sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Mudança de Chefia

Ione Sanmartin Carlos esteve a frente do Arquivo Histórico desde 2009. Durante o ano que findou, Ione gozou de suas licenças-prêmio e a própria diretora do Núcleo de Cultura, Lair Vidal, respondia pelo departamento.
Com a chegada do novo ano, a aposentadoria deu as boas-vindas à Ione Carlos e na sexta-feira 13, de fevereiro, Eliseu Machado  entrou com o pé direito no Arquivo para ser o novo gestor.
Encantou-se, primeiramente com o acervo de jornais, pois tem hábito de leitura.

No momento da imagem, Eliseu estava lendo sobre uma visita que Olavo Bilac fez a Cachoeira em 1916 e o seu pronunciamento, de forma poética, sobre o contexto sócio-político da época.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Seca em Cortado

Não é de hoje que lavoureiros vem sentido necessidades em seu trabalho devido à instabilidade do clima: ora chuvas escassas ora em excesso. 
Transtornos no meio ambiente já eram sentidos e em 12 de fevereiro de 1877, um grupo de chefes de família, residentes em Cortado, na Picada Nova, 7º quarteirão do primeiro distrito deste Município, resolveu através de um requerimento levar ao conhecimento da autoridade municipal as circunstancias graves que actuão n'este quarteirão, a fim de constrangê-la a tomar alguma atitude favorável.
O documento assim descreve o problema ambiental e no que ele resultou, subscrito com 67 assinaturas:

    A funesta secca que à meses devasta a nossa Provincia, tem sido mais sensivel n'este reduto que habitamos, a ponto de invalidar os mais extraordinarios exforços que humanamente é possivel fazer para obtermos da lavoura, o mais tenue recurso para exiguamente alimentarmos nossas familias.
    O fogo intenso que lentamente á tres mezes nos devasta, campo e mattos, em sua marcha destruidora; tem consumido mais grado nossos exforços, não só, capoeiras, como simultaneamente paióes, casas de moradia, cercados e plantações.
    A crise terrivel por que atravessa o commercio, com seu cortejo de horrores, tem sido, é e continua a ser, o mais atroz flagello inutilisador dos extraordinarios exforços que os abaixo assinados tem feito para evitar que a fome, a miseria e a nudez, invada um tão crescido numero de almas.

Primeira página do requerimento: CM/OF/R/Caixa 8

Não se sabe que medidas foram tomadas para a resolução do problema, mas depreende-se que o apoio da edilidade é imprescindível. 



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Encarecimento e escassez da água

Bem a propósito do que estamos vivenciando neste começo de 2015, nossos antepassados da Cachoeira de 1920, estavam também experimentando dificuldades com a obtenção do líquido precioso, aquele sem o qual não vivemos e de que nos ressentimos à mínima falta que nos faça.
A edição do jornal O Commercio (1900-1966), de 10 de março de 1920, em sua página 2, traz a respeito disto a seguinte notícia:

- Desde 1.º do corrente os srs. pipeiros, allegando a "carestia da forragem etc.", subiram para 100 réis o preço do barril d'agua, anteriormente vendida á razão de 200 réis por 3 barris, ou seja 67 réis por balde.
A medida da alta, agora generalisada, de 50% sobre o preço anterior, já era, aliás, empregada parcialmente durante o verão actual, em que, quando não vinha o frêguez (sem allusão á dialectica) o consumidor comprava do primeiro pipeiro que aparecesse, e que lhe cobrava 100 réis pelo conteúdo da vasilha, conforme a praxe estabelecida.
Não queremos discutir si, nas circumstancias actuaes, em que tudo encareceu consideravelmente, é ou não razoavel essa alta de 50%. O que queremos frisar é o novo accrescimo que essa subida vem trazer aos orçamentos domesticos, e principalmente aos dos chefes de familias numerosas, que gastam de 40$000 a 50$000 rs. de agua por mez.

A matéria do jornal, além de informar sobre a alta dos preços, fornece informações interessantes sobre a forma pela qual a água chegava aos cachoeirenses de então:

Nesta cidade, pouca gente possue algibes e poços, pois que é carissima a construcção dos primeiros e difficil e problematica a abertura desses ultimos. Depois de fazer uma excavação 70 a 100 palmos, arrisca-se ainda o proprietario a não encontrar agua e, algumas vezes, a encontrar agua impropria para beber. Encontrado o liquido, em grande profundidade, é preciso tiral-o a catavento ou por outro meio mechanico, o que torna ainda mais cara a agua, para quem della precisa em quantidade.
Talvez que esse encarecimento da agua venha trazer-nos o beneficio do apparecimento de outras pipas, por tornar mais lucrativo o negocio e attrahir assim a attenção de outros empreendedores desse negocio, que, bem cuidado, dá margem a bons lucros.
Si assim fôr, não continuaremos a soffrer a escassez d'agua de que tanto se queixa a maioria da população, a qual, si não fôra chuvoso como foi, felizmente, o actual verão, teria passado verdadeiros tormentos por falta do precioso liquido.
Apenas 14 pipas, entre grandes e pequenas, de capacidade de 21 a 42 barris, servem a nossa cidade.
Todas as fontes correram e correm abundantemente, existindo ainda algumas inexploradas, de modo que não é por falta d'agua, e sim por falta de conductores que a população soffre necessidade.
Se no proximo verão não melhorarem as condições de fornecimento, a administração do município precisará vir em socorro do povo, adoptando alguma providencia, até que se torne em realidade o estabelecimento da projectada hydraulica.

A história registra a inauguração da projectada hydraulica no ano seguinte, 1921, quando a cidade finalmente pôde ser abastecida, em parte, pela água encanada. Os pipeiros, entretanto, continuaram ainda por alguns anos a empreenderem o seu negócio que, pouco a pouco, desapareceu. Em 1925, com a instalação da segunda hidráulica, um contingente maior de cachoeirenses viu a água chegar a suas casas.

Inauguração da 1.ª Hidráulica - proximidades do Hospital de Caridade
- dia 20 de setembro de 1921 -
Fonte: Grande Álbum de Cachoeira (1922), de Benjamin Camozato
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Iluminação pública

Nestes tempos de dificuldade com os recursos naturais, outrora tidos como inesgotáveis no Brasil, as pessoas de bom senso têm pensado muito a respeito da adoção definitiva do uso sustentável da água e da energia.
Quando recorremos a registros históricos, nos apercebemos do quanto evoluímos em tecnologia para obtenção e distribuição dos recursos. Tal evolução, logicamente, implicou também em disseminação do acesso, crescimento da demanda e esgotamento dos recursos.
Mas como era feita, por exemplo, a iluminação pública de Cachoeira no final do século XIX, quando Thomas Edison já havia inventado a lâmpada elétrica?
Um telegrama de 24 de janeiro de 1881, dois anos após a divulgação da invenção (1879), mostra que as nossas ruas ainda estavam iluminadas a lampiões e que o combustível empregado pelo acendedor era a querosene, devendo em breve ser substituído pela gasolina. Ao final, refere que Quanto ao augmento de lampeões oportunamente se resolverá.

Telegrama - CM/DA/Telegramas/Caixa 3

A eletricidade só teve suas primeiras experiências em Cachoeira a partir de 1901, mas esparsas. Em 1910 a Intendência assinou contrato com a firma Lima & Martins para a instalação elétrica na cidade. Problemas na remessa dos equipamentos e materiais, que vinham da Europa, atrasaram o serviço. Em 1911, a iluminação a querosene ainda era paga pela Intendência e a profissão de acendedor de lampiões ainda estava garantida. O ano seguinte, que seria de avanços no serviço, a energia elétrica passou a ser distribuída muito precariamente pelo Grande Engenho Central, de Aydos, Neves & Cia., localizado à margem do rio Jacuí, e em outubro daquele ano a Usina Elétrica foi finalmente instalada, na esquina da Rua Moron com a atual Dr. Milan Kras.
Entre 1918 e 1919, ou seja, quarenta anos depois da invenção da lâmpada, o serviço prestado pela Usina melhorou, chegando a sua força a 500 cavalos, com fornecimento de energia elétrica, durante o dia, aos estabelecimentos industriais!