importante agremiação que cultivava as tradições deste povo que muito legou à nossa sociedade e até hoje possui famílias oriundas dos que primeiro aqui chegaram no último quartel do século XIX.

Fonte: Pasta não catalogada com avulsos da Polícia.