quinta-feira, 20 de novembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Padres Redentoristas em Cachoeira

A Igreja Santo Antônio é um dos cartões-postais de Cachoeira do Sul, verdadeira joia que brotou do gênio do arquiteto alemão José Lutzenberger.

Projeto do convento e Igreja de Santo Antônio - arquiteto José Lutzenberger
- extraído da publicação Suplemento do Santuário de Aparecida, 1944
Há 70 anos, mais precisamente em fevereiro de 1944, dez anos depois do começo das obras de construção da igreja, tiveram início os trabalhos de conclusão das torres, execução da Companhia Construtora e Organizadora Industrial S.A., que na mesma época estava levantando o prédio que serviria como nova agência do Banco do Brasil, na Rua Sete de Setembro, onde depois funcionou o Clube Independente.

Igreja Santo Antônio com as torres ainda inconclusas,
vista interior do templo e tomada do Colégio Imaculada Conceição
- Suplemento do Santuário de Aparecida, p. 203, 1944
A vinda dos redentoristas para Cachoeira foi um dos marcos da expansão da ordem no Rio Grande do Sul, pois até então eles estavam presentes somente em Pelotas.

Cachoeira, situada no centro do Estado, apresentava posição privilegiada para o estabelecimento de uma igreja e uma casa de missionários, possibilitando ação pastoral em todas as dioceses circunvizinhas. Assim, em novembro de 1921 chegaram os primeiros redentoristas a Cachoeira, vindos de Pelotas: Agostinho Polster e Irmão Melchior. Logo depois chegaram os padres Antão Jorge e Orlando de Morais, ficando todos acomodados em uma pequena moradia junto à Capela de São José, no Alto dos Loretos, até que encontrassem um terreno apropriado para estabelecer o convento, a igreja e uma escola apostólica para vocações. Esta escola chegou a abrigar 25 juvenistas entre 1928 e 1936, ano em que acabou sendo transferida para Pinheiro Machado.

Escola Apostólica, ou antigo convento
- Suplemento do Santuário de Aparecida, 1944
A Igreja Santo Antônio começou a ser construída em 1934, sendo erguida com a ajuda da comunidade. Seu aspecto arquitetônico, em estilo barroco bávaro, mostra apuro estético. Os vitrais, igualmente desenhados por José Lutzenberger, foram doados por várias famílias de tradição católica da cidade.

Hoje, a igreja não pertence mais à congregação redentorista e está sob a orientação dos padres palotinos.

Como se vê, a Igreja Santo Antônio não é apenas um belo cartão-postal de nossa cidade, mas também um legado de empreendedorismo e arte em nome da fé. Sua importância histórica e arquitetônica justificou a inclusão no rol dos bens inventariados do patrimônio histórico-cultural de Cachoeira do Sul em 1989.

Vista aérea geral da Igreja Santo Antônio - foto Robispierre Giuliani
quarta-feira, 12 de novembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Levante militar no Barro Vermelho - 10 de novembro de 1924

A edição do jornal O Commercio (Cachoeira, 1900-1966) do dia 12 de novembro de 1924 traz detalhada notícia sobre o levante militar do 3.º Batalhão de Engenharia, sediado em Cachoeira, cujo desfecho se deu no Barro Vermelho, interior do município, onde pereceram o Dr. Balthazar de Bem e o jornalista Fábio Leitão.

Fábio Leitão - acervo familiar
Eis a notícia, transcrita com atualização da grafia, exceto dos nomes próprios:

Sábado último, desde cedo, começaram a circular na cidade vários boatos de que o 3.º Batalhão de Engenharia, aqui aquartelado, se sublevaria para atacar a Intendência Municipal e tomar conta da cidade.
Imediatamente as autoridades municipais, em ação conjunta com a comissão executiva do Partido Republicano local, tomaram várias providências, preparando a defesa da cidade, lançando mão do contingente de 80 homens vindos do 4.º distrito, sob o comando do capitão Avelino Carvalho Bernardes, subintendente dali, para fazer parte do corpo auxiliar da Brigada Militar que se achava em organização, bem como da Guarda Municipal e de grande número de civis republicanos que espontaneamente acorriam à Intendência para oferecer os seus serviços na defesa da legalidade.
Tomando assim todas as medidas que as circunstâncias exigiam os Drs. Balthazar de Bem e João Neves da Fontoura, membros da comissão executiva, tiveram, às 10 horas da noite de sábado, longa conferência com o Exmo. Sr. Dr. Presidente do Estado, enquanto o Dr. Annibal Loureiro se entendia, pessoalmente, com o Coronel José Armando, Comandante do 3.º Batalhão de Engenharia, que se achava no quartel dessa força do Exército.
Nada havendo de anormal àquela hora no quartel e nada desconfiando da atitude de rebeldia dos seus comandados e de todos os oficiais, que continuavam a protestar inteiro apoio ao governo legal, o Sr. Coronel Comandante mandou apenas reforçar a guarda do depósito de munição, retirando as chaves do mesmo.
Às 4 horas da madrugada de domingo, porém, o Sr. Coronel Comandante, notando grande ruído no quartel, vestiu-se apressadamente e indo verificar o que havia, foi intimado por um sargento que empunhava um revólver a se render.
Arrebatando o revólver das mãos do sargento revoltoso, o Sr. Comandante disse que se não rendia para subalterno algum, mandando vir à sua presença o chefe dos revoltosos que disseram ser o Capitão Fernando Távora.
Este oficial revoltoso, que até a última hora dera a sua palavra de honra que nada aconteceria, declarou então ao Coronel José Armando que todo o Batalhão havia se revoltado e por isso o intimava a entregar as chaves do quartel.
Desta forma, nada mais pôde fazer o Sr. Coronel Comandante, bem como os demais oficiais Major José Bentes Monteiro e Capitão Helio Cota que, nesse ínterim, chegaram ao local, os quais se conservaram fiéis ao governo, com os seguintes inferiores: sargento ajudante Symphronio Benicto dos Santos, 2.ºs. sargentos Luiz Martins do Espirito Santo Sobrinho, Manoel Telesphoro Vieira, Amador Soares, 3.ºs. sargentos Maximiliano Symauscki, Benedicto Lopes Pimenta, Carlos Espirito Santo, Carlos Daniel Iserhardt Filho, João Luiz Borges e Eurico Paranhos, cabos Oscar Assenheimer e Feliciano Severo Rodrigues e soldado José Penso.
Preparando-se desordenadamente, os revoltosos, em número de 118, dos quais muitos reservistas há poucos dias incorporados em virtude da convocação feita, depois de carregarem alguma munição e armamento, em pequenas carroças, seguiram em direção ao Passo do Seringa, no rio Jacuí.
A esse tempo, já a Intendência recebia comunicação de que o sargento Julio Siqueira, da Guarda Municipal, havia sido preso pelos revoltosos, quando fazia reconhecimento na Ponte da Aldeia.
Imediatamente, sendo chamados com urgência pelo Sr. Capitão Francisco Gama, compareciam à Intendência os doutores Balthazar de Bem e João Neves.

Dr. Balthazar de Bem e Dr. João Neves da Fontoura 
O Dr. Balthazar de Bem, a fim de verificar, de visu, o que havia de certo, em companhia do nosso companheiro de redação Emiliano Antonio Carpes, se dirigiu para o quartel do 3.º Batalhão de Engenharia, onde encontraram apenas os oficiais e os inferiores acima referidos, que se conservaram fieis à legalidade.
Depois de explicar o que tinha ocorrido, o Sr. Coronel Comandante do 3.º Batalhão pôs à disposição da Intendência cerca de cem fuzis Mauser, bem como granadas de mão que os sediciosos haviam deixado e oferecendo, com o Sr. Major José Bentes e Helio Cota, os seus serviços para combater os revoltosos.
Estes, que haviam seguido para o Passo do Seringa, transpuseram o rio e, depois de acamparem na Estância da Boa Vista, se dirigiram para o 3.º distrito, vadeando o Irapuá, a fim de tomarem a estrada de Caçapava.
Entre as providências tomadas, de ativar a organização do corpo auxiliar da Brigada que já contava com 120 homens, ficou assentada a vinda de uma companhia da Brigada Militar que se achava aquartelada em Santa Maria.
Esta força pública, porém, só pôde chegar aqui às 21 horas de domingo, sob o comando do Capitão Pedro Vaz, em trem especial, sendo recebida na estação da via férrea por uma banda de música e pela população da cidade, que em massa foi recebê-la.
Perfeitamente armada e equipada, a briosa força pública desembarcou com muita ordem e presteza, se dirigindo ao edifício da Intendência, recebendo, no trajeto da estação à Praça Tamandaré, as aclamações do povo que vivava os heroicos defensores da legalidade.
Depois de uma ligeira refeição e do apresto necessário em automóveis e caminhões especialmente requisitados, essa força pública, às 3 horas da madrugada de segunda-feira, precedida de um pequeno contingente de cavalaria sob o comando do Capitão Avelino Carvalho, iniciava a marcha para o Passo de São Lourenço, a fim de dar combate aos inimigos da ordem e da legalidade.
Transposto esse passo aos primeiros alvores da manhã de segunda-feira, às 10 horas já a heroica companhia, sob o comando do Coronel José Armando e com o concurso de inúmeros civis, como os senhores doutores Balthazar de Bem, Annibal Loureiro e Glycerio Alves, Silecio Pinós e outros, entrava em contato com os revoltosos, ficando-lhes à retaguarda.
Entrincheirando-se no cemitério existente no lugar denominado Barro Vermelho, no 3.º distrito, os revoltosos desenvolveram, desordenadamente, fogo intermitente, enquanto a companhia da Brigada Militar procurava envolvê-los, poderosamente auxiliada pelo pequeno piquete de cavalaria que fazia contínuas e cerradas cargas.
Os heroicos defensores da legalidade foram, assim, com toda a regularidade, desalojando pouco a pouco os revoltosos, até que à noite já estavam completamente destroçados.
A força legal apreendeu 200 fuzis Mauser, grande cópia de munição, cinco carroças, tendo ficado prisioneiros 13 dos revoltosos, que sofreram grandes perdas, entre feridos e mortos, inclusive o Sr. Fábio Leitão, que deixa viúva e filhos pequenos.
Da parte da legalidade tivemos a lamentar a morte do Dr. Balthazar de Bem, deputado estadual, vice-intendente deste município e membro da comissão executiva do Partido Republicano, que foi ferido mortalmente quando afoita e denodadamente combatia à frente da força legal.
A força da Brigada teve a registrar a morte de uma praça, três feridas levemente e uma gravemente.
Da presa de guerra consta também a espada do capitão revoltoso Fernando do Nascimento Távora, único oficial que traiu o governo.
A força rebelde deixou também extraviada muita munição.

Tendo conseguido o desbarato completo dos revoltosos, a força legal estava ontem, à tardinha, transpondo o Passo de S. Lourenço de regresso para esta cidade.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A fronteira do rio Jacuí

O Arquivo Histórico convida para:

Palestra: A fronteira do rio Jacuí, pelo historiador Tau Golin

Lançamento do livro: A Guerra Guaranítica -
o levante indígena que desafiou Portugal e Espanha,
de Tau Golin

Dia 14 de novembro de 2014, às 19h
SIPROM: Rua Virgílio de Abreu, 1175

O evento integra a programação do Novembro Azul - Núcleo Municipal da Cultura
Promoção: Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura - AMICUS
Conselho Municipal de Política Cultural - CMPC
Associação de Amigos da Fazenda da Tafona

Apoio: Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul