sexta-feira, 28 de março de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Placas de ruas - 1880

Quando andamos pelas ruas da cidade, facilmente percebemos nas paredes das casas, sejam elas residenciais ou comerciais, placas esmaltadas na cor azul indicando o nome da rua em que estamos. Muitas destas placas estão afixadas ali há décadas, cumprindo seu papel de orientar as pessoas no espaço urbano.

Em 30 de dezembro de 1880, a Câmara de Cachoeira firmou um contrato para confecção de placas metálicas, de nomenclatura de ruas e numeração de casas com Manoel Theodozio Gonsalves. 

O contrato traz o seguinte teor:
Aos trinta dias do mez de Dezembro do anno de mil oitocentos e oitenta no Paço da Camara Municipal d'esta Cidade da Caxoeira, depois de ter sido deliberado em sessão da mesma n'esta dacta, compareceu o Cidadão Constantino José de Barcellos como bastante procurador de Manoel Theodozio Gonsalves, cujos poderes exibio e ficão archivados na Municipalidade, com o qual foi cellebrado o contracto de collocação de placas metalicas com nomenclatura das ruas e numeração das casas d'esta Cidade, pela forma e condições ao diante exaradas:
1.ª
Manoel Theodozio Gonsalves, por seu procurador, obriga-se a fornecer e collocar em seus respectivos lugares 650 (seis centas e cincoenta) placas metalicas com a numeração das casas; e cento e quarenta (140) com a nomenclatura das ruas d'esta Cidade; aquellas ao preço de mil e sete centos reis (1.700) cada uma e estas á cinco mil reis, ambas com letras em alto relêvo em metal fundido; as primeiras com desenove centimetros de comprimento sobre dose de largura, e as ultimas (de nomenclatura) com quarenta e quatro centimetros de comprimento sobre trinta e dous e meio de largura; tanto umas como outras de cor azul e letras brancas.

Placa da Rua Antonio Gomes Pereira 

Atente o leitor para o cuidado com que os negócios públicos eram tratados pelas autoridades daquela época, detalhe que fica explícito na interessantíssima cláusula 2.ª, qual seja o da espécie de caução feita pelo fabricante das placas à municipalidade, valor que teria direito a reembolsar caso o serviço provasse ser bem feito, resistindo aos caprichos do tempo! E hoje, transcorridos 134 anos, quem duvida que muitas das placas esmaltadas azuis que ainda vemos por aí não foram as confeccionadas pelo Sr. Manoel Theodozio Gonsalves? 
2.ª
No acto de receber da Camara, a importancia das placas, depois d'ellas collocadas, deixará o mesmo Manoel Theodoro [sic] Gonsalves ou seu procurador, depositada nos cofres municipaes pelo espaço de cinco annos, uma letra afiançada por pessoa idonea, representando o valor de trinta por cento sobre a importancia total das chapas que forem collocadas; cuja letra ser-lhe-ha restituida si, no espaço dos cinco annos verificar-se que as chapas collocadas, não sofrerão alteração sensivel com a acção do tempo; sendo porem em caso contrario, obrigado a saptisfazer aos cofres municipaes a importancia da referida letra.

As cláusulas terceira e quarta referem-se às obrigações da Municipalidade com o contratado e a satisfação do pagamento ao final do trabalho de colocação de todas as placas. Terminada a lavratura do contrato, seguem as assinaturas da contratante Câmara Municipal, firmada pelo Presidente João Thomaz de Menezes, pelo procurador do contratado, Major Constantino José de Barcellos, e pelo Secretário da Câmara, Manoel Teixeira Cavalheiro.

Há também o interessante espaço denominado Memorial de Logradouros, no Museu Municipal, acima retratado, que reúne várias placas de ruas e praças da cidade, dentre as quais, possivelmente, há algumas oriundas do contrato que está muito bem conservado no acervo do Arquivo Histórico, no livro CM/OF/TA-007, páginas 6v. a 7v.

Memorial de Logradouros do Museu Municipal
- foto de Maurício Saraiva



terça-feira, 18 de março de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Colégio Marista - primeiros movimentos para instalação em Cachoeira

O jornal O Commercio, edição de 20 de fevereiro de 1907, em sua página três, traz a seguinte notícia sobre a movimentação da cidade em torno da instalação de um ginásio dos irmãos maristas, cujo título é Grata notícia:

É-nos grato communicar aos nossos leitores, e especialmente aos srs. paes de familia, que está definitivamente resolvida a fundação de um Gymnasio nesta cidade, dirigido pelos provectos educacionistas irmãos Maristas. Esteve para este fim aqui, o assistente geral da ordem, irmão Climaco, acompanhado do superior provinciano irmão Geraldo. Estes dois irmãos Maristas percorreram toda a cidade em companhia do Revmo. Padre Iunges, Vigario da Parochia, visitando o edificio em que reside o sr. dr. Balthazar de Bem, que é o que reune todas as condições necessarias á installação do Collegio. Sabemos que o sr. dr. Balthazar, solicitado a ceder o edificio, accedeu prompta e cavalheirosamente, attendendo assim ao anhélo de uma grande parte da população da Cachoeira. É digno de louvores o procedimento do sr. dr. Balthazar, tanto mais que, de certo modo, S.S. será prejudicado no seu bem estar, por vêr-se privado de excellentes accommodações. Os referidos irmãos Maristas voltaram hontem para Santa Maria, agradavelmente impressionados d'esta cidade. O Gymnasio será installado no fim do anno, começando os trabalhos em Fevereiro de 1908, com os dois cursos - elementar e complementar. Parabens aos srs. paes e aos nossos jovens conterraneos.




Notícia publicada n'O Commercio - 20/02/1907

Necessário esclarecer aos leitores que o edifício a que se refere a matéria e que servia de residência ao  Dr. Balthazar de Bem era o prédio que mais tarde passou a sediar o Clube Renascença e depois ainda a União de Moços Católicos. Somente em 1915 Dr. Balthazar mandaria edificar o palacete hoje denominado Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha.

A história foi escrita um pouco mais devagar do que parecia naquele distante ano de 1907. No ano seguinte os irmãos maristas de fato instalaram-se em Cachoeira, iniciativa que não perdurou por muito tempo. Nova tentativa aconteceria em 1929, instalando-se o ginásio no prédio que tinha sido construído para quartel da Guarda Municipal, na Rua Saldanha Marinho. Neste endereço encontra-se até hoje o Colégio Marista Roque, atualmente a maior escola particular de Cachoeira do Sul e que há 85 anos forma crianças e jovens nos preceitos de São Marcelino Champagnat.