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Mostrando postagens com o rótulo Vila Nova de São João da Cachoeira

Princesa D. Paula Mariana

D. Pedro I teve com a primeira esposa, D. Maria Leopoldina, sete filhos. A quinta deles, D. Paula Mariana, protagonizou uma das mais tristes histórias da família do Primeiro Imperador do Brasil.  Princesa Dona Paula Mariana - Wikipédia A menina nasceu no Rio de Janeiro em 17 de fevereiro de 1823, ano seguinte ao da Independência do Brasil. Nos nove anos que viveu, sempre enfrentou problemas de saúde, além de ter ficado órfã de mãe aos três e sem o pai aos oito, quando ele abdicou do trono e foi para Portugal. Por esta época, as crianças já tinham uma madrasta, pois D. Pedro I havia casado com D. Amélia de Leuchtenberg em 1829. Os historiadores dizem que Paula de Bragança era uma menina muito dócil, pacífica e resignada. Ela e seus irmãos, incluindo D. Pedro II, sucessor do trono, ficaram sob os cuidados de pessoas designadas pelo pai, a quem nunca mais viram.  Quando Paula chegou aos oito anos, seu estado de saúde agravou-se muito e os tratamentos a que era submetida não surti...

As cachoeiras do Jacuí

Em 1856, o Dr. Luiz Alves Leite de Oliveira Bello percorreu o território do Rio Grande do Sul, passando por Cachoeira. Além de descrever o que viu depois de um passeio que fez pela vila logo depois do almoço, admirando-se com a Igreja Matriz e o prédio do Império do Divino Espírito Santo, fez outras interessantes observações. Ao se referir ao estado geral da Vila Nova de São João da Cachoeira, escreveu em seu diário de viagem: Esta vila está muito bem situada à margem esquerda do majestoso Jacuí, sobre uma planície elevada e ligeiramente inclinada. Não tem bons edifícios, mas é populosa; tem muito comércio para a serra do mesmo município e para Santa Maria, São Martinho e Cruz Alta. Sem contestação, é a Vila da Cachoeira uma das povoações mais bonitas da Província. Suas ruas são largas e cortadas em ângulos retos. O porto sobre o Jacuí é profundo e cômodo. Se as cachoeiras que há neste rio da cidade do Rio Pardo para cima não embaraçassem a navegação nos tempos da seca, seria a Vila da...

Registro histórico da instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira

No dia 5 de agosto de 1820, pela presença do Ouvidor Geral, Corregedor e Provedor da Comarca Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, foi elevada a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira à condição de vila, tomando o nome de Vila Nova de São João da Cachoeira. Por este ato e os demais que se seguiram, foi Cachoeira emancipada da Vila de Rio Pardo, adquirindo a sua autonomia política e administrativa. Um dos grandes responsáveis pelo levantamento desta história foi o pesquisador Aurélio Porto que, em 1910, ao organizar a documentação existente na Intendência Municipal, teve acesso às fontes originais que rememoram a importância daquele momento histórico. O historiador Aurélio Porto - Grande Álbum de Cachoeira (1922), de Benjamin Camozato Em 1922, no  Grande Álbum de Cachoeira no Centenário da Independência do Brasil, organizado por Benjamin Camozato, Aurélio Porto abriu a publicação com um resumo sobre a nossa história e lá ele se referiu ao grande dia 5 de agosto...

O açoriano que instalou a Vila Nova de São João da Cachoeira

O que pouca gente sabe é que a autoridade máxima que procedeu à instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira era açoriano de nascimento.  Trata-se do Ouvidor Geral, Corregedor e Provedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, autoridade constituída que veio à Freguesia de Nossa Senhora da Conceição para instalar a Vila Nova de São João da Cachoeira no dia 5 de agosto de 1820. Naquele ato, providenciou na abertura dos livros da Câmara, conduziu a escolha e a posse dos três primeiros vereadores e mandou levantar o pelourinho, símbolo da autonomia político-administrativa, segundo a legislação portuguesa. Abertura do Livro 1.º da Câmara, feita por Joaquim B. de Senna Ribeiro da Costa em 3/8/1820  - CM/OF/TA-008 - foto Cristianno Caetano Deste homem pouca coisa se sabe. Natural dos Açores, tinha sido juiz de fora da Ilha Graciosa, em 1803. Era casado com Inácia Emília de Castro Borges Leal, tendo dois filhos: José e Joaquim José....

O vereador descendente de açorianos

Dando sequência às publicações sobre a presença açoriana na história de Cachoeira do Sul e em comemoração aos 270 anos do povoamento açoriano no Rio Grande do Sul, o blog traz ao conhecimento dos leitores a figura de Antônio José de Menezes. Foi ele um descendente direto de açorianos que entrou para a história político-administrativa de Cachoeira. Rubrica de Menezes nos livros da Câmara  Diferente da composição inicial da Câmara, cujos três primeiros vereadores foram eleitos e empossados no dia da instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira, em 5 de agosto de 1820, houve uma sequência de nomeações feitas por carta régia. A carta régia era um documento oficial assinado por Sua Alteza Real D. João VI e que não passava pela chancelaria da Corte, ou seja, era enviado diretamente para a autoridade que deveria dar-lhe cumprimento.  Assim, em 23 de janeiro de 1822, dando cumprimento à carta régia de 24 de novembro de 1821, foram empossados e prestaram juramento os três vereadore...

A primeira eleição em Cachoeira

Para a instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira alguns requisitos eram obrigatórios, sendo um deles a eleição dos três vereadores, aqueles que iriam dirigir os destinos do novo município. Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, o ouvidor geral e corregedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina que foi encarregado de proceder à instalação da Vila, foi quem dirigiu a eleição e empossou os eleitos, ficando o ato registrado no livro primeiro da Câmara (CM/OF/TA-008), com o título de Auto de publicação da eleição dos Vereadores, e mais Oficiais, que hão de servir o presente ano de mil oitocentos e vinte* : Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e vinte, aos cinco dias do mês de agosto do dito ano, nesta Vila Nova de São João da Cachoeira, e Casas da Câmara dela, onde se achava o Doutor Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, Ouvidor Geral, e Corregedor da Comarca comigo Escrivão, Nobreza, e Povo; e sendo aí depois de se proceder à eleição na ...

E a revolução se avizinha...

Em 24 de setembro de 1835, antevendo problemas com a ordem e segurança públicas em razão do estouro da Revolução Farroupilha, o Juiz de Paz do Centro oficiou à Câmara Municipal comunicando-a da situação:  Officios = Do Js. de Páz do Centro = 24 de Septembro Corr.e = Que se responda disendo que com magoa recebeo a nuticia que no mesmo dá, porem que muito lhe louva o Zello que tem tomado sobre o bem estar do Municipio e que espera que Continue na serteza de que a Camara o cuadjuvara em tudo que estiver a seu Alcance. Que se fassa Publico por Editais fazendo Constár que no Municipio riscos não há de Ser perturbado; que sem que a Camara espera em Seus habitantes hajao de prestar se com união e obdiencia as Leys e a Authoridades legalm.e constituidas huma vez que o corrão serconstancias que exijão. E por ser dada a hora o Senr" Prezidente levantou a seção E para Constar se lavrou a presente Acta em que assignarão perante mim Manoel Alves Ferrás Junior Secret.º que o escrevÿ Jo...

Cachoeira rumo aos 200 anos

5 de agosto de 2019. Cachoeira atingiu a marca de 199 anos de instalação como município, celebrando com todos os cachoeirenses o seu aniversário. Num 5 de agosto do ano de 1987 também nasceu o Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul "Carlos Salzano Vieira da Cunha", instituição que guarda, preserva e disponibiliza os documentos que dão materialidade a uma das histórias mais ricas do nosso estado. Para rememorar, em 5 de agosto de 1820, o Ouvidor Geral, Corregedor e Provedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina, Joaquim Bernardino de Sena Ribeiro da Costa, realizou a solenidade de instalação do município, constando do rito português o erguimento do pelourinho, a eleição dos três primeiros vereadores e o preenchimento dos outros cargos indispensáveis para o funcionamento da nova vila. Naquele dia, os cidadãos da ainda pequena povoação devem ter-se reunido no local em que provavelmente hoje se ergue a Praça José Bonifácio para assistir ao nascimento do quinto...

26 de abril de 1819 - Alvará de Criação da Vila Nova de São João da Cachoeira

Há uma confusão compreensível quando o assunto é a definição da data em que Cachoeira do Sul completará seus 200 anos de autonomia político-administrativa. Tudo isto porque existem duas datas a disputar a comemoração. A primeira delas, 26 de abril de 1819, é a data de um importante documento assinado pelo Rei D. João VI, chamado de alvará, criando a Vila Nova de São João da Cachoeira, então subordinada administrativamente a Rio Pardo. A segunda data, 5 de agosto de 1820, marca o dia da instalação do município, desmembrando-o de fato de Rio Pardo. Pelo alvará de 26 de abril de 1819, D. João VI acolheu a vontade do povo da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira de se emancipar e de não depender mais das decisões demoradas de Rio Pardo a respeito de todos os seus negócios. Conteúdo do Alvará de Criação da Vila -  26/4/1819 - CM/OF/TA-008 A questão é que o alvará legitimou a criação do município, porém a sua instalação levaria ainda mais de ano para ...

Primeira professora nomeada em Cachoeira

Uma das datas mais lembradas do mês de outubro é o Dia do Professor, celebrado em 15. Ainda que os professores enfrentem diariamente duros desafios e a sociedade não volva para eles o olhar de respeito que era regra no passado, o valor de sua função seguirá inquestionável.  A história da educação no Rio Grande do Sul é um capítulo à parte. Foi tardia tal qual a ocupação definitiva do território pelos portugueses. E para complicar mais a sua efetiva aplicação, o estado sofreu durante 10 longos anos as agruras da Revolução Farroupilha, época em que nada, ou quase nada, funcionou. Para provar esta situação, os anais da história mostram que o exame a que foi submetida a primeira candidata à professora pública da Vila Nova de São João da Cachoeira só foi ocorrer em 22 de outubro de 1838, 17 anos após a criação das primeiras aulas públicas. Homens na profissão já havia, como comprova a ata da sessão da Câmara Municipal, realizada naquele dia 22 de outubro, e que relata o exame a...

Tabela das Passagens de Rios

As necessárias reformas na Ponte do Fandango, neste ano de 2018, há tanto pleiteadas, têm feito os cachoeirenses conviverem com a problemática de travessia do rio Jacuí através de balsas. Os humores do rio, as mudanças climáticas típicas de inverno rigoroso, as questões burocráticas e a logística da travessia por este meio de transporte têm dominado as conversas e as notícias.  Poucas pessoas se dão conta de que cruzar o Jacuí e seus tributários tem sido um desafio de séculos. Cachoeira se aproxima rapidamente de seus 200 anos de história oficial, descontados aí os primeiros tempos de ocupação a partir de 1750, quando o Jacuí dominou (e segue dominando) a cena, uma vez que a cidade se desenvolveu a partir de sua existência. Como a navegação comercial desapareceu da vida corrente, por vezes esquecemos do quanto ela já foi preponderante e de que justamente por isto necessitava de disciplinamento para funcionar de forma que atendesse usuários e prestadores dos serviços. Na ...

Materializando o passado

O passado pode se materializar quando lemos um documento produzido há muito tempo. As palavras, com sua força expressiva, são capazes de descrever cenários, desvendar sentimentos. Por isto história e literatura são tão próximas e tão parceiras na reconstituição do tempo. Esta é a sensação despertada por uma ata de sessão extraordinária da Câmara Municipal que registrou acontecimento festivo do dia 31 de janeiro de 1830, época em que a Vila Nova de São João da Cachoeira se constituía de poucas ruas, almas* e fogos**. Naquele dia, os vereadores saíram trajados de gala e se dirigiram à Igreja Matriz, depois participaram de uma procissão pelas ruas. A descrição do secretário que lavrou a ata é destes registros que de fato permitem que o passado ganhe corpo: Ata de sessão extraordinária de 31/1/1830 - CM/OF/A-002 - fl. 36 CM/OF/A-002, fl. 36v - Acervo documental Arquivo Histórico [Anotado na folha 36] SeSsão Extra-Ordinaria do dia 31 de Janeiro 1830 = Dada a hora, ...

Uma capela para São João?

Quando D. João VI assinou o alvará que criou o município de Cachoeira, em 26 de abril de 1819, atribuiu-lhe o nome de Vila Nova de SÃO JOÃO da Cachoeira. É provável que as negociações que antecederam a criação da Vila tenham partido da promessa de homenagear D. João VI denominando a novel povoação com o santo de sua devoção. Um documento da época refere a gratidão  (...) pela Alta Mercê que Vossa Majestade Inclinando seus Reaes Ouvidos as Submissas e reverentes suplicas dos habitantes desta Villa, se dignou liberalizar roborando Sua Majestade esta Graça com aotra especial deDar a esta sua Villa por Patrono o Grande Santo do Seu Immortal Nome (...)  (CM/OF/TA/-008, fl. 01). Os anos se passaram e nenhuma reverência ao santo se verificou, esvaziando de sentido o nome da Vila. Até que em 21 de janeiro de 1830 a ata da sessão ordinária da Câmara registrou uma curiosa oferta: CM/OF/A-002, fl. 28v Vio-se hum Officio do Juiz de Paz da Freguezia desta Villa, João Nun...

Caverna da habitação de feras

Pouco menos de 10 anos depois da instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira, muitas das atribuições dos vereadores da Câmara Municipal, então os responsáveis pela administração e disciplinamento dos negócios, serviços e bens públicos, ainda careciam de resolução. Segundo dispunha a Lei de 1.º de outubro de 1828, em seu artigo 56, dentro das funções municipais, os vereadores tinham que se organizar e, reunidos em sessão,  nomear uma commissão de cidadãos probos, de cinco pelo menos, a quem encarregarão a visita das prisões civis, militares, e ecclesiasticas, dos carceres dos conventos dos regulares, e de todos os estabelecimentos publicos de caridade para informarem do seu estado, e dos melhoramentos, que precisam.  Atendendo a esta atribuição prevista na lei, na sessão do dia 15 de setembro de 1829, foram nomeados para dar cumprimento à determinação o Juiz de Paz João Nunes da Silva, o Juiz Ordinário Francisco Jozé da Silva Moura, o Juiz de Sesmaria Manoel Alv...