quarta-feira, 25 de junho de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Um muro no local do "theatro velho"

O primeiro teatro de Cachoeira, o Cachoeirense, foi inaugurado em 1830. Trinta e um anos depois foi construído ao seu lado o prédio da Casa de Câmara e Cadeia, atual Paço Municipal.

Paço Municipal (1864) e Teatro Cachoeirense (1830)
 - foto recuperada por Martinho Schünemann - fototeca Museu Municipal

Sabe-se pouco da história do teatro. Mas chama a atenção o fato de que teria sido mandado construir pelos comerciantes da pequena Vila Nova de São João da Cachoeira e que sua capacidade era para acomodar 500 espectadores!
No final do século XIX o prédio teria sido demolido, sem que haja muita clareza a respeito do que de fato aconteceu. O seu lugar foi ocupado por um grande jardim que atualmente dá acesso às instalações do Gabinete do Prefeito e outros departamentos municipais.

Vista aérea do Paço Municipal, vendo-se o jardim que dá acesso ao Gabinete
- foto Robispierre Giuliani

Eis que um contrato celebrado entre a Intendência Municipal e o construtor Francisco Miotti  vem jogar luz sobre a situação do prédio, determinando que ele deveria construir um muro na "parede do lado Sul do theatro velho que foi incendiado", aproveitando os mesmos tijolos nela empregados. Teria um incêndio destruído todas as instalações do velho prédio? Ou teria sido parcialmente avariado?
O Grupo de Recuperação do Paço Municipal, que conta com especialistas em obras e construções, tem encontrado evidências de que o prédio do Teatro Cachoeirense ficava muito próximo do Paço Municipal, tendo sua demolição permitido intervenções posteriores no projeto original da Casa de Câmara e Cadeia. Estes são questionamentos que por ora ficarão sem respostas concretas, mas a riqueza documental preservada pela Municipalidade junto ao Arquivo Histórico é uma fonte preciosíssima para descobertas permanentes - ou de pistas que podem levar a novas e desafiadoras perguntas sobre o nosso passado.

Livro IM/GI/AB/C-001, fls. 35 e 35v.

Eis a íntegra do contrato constante do Livro IM/GI/AB/C-001, fls. 35 e 35v.:

Contracto que faz Francisco Miotti com a Intendencia Municipal para a construcção de um muro no local onde existia o theatro velho e reparos no prédio da sub-intendencia, sito á rua Saldanha Marinho, pela forma seguinte:
1.ª
O contractante obriga-se a demolir a parede do lado Sul do theatro velho que foi incendiado até a altura do respaldo do muro a construir, fasendo na parede demolida, na altura do respaldo, com uma argamassa de cal areia e cimento, e remate necessario.
2.ª
A construir com tijolos retirados da dita parede um muro em toda a frente, com dous metros de altura, caiado e rebocado na face externa, sendo este muro construído com tijolos a tição e dous pilares centraes com a necessaria resistencia para suster um portão de nove palmos, com dobradiças de ferro que serão encaixados e tomados a cimento.
3.ª
O alicerce terá 0,80 x 0,50 e será feito de pedra, cal, areia e cascotes, fornecendo a Intendencia a água precisa para todo o serviço.
4.ª
O traço empregado no muro para assentamento dos tijolos será de 3 x 1 de cal e areia, o reboque na base da frente até a altura de 0,60 será de cimento e dahi até a altura do respaldo será de 2 x 1 de areia e cal.
5.ª
O contractante obriga-se mais a substituir as paredes do edifício da sub-intendencia feitos de estuque e cujo reboco está a cahir, por imperícia e ganância do constructor, por paredes feitas como tijolo em pé convenientemente tomados com traço forte na razão de 2 x 1 de cal e areia.
6.ª
Obriga-se mais a rebocar ambas as faces das ditas paredes com reboco de cal e areia na mesma proporção, caiando todas as peças do mesmo predio, a juiso da Intendencia.
7.ª
A fornecer todo o material preciso para este ultimo serviço, pagando a Intendencia ao contractante, por todas obras de que trata este contracto, a quantia de seiscentos e deseseis mil reis (616$000) depois de recebido todo o serviço.
8.ª
O contractante, no fim de quatro meses, obriga-se a pagar a esta Intendencia uma multa de duzentos mil reis (200$000) si por ventura ficar provado que as obras executadas não têm a precisa solidez.
E, para claresa, eu, João Porto da Fontoura, secretario da fasenda, lavrei o presente contracto que assignam o Sr. D.r Candido Alves Machado de Freitas, vice-intendente em exercicio e o contractante Francisco Miotti sobre 320 reis de estampilhas estaduaes.
Cachoeira 7 de Maio de 1906
Dr Candido Alves M. de Freitas
Francisco Miotti

  

quarta-feira, 11 de junho de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Arquivo Histórico em clima de Copa do Mundo

A Equipe do Arquivo Histórico entrou no clima da Copa do Mundo no Brasil.
Há 64 anos o Brasil sediou sua primeira Copa do Mundo. Amargamos uma derrota para o Uruguai na final no Maracanã. De lá para cá muita coisa mudou. Inclusive o Brasil e o próprio futebol.
Mas Copa do Mundo é Copa do Mundo. Não há recanto da Terra que não se renda ao fascínio do futebol e de seus mágicos jogadores. E Cachoeira do Sul também está vibrando com a nossa Seleção Brasileira e a possibilidade de chegarmos ao hexacampeonato mundial.
Portanto:

VAMOS TORCER E VIBRAR JUNTOS!




sexta-feira, 6 de junho de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Impasses do Paço

A obra de construção da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, nosso Paço Municipal, que agora está em franco processo de recuperação do telhado e suas estruturas para posterior processo integral de restauração, teve início no ano de 1861. O empreiteiro da obra foi Ferminiano Pereira Soares, reconhecido construtor de sua época, vereador e proprietário de uma das áreas que a Câmara Municipal adquiriu para erguer o prédio.

Paço Municipal em foto do início do século XX - fototeca Museu Municipal

Obra desse vulto logicamente sofreu alguns impasses. Mas o que não se esperava é que terminasse sem ter o empreiteiro recebido integralmente os valores que lhe eram devidos pela Câmara, a ponto de o próprio Ferminiano ter escrito aos vereadores solicitando a quitação da dívida! Mas acabou morrendo sem ver a cor do dinheiro! Com seu falecimento, ocorrido no mesmo ano em que a Casa de Câmara, Júri e Cadeia começou a ser usada - 1865 - a viúva seguiu fazendo a cobrança...

Esta história só pode ser contada porque nosso Arquivo Histórico dispõe das correspondências que foram remetidas por Ferminiano Pereira Soares e depois por sua viúva, D. Carlota Pereira de Lima, com a cobrança do que a municipalidade lhes devia...

Eis os documentos. O requerimento de Ferminiano foi recebido pela Câmara em junho de 1865 e o da sua viúva em 2 de novembro daquele mesmo ano. 


Solicitação de pagamento feita por Ferminiano Pereira Soares
- CM/Obras e Melhoramentos/Requerimentos/Caixa 5



Solicitação de Carlota, a viúva de Ferminiano P. Soares
- CM/Obras e Melhoramentos/Requerimentos/Caixa 5