sexta-feira, 28 de agosto de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Escravo Fujão

O acervo do Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul guarda verdadeiros tesouros. Muitas destas jóias seguem ainda inéditas, aguardando o olhar criterioso de quem, primeiramente,  se disponha a decifrar a arcaica caligrafia e, muitas vezes, a pouca clareza do escriba...

Recentemente, em averiguação de documentos guardados em um arquivo denominado Justiça, não classificado como integrante do Fundo Câmara Municipal e por isto mesmo apartado deste conjunto documental, foi localizado um interessante depoimento de um negro fujão, datado de 4 de maio de 1829.

Transcrito minuciosamente pela assessora técnica Maria Lúcia Mór Castagnino, a Ucha, o documento trouxe à luz do século XXI uma situação certamente corriqueira naquela primeira metade do século XIX, tempo de senhores, de escravos, de fugas e de guerras.

A assessora Ucha Mór em trabalho de transcrição

1829"             Autto de Pregunta
Mº 4
N.º 8              Juizo de Paz                                             J. (?)
                                                                                       Almeida

Antonio Bagamundo natural da Costa forro

Anno de Nassimento de Nosso Jesus Christo de mil oito centos e vinte nove aos quatro Dias do mes de Maio do dito anno em Caza da residencia do Capitãn Bernardo Moreira Lirio Juiz de Páz desta Friguezia e seu Termo onde eu Escrivão vim esendo prezente Antonio Bagamundo para cer perguntado a causa da sua fuga e o Escravo Miguel Escravo de Guilherme Antonio de Athaides e Maria Escrava de Antonio Vicente da Fontoura Disse o seguinte = que sechama Antonio Bragamundo e que sendo Soldado de Artigas fora Prizioneiro no Artaque de Taquarembo e vindo Prizioneiro para Capital sentara Praça no Batalham dos Anriques da Cidade de Porto Alegre onde esteve no Serviço seis mezes seno seu Comandante o Sargento Mor Lourenço Junior de Castro, por tanto Dezertara para seir transportando a Santa fe e que xegando n esta villa encontrara com a Negra Maria, Escrava de Antonio Vicente da Fontoura e lhe preguntara o que Andara fazendo e que ella lhe respondera que seandava aprontando para fugir e que elle dito Antonio Bagamundo que visto ser afim e ella o quizera acompanhar que irião para Santa fe ao que ella respondera que sim e estava pronta como de fato comigo foi e estavão juntos. Quando nos prenderão os Capitains do Mato nos Matos do Otro Lado de Santa Barbara, e Enquanto o Negro Miguel Escravo de Guilherme Antonio de Athaidez hu meu Patricio e foi Prizioneiro no Ataque de Taquarembo Junto comigo, Elogo que elle aqui mevio e convercemos, Eproguntando me elle para onde hia eu lhe dice que tinha Dezertado e que hia Caminhando para Santa fe ao que elle merespondeu que o não deixace pois me quiria a Companhar para o que hia buscar a sua ropa como defato veio e seguimos Junto com a dita negra e fomos todos os tres prezos no mesmo lugar assima dito. E para constar mandou o Juiz Lavrar este de Termo de pregunta em que assinarão perante mim João Alvarez de Almeida. Eu escrivão de Juizo de Paz que o escrevy e a Signey

Lirio.
Custodio Manoel Gomes
Antonio Joze de Almada
Sinal de Antonio Bagamundo
João Alvarez de Almeida
Primeira página do documento - sem classificação


Verso da segunda página - com assinaturas
sexta-feira, 21 de agosto de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Novo horário de atendimento do Arquivo Histórico

Devido à instituição do turno único de trabalho na Prefeitura Municipal de Cachoeira do Sul, o Arquivo Histórico passará a atender ao público no seguinte horário: 

DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA, das 7h30 às 13h30, sem interrupção ao meio-dia.

A equipe continuará a prestar os mesmos serviços, procurando atender a pesquisadores, estudantes e interessados em geral com a presteza de sempre.

Para outras informações: (51) 3724-6006
                                         arquivohistorico@cachoeiradosul.rs.gov.br


sexta-feira, 14 de agosto de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Aviso da chegada do Imperador

Inverno de 1865. Corria a Guerra do Paraguai.
Em Cachoeira, o prédio da Casa de Câmara, Júri e Cadeia estava quase concluído. Ferminiano Pereira Soares, o construtor, finalizava as obras e em 1.º de agosto deu-a por pronta.
Poucos dias antes, a Câmara Municipal recebeu uma correspondência do Gabinete do Ministro da Guerra, datado de 26 de julho, prevenindo-a que em pouco tempo o Imperador Pedro II chegaria a Cachoeira:

Porto Alegre. Gabinete do Ministro da Guerra em 26 de Julho de 1865.

Previno a Vm.ces do que no dia 28 do corrente daqui seguirá S. M. O Imperador com destino a cidade do Rio Pardo, onde chegará naturalmente no dia 29, ficando Vm.ces na intelligencia de que S. M. Imperial partirá logo para essa cidade.

Deos Guarde a Vm.ces
(assinatura) Angelo Moniz da S.a Ferraz

CM/DA/Ofícios/Caixa 7
- acervo documental do Arquivo Histórico

De pronto a Câmara tratou de providenciar a melhor forma de receber o Imperador, que veio ao Sul em resposta à invasão do território brasileiro pelas forças inimigas paraguaias. Antes de chegar a Cachoeira, havia passado por Rio Grande, por onde entrou no Rio Grande do Sul, depois por Porto Alegre e Rio Pardo. 
Em Cachoeira, D. Pedro II chegou pelas águas do Jacuí, a bordo do vapor Tupy. Quando avistou o prédio concluído da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, logo o requisitou para que nele se instalasse uma enfermaria a fim de que praças do Exército que se dirigiam ao cenário da guerra e se encontravam enfermos pudessem ter ali o atendimento necessário.
Diante da solicitação do Imperador, a Câmara entregou o sobrado em 6 de agosto de 1865. Mas, em novembro daquele ano, já o reclamava:

Illm.mo e Exm.mo Snr.~ = A Camara Municipal da cidade da Cachoeira communica a V. Ex.ça, que achando-se concluida a factura da casa de suas sessões, Jury e cadeia, tomou de ella posse no dia 6 de Agosto do corrente anno, mas que, avista do excessivo numero de doentes militares então aqui existentes e a requisição do Exm.mo Ministro da Guerra, fez d'ella cessão para ahi estabelecer=se o Hospital. Hoje, porem, que está terminada tal necessidade, por só restarem quatro doentes, tendo os demais sido transportados á Capital e juntamente grande parte do trem dos mesmos, pede esta Camara a V. Ex.ça se sirva expedir as suas ordens, para que a vista do estado defficiente dos cofres desta Camara, é medida economica de que tanto ella necessita. = D.s G.e a V. Ex.ça = Sala das sessões da Camara Municipal da cidade da Cachoeira 9 de Novembro de 1865. = Illm.mo Exm.mo Snr.~ Visconde da Boa Vista, Presidente da Provincia. = Isaias Baptista Rodrigues Pereira Lourenço, Jose da S.ª Bandeira = João Alves de Almeida = Mauricio Jose d'Almada = Miguel Candido da Trindade.
(CM/S/SE/RE-002, fls. 52 e 52v.)

Em 1.º de dezembro de 1865, em razão do pequeno número de militares doentes em tratamento no sobrado, a Câmara novamente requisitou-o:

Illm.mo Snr.~= A requisição do Exm.mo Ministro da Guerra e em consideração ao cressido numero de doentes militares, que, então havia, foi posto a disposição para enfermaria, não só o salão do Jury como o sobrado das sessões da Camara; hoje porem que se acha limita dissima a quantidade de doentes, podendo talvez serem convenientemente, não só estes como todos os uttencis accommodados na sala do Jury e peças anexas, e attendendo a necessidade de commodos, e por medida economica, a Camara Municipal pede a V.S.ª como digno director d'aquelle estabelecimento, se digne dar suas providencias para que lhe sejão entregues as chaves do referido D.or Agostinho Jose da Costa Figueredo. = Isaias Baptista Rodrigues Pereira - Vereador Presidente - Antonio Jose d'Almada, Secretario.
(CM/S/SE/RE-007, fls. 54 e 54v.)

A Guerra do Paraguai, acontecida há 150 anos, apesar de ter se desenrolado a quilômetros e quilômetros de Cachoeira, entrou para a história da nossa Casa de Câmara, Júri e Cadeia, determinando que a sua ocupação inicial não se desse pelos ilustres vereadores que, a muito custo, aguardavam por ela desde 1834... 

Inverno de 2015. O velho sobrado que guarda em suas paredes tantas e tantas histórias, como a que acima se vê, espera ansiosamente o início das tão sonhadas obras de restauro!
Fachada frontal da Casa de Câmara, Júri e Cadeia
- Autor: arquiteto Júlio Ramos
(MR)
quarta-feira, 5 de agosto de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

195 anos de instalação do Município e 28 anos do Arquivo Histórico

5 de agosto de 2015. Nesta data o município de Cachoeira do Sul comemora 195 anos de instalação e de emancipação política-administrativa. 

E, para marcar a data histórica, foi criado no dia 5 de agosto de 1987 o Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul, como forma de ressaltar a natureza de suas atribuições, que são a preservação, guarda e divulgação dos documentos que relatam a evolução administrativa desde 1820.

Parabéns, Cachoeira do Sul! Parabéns, Arquivo Histórico!

O Google homenageando o Arquivo Histórico!