quinta-feira, 26 de março de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

O aborto

O aborto é um assunto que desperta muita discussão e polêmica, seja ontem ou hoje. Sua prática é condenada por uns e defendida por outros. Razões éticas, morais, religiosas e sociológicas são levantadas, oferecendo vários ângulos para sua observação e julgamento.

Pois surpreendentemente o jornal local O Commercio, da coleção de imprensa do Arquivo Histórico, em sua edição do dia 25 de abril de 1906, ou seja, há 109 anos, publicou em sua primeira página um soneto, então um tipo de poesia muito em voga na época, intitulado O aborto. 

O aborto

Tu que antes de nascer, morres forçado,
Triste aborto, imperfeita creatura;
Do ser e do não ser cuidado;
Do ser desprezo e do não ser cuidado;

Tu és de amor o fructo malfadado;
Fructo que a honra anniquilar procura.
De amor obra funesta e sem ventura,
Da honra triste victima e do fado.

Anjo, perdôa a culpa commetida;
Contempla a mãe, a esposa sem consorte.
Não a culpes de ingrata e de homicida.

Dous tyrannos decidem a tua sorte:
Contra a honra o amor fez dar-te a vida
E a honra contra amor fez dar-te a morte.

(Extr.)

O jornal extraiu o soneto de outra publicação? Não há referência a autor. Não importa. Fica o registro da curiosa publicação e da provável discussão que deve ter provocado nos leitores do Comercinho a abordagem de tema tão polêmico.

Parte da página do O Commercio
- edição de 25/4/1906


terça-feira, 3 de março de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Proibição do Entrudo

Os festejos carnavalescos terminaram, as pessoas voltaram aos seus afazeres diários, os estudantes já retornaram às aulas, mas ainda é oportuno e interessante fazer menção histórica ao entrudo*, isto é, ao Carnaval.
Em 8 de fevereiro de 1833, o presidente e vereadores, em sessão extraordinária da Câmara Municipal da então Vila Nova de São João da Cachoeira, analisaram e aprovaram alguns artigos que foram adicionados às Posturas Municipais. Esses artigos, num total de quatro, foram tornados públicos através de um edital.
Os artigos estão relacionados à proibição do Carnaval e trazem suas penalidades no caso de desobediência. Dizem assim, com grifo e paragrafação acrescentados:

Artigo 1º. Fica prohibido o brinquedo do entrudo, os contraventores serao multados pela primeira vez, em mil reis, sendo liberto, ou quatro dias de Cadeia, e os Escravos, terão amesma pena pecuniaria, ou cincoenta assoites, a escolha de seu Senhor.
Artº. 2º. No caso de reencedencia, serão multados os contraventores, em penas dobradas, e as mais que se se seguirem, serão consideradas sempre em dupla da ultima pena que se lhe tenha imposto.
Artº 3º. Os limoens chamados de cheiro, que forem encontrados a vender-se; pelas ruas serão inutilizadas, assim como, os que estiverem avendagem nas Tabernas, ou em outro qual quer lugar, eno cazo de reencedencia, alem de serem inutillizados os contraventores serão sugeitos as penas do artigo segundo.
Artigo 4º. O Fiscal, nos ultimos tres dias de Entrudo, fará requesetar, ao Juis de Páz, as Patrulhas neceçarias, para prohibir tutalmente, iste devertimento.

CM/OF/Editais/Caixa 6

O edital está selado com o selo das armas nacionais e nele consta a assinatura do presidente Joze Pereira da Silva e do secretário Antônio Duarte Roiz Pernambuco.

*Provém do latim "introitus", que significa entrada, acesso. Refere-se à entrada na Quaresma, no dia a seguir ao do Entrudo, isto é, na Quarta-Feira de Cinzas. Também é denominada uma antiga brincadeira carnavalesca, trazida pelos portugueses, no século XVI.
Para saber mais acesse: 
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=262:entrudo&catid=40:letra-e&Itemid=184