terça-feira, 28 de março de 2017 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A Morte do Comendador

A equipe do Arquivo Histórico teve a grata satisfação de ser brindada com a doação de exemplares da obra A Morte do Comendador. Eleições, Crimes Políticos e Honra (Antonio Vicente da Fontoura, Cachoeira, RS, 1860), autoria de Paulo Roberto Staudt Moreira, José Iran Ribeiro e Miquéias Henrique Mugge.



A doação foi feita pelo professor Paulo Roberto Staudt Moreira, sendo portador o acadêmico de História, e seu aluno, Jackson Freitas. Tanto o professor Paulo quanto o aluno Jackson têm sido pesquisadores do acervo do Arquivo Histórico. No caso de Paulo Roberto Staudt Moreira, o arranjo documental, bem como a cópia do inquérito sobre o crime de que foi vítima o Comendador Antonio Vicente da Fontoura foram rico material disponível no acervo do Arquivo para embasar a obra ofertada. Professor e pesquisador, Paulo Staudt Moreira atua especialmente nas áreas de História e Historiografia Brasileira do período imperial, é titular do Curso de Graduação e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS e historiógrafo do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul. A temática da escravidão é uma de suas especialidades.

Jackson Freitas - portador da doação



Flagrantes da recepção da obra pelas assessoras do Arquivo Histórico

A Morte do Comendador, que  integra a coleção EHILA - Estudos Históricos Latino-Americanos, parceria das editoras Oikos e UNISINOS, trata de uma das mais emblemáticas páginas da história cachoeirense e poder disponibilizá-la para futuros pesquisadores e interessados no assunto enriquece a oferta de subsídios do Arquivo Histórico. A doação e a entrega dos exemplares foi motivo de satisfação para toda a equipe que, grata, faz o devido e justo registro.

(MR)
sexta-feira, 17 de março de 2017 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Aconteceu há 100 Anos: Grande Torneio de Tiro

A Sociedade Rio Branco, fundada em 4 de agosto de 1896, nasceu como um clube de tiro, esporte bastante apreciado pelos germânicos, então com presença muito significativa na Cachoeira do final do século XIX.

Em março de 1917, a sociedade concluiu a sua sede própria, no Bairro Rio Branco, e comemorou a conquista inaugurando-a com um grande torneio de tiro, detalhadamente descrito pelo jornal O Commercio, edição do dia 21 de março:

Grande torneio de tiro
INAUGURAÇÃO DE EDIFICIO

Tiveram começo, na manhã de sabbado ultimo, com a recepção de atiradores e convidados, os grandes festejos que se estão realizando no vasto edificio do Schützen-Verein Eintracht, constantes de inauguração do seu edificio, de torneios de tiro e bem assim do 1.º  grande torneio de tiro (a premio ambulante) promovido pela Confederação do Tiro do Rio Grande do Sul.

Pelas 9 1/2 horas, na estação ferro-viaria, grande numero de socios do Schützen-Verein Eintracht aguardava a chegada de atiradores e hospedes. Quando o trem, procedente de Santa Maria, entrou na gare, a banda musical do Paraiso, regida pelo sr. Alberto Milbradt, executou uma marcha festiva, seguindo-se após os cumprimentos aos recem-vindos, em sua maioria procedentes do interior do municipio.

A' tarde, antes da chegada do trem de Porto Alegre, o edificio da estação e suas immediações ficaram repletos de povo. A' chegada do trem, que veiu com atrazo de mais de meia hora, fez-se ouvir a banda musical Estrella Cachoeirense. Seguiram-se os cumprimentos e bôas vindas aos atiradores e hospedes, que vieram em grande numero.

Organizando o prestito, precedido de musica e de diversos estandartes, este encaminhou-se para a casa da firma Guilherme Beskow & Cia., á rua Julio de Castilhos, indo receber o Schützen-Verein Eintracht, procedente do Serro Branco, e dirigindo-se á séde social, onde, pelas 9 horas, falaram diversos oradores. Em nome do Schützen-Verein Eintracht falou o pastor Germano Dohms, saudando os hospedes e sendo muito applaudido. Respondeu, agradecendo, o presidente da Confederação, sr. Julio Weise, que vivou os srs. tenente-coronel dr. Amaro de Azambuja Villanova e tenente dr. Pantaleão da Silva Pessôa, e, ao terminar, deu um viva ao Brasil, sendo enthusiasticamente correspondido.

(...)

Na manhã de domingo, pelas 8 horas, após a chegada do Tiro Brasileiro n.º 254, sob o commando do tenente dr. José Elias de Paiva Filho, começou a reunião de atiradores na Praça Conceição. Pouco depois das 9 horas, incorporadas as diversas commissões, autoridades locaes, representantes das altas autoridades do Estado, e mais pessôas presentes, o prestito movimentou-se, figurando n'elle os estandartes das sociedades  que se fizeram representar, sendo puxado pelas duas bandas musicaes a que nos referimos e pelo Tiro Brasileiro.

Descendo pela rua 7, o prestito seguiu em direcção á séde social, estacando á frente do edificio fechado. A' porta d'este, o sr. Julio Weise pronunciou o discurso official da festa e ao mesmo tempo o de inauguração do bello edificio, referindo-se, ligeiramente, ao historico do Schützen-Verein Eintracht e ás modestas proporções com que aquella agremiação iniciou a sua existencia. Ao terminar, uma commissão de senhoritas entregou-lhe a chave do edificio, que o orador, em seguida, abriu, penetrando n'elle os presentes. Logo após, o presidente da sociedade, nosso amigo Ernesto Müller, convidou o tenente Pantaleão Pessôa a dar o primeiro tiro, seguindo-se a este os representantes das autoridades e do municipio.

Primeira sede própria (1917) - Rua Ernesto Alves
- fototeca Museu Municipal

Durante o dia esteve animadissima a frequencia ao stand do tiro, onde havia 6 alvos para o tiro a braço firme e 2 para o de braço livre. A' direita ainda estava collocado um alvo, a menor distancia, para o tiro a revólver e pistola, que tambem atrahiu muitos atiradores, de modo que, durante a tarde, poucos segundos passaram sem que se ouvisse a detonação de um tiro.

Os festejos estenderam-se ainda mais, constando da inauguração de um quiosque para venda de objetos em benefício da Cruz Vermelha, representação teatral de comédia, apresentação de canto, sendo finalizados com uma reunião dançante que se prolongou até as 3 horas da madrugada. Os torneios de tiro, promoção da Liga de Atiradores do Rio Grande do Sul, ainda se estenderam até quinta-feira, sendo campeãs as representações de Teutônia, com 552 pontos, Porto Alegre, com 521, e São Sebastião, com 507. A representação do Schützen-Verein Eintracht ficou em quinto lugar, com 493 pontos.

Sobre o edifício da sociedade, o jornal referiu:

O edificio do Schützen-Verein Eintracht foi magnificamente ornamentado, tanto interna como externamente, apresentando garrido aspecto. 

Várias entidades congêneres do Estado fizeram-se presentes aos festejos, com destaque para o Deutsch-Brasilianer Schützen-Club, de Cachoeira, Deutscher Schützen-Verein Eintracht, de Cerro Branco, Schützen-Verein Glückauf, de Agudo, Deutscher Schützen-Verein, de São Sebastião do Caí, Club Freischütz, de Montenegro e o Turnverein, também de Cachoeira. 

Como bem diz a obra Sociedade Rio Branco - 100 anos de "Concórdia" (Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima, Gráfica Jacuí, 1996): "... ficaram para trás os bailes no salão do Gesangverein Frohsinn, as festividades impedidas pelo mau tempo, a singeleza do chalé..." Era uma referência aos tempos em que os sócios da novel sociedade alemã dependiam de espaços que não eram próprios ou das exíguas instalações da sua primeira sede, um pequeno chalé alugado nas imediações da antiga usina elétrica.

Primeira sede do Schützen-Verein Eintrach (Sociedade Rio Branco)
- fototeca Museu Municipal

A sede inaugurada em março de 1917 seria substituída em 1956 pelo edifício modernista que hoje abriga os salões e dependências da mais que centenária Sociedade Rio Branco.

Período em que as duas sedes sociais coexistiram

(MR)