sexta-feira, 14 de outubro de 2016 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

100 anos da visita de Olavo Bilac a Cachoeira

Há exatos cem anos, no dia 14 de outubro de 1916, o celebrado poeta Olavo Bilac chegou a Cachoeira, uma das tantas cidades brasileiras que visitou em razão de uma grande cruzada que empreendeu pelo país com o objetivo de divulgar a recém-criada Liga da Defesa Nacional, entidade com fins patrióticos.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

A recepção ao poeta, já na Estação Ferroviária, foi festiva. A Banda Musical Estrela Cachoeirense tocava uma marcha quando o trem chegou, às 16h45. Ao desembarcar, o poeta foi saudado em nome do povo cachoeirense pela menina Jenny Pinheiro que lhe ofereceu um ramalhete artístico. Entre vivas do povo que se aglomerava junto à Estação, o poeta desceu a escada do prédio e passou por uma longa ala de alunos e professores do Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura, liderados pela diretora Cândida Fortes Brandão. Novamente recebeu um ramalhete de flores com dedicatória do colégio das mãos do aluno Waldemar Brum, que proferiu os seguintes versos:

Amai as flores, crianças!
Sois irmãs nos esplendores,
Porque há muitas semelhanças
Entre as crianças e as flores

Olavo Bilac

Em teus versos, da flor tão bem tu falas
E da crença, ó cantor dos cantores!
Que ao passares, é justo que façam alas,
Vivando-te as crianças e as flores...

Cândida F. Brandão

Estação Ferroviária de Cachoeira - fototeca Museu Municipal

Acompanhado pela banda e pelo povo, o poeta foi conduzido ao Hotel do Comércio, onde ficou hospedado.


Hotel do Comércio, Rua Sete de Setembro - fototeca Museu Municipal

O programa da visita constou de recepção ao poeta na Intendência Municipal, à noite, aonde chegou conduzido por automóvel. Lá foi recebido efusivamente e saudado por discurso proferido pelo Dr. João Neves da Fontoura em que, ressaltando o propósito nacionalista do poeta, disse: 

A tua campanha triunfará o Brasil de amanhã, emancipado de tutelas odiosas, esquecido dos erros, reconciliado, unido, no gozo perfeito da sua maioridade nacional..."

Olavo Bilac respondeu com manifestações de reconhecimento pelas elevadas homenagens que lhe rendia o povo da Cachoeira.

Por três dias o poeta conheceu as belezas de Cachoeira e a recepção calorosa do povo: visitou a Granja da Penha, propriedade do Dr. Balthazar de Bem, proferiu uma conferência cívica e outra literária no Cinema Coliseu Cachoeirense, local onde também foi, na tarde do dia 17, alvo de uma festa escolar promovida pelo Colégio Elementar.

Cinema Coliseu Cachoeirense, Praça José Bonifácio - fototeca Museu Municipal

De Cachoeira, Olavo Bilac rumou de trem para Santa Maria. Em dezembro de 1916, em papel timbrado da Liga da Defesa Nacional, entidade por ele representada na difusão do nacionalismo e culto aos símbolos da Pátria, respondeu a carta de um amigo de Cachoeira dizendo, dentre outras coisas:

A leitura das suas linhas deu-me alegria e tristeza: alegria, porque me deu a certeza de que deixei amigos na Cachoeira; e tristeza, pela ardente e viva saudade que me causou: saudade de Cachoeira, e de toda a boa e generosa gente de Cachoeira...

Olavo Bilac faleceu dois anos depois que esteve em Cachoeira, a 28 de dezembro de 1918. Ficou conhecido pela produção literária e pelo espírito nacionalista e patriótico. Dentre as suas bandeiras, estava a defesa do serviço militar obrigatório. A Liga da Defesa Nacional, da qual foi um dos fundadores, existe até hoje e é responsável pela corrida do fogo simbólico, atividade que todo ano enseja o início das comemorações da Semana da Pátria.

Fonte: Coleção do O Commercio, edições de outubro de 1916 - Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico.
(MR)

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