domingo, 23 de outubro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Festa Nacional do Trigo em Cachoeira - 60 anos

Entre os dias 20 e 22 de outubro de 1956, Cachoeira do Sul sediou a VI Festa Nacional do Trigo e II Exposição Agro-Industrial, eventos que mobilizaram a cidade e a colocaram em evidência no país.

Os jornais locais, O Commercio e Jornal do Povo, fizeram ampla cobertura da programação da Festa e das atividades que a cercaram. A cidade, engalanada, recebeu o Presidente da República, Juscelino Kubistchek, o Governador do Estado, Ildo Meneghetti, e o senador e jornalista Assis Chateaubriand, proprietário da maior revista de circulação nacional da época - O Cruzeiro, dentre outras personalidades políticas, militares, civis e eclesiásticas.


                         
                            Edição do Jornal do Povo de 20/10/1956
                         - Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico

Edição do jornal O Comércio de 17/10/1956
- Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico


Disse o Jornal do Povo na edição de 21 de outubro de 1956, cuja manchete era "Estamos Trabalhando Para Dar ao Brasil o Pão de Que Precisa": 

Cachoeira do Sul tributou, no dia de ontem entusiástica recepção às comitivas federais e estaduais do Govêrno Estadual e Federal que aqui aportaram para assistir à inauguração da VI Festa Nacional do Trigo. Pela manhã, às 10,30 horas, em avião da VARIG, desembarcou no aeroporto local o Governador Ildo Meneghetti, que se fazia acompanhar de secretários de Estado, deputados estaduais e de representantes das classes econômicas gaúchas, sendo recepcionado por elevado número de pessoas pertencentes as mais diversas classes ficando hospedado na residência do industrialista Reinaldo Roesch.
Às 12,30 horas chegava o dr. João Goulart, Vice-Presidente da República, em avião procedente de São Borja. E uma hora após, o Presidente Juscelino, em avião especial da FAB, acompanhado do senador Assis Chateaubriand, do dr. Tancredo Neves, presidente interino do Banco do Brasil, deputados Godoy Ilha, Marcial do Lago, Lutero Vargas, José Moraes, Daniel Dipp, Unírio Machado, Fernando Ferrari e César Prieto. Juscelino foi recepcionado por altas autoridades civis, militares e eclesiásticas, tendo a Banda dos Fuzileiros Navais prestado as honras do estilo e com salva de obuzes pela Guarnição Federal desta cidade. O presidente desceu sorridente, envergando roupa cinza e gravata de igual côr, estampada com desenhos de feixes de trigo.

Após o desembarque, o Jornal do Povo noticiou que o presidente seguiu para a cidade à frente de um cortejo de carros que desfilaram pelas ruas em companhia do vice-presidente, do governador e do prefeito Arnoldo Paulo Fürstenau, rumando até o Parque de Exposição para inaugurar solenemente a VI Festa Nacional do Trigo. As ruas estavam repletas de populares e colegiais para ovacionar os visitantes.

Uma vasta programação foi desenvolvida ao longo dos dias 20, 21 e 22 de outubro logo após o corte da fita inaugural da Festa pelo presidente, às 14h15 do dia 20. Depois de vários discursos, bênção dos pavilhões da II Exposição Agro-Industrial de Cachoeira do Sul pelo Bispo Dom Antônio Reis e visita aos estandes, o Presidente deixou marcada sua presença pela seguinte frase: Estamos trabalhando para dar ao Brasil o pão de que ele precisa. O trigo, como o problema do petróleo, exige homens de ação e decisão.

Programa da VI Festa Nacional do Trigo - O Comércio, 17/10/1956
- Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico


Na noite do dia 20, às 20h, no salão de festas do Clube Comercial, foi oferecido um banquete às autoridades e às 23h, nos salões da Sociedade Rio Branco, aconteceu o baile de gala com coroação da Rainha da VI Festa Nacional do Trigo, senhorita Ivany Barchet. Dentre as jovens que compunham a sua corte, as cachoeirenses Janice Schneider e Rosemarie Lüdtke. 

Coroação da Rainha Ivany Barchet
- Jornal do Povo, 27/10/1956

No dia 21 de outubro, domingo, um grande desfile intitulado "Parada da Triticultura", com máquinas agrícolas e carros alegóricos, tomou as ruas principais da cidade. O palanque oficial da Festa estava instalado na Praça Borges de Medeiros. Durante os dias em que a VI Festa Nacional do Trigo se desenrolou, constaram do programa bailes diários nas diferentes sociedades recreativas. 

Um dos carros alegóricos da Parada da Triticultura
- Jornal do Povo, 27/10/1956
- Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico


Concomitante às atrações populares e festivas, aconteceu também o VI Congresso Nacional de Triticultores, no auditório do Ginásio Roque Gonçalves.

A VI Festa Nacional do Trigo, que era um evento itinerante realizado em diferentes cidades brasileiras onde a cultura do trigo tinha destaque, aconteceu em Cachoeira do Sul 15 anos depois da Festa do Arroz, preenchendo uma lacuna de eventos desta natureza que vinha desde 1941. Apesar do sucesso da VI Festa Nacional do Trigo, 12 anos se passaram até a realização da II FENARROZ, dando início a uma sequência de festas/feiras voltadas para a lavoura orizícola, cultura que marca a economia cachoeirense. 

(MR)
sexta-feira, 14 de outubro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

100 anos da visita de Olavo Bilac a Cachoeira

Há exatos cem anos, no dia 14 de outubro de 1916, o celebrado poeta Olavo Bilac chegou a Cachoeira, uma das tantas cidades brasileiras que visitou em razão de uma grande cruzada que empreendeu pelo país com o objetivo de divulgar a recém-criada Liga da Defesa Nacional, entidade com fins patrióticos.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

A recepção ao poeta, já na Estação Ferroviária, foi festiva. A Banda Musical Estrela Cachoeirense tocava uma marcha quando o trem chegou, às 16h45. Ao desembarcar, o poeta foi saudado em nome do povo cachoeirense pela menina Jenny Pinheiro que lhe ofereceu um ramalhete artístico. Entre vivas do povo que se aglomerava junto à Estação, o poeta desceu a escada do prédio e passou por uma longa ala de alunos e professores do Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura, liderados pela diretora Cândida Fortes Brandão. Novamente recebeu um ramalhete de flores com dedicatória do colégio das mãos do aluno Waldemar Brum, que proferiu os seguintes versos:

Amai as flores, crianças!
Sois irmãs nos esplendores,
Porque há muitas semelhanças
Entre as crianças e as flores

Olavo Bilac

Em teus versos, da flor tão bem tu falas
E da crença, ó cantor dos cantores!
Que ao passares, é justo que façam alas,
Vivando-te as crianças e as flores...

Cândida F. Brandão

Estação Ferroviária de Cachoeira - fototeca Museu Municipal

Acompanhado pela banda e pelo povo, o poeta foi conduzido ao Hotel do Comércio, onde ficou hospedado.


Hotel do Comércio, Rua Sete de Setembro - fototeca Museu Municipal

O programa da visita constou de recepção ao poeta na Intendência Municipal, à noite, aonde chegou conduzido por automóvel. Lá foi recebido efusivamente e saudado por discurso proferido pelo Dr. João Neves da Fontoura em que, ressaltando o propósito nacionalista do poeta, disse: 

A tua campanha triunfará o Brasil de amanhã, emancipado de tutelas odiosas, esquecido dos erros, reconciliado, unido, no gozo perfeito da sua maioridade nacional..."

Olavo Bilac respondeu com manifestações de reconhecimento pelas elevadas homenagens que lhe rendia o povo da Cachoeira.

Por três dias o poeta conheceu as belezas de Cachoeira e a recepção calorosa do povo: visitou a Granja da Penha, propriedade do Dr. Balthazar de Bem, proferiu uma conferência cívica e outra literária no Cinema Coliseu Cachoeirense, local onde também foi, na tarde do dia 17, alvo de uma festa escolar promovida pelo Colégio Elementar.

Cinema Coliseu Cachoeirense, Praça José Bonifácio - fototeca Museu Municipal

De Cachoeira, Olavo Bilac rumou de trem para Santa Maria. Em dezembro de 1916, em papel timbrado da Liga da Defesa Nacional, entidade por ele representada na difusão do nacionalismo e culto aos símbolos da Pátria, respondeu a carta de um amigo de Cachoeira dizendo, dentre outras coisas:

A leitura das suas linhas deu-me alegria e tristeza: alegria, porque me deu a certeza de que deixei amigos na Cachoeira; e tristeza, pela ardente e viva saudade que me causou: saudade de Cachoeira, e de toda a boa e generosa gente de Cachoeira...

Olavo Bilac faleceu dois anos depois que esteve em Cachoeira, a 28 de dezembro de 1918. Ficou conhecido pela produção literária e pelo espírito nacionalista e patriótico. Dentre as suas bandeiras, estava a defesa do serviço militar obrigatório. A Liga da Defesa Nacional, da qual foi um dos fundadores, existe até hoje e é responsável pela corrida do fogo simbólico, atividade que todo ano enseja o início das comemorações da Semana da Pátria.

Fonte: Coleção do O Commercio, edições de outubro de 1916 - Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico.
(MR)
terça-feira, 4 de outubro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Projeto Evolução Histórica da Configuração Urbana de Cachoeira do Sul - Parceria UFSM e Arquivo Histórico

"Para compreender o presente e planejar o futuro, é preciso evocar o passado. Por isso, o estudo da evolução histórica da configuração urbana de Cachoeira do Sul permite compreender a organização e a atual configuração do espaço urbano. Determinadas obras de infraestrutura (como pontes, estradas ou avenidas, estações ferroviárias e/ou rodoviárias), de espaços públicos (ruas, praças e parques) e de espaços privados (lotes, residências, indústrias e/ou locais de trabalho, mercados, clubes, cinemas e equipamentos urbanos em geral) dão a conhecer a produção físico-espacial e as suas formas de uso pelos citadinos, a identificar as centralidades, as direções da expansão urbana em relação a períodos da produção econômica e a atuação do poder público enquanto promotor de melhorias urbanas, da elaboração de planos diretores e de aprovações de loteamentos. Assim, épocas ou períodos são analisados mediante as transformações do processo de desenvolvimento físico-espacial, sociocultural, político-econômico, técnico-construtivo e estético do espaço arquitetônico e urbanístico.”

Com estas palavras a Profª Msc. Letícia de Castro Gabriel, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria, Campus Cachoeira do Sul, caracterizou e justificou o projeto de pesquisa coordenado por ela e intitulado Evolução Histórica da Configuração Urbana de Cachoeira do Sul. Em sua primeira etapa de desenvolvimento, o trabalho envolve acadêmicos e os profissionais do Arquivo Histórico visando à organização do acervo de plantas, mapas e projetos arquitetônicos que integram o acervo da instituição.



Equipe do Arquivo Histórico reunida com os alunos
e a coordenadora do projeto, Prof.ª Ms. Letícia de Castro Gabriel

Reunião entre a Prof.ª Ms. Letícia Gabriel e equipe do Arquivo Histórico
com a presença dos alunos voluntários do Curso de Arquitetura - UFSM
para tratativas de desenvolvimento do projeto

Depois de devidamente identificados e catalogados, os materiais poderão ser disponibilizados para pesquisa e auxiliarão, já em uma segunda etapa e com a participação de demais professores da UFSM-CS, na análise da evolução histórica da configuração urbana da cidade, contribuindo para a compreensão do processo de crescimento e seu efeito sobre a paisagem urbana. Mas os benefícios do projeto não se restringem ao universo acadêmico, mas também proporcionarão à comunidade em geral, a estudantes e pesquisadores de outras áreas o acesso a informações importantes sobre aspectos físicos, geográficos e urbanos do município de Cachoeira do Sul.


Projeto arquitetônico do Clube Comercial - localizado dentre os materiais
a serem identificados e organizados pelos acadêmicos

Projeto do Hospital da Liga Operária



Acadêmicos na tarefa de identificar e selecionar
plantas, mapas e projetos

A equipe do Arquivo Histórico celebra a parceria estabelecida com o Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSM porque em breve, graças ao auxílio dos acadêmicos voluntários Andreza Oliveira Nunes, Gustavo Severo, Mariana Ferrigo Flores e Schayane Dias, este rico material, ora pouco explorado e em parte ainda sem identificação, constituir-se-á em mais uma importante ferramenta para cumprimento dos objetivos da instituição, quais sejam os de preservar, organizar e difundir documentos históricos. Os acadêmicos serão assistidos em sua tarefa de organizar o acervo pela assessora técnica Neiva Ester Corrêa Köhler.