segunda-feira, 28 de novembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Câmara de Vereadores e Arquivo Histórico: uma parceria em prol da memória histórica

O Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul, representado em sua equipe pela assessora e pesquisadora Mirian Ritzel, ocupou a tribuna popular da Câmara de Vereadores no dia 21 de novembro de 2016 para prestar contas e agradecer o apoio recebido daquela casa para a restauração de um importante livro de seu acervo documental - o livro de atas do Fundo Câmara Municipal abrangendo o período de 1851 a 1861, identificado como CM/OF/A-005. A restauração do referido livro só foi possível graças ao fornecimento de todo o material necessário pela Câmara, numa iniciativa do então presidente, Vereador Marcelo Figueiró.

Em seu pronunciamento, a representante do Arquivo Histórico fez a apresentação do papel da instituição e em imagens mostrou as diversas etapas pelas quais o restauro do livro CM/OF/A-005 passou, de forma a ilustrar todo o processo desenvolvido pela assessora técnica Jussara Maria de Andrade Garske, que foi auxiliada no início do trabalho pela voluntária Alba Lindemann. 


















Ao final da apresentação e agradecimento pelo apoio ao restauro do livro referido, a equipe do Arquivo Histórico deixou outra importante solicitação ao atual presidente, Vereador Homero Tatsch: a do custeio do trabalho de restauração da primeira planta da Cidade da Cachoeira (1850), obra de Johann Martin Buff, pertencente ao acervo do Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima e que desde 2008 se encontra em poder da restauradora Naida Maria Vieira Corrêa, da empresa Restauratus - Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis Ltda., em Porto Alegre. O custo do restauro, atualizado, é de R$ 5.750,00. Este importante documento é o primeiro registro cartográfico do que hoje configura o centro histórico de Cachoeira do Sul. Sua recuperação é fundamental para entendimento da evolução urbana da cidade e para o planejamento futuro de sua expansão sem desprezar os bens e espaços de memória.

(MR)
domingo, 20 de novembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A Bandeira Nacional

Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a república no Brasil. O novo sistema de governo, além das mudanças que acarretou na organização político-administrativa brasileira, obrigou as autoridades a promoverem mudanças de toda ordem, inclusive nos símbolos nacionais, até então representativos do extinto império.

Em 20 de janeiro de 1890, Júlio de Castilhos oficiou a todas as juntas municipais - comissões de cidadãos que respondiam naquele momento de transição pelos negócios municipais - cientificando-as que uma nova bandeira nacional havia sido instituída e remetendo o desenho da mesma para que fosse imediatamente adotada. Referia-se, no ofício, ao Decreto n.º 4, de 19 de novembro de 1889:

Ofício de Júlio de Castilhos - 20/1/1890
JM/S/SE/CR - Caixa 2
Desenho da bandeira anexado ao ofício de Júlio de Castilhos
As instruções contidas no ofício acima resolviam a questão levantada em correspondência de 19 de novembro de 1889, coincidentemente o dia do decreto que instituiu a nova bandeira, remetida pelo comando do 2.º Batalhão de Engenharia na Cachoeira ao então delegado de polícia, Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros. O conteúdo é o seguinte:


Correspondência de 19/11/1889
JM/S/SE/CR - Caixa 2
Havendo recebido hontem do Commando das Armas o telegramma concebido nos seguintes termos: -"Não tendo ainda o governo dado instrucções sobre modificações no pavilhão nacional, não deve nenhuma bandeira ser hasteada  com caracter official como symbolo de nossa nacionalidade até vir instrucções" - rogo a V.S.ª de tomar providencias accordes com o intuito da letra do dito telegramma.

(ass.) Antonio Alves Pereira Salgado
Ten Cor el Com.e

A bandeira nacional, até por ter sido criada apenas quatro dias depois da proclamação da república, resultou de uma adaptação da bandeira do império feita por Décio Vilares. As cores verde e amarela, representadas no losango e no retângulo, aludem às casas reais de D. Pedro I, mas com o passar do tempo passaram a ter outra interpretação, referindo as riquezas e as florestas brasileiras.


www.significados.com.br/bandeira-do-brasil/

(MR)
sexta-feira, 11 de novembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Salários dos professores

É sabido e difundido, com muita propriedade, que os salários dos professores não condizem com a nobre missão que desempenham. Histórica já é a luta em prol das melhorias das condições de trabalho e da remuneração a que fazem jus estes profissionais que constituem a base de todas as profissões, porque ninguém atinge formação sem o professor.

Um documento do acervo documental do Arquivo Histórico, Fundo Junta Municipal (1889-1892), datado de 13 de abril de 1892, mostra o quanto o assunto não é novo e uma faceta das várias situações a que a classe do magistério tem sido submetida ao longo do tempo:


Ofício de 13/4/1892 - JM/S/SIP-Ofícios - Caixa 2

Dizia o documento, enviado à Junta de Cachoeira pela Diretoria Geral da Instrução Pública, em Porto Alegre, que os vencimentos dos professores interinos não normalistas seriam reduzidos de 880 para 600 mil réis, autorizando a municipalidade a abrir concurso para nomeação de outros, desde que fossem abertos editais. Os candidatos deveriam apresentar documentos que comprovassem sua maioridade, isenção de culpa e bom procedimento, além de outras condições e determinando que Si algum dos interinos não tiver competidor e mostrar, por algum documento, possuir approvação de exame que seja superior ao que determina o art.º 82 § unico do Regulamento, deverá ser contractado independente de novo exame. Como se vê, no final do século XIX, provavelmente por carência de professores com formação nas escolas normais, outras pessoas eram contratadas para desempenho do magistério e, já naquele tempo, vê-se que o estado valorizava pecuniariamente melhor os realmente habilitados.

Na vigência do século XXI, apesar de todo avanço tecnológico, os professores seguem no desafio diário de vencer as batalhas que lhe são impostas por um mundo em profunda mudança, enfrentando o descrédito, a baixa remuneração e as incertezas de uma profissão que está absolutamente em desvantagem na sociedade, apesar da importância, da relevância e do caráter praticamente insubstituível que possui...

(MR)
quinta-feira, 3 de novembro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Um outro cemitério para a cidade

No início da última década do século XIX, grande era a insatisfação dos cachoeirenses com os serviços de sepultamento no Cemitério das Irmandades, então o único existente no recinto urbano. Havia grande reclamação com o descaso, com as taxas cobradas pela igreja e também pela questão do credo que limitava os sepultamentos apenas aos católicos. Desde a década anterior, ou seja, 1880, a então Câmara Municipal tratava da necessidade da construção de um novo cemitério, tendo escolhido para isto um terreno no Alto dos Loretos.

Em 14 de agosto de 1891, cientificado pela Junta Municipal*, o vigário da Paróquia da Cachoeira, padre Vicente Zeferino Dias Lopes, oficiou a David Soares de Barcellos** dando conta de que já havia feito saber ás Irmandades remettendo uma copia para intelligencia e cumprimento para cessar os sepultamentos no antigo Cemiterio, e fazer-se no novo, o que indicava estar pronto e apto ao funcionamento o Cemitério Municipal.

Correspondência do vigário às autoridades municipais - JM/OF/CR-Cx. 1
Com a abertura do Cemitério Municipal, os sepultamentos das pessoas de outros credos, especialmente os luteranos, já em número significativo na cidade, passaram a ser feitos sem embaraços, legitimando a intenção que havia sido expressa em correspondência de alguns membros da comunidade evangélica local (que seria oficialmente fundada em 1893) dirigida à Junta Municipal em 18 de março de 1890:



Correspondência de membros da comunidade evangélica
- JM/OM/DC-Cx. 1

O teor da correspondência, que é assinada pelos luteranos João Gerdau, Carlos Koch, Phillip Adam, Jacob Trarbach e [Guilherme?] [França?], diz que há tempos era intenção da comunidade evangélica local fundar um cemitério próprio, para o que angariava recursos entre os interessados, mas que diante da notícia publicada no jornal 15 de Novembro de que a Junta Municipal estava na diligencia de construir um novo Cemiterio, vinha oferecer a quantia arrecadada de 400 mil réis para contribuir com a obra. Para tanto, os signatários solicitavam que fosse concedida a dita Comunidade evang. protest. dentro do limite do novo cemiterio que se está construindo, um terreno de [?] 25 Metros de frente e de 50 Metros de fundo. Seria completo o desejo da Comunidade se a fôr concedido o dito terreno correndo o cumprimento do mesmo pela metade da frente do novo cemiterio, obrigando-se a dita comunidade de pôr e conservar o dito terreno em bom estado, avorizar o [ar?] e concorrer deste modo de sua parte para que o cemiterio mostrará uma vista digno ao seu fim: Memoria aos defuntos.

Grande é o número, ainda nos dias atuais, de túmulos, capelas e jazigos perpétuos com inscrições em alemão que remontam àqueles tempos, constituindo-se em monumentos com importância histórica, arquitetônica e simbólica que merecem atenção e respeito das autoridades, devendo ser preservados como testemunhas de uma época.

* Comissão encarregada da administração do município a partir da proclamação da República.
** Erroneamente tratado na correspondência como intendente municipal. A Intendência, e com ela a figura do intendente, só seria instituída em 1892.

(MR)