segunda-feira, 22 de setembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Árvores em Cachoeira

O dia 21 de setembro é dedicado às árvores no Brasil e esta data foi escolhida em razão de coincidir com o início da primavera.
As árvores dão vida às cidades, contribuindo para o bem-estar das pessoas e para o embelezamento de residências, ruas e praças.
Cachoeira do Sul sempre foi considerada uma cidade bem arborizada e até hoje diferentes espécies de árvores marcam os espaços urbanos, servindo como referências, a exemplo das palmeiras do Château d'Eau, dos plátanos do Bairro Rio Branco, dos ipês da Rua Andrade Neves, das paineiras da Escola Rio Jacuí.

Palmeiras washingtonias do Château d'Eau - foto Robispierre Giuliani
Ao longo da nossa história, é interessante verificar que muitos administradores do Município preocuparam-se em arborizar a cidade, adquirindo mudas que várias vezes procediam de outras localidades.
Em 1908, o Intendente Isidoro Neves da Fontoura plantou paineiras na Praça José Bonifácio. As mudas que sobraram deste plantio foram colocadas defronte ao Clube Sete de Setembro, na antiga Rua São João, cujos remanescentes existem até hoje, embora o clube tenha dado lugar à atual Escola Rio Jacuí.

Paineiras na Praça José Bonifácio - fototeca Museu Municipal 
Em 1913, o Intendente Dr. Balthazar de Bem, interessado em arborizar as praças da cidade, foi alvo de correspondência de um silvicultor de Porto Alegre, chamado Torquato A. Gomes, que lhe fazia a oferta de várias espécies de árvores de sombra, tanto estrangeiras como nacionais, divulgando o plátano, o chapéu-de-sol de Texas, álamo Carolina, cedro, catalpa do Japão, carvalho rubro, érable (bordo), sófora-do-Japão.



IM/S/SE/OR-003, de 7/7/1913
Sabe-se que o intendente mandou adquirir 50 mudas de plátanos. Seriam os que ainda hoje estão espalhados pelo Bairro Rio Branco e proximidades do BANRISUL?

Plátanos da Rua Presidente Vargas - foto Eduardo Minssen
 As árvores da cidade também constituem a sua história. Mais um bom motivo para respeitá-las.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Pesquisadores encontram no Arquivo fontes importantes para seus estudos

O Arquivo Histórico tem recebido ultimamente muitos pesquisadores que, em busca de sua riqueza de fontes, encontram material bastante para dar robustez aos seus estudos.

A presença dos pesquisadores, além de permitir o cumprimento dos objetivos do Arquivo Histórico, é oportunidade de intercâmbio de conhecimento com os servidores, de troca de informações e estabelecimento de rede para futuros contatos e estudos.

Estiveram conosco nos últimos dias os seguintes pesquisadores:
- Júlio Fonseca do Amaral, bisneto do membro da Academia Brasileira de Letras, Gregório Porto da Fonseca, que veio buscar informações sobre a vida do antepassado na sua terra natal, bem como confirmar dados genealógicos com a assessora Maria Lúcia Mór Castagnino. Na ocasião, doou a obra Estética das Batalhas, de Gregório da Fonseca, autografada pelo escritor para o acervo do Arquivo Histórico;

Júlio Fonseca do Amaral entregando a obra do bisavô às assessoras do AH

- Paulo Roberto Staudt Moreira, professor de História na UNISINOS, São Leopoldo, e com várias obras publicadas, das quais gentilmente doou três para a biblioteca do Arquivo Histórico - Histórias de Escravos e Senhores em uma Região de Imigração Europeia, Os Calhambolas do General Manoel Padeiro: Práticas Quilombolas na Serra dos Tapes (RS, Pelotas, 1835) e Odiosos Homicídios - O Processo 5616 e os Crimes da Rua do Arvoredo. Sua vinda se deu por conta das pesquisas que está realizando sobre o processo-crime relativo ao atentado contra Antônio Vicente da Fontoura, curiosamente no mesmo dia em que o fato completava 154 anos de ocorrido (8/9/1860).

Prof. Paulo R. Staudt Moreira
- Alini Hammeischmitt, produtora cultural, em busca de fontes sobre agricultura para futuro doutorado;
- Roberto C. Mello, militar de Porto Alegre, que pesquisou no acervo do Jornal do Povo, ano 1966, assuntos sobre esporte.
sábado, 6 de setembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Os 7 de setembro na Vila Nova de São João da Cachoeira

O 7 de setembro de 1822, dia em que D. Pedro I decidiu que o Brasil seria independente de Portugal, só foi ter repercussão na recém-instalada Vila Nova de São João da Cachoeira meses depois, quando aqui chegaram as correspondências expedidas pela Imprensa Nacional comunicando os atos administrativos que se sucederam ao grito do Ipiranga.

Nos setembros subsequentes, documentos revelam que era costume a Câmara incentivar os habitantes da Vila a iluminarem a frente de suas casas nos dias 6 e 7. Também a casa que servia de sede às reuniões dos vereadores tinha que iluminar sua fachada.

Sessão da Câmara em 5 de setembro de 1853 - Livro CM/OF/A-005, fl. 78
Além da iluminação especial, era costume contratar o padre para realização de um Te Deum, na Igreja Matriz, em ação de graças pela Independência. 

O Te Deum é um hino religioso cantado em louvor a Deus pelo alcance de uma graça ou pelo transcurso de um grande acontecimento. Às vezes é acompanhado por uma pregação e algum canto, sendo mais solene do que uma missa. Era muito comum a sua celebração em todos os grandes acontecimentos históricos do século XVIII e XIX, mas hoje está praticamente em desuso.

Para ilustrar tal hábito, um documento de 28 de agosto de 1857 registra que a Câmara contatou o Padre José Teixeira da Cunha Louzada Sobrinho para a realização do Te Deum “para solenizar o dia 7 de Setembro entrante da Independência do Império”.

Em 1862, no setembro do 40.º aniversário da Independência do Brasil, e quando a Vila já havia se tornado Cidade da Cachoeira, a prática de preparo da iluminação da Câmara custou aos cofres públicos municipais a quantia de 54$000 réis e a celebração do Te Deum, no dia 7, 79$800. Tais gastos foram computados como despesas eventuais, totalizando 133$800 réis.

Despesas eventuais – Livro CM/Po/RD/DD-004
Mas o que acontecia na Cachoeira de 1822? O livro que contém as súmulas dos atos administrativos, organizado por Aurélio Porto (IM/EA/AS/RL-001), dá para aquele ano histórico os seguintes dados:

1822. Em 2 de janeiro oficiou a Câmara ao Governador sobre a grande necessidade de aqui estacionar um destacamento militar em vista do abandono em que jaz a vila. Rendeu o segundo semestre de 1821, de novos impostos: 326.000 réis. Em 22 de março o povo fez uma representação contra o sargento-mor Alexandre Luiz de Queirós que tornou-se o terror dos habitantes da vila com suas continuadas tropelias. Para coibir esses abusos, mandou o Governo que, na povoação, desde 1810 sem força militar, viesse destacar o sargento-mor comandante Gaspar Francisco Menna Barreto. Em 27 de julho agradece a Câmara a oferta que a esta fez de uma imagem de São João, que manda colocar em sua sala de sessões ao Dr. Mendonça Pessanha, Juiz de Fora. Em 1º de agosto dirige o povo uma moção de solidariedade a D. Pedro I por não querer este abandonar o Brasil. Em 12 de outubro, com festas, é proclamado o primeiro Imperador.

Como se depreende dos registros feitos pelo historiador, a Vila Nova de São João da Cachoeira há pouco emancipada de Rio Pardo (5/8/1820), vivia naquele ano de 1822 as dificuldades de uma época em que o próprio país tentava se estruturar e reagir positivamente ao impulsivo gesto do jovem Príncipe Regente.

D. Pedro I em retrato de 1830 - Wikipedia
A estrutura política e as decisões administrativas da Vila eram comandadas por três vereadores: Constantino José Pinto (Presidente), Joaquim Gomes Pereira e Antônio José de Menezes. 

Assinaturas de Constantino José Pinto, Antônio José de Menezes e Joaquim Gomes Pereira – Livro CM/CP/TPJ-001, fl. 7v.
A segurança era precária e o Quebra, Alexandre Luiz de Queirós e Vasconcelos, com suas ideias libertárias, assustava os moradores. O santo protetor era São João, que dava nome à Vila, e a Igreja Matriz era o único dos bens patrimoniais existentes até hoje que já estava construído, embora em constantes obras e de aspecto bem diverso do que guarda atualmente.

Chegados ao 192.º ano da Independência do Brasil, com distância temporal suficiente para mudanças enormes e que perpassam todos os aspectos da vida da comunidade (econômicos, sociais, culturais, tecnológicos...), somos instigados a olhar para trás e reconhecer que se muito avançamos, ainda há muito a buscar, porém muito ainda a desvendar de um tempo em que engatinhando já ansiávamos caminhar a passos largos rumo ao progresso e afirmação do Brasil como nação.