segunda-feira, 23 de janeiro de 2017 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Espertezas do passado

Em 10 de dezembro de 1888, o cidadão Miguel C. Dias de Moura encaminhou à Câmara Municipal uma solicitação de que fosse certificado se o actual carcereiro - José Candido Alves Brilhante - tem ou não recebido d'essa Illustrissima Camara os dinheiros necessarios ao pagamento das despesas feitas com o aceio interno da Cadêa civil d'esta cidade; e, em caso affirmativo, qual a importancia recebida pelo mencionado carcereiro durante o tempo em que se acha elle no exercicio do respectivo cargo.

Requerimento de Miguel Dias de Moura
- 10/12/1888 - CM/S/SE/CR-018

No dia 26 de dezembro de 1888, a mesma Câmara foi destinatária de uma declaração do mesmo Miguel Dias de Moura dizendo que lhe constando existir uma petição assignada com o nome do Supp.e - sobre negocios da Cadeia; vem declarar a esta Illmª Camara, que nada tem relativamente sobre tal petição, visto não ter assignado papél algum q, disto tratasse. 


Declaração de Miguel Dias de Moura
26/12/1888 - CM/S/SE/CR-018

Então, o que se pode deduzir do fato se os documentos enviados à Câmara são conflitantes, embora emitidos no mesmo nome, e as assinaturas não conferem?

O fato é que em 29 de janeiro de 1889 o delegado de Polícia, Hilario Jozé de Barcellos, oficiou ao presidente da Câmara, Francisco Gomes Porto, dizendo que:

Ofício do Delegado de Polícia
- 29/1/1889 - CM/S/SE/CR-019

Tendo VSª se dignado communicar-me que a Illmª Camara Municipal nomeara uma commissão para examinar se o Carcereiro cumpre com as obrigações de sêo emprego, em relação ao que está afecto a essa Municipalid.e, ordenei ao referido empregado pª franquear o edificio da cadeia a commissaõ nomeada, a qualquer hora do dia ou da noite.

Tal documento denota que a Câmara Municipal procurou assegurar a veracidade dos fatos e para tanto nomeou uma comissão composta pelos vereadores Antonio Nelson da Cunha, Ismael Alves d'Almeida e João Thomaz de Menezes Junior para examinar detidamente o cumprimento das obrigações a que está sugeito para com a Camara o Carcereiro da Cadêa Civil desta Cidade. O delegado foi comunicado, franqueando o acesso da dita comissão à cadeia.

Na dúvida, melhor verificar os fatos. Transparência ontem, hoje e sempre!

MR
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A Comissão Rockfeller em Cachoeira

Em 1913 foi criada, nos Estados Unidos, a Fundação Rockfeller, entidade que tinha por missão promover ações de melhoria da saúde pública, estimulando o ensino, a pesquisa e a filantropia em países subdesenvolvidos. No Brasil, a Fundação Rockfeller estabeleceu sucursal no Rio de Janeiro em 1916 e na década de 1920 espalhou-se por outros estados, inclusive no Rio Grande do Sul, promovendo pesquisas científicas e incentivando a profilaxia das doenças endêmicas de então. Naqueles anos, em associação com o Departamento Nacional de Saúde Pública, a Comissão Rockfeller, nome adotado, focou sua ação no combate à ancilostomose, uncinariose ou amarelão, doença parasitária infecciosa intestinal causada por vermes que têm seu ciclo de desenvolvimento na terra, aonde chegam através das fezes humanas, infectando pessoas e animais. Como o saneamento básico era praticamente inexistente e não havia rede de tratamento de esgotos, a doença parasitária atacava a população em elevadas proporções.

Um dos grandes propagadores das medidas profiláticas para combate à doença foi o escritor Monteiro Lobato, criador do personagem Jeca Tatu que apresentava os sintomas clássicos da doença parasitária, como desânimo, perda de apetite, diarreia e vômito justamente por andar descalço, com rachaduras nos calcanhares, e não adotar medidas higiênicas capazes de evitar a proliferação dos vermes causadores da doença. A transformação do Jeca Tatu em sujeito disposto ao trabalho e participativo se deu quando ele passou a calçar sapatos e a adotar hábitos saudáveis. Tal história foi tão difundida que a moléstia acabou chamada popularmente de doença do Jeca Tatu.



Focando sua ação na profilaxia da doença, a Comissão Rockfeller começou a atuar em Cachoeira auxiliando o Posto de Prophylaxia Rural - Combate á Uncinariose em 1925, como atesta um recibo emitido em papel timbrado onde se lê Combate á Uncinariose - Posto em Cachoeira:

IM/RP/SF/D - Caixa 9

Recebi da Intendencia Municipal de Cachoeira, a quantia acima de trezentos e cincoenta mil reis (350$000) proveniente da subvenção votada para auxiliar a manutenção da "Comissão Rockfeller" e relativa ao mez de Novembro p. findo.

Cachoeira, 30 de Novembro 1925.
Dr. Francisco Salzano
Medico-chefe do Posto

O pagamento do valor de 350.000 réis solicitado pela Comissão Rockfeller foi autorizado em 12 de dezembro de 1925 pelo intendente João Neves da Fontoura e pago em 15 daquele mês.

Na década de 1940, a Fundação Rockfeller retirou-se do país, assumindo as funções o Serviço Especial de Saúde Pública.

Cachoeira foi um dos primeiros municípios do Rio Grande do Sul a fazer grandes investimentos no saneamento básico, trabalho que começou em 1921, com a construção da primeira hidráulica, na Praça Itororó, governo Aníbal Loureiro, seguiu em 1923/1924 com o início do lançamento da rede de esgotos, sob a administração do intendente Francisco Fontoura Nogueira da Gama, e culminou com o grande projeto que ampliou a distribuição de água com o complexo da segunda hidráulica, da qual faziam parte o Château d'Eau e o R2 da Praça Borges de Medeiros, durante o governo João Neves da Fontoura.

MR
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Moção de Cumprimentos ao Arquivo Histórico

A equipe do Arquivo Histórico sentiu-se lisonjeada e agradecida pela distinção que teve da legislatura anterior da Câmara de Vereadores de Cachoeira do Sul, através da apresentação de uma Moção de Cumprimentos dos vereadores, aprovada por unanimidade, parabenizando a instituição pelo excelente trabalho desenvolvido junto aos prédios históricos em processo de manutenção e restauro, como o da Câmara de Vereadores, o do Château d'Eau e o Paço Municipal, prédios estes de grande relevância para preservação e valorização da memória de Cachoeira do Sul.


Moção de Cumprimentos recebida em 28/12/2016

A Moção de Cumprimentos da Câmara de Vereadores ao Arquivo Histórico, iniciativa do então vereador presidente Homero Tatsch, valoriza as ações de guarda, organização e difusão da história político-administrativa de Cachoeira do Sul, redimensiona o papel que os documentos históricos preservados têm e podem oferecer e aumenta a responsabilidade de todos os profissionais envolvidos no criterioso trabalho de preservação da memória histórica local. 

Este reconhecimento tem que ser dividido também com o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural - COMPAHC,  sediado em suas reuniões e rotinas administrativas pelo Arquivo Histórico, e com o Movimento pela Recuperação do Paço Municipal, grupo de voluntários que lideram, junto com o Executivo Municipal, as obras de restauro daquele importante bem do patrimônio histórico-cultural cachoeirense. Para o COMPAHC e o Movimento, o Arquivo Histórico tem-se prestado como fonte de consulta para o levantamento histórico dos bens patrimoniais.

Encerrar um ano de trabalho com o reconhecimento público é encher-se de ânimo e otimismo para o ano que se inicia.

MR