sexta-feira, 30 de maio de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Necessidades da cidade em maio de 1865

Em 5 de maio de 1865, o cidadão José Joaquim Cidade, fiscal da Câmara, remeteu ao seu Presidente e demais vereadores um relatório em que ficão demonstradas as nessecidades [sic] que mais percizão da attenção de VV.SS.ªs não só para o formoziamento desta cidade, mãs tambem para a facelidade do transito em suas ruas.



O Relatório permite que façamos hoje, quase 150 anos depois, uma análise do modo como a cidade estava organizada em suas rotinas e serviços básicos, permitindo uma comparação com a atualidade, quando muito avançamos em recursos tecnológicos em nossos lares, mas ainda muito temos que igualmente avançar em termos de urbanismo e civilidade.

CM/Série C: Obras e Melhoramentos/Subsérie 1: Relatórios/Caixa 5

Eis algumas das Necessidades da Cidade apontadas no Relatório de José Joaquim Cidade, segundo a ordem por ele estabelecida:

1.ª  Remução do lampião que está no meio da parede do Corpo da Guarda, para a esquina.
2.ª  Compostura na rua de Sto. Antonio abaixo do Herval, que tem grandes buracos.
3.ª  Idem da rua do Herval, cahidas a rua Bella, 7 de 7br.º, e Sto. Antonio.
4.ª  Idem da rua do Imperador, cahidas a Praça de Ponxo Verde.
5.ª  Composturas nos cordões na rua 7 de 7br.º em frente a Fran.co Loreto, e João Vieira
6.ª  He muito conveniente a terrar os quadros da rua 7 de 7br.º esquina do finado Sampaio, Gomes & Menezes, e João José Roiz~, assim como na rua do Herval esquina da praça da Conceição, que em todas estas Esquinas formão lagoas.
7.ª  Estão em estados de serem de molidas as paredes das Cazas de Fran.co José da S.ª Moura na rua de Sto. Antonio, e de Joaqm. Luiz Diniz na rua do Imperador esquina do Carumbé.
8.ª He muito percizo um depozito para por este meio se privar que andem vagando Vacas, Porcos, e Cabras.

O fiscal termina o Relatório dizendo que Eis as necessidades que por mais prejudiciozas as publicas conveniencias, reclamão urgentes providencias para sanal-as. (...) Cidade da Caxr.ª 5 de Maio de 1865.

Transpondo para a realidade da cidade da Cachoeira de maio de 2014, os fiscais de hoje ainda apontariam buracos nas ruas, objetos e ou placas em lugares indevidos, muros ou paredes em ruínas e alagamentos em pontos de diversos logradouros como necessidades da cidade! Já para o seu formoziamento, ou formoseamento na grafia de nossos dias, certamente bem mais do que oito itens do relatório original de 1865 quantos itens precisariam ser apontados?

Nota: o Corpo da Guarda citado, provavelmente ficava na atual Rua Conde de Porto Alegre, cuja denominação anterior era Rua do Corpo da Guarda. As demais ruas referidas eram, respectivamente, a de Santo Antônio a atual Saldanha Marinho; a do Herval era a antiga Rua do Sampaio; a Rua Bela é a atual Liberato S. Vieira da Cunha, a do Imperador hoje é a Rua 15 de Novembro e, por último, a do Carumbé é a Rua Ramiro Barcelos. A Praça da Conceição é a Praça Dr. Balthazar de Bem e a de Ponche Verde a Praça José Bonifácio.

terça-feira, 27 de maio de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Demandas da Colônia Santo Ângelo à Câmara de Cachoeira

Em 26 de maio de 1886, uma comissão de cidadãos da Colônia Santo Ângelo enviou correspondência ao Presidente e mais vereadores da Câmara Municipal da Cachoeira solicitando uma série de obras no segundo e quarto complexos do distrito colonial do Município, referindo aquelas que, entre tantas outras, eram consideradas de mais urgência.




Dentre as obras, as principais reivindicações eram as composturas em estradas e caminhos, incluindo as pontes que nelas existiam: pontilhão da sanga do Pinheiro, a ponte da Sanga Funda e a ponte grande nas terras da picada de Parreira, na iminência de cair com a passagem de carruagens e animais. Tal solicitação era justificada pela extrema necessidade de comunicação e comércio entre a zona colonial e a cidade, uma vez que os colonos abasteciam o mercado cachoeirense com seus produtos e nele buscavam outros que atendessem suas necessidades.


O grupo de cidadãos que assinam o documento, dentre os quais se verificam alguns que integravam a primeira leva de colonos chegados em novembro de 1857, era o seguinte:
- Pedro Rockenbach
- Albert Mükler
- Robert Rohde
- Jozé Müller
- Christoff Rockenbach
- Friederico Mattjie
- Ignacio Tischler
- Otto Homrich
- Conrado Zimmer
- Carlos Gehrke
- J. Felippe Stumpf
- Carl Janner
- Emil Hübner
- Wilhelm Graffunder 

CM/Série C: Obras e Melhoramentos/Subsérie 1: Requerimentos/Caixa 8

segunda-feira, 19 de maio de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Rotinas do Arquivo Histórico

O Arquivo Histórico tem sido fartamente utilizado pela comunidade local e visitantes que a ele recorrem em busca de informações históricas constantes de seu acervo documental ou de jornais.

O Instituto Estadual de Educação Dr. João Neves da Fontoura, no ano em que comemora seu 85.º aniversário, está imbuído em levantar dados históricos de sua trajetória como um dos educandários mais reconhecidos e tem, com este objetivo, recorrido ao Arquivo Histórico. Este levantamento vem sendo realizado pelos estudantes do ensino médio com vistas às comemorações de aniversário, no ensejo da realização da tradicional feira do livro do educandário, cujo patrono no corrente ano será o jornalista e ex-aluno Alexandre Eggers Garcia.

Alunos do Instituto de Educação João Neves da Fontoura em pesquisa no AH

O Arquivo Histórico cumprimenta o Instituto de Educação que, do alto de seus 85 anos, muito tem feito e ainda irá fazer pela educação na terra de seu patrono.

Assim como atende a pesquisadores, o Arquivo Histórico também é brindado vez em quando com a visita de pesquisadores que mantêm com a instituição uma saudável troca de informações. Desta feita, visitou o Arquivo o pesquisador Coralio Cabeda, cachoeirense por adoção que veio à cidade participar como palestrante do Evento Cultural Cachoeirense, iniciativa da Martins Livreiro, Edigal, Biblioteca Pública Municipal "Dr. João Minssen" e Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura. Na ocasião de sua visita, o pesquisador foi atendido pelas assessoras técnicas Neiva Ester Corrêa Köhler e Jussara Maria de Andrade Garske.

O pesquisador Coralio Cabeda foi recebido no AH
quinta-feira, 15 de maio de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Passo de São Lourenço à espera do Imperador

O Blog do Arquivo Histórico chega hoje a sua 100.ª postagem e tem buscado levar ao conhecimento de seguidores e eventuais consulentes muitos dos documentos que integram o seu acervo, verdadeiros tesouros que contam e comprovam a nossa história!

Em 1865, ano da segunda vinda do Imperador Pedro II à Vila da Cachoeira, as autoridades já se organizavam para dar boa impressão ao ilustre visitante. Eram tempos de dificuldades também por conta da guerra que estava em curso contra o Paraguai. E o Passo de São Lourenço, caminho de passagem para as tropas que se dirigiam à fronteira do Brasil, carecia de melhoramentos.

Em 26 de julho de 1865, a Câmara Municipal recebeu uma correspondência de Angelo Moniz da Silva Ferraz, Ministro dos Negócios da Guerra, em que demonstra indignação com o péssimo estado da barca de passagem do Passo de São Lourenço e exige que os vereadores tomem providências para melhorá-la uma vez que servirá de passagem para a comitiva de Sua Majestade, o Imperador Pedro II, quando de sua vinda.

CM/OM/Ofícios/Caixa 5

Em outra correspondência, datada de 8 de agosto de 1865, Angelo Moniz da Silva Ferraz torna a demonstrar sua indignação com o serviço oferecido no Passo de São Lourenço, citando o momento delicado de guerra em que muitas tropas e material de exército precisavam servir-se do local para sua passagem. 

CM/OM/Ofícios/Caixa 5

Nas duas correspondências há claramente um "puxão de orelhas" nas autoridades. Decorridos quase 150 anos,  pouca coisa evoluiu e o Passo de São Lourenço, que já passou por todas as guerras desde então, continua a provocar velhas batalhas...
terça-feira, 13 de maio de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

13 de maio de 1888 - assinatura da Lei Áurea

Há 126 anos a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea, gesto que pôs fim oficial ao sistema escravista no Brasil. Apesar de ser entendida hoje como uma formalidade desvinculada da prática, pois não criou condições para que os libertos tivessem amparo estatal ou mecanismos que garantissem a sua inserção plena na sociedade, a assinatura representou um avanço e foi celebrada festivamente por todo o país e os intelectuais da época.

Princesa Isabel

Em Cachoeira, apesar da libertação dos escravos ser paulatina na década de 1880, contando-se em 1884 com um contingente de 1305 escravos, dos quais 441 já haviam sido libertados, ainda as práticas associadas à escravidão estavam bem presentes na rotina da então cidade da Cachoeira. No final daquele ano restavam 369 homens e 318 mulheres escravizados.

Eis algumas dessas práticas:
Aos escravos era proibido:
- comprar ou vender qualquer objeto ou produto sem a licença escrita de seus amos;
- participar de jogos, sob pena de seus proprietários serem multados em quantia que variava de acordo com a infração ou a penalidade podia ser substituída por castigos físicos aplicados ao escravo;
- permanecer na rua após o toque de recolher sem a devida autorização;
- organizar ou participar de batuques ou danças nas ruas ou casas.

No dia 14 de maio de 1888, a Câmara Municipal, inteirada da assinatura da Lei Áurea, rendeu homenagens à data da extinção da escravidão no Brasil, reuniu-se em sessão solene e lavrou ata especial. Mandou também iluminar a fachada do prédio da Casa de Câmara e Cadeia por três dias e telegrafou a José do Patrocínio, o grande batalhador da causa dos escravos.

José do Patrocínio

Fontes: 
- IM/EA/SA/RL-001, fls. 10 e 10v.
- Folheto 134 anos Cachoeira - Cidade - 1850-1860, Arquivo Histórico, 1993.